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quinta-feira, março 07, 2019

Perfume e Saúde


Perfume faz mal à saúde?
Numa crise de enxaqueca aromas fortes funcionam como veneno. Muitas pessoas não suportam usar ou sentir perfumes nesta situação. Algumas até iniciam a crise devido ao contato com  alguma fragrância ou cosméticos perfumados.
Sabemos que o gatilho para alergias respiratórias, enxaquecas, ou alergias de pele (erupções cutâneas, vermelhidão e coceira ) pode estar em algum componente dos produtos aromáticos.
No passado li o relato de alguém que dizia ter intoxicação a nível hepático com algumas fragrâncias. Considerei exagero na época, porém hoje sei que 1,8 cineol, responsável pelo odor de eucalipto, pode trazer danos ao fígado, se em grande quantidade. Por outro lado é amplamente usado em fármacos para gripes e resfriados...


Nós óleos essenciais da Rosa de Bourbon existe B-damascenona que talvez cause alergia, se em quantidades acima da média. A mesma substância entretanto já foi identificada em tomates, ameixas e uvas. Entretanto seu uso na aromaterapia é indicado para curar traumas e restaurar a confiança.
Musgo de carvalho  gera controvérsias com estudos apontando ou não o potencial tóxico dependendo da quantidade presente de atranol e cloroatranol.
Na maioria das fragrâncias comercializadas, excluindo uma pequena parcela de perfumaria niche e perfumaria botânica, existem dezenas  de componentes químicos estranhos à natureza, e que reunidos nos trazem a impressão de algum aroma natural específico.
Muitos podem provocar alergias ou intoxicar, mas não tomamos conhecimento da sua presença porque a composição de uma fragrância é segredo comercial, protegido por lei, e não divulgado.
Alérgenos mais conhecidos em perfumaria  são: - Álcool cinamílico,  Hexylcinnamaldeído,  Cumarina,  Isoenugenol,  Álcool anisil,  Álcool amil cinamílico , Hidroxi-citranel , extrato de musgo de carvalho,  bálsamo de tolú.



Environmental Working Group afirma que a média dos perfumes fabricados "contém cerca de 14 substâncias químicas secretas que não estão listadas no rótulo, muitas das quais  ligadas a perturbações hormonais e reações alérgicas, assim como cerca de 80% delas não estão sendo testados quanto à segurança humana  em produtos para cuidados pessoais".
Isto oportunizaria que fabricantes adicionassem em suas fórmulas substâncias mais baratas, apesar de mais nocivas, para somar qualidades como reprodução de aromas naturais,  maior fixação ou dispersão do spray.
Falamos aqui na doce atração de petroquímicos!
Nos Estados Unidos uma coalizão com mais de 100 grupos (Campaign for Safe Cosmetics) realizou testes independentes e descobriu número variado destas substâncias químicas nocivas na maioria das fragrâncias comerciais legalmente protegidas. Coco Chanel com 18, Curious de Britney Spears e Acqua di Gio  de Giorgio Armani com 17 foram as que sobressaíram pela quantidade.
Estudos canadenses nos dizem que alguns produtos químicos orgânicos voláteis (VOCs) encontrados em produtos que tem fragrância diminuem a qualidade do ar interno e contribuem para os problemas de saúde.


A exposição à tais substâncias pode causar dores de cabeça, irritação dos olhos, nariz e garganta, náuseas, esquecimento, perda de coordenação e outros sintomas respiratórios e / ou neurotóxicos em uma parcela da população.
Alergias a cosméticos na maioria são desencadeadas pelos compostos aromáticos.
Ftalatos nas fragrâncias perturbam os hormônios e estão relacionados, em estudos com animais, a malformações do pênis, bem como efeitos adversos nos testículos em desenvolvimento. Porém os ftalatos podem ser ingeridos através da água encanada e até estarem presentes em brinquedos infantis.
Recomenda-se  evitar produtos de limpeza, desodorantes ambientais, e produtos de higiene pessoal com fragrâncias principalmente em locais com pessoas suscetíveis ou debilitadas. Isto se aplicaria  nos hospitais,  ambulatórios e consultórios se possível estendendo-se a outros  locais de trabalho fechados.


Kate Grenville é escritora australiana que com o passar do tempo sentiu-se incomodada pelas fragrâncias e passou a estudar o assunto. Concluiu que "substâncias químicas presentes na fragrância podem estar ligadas não apenas a problemas de curto prazo, como dores de cabeça e asma, mas também a problemas de longo prazo, como a interrupção hormonal e o câncer.
Pesquisa australiana, de 2016, realizada em âmbito nacional, relata que "no geral, 33% dos australianos descrevem problemas de saúde, como enxaquecas e ataques de asma, quando expostos a produtos com fragrâncias".
Pessoalmente, acredito que  além da natureza química também devemos considerar a quantidade do componente versus sensibilidade pessoal.
Uma pequena fração da população pode sensibilizar frente a algum componente e outros necessitariam  estar em contato com grande quantidade para colocar em risco sua saúde.
Assim é com muitas  substâncias químicas e produtos industrializados ao nosso redor, inclusive os de nutrição.


Tentando minimizar o problema muito países tem proibido várias substâncias artificiais, ou óleos essenciais naturais. O que gera grande polêmica.
Penso que o bom senso indica meio termo.
Se um componente se revela realmente tóxico para órgãos essenciais, ou irritante para a maioria das pessoas deverá ser proibido.
Contudo se  ocorrerem alergias numa pequena parcela de usuários a formulação deveria  ser apontada no rótulo. Isto  traria segurança para o consumidor.
Quando um indivíduo é alérgico aos "frutos do mar" não escolherá trabalhar numa peixaria, nem ingerir estes alimentos. E os demais não deixarão de come-los por este motivo
Enquanto não se definem boas práticas a respeito minha tendência é de procurar perfumes com a maior quantidade possível de ingredientes naturais,  diminuir a quantidade de produtos químicos direto na pele e optar por marcas que tenham filosofia concreta de preservação da natureza, respeito aos animais e ambiente. Isto indica responsabilidade profissional.
Também procuro utilizar óleos essenciais naturais no cotidiano doméstico.


O grande problema que percebo é o volume crescente de aromas sintéticos ao nosso redor,  sobre os quais não temos interferência direta. Este ato de perfumar ambientes, objetos, vestuário e comidas cresce cada vez mais.
Vivemos sob overdoses de fragrâncias artificiais que desconhecemos e nossa liberdade de escolha termina quando não há informação.

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