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quinta-feira, dezembro 11, 2014

Gian Zanotto e Leandro Barros no Bate e Rebate V


Gian Zianotto, publicitário, designer, empresário de moda e  Leandro Barros, designer gráfico dividem um mister comum. São  estudiosos de perfumaria, cuja experiência advém da busca incessante pelas melhores fragrâncias, da pesquisa contínua.
Ambos dedicados ao hobby  já  incorporado às atitudes do cotidiano.Igualmente conhecedores. Colecionadores.
Gian Carlos nosso amigo do Sul, da bela Blumenau cidade de Santa Catarina, divide seu empenho profissional como diretor criativo da empresa SHOUT  e na cátedra em marketing.
Leandro exerce suas atividades na progressista Franca do estado de São Paulo.
Prazeroso é o momento em que se pode reunir dois amigos com tal afinidade, e ainda mais gratificante, compartilhá-lo com todos.
Hoje eles expressam lembranças e experiências vividas neste particular universo dos sentidos: A perfumaria.


1.Elisabeth -  Como foi o início deste interesse pelos perfumes? Vocês imaginaram que se transformaria num hobby, um verdadeiro lado "B"?

Gian - Meu interesse começou cedo. Não entendia nada sobre isso. Apenas sabia que gostava de determinados aromas. Um dia ganhei um Paco Rabbane dos meus pais. Começou aí uma grande paixão!

Leandro - Desde pequeno gosto de perfumes, mas tinha que me contentar com os Axe de todos os tipos, lenços perfumados que distribuíam em viagens aéreas, e com as loções English Lavender Atkinsons que vez ou outra pegava do meu pai. Quando possível dava um jeito de encontrar o Azzaro Pour Homme que ele guardava como uma joia... Na adolescência, meados de 90, meu maior barato eram as propagandas e menções às notas olfativas. Chegava a ponto de ligar para o SAC do Boticário para pedir catálogos de produtos. Folhear revistas importadas e de companhias aéreas era um "caça ao tesouro" pois vinham recheadas de anúncios e as vezes de sachets dos famosos como Cool Water Davidorff e Obsession. Há poucos anos atrás de hobby, este gosto pelos perfumes virou quase obsessão. Percebi a tempo que o mais atraente para mim é imaginar como um perfume pode ser através das notas e descrições. Algo como um amor platônico, que na maioria das vezes, acaba se desfazendo quando experimento. Dentre os poucos que me cativaram posso destacar Guerlain- Habit Rouge, Jacomo de Jacomo Noir, Boucheron Pour Homme, Mugler Cologne, e Caron Pour un Homme.


2. Elisabeth - O que vocês pensam sobre a perfumaria nacional? Está faltando algo para alavancar a criação interna? O que impulsionaria o Brasil a sair do círculo vicioso de similares, inspirados e contratipos?

Gian - Na minha opinião, uma das principais dificuldades da indústria nacional se deve a fatores culturais. Primeiramente, pouco acesso tivemos aos produtos importados; devido as barreiras comerciais (portuárias) e legais de importação, ao baixo poder aquisitivo da maioria da população. Somente agora estamos alavancando nossa economia neste setor. Outro fator refere-se ao clima tropical que é propício para deo-colônias ( edc e edt's). São poucas as ocasiões nas quais podemos usar um perfume mais intenso e elaborado.

Leandro - Considero a perfumaria brasileira excelente. Realmente encontramos muitos perfumes brasileiros que se assemelham aos perfumes de grandes marcas, como as francesas e italianas mas, se olharmos as grandes casas internacionais, também encontraremos o lugar comum. Muitas tomam fórmulas bem sucedidas, adicionam alguns diferenciais, colocam a assinatura da casa e destinam grande verba para campanhas massivas de divulgação. As empresas e perfumistas que criam para grandes marcas internacionais são os mesmos a criar para as marcas brasileiras. Diferença existe no foco da direção criativa, no público alvo, no clima para onde os produtos são destinados. Se o mercado pede fougére, florais ou frutais frescos do que adianta investir na criação de chypre couro e oriental gourmand? Ocasionalmente são lançados mas acabam saindo do mercado pelo fracasso comercial. L'Acquadi Fiori Ladro, Connexion do Boticário e Natura Atmos são ótimos exemplares de perfumaria brasileira.


3. Elisabeth - Existe o perfume, usado pela pessoa especial, que lhes provoque atração irresistível ?

Gian - Absolutamente nenhum se compara ao 31 Rue Cambon um dos Exclusifs de Chanel.

Leandro - Não existe cheiro melhor do que o da pele, após o banho, livre de qualquer perfume ou creme hidratante. Mas se tratando de perfumes...Thierry Mugler Cologne, CK Be, L'Occitane Eau des 4 Reines, Dolce Gabbana Light Blue são muito "estimulantes". Por outro lado não suporto Dior Addict, Dior Hipnotic Poison, Thierry Mugler Angel ou qualquer perfume que se projete muito. Se a distância eles são magnéticos, de perto são nauseantes.


4. Elisabeth - Qual a família olfativa ou maison que consegue despertar sua atenção na maioria das criações?

Gian - Costumo gostar de grande maioria dos orientais, mas quando se trata de amadeirados e incensados confesso que fujo. Quanto a uma grife específica, nenhuma se compara a perfumaria Chanel. No filme Riquinho (Richie Rich) há uma cena na qual o professor Keenbean inventa uma máquina para cheiros. Regina, mãe do personagem de Macaulay Culkin diz a seu marido: - Para que precisamos dessa máquina se já temos Chanel para cheirar? Faço das palavras dela as minhas!

Leandro - Os perfumes transparentes close-to-skin são os que mais me agradam e nunca se tornam cansativos. Dois grandes exemplos são Natura Atmos e Bvlgari Pour Homme. Porém tenho meus "alteregos"; Boucheron Pour Homme é um cítrico floral muito luxuoso e potente, e igualmente versátil. Não posso deixar de citar Jacomo de Jacomo Noir que é o perfume mais escuro e misterioso que conheço.


5. Elisabeth - Vocês tem alguma memória marcante relacionada com perfumes ? Uma história para contar?

Gian - Esse perfume é o Armani Pour Homme. Evoca meus dezoito anos, fase de descobertas e também de imaturidade. Nunca se ouvira falar por aqui! Pedi para um amigo, em viagem a Australia, que comprasse. Esta é uma lembrança da qual não quero me separar.

Leandro - São tantas... Mas vou contar uma ingênua. No "auge" dos meus 13 anos, as propagandas baratas influenciavam muito minhas escolhas. Como aquela promessa de "Com Avanço elas avançam..." (risos). Por conta de uma dessas propagandas enganosas comprei um Brut Faberge que, verdade ou não, me dava uma segurança incrível, na época mais introvertida da minha vida. Essa segurança significou minha primeira conquista amorosa autêntica, sem precisar de intermédio dos amigos. Foi em uma boate. Mas a conquista durou pouco. Após dançar e beijar muito, comecei a conversar com a garota, que tinha uns 18 anos. Aos poucos ela caiu na real que eu era uma criança. Principalmente no momento que ofereci uma Fanta Uva. Ela inventou algumas desculpas e desapareceu. Para mim é uma ótima lembrança, uma vitória contra a timidez da época. Pra ela acho que foi a mesma coisa que cair no golpe do bilhete premiado (risos).


6. Elisabeth - Se vocês tivessem a oportunidade de construir um perfume partiriam de um conceito? Ou de notas específicas? Qual ou quais?

Gian - Creio que não teria esta capacidade, mas convocaria alguns dos melhores perfumistas do mundo, como Jacques Polge, Christopher Sheldrake, Michel Almairac e Maurice Roucel. Juntos construiríamos algo maravilhoso. Eu seria o "palpiteiro".

Leandro - Seria interessante criar uma forma de "vestir" um mesmo perfume para várias ocasiões. Talvez na forma de um coffret do perfume assinatura acompanhado de bases elaboradas de forma a adequar esta fragrância para diversos climas e ocasiões. Isso seria ótimo para pessoa que gostariam de uma só identidade olfativa. Imagine usar Kouros num churrasco com calor de 30ºC sem soar cafona, ou usar um Acqua de Gio em festa black tie sem soar infantil ou despersonalizado.


7. Elisabeth - Qual foi a maior decepção perfumística?

 Gian - São tantas decepções que fica até difícil enumerar. Mas a minha última frustração foi com os perfumes TAUER. Coloquei muitas expectativas em cima destas fragrâncias e simplesmente não casaram com minha pele. Conforme já comentei não aprecio os amadeirados e incensados. Deixo isto para as horas no templo.

Leandro - Sem dúvida foi Oscar de La Renta Pou Lui. Confiando em impressões que li nos sites especializados esperava um clássico típico dos anos 80. Deparei-me com um odor saponáceo, totalmente datado, atolado em sândalo, nauseante e "mal educado"tamanha é sua projeção. Talvez daqui alguns anos eu consiga dar uma nova chance a esse "amadeirado refrescante".

Elisabeth - Gian e Leandro, costumo dizer ao people por quem tenho afeto que as meninas são minhas flores e os meninos meus amores. Vocês dois certamente são amores de primeira grandeza. Obrigada! Adorei a participação de ambos! Beijocas

Imagens: Gian Carlos e Leandro Barros, Reprodução de cartoons - Mafalda; Olívia e um dos sobrinhos de Popey; Pato Donald; Penélope; Riquinho; Pepe Le Pew e Penélope; Franjinha; Zé Carioca

Vídeo: Little Joy - The Next Time Around

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