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segunda-feira, maio 21, 2018

Eau de Hongrie - Minya Viktoria Parfums


Doce intimidade de pele morna.
Daquele cheiro de corpo depois que o perfume usado incorporou o aroma natural que quem usa, misturando-o suavemente com os demais odores do ambiente.
Simbiótico, absorveu tênue presença de tabaco, fumaça distante trazida pelo vento somada a flores e especiarias,  e na contrapartida exalou discreta, picante e carnal sensualidade.


Floral, agridoce e melífero refletindo inclusive o ligeiro acento metálico que costumamos sentir no mel puro de flores silvestres.
Grata surpresa Eau de Hongrie  de Minya Viktoria  transparecendo suavidade quente de toucador  levemente amadeirada.
Reúne  notas de baunilha, almíscar, sândalo e âmbar no acorde de base.
Talvez pelo envolvimento histórico  com a realeza, da antecessora Água de Hungria, minha imaginação tenha construído uma fragrância com  notas suntuosas, formais e muito sofisticadas.


Entretanto o aroma levou-me para a cor intimista e  carnal que costumamos chamar de "rosa antigo"; pálida e encantadora mesclando o rosa com pitadas de sol.
Coloração atenuada da  que se vê nas garrafas do licoroso vinho de sobremesa Tokaji , que inspirou esta fragrância.
Esta cor que lembra um entardecer caloroso e natural.


Na região de origem do vinho Tokaji Aszú,  cujos  vestígios apontam os  mais antigos vinhedos da Terra (período Devoniano),  a história da bebida remonta ao século XIII;  quando a ordem Católica Romana dos Paulinos se estabeleceu na Hungria.
As vinhas aszú cultivadas em Oremus, no grande vinhedo da princesa Zsuzsanna Lorantify, estavam sob a direção do pregador calvinista László Szepsi Maté.


Em torno de 1620, devido a guerra com os turcos otomanos, estas uvas não foram colhidas no tempo adequado e acabaram atingidas pelo fungo Botrytis cinérea ( podridão cinzenta ou podridão nobre).  Mesmo assim foram fermentadas originado um novo tipo de vinho conhecido como Aszú que só foi servido à realeza 10 anos depois.
Destas primeiras e rústicas fermentações evoluíu o moderno vinho aszú de Tokaji , doce, elegante e denso.

Tal e qual o  eau de parfum  que nos transmite refinamento e delicadeza na sua característica reservada e conciliadora.

Ficha Técnica


Família Olfativa: Oriental Floral Baunilha, 2014
Perfumista: Viktoria Minya
Designer: Viktoria Minya Parfums
Rastro: Moderado
Fixação Muito boa
Frasco: Inspirado na garrafa do vinho Tokaji, em caixa de madeira


Pirâmide Olfativa:
  • Topo - Limão siciliano, toranja, mel
  • Coração - Mel, jasmim, trevo, imortelle, ládano
  • Base - Sândalo, baunilha, fava tonka, almíscar, vinho Tokaji
Similaridades:
Apreciadores da perfumaria citam que está na mesma linha olfativa de Botrytis de Ginestet, Escada Collection, Immortelle de Corse de L'Occitane in Provence, Venezia de Laura Biaggiotti


Arte Irmã: Se fosse uma pintura seria como a arte de Igor Levashov

Imagens: Acervo de  Viktoria Minya Parfums

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