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segunda-feira, janeiro 13, 2014

Arpège eau de parfum - Lanvin

Arpége!
Um perfume a contar histórias.
Relata-se que foi uma homenagem de Madame Lanvin aos 30 anos de sua querida filha Marguerite, talentosa musicista.
Entretanto as notas que emanam do lindo frasco idealizado por Armand Rateau, estampando o símbolo do amor materno no elegante design Art-Deco sussurram outras histórias aos meus ouvidos.
Narrações sobre vida aguerrida e vibrante.
Acordes ácidos e cítricos  pincelam o início precoce da grande estilista, nos primeiros passos, aos 13 anos, como modesta aprendiz de costura confeccionando chapéus.


Seguem-se notas cortantes em intensidade aldeídica,  ligeiramente amarga, como a rejeitar lembranças de época tão alvoroçada.
Entretanto sentimos doçura  na rosa e ylan-ylang que afloram comprovando a impossibilidade de atribulações sufocarem a alegria espontânea da quase criança.
Vida difícil na virada do século, acompanhando o avançar da industrialização numa Europa  repleta de perturbadoras mudanças.
E num mundo tão masculino...levemente refletido na evolução de Arpège..
Trajetória de trabalhos exaustivos, provavelmente alguns sacrifícios, moldaram a fibra resistente  da pequena Jeanne encontrando reflexo  na intensidade especiada e resinosa que podemos apreciar na fragrância.
Arpejo musical, onde notas são tocadas uma a uma, como em sequência biográfica, relatando a progressão de uma vida.
Maturidade profissional, amor e maternidade explodem num bouquet encantador.
sucesso vivificado na doçura dos acordes que nos dizem...finalmente novos tempos brindaram aquela que chamam de Madame Lanvin

http://2.bp.blogspot.com/_pXVhV_ESK8Q/Se-8yZe_SuI/AAAAAAAAB1w/J6lz_Nmsi5s/s1600-h/Moda+Jeanne+Lanvin+annees20.gif

Vida intensa que continuaria pontilhada por acontecimentos vibrantes, espelhados na profundidade das notas agrestes deste perfume clássico.
Cotidiano suavizado  abrindo espaço para a ternura, como a doce cremosidade da baunilha em macias e empoeiradas notas de sândalo e âmbar  burilando o verde terroso, apimentado e incensado de patchuli, vetiver e benjoim.
Finalmente encontra sua definição no final de aroma limpo, almiscarado,em mansidão não submissa porém confortável, como se a retrospectiva mostrasse missões cumpridas.


Uma vida pródiga!
Será assim? Pouco conheço desta história, além das informações truncadas que circulam pela nossa globalidade. Entretanto agrada-me pensar que sim. Imaginar que esta talentosa senhora Lanvin, em algum lugar, onde sua essência permanece vívida, sorri complacente e assertiva da minha imaginação pueril.


Família Olfativa: Floral aldeídico,1927
Gênero: Feminino (compartilhável)
Perfumista: André Fraisse e Paul Vacher
Rastro: Intenso
Fixação: Ótima
Pirâmide Olfativa:
  • Topo - Aldeídos, tangerina, neroli
  • Coração - Rosa, ylang-ylang, íris, jasmim, cravo, gerânio, angélica, lírio-de-maio, coentro
  • Base - Patchuli, vetiver, sândalo, baunilha, stirax.

Arte Irmã: Se fosse música seria  Blues In The Night  na voz de  Katie Melua


Imagens: Frasco Arpège -foto Elisabeth Casagrande;  Publicidade Lanvin - Arpege 1927; Modistes Lanvin mlimers-1930; Desenhos da coleção lanvin -anos 20; Ícone Lanvin-Paris , 6 de julho 1946

PS: Reprodução da postagem original de 15 de abril de 2009 em Perfumes Bighouse.

2 comentários:

  1. Beth! Linda resenha, Arpege é absolutamente fantástico, uma obra prima da perfumaria clássica. Amo!

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    Respostas
    1. Obrigada Mariana. também gosto muito. Um dos clássicos que não podem faltar. Beijocas de Elisabeth

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