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sexta-feira, agosto 15, 2014

O Barato Sai Caro? - Távola 5


- Como definir o valor de um objeto?

Existem valores distintos embutidos nos objetos que adquirimos. Pensando no quanto eles satisfazem nossas necessidades e desejos, e o custo para obtê-los  presumimos um  valor subjetivo ou qualidade percebida.
O preço do sonho.
Entretanto se analisarmos racionalmente nos deparamos com a qualidade intrínseca ou com os aspectos que lhes atribuem valor quando comparados a objetos da mesma categoria.
O valor real.
Comparando um perfume de grife com proposta semelhante, vinda da perfumaria popular, vemos que sua qualidade percebida, pode ser atribuída em parte à seletividade, conceito ou luxo, enquanto a    qualidade intrínseca se origina na concentração de ingredientes, acuidade de preparo e controle de qualidade.
Em teoria, pois frente a inúmeras decepções  com o barato e/ou caro, percebido e intrínseco,  concluí que antes de nortearmos nossa escolha  por dogmas e conceitos é necessário o crivo do bom-senso.


- O barato sai caro?

Geralmente, apesar de existirem exceções.
Apesar de não possuirmos tradição centenária  nosso mercado em perfumaria avança. Algumas empresas grandes e pequenas se esforçam para escapar do estigma  da similaridade de clássicos europeus ou norte-americanos oferecendo novidades a menor custo.
Por outro lado os famosos contratipos apresentam  diferencial monetário, porém matam a perfumaria, embotando a criatividade, acostumando o público consumidor ao segundo plano da imitação, em detrimento da singularidade.


Enquanto no lançamento  de uma fragrância original estão envolvidas dezenas de pessoas, desde  o conceito até as prateleiras, cópias andam no vácuo como os meninos de bicicleta na traseira dos caminhões.
Menor preço sim, que não compensa devido a baixa concentração de óleos aromáticos e deficiente fixação. Três ou quatro vidros duram o tempo de 1 (hum) original importado. Isto sem argumentar sobre  o aspecto não ético da cópia.
Não é minha tea cup apesar de ter experimentado vários e até, numa ou outra ocasião, me beneficiado da semelhança.


Porquê o sucesso dos similares e contratipos da perfumaria popular?

Principalmente pelo custo. Provavelmente, em paralelo, pela acessibilidade.
Devido à vários critérios da política comercial do país  fragrâncias nacionais, que,  em qualidade de matéria-prima, se equiparam as importadas, estão quase no mesmo patamar de custo. Altíssimo!
Tanto nacionais como importadas escapam ao bolso da classe média brasileira. Principalmente se  observarmos que na Europa e América do Norte grandes marcas oferecem produtos de ótimo nível a preços ( locais) mais acessíveis.
E as aqui fabricada,  de maneira geral, não seguem o mesmo  padrão de originalidade ou a diversidade de opções.
Falta estímulo à inventividade  da nossa indústria. Ou sobram empecilhos.
Quanto as  tradicionais amostras ou pequenas frações... saíram do âmbito da publicidade sem ônus para o consumidor passando  para distribuição vinculada à compras vultosas,  ou sendo vendidas(!).  Adição de mais lucro, cobertura da fatia de bolo que já é custoso.
Da mesma forma testers que eram vendidos no e-commerce por reduzidos valores estão equiparados em preço aos frascos com tampa e embalagem, salvo diferença mínima.
O que resta para o bolso do consumidor? Similares, inspirados, contratipos...  encontrados como fragrâncias populares a baixo preço.
Péssima realidade.


- Como se posicionar neste mercado difícil?

Procurando de coração aberto e nariz afiado ocasionalmente encontraremos pérolas no mar de mesmices.
Despindo nossos critérios do preconceito contra a mercadoria barata, nem sempre ruim, e considerando que ocasionalmente nos deparamos com perfumes medíocres amparados por grifes famosas, o que vale é a procura minuciosa,  que permitirá separar o joio do trigo.


Trilhando neste caminho lembro prazerosamente de fragrâncias acessíveis que usei cotidianamente em muitos períodos da vida.


Serena The Perfume de Artmatic -  Frasco metalizado tubular preto, parecendo  desodorante spray, era um poderoso "americano" incensado, vendido em pequenas lojas no centro da cidade, lá pela década de 80.


Wil Musk Oil de Coty- Óleo de aroma intenso  no pequeno frasco marrom que mais parecia remédio de ervanário. Espalhava na pele doçura almiscarada e tentadora, apesar da origem totalmente artificial.


Seiva de Alfazema - Tradicional, conhecida nos quatro cantos do país; leve e fresca trazia as lavandas para o pós banho, principalmente nos dias quentes de verão.


Tabu de Dana - Apesar da fragrância figurar em coleção, atualmente uso talco e desodorante que se prestam a coadjuvantes de inúmeros perfumes especiarados ou apimentados da velha escola. As "bombas" dos anos 80.
Mimos de outrora que comparados  aos objetos de desejo vindos do estrangeiro primaram pelo baixo custo e agradável retorno.


Nesta busca, pelo preço que satisfaz nosso nariz , e conta bancária,  consideremos a  Relação Custo Benefício, máxima importante, quase lei no universo comercial.
Não?
Neste caso, trilhe a  sabedoria popular que apregoa: - Nada é caro quando satisfaz nossas necessidades.
E boa sorte!


Imagens: Meerward-apple;  Charges de Cartoon Stoc; Serena The perfume by Artmatic em imagem do youtube; Wild Musk Oil Coty; Seiva de Alfazema Phebo; Publicidade vintage Tabu Dana

* Leia o que outros autores sobre perfumaria escrevem na Távola ou Mesa Redonda!


1 Nariz;  A Louca dos Perfumes;  Blog da Helen Fernandes; Le Monde Est Beau;  Odorataparfums;  Parfumée; Perfumart, Pimenta Vanilla;  Van Mulherzinha;  Village Beauté;  Templo dos Perfumes.

24 comentários:

  1. Seiva de Alfazema não falta aquí em casa. Wild Musk era o perfuminho de balada de uma prima minha nos anos 80... eu era criança e ficava olhando ela se arrumar para sair e se perfumar com o pequenino... bons tempos!

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    1. Adoro lavanda e alfazema Ju. Tanto que tenho as duas espécies plantadas no jardim.usei muito a Alfazema Phebo e a Alfazema da Garrão ( descontinuada). E o Almíscar Coty rendeu muitos elogios quando era meu preferido. Ainda tenho um frasquinho...Beijocas

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  2. meu comentário sumiu, tentarei novamente... Falava de uma sensação: Tabu e Wild Musk parecem retornar às peles brasileiras. COmentários e usos com mais frequência...bjs

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    1. Oi Dâmaris.A internet está terrível. Aconteceu a mesma coisa no blog da Diana. Foi necessário comentar novamente. Preciso visitar os blogs para ver se todos os comentários apareceram...rsss. Tem razão, ultimamente as referências aumentaram. Gostaria de ver os bons ( e antigos) cosméticos de volta as prateleiras, com preços acessíveis. Como os da Myrurgia p.ex. Beijocas de Elisabeth

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  3. Excelente reflexão! Adorei as imagens! E deliciosas menções, que saudade do antigo Wild Musk...

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    1. Obrigada. Eu vejo o Wild Musk em alguma farmácia ocasionalmente. comprei um há 2 ou 3 anos. Beijocas

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  4. E eu agora,que fiquei 15 minutos pra postar no blog? Apagava!

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    1. Diana com frequência encontro este tipo de problemas.dificuldade para postar texto e principalmente imagens. Imagino o que acontece com nossos visitantes! e com aqueles que querem postar comentários. É de tirar a paciência de santo. Beijocas

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  5. Quando ingressei nessa viagem sem retorno que é a paixão por perfumes, fui na onda dos contratipos. Nunca usei um até o final, acabava passando um bom tempo nos tópicos de troca e venda no orkut e atenta às promoções da internet, sentia necessidade da experiência por inteiro. Hoje continuo buscando promoções interessantes e... consumindo muito menos, mas me reservando o direito de ter o que gosto na íntegra. Em tese os contratipos teriam o condão de possibilitar ao consumidor bastante experimentação sem muito gasto, para assim ele investir no produto original mais assertivamente, mas pessoalmente, diante da enxurrada de mesmice das cópias, não parece ser o que acontece. Em lugar de incentivar a descoberta da 'identidade olfativa', os contratipos não tem feito mais do que acentuar a massificação.

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    1. Claudia concordo plenamente.A experiência com contratipos, e imitações não satisfaz completamente. Mas é necessário separar os grupos de perfumes com a mesma tendência olfativa. Afinal é impossível que nos milhares de lançamentos anuais cada um tenha características exclusivas e inéditas. Acabam se diferenciando em pequenos detalhes.
      Voltando aos contratipos e inspirados... em duas ocasiões atingiram seu propósito. 1) Quando queria provar um perfume russo e não encontrava nenhuma amostra. Gostei do contratipo e encomendei o original.2) Quando me apaixonei por um perfume nacional e depois de tempos descobri que era muito parecido com o maravilhosos Dune. Entretanto, de maneira geral, a relação custo/benefício é ruim. Beijocas de Elisabeth

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  6. Gostoso sempre de relembrar essas fragrâncias do passado. Acabo de tomar uma ducha com um sabonete líquido extremamente concentrado de "Herbal essence". Rolou um agradecimento por esse aroma existir ahahahhahah. Eu mesma me pego refletindo sobre minha sanidade às vezes. Eu me pergunto o que seria de pessoas saudosistas assim como eu, se não houvesse internet.
    Lembro bem desse frasquinho de Seiva de alfazema. O aroma foi alterado ou não?? Em casa usávamos com muita frequência e até hoje eu não abro mão de alfazema e lavanda, pelo extremo conforto, relaxamento, sensação de limpeza.
    Eu bebo até o chá e sim, tenho a planta, que comprei, por sinal, esse mês.
    Sabe um produto excelente com aroma de lavanda que, se você não conhece, precisa ir atrás! O talco de lavanda da Menphis. É tão puro! O sabonete é outra beleza, mas o talco, nossa...Chafurdo!!!
    O óleo de musk era onda nos anos 70, né? Descobri isso lendo na APP e fiquei tão curiosa sobre como ele deveria cheirar, assim como o patchouli. Eu cheguei a conhecer, e comprar, o atual mas todas as pessoas que usaram o antigo disseram que ele mudou. Um produto gostoso da linha dele, com um aroma bem ambarado e levinho é o desodorante em creme, de potinho. Vale pelo aroma porque desodorante, salvo uma ou outra situação necessária, eu sou contra usar e tenho cortado gradativamente da minha vida.
    Bjus Beth e parabéns pelos sempre ótimos textos!

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    1. Lily Tenho duas espécies de lavanda/alfazema no meu quintal. Uma de folha lisa e outra de folha recortada que é usada para culinária como tempero. Desta provavelmente posso fazer chá. As duas são extremamente aromáticas. Uso nos travesseiros,em sachets nos armários... fiz tintura e adicionei num produto de limpeza feito com álcool e um pouco de detergente. Uma delícia.
      A Phebo lançou uma Alfazema nova.Provavelmente é a antiga repaginada. Não provei adequadamente , mas pareceu boa. Gosto dos produtos Memphis, porém talco é dificílimo de achar nas farmácias desta cidade!
      Acabei de procurar, e encontrei on line! Excelente dica, obrigada. Minha irmã encalorada adora talcos e lavanda é um aroma perfeito para refrescar a pele.
      Se você encontrar Wild Musk não vacile. Usei nos anos 80, na faculdade. Era perfeito. E tinha outro que o pessoal da APP comentava muito. Não recordo se patchuli ou vetiver. Vi numa farmácia há dois ou três anos, deixei passar e nunca mais...sniff... Se encontrar compro dois e envio pra vc. Beijocas

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    2. Oi Lily. Quando nao elitizamos compras e damos uma chance aos produtos nacionais encontramos vários muito agradáveis. Sabe que também tenho evitado desodorantes...principalmente os que tem sais de alumínio. Obrigada pela visita. Venha sempre flor. Beijocas

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    1. Sim. Difícil errar usando boas fragrâncias de alfazema. É uma planta muito aromática de óleo essencial acessível. O incrível é que não são todas as marcas que acertam...Phebo tem mão boa com alfazema.Beijocas de Elisabeth

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  8. Elizabeth, como sempre, indo além do que imaginamos... Adorei a sua introdução instigante ao tema! Me diga uma coisa: onde achar esse Wild Musk??? Minha mãe é órfã dele até hoje!!! Beijos

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    1. Obrigada flor. Então, como se imagina dos amantes de perfumaria, meu arsenal hoje é um pouquinho maior e Wild Musk está na minha biblioteca olfativa. Praticamente intocado. Fui muito feliz em encontrá-lo, creio que em 2010, numa farmácia ( rede Nissey) do meu bairro. Inclusive havia o Vetiver, embalado da mesma forma, em pequenos frascos. Não procurei mais, porém creio que será possível encontrar em alguma rede.Espero que você tenha a mesma sorte pra deixar sua mamys feliz. Beijocas de Elisabeth

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  9. Adorei ler sobre lavandas e alfazemas. Usei todas: Phebo,Kanitz,Garrão, yardley. Adquiri a da L'occitane, decepção,o tabaco estava presente. No banho sabonete líquido Alfazema Granado. Delícia!
    Durante anos Lavanda Pop Boticário, a antiga, era o meu cheirinho preferido.A atual não me agradou tanto.
    Ando atrás de um novo cheirinho aconchegante.
    Alguma sugestão?
    Um abraço

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    1. Olá. Se você leu minha última postagem compreenderá porquê não me atrevo a citar importadas. Contudo estou trabalhando numa resenha sobre marca nacional que tem produtos naturais incríveis. Inclusive uma lavanda para perfumar ambiente e água de lençóis. Aguarde um bocadinho. Enquanto isto para uso como fragrância pessoal dê uma olhada na Água de Lavanda de Companhia da Terra. Beijocas de Elisabeth

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  10. Minha mãe é louca por artimatc serena...usou muito nos anos ...e a ultima vez que encontrou foi em 1999. Me diga amiga vc sabe se ainda fabricam e onde encontro para presentea_la?

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  11. Oiii. Não sei deste perfume faz muito tempo. Décadas. Guardo ótimas memórias do tempo de caloura universitária quando sai "incensando" o mundo.Hehehe. Infelizmente não tenho ideia. Tentarei pesquisar e se descobrir trago aqui. Bjocas.

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  12. Serena The Perfume de Artmatic - Frasco metalizado tubular preto, parecendo desodorante spray, era um poderoso "americano" incensado, vendido em pequenas lojas no centro da cidade, lá pela década de 80. aonde encontro esse perfume

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    1. Ahhh... gostaria de me deparar com Serena, a preços módicos, numa lojinha do centro. Sempre de olho nas galerias mais antigas, porém creio que este não mais. beijocas de Elisabeth

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