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quarta-feira, outubro 30, 2013

Rumba eau de toilette - Balenciaga

Algumas coisas são tradicionais, outras arcaicas.
O bar Stuart sobreviveu na minha cidade desde 1904 tornando-se ponto turístico, servindo as mesmas iguarias entre as quais seu prato mais famoso: Testículo de boi.
Isto era impressionante para a menininha que passava na frente e espichava olhos interessados para ver os tais petiscos.
Porém o curioso, que permaneceu por décadas, foi a machista tradição de não permitir a entrada das mulheres.
 Puro egoísmo machista! E logo com o café...Adoro café!
Nada mais estimulante para um espírito contraditório com leve tendência à rebeldia.
Adquiri um hábito na década de 80: Frequentar cafés da boca maldita, também redutos masculinos, quando mulheres não se atreviam a parar as atividades de trabalho ou compras para saborear publicamente a bebida sedutora e aromática.



Alguns anos antes do final do milênio, resolvi que seria a vez de quebrar barreiras no bar Stuart.
Empinei o nariz e aproximei-me da porta... Que decepção! Havia não uma, mas três mulheres lá dentro.
Nada de pioneirismo, dei meia volta e abandonei o projeto. Até hoje não sei como a tradição foi por terra e nem vi os tais testículos de boi. Mas não importa, pois parece que o bar mudou de dono.
Foi-se a tradição e o costume arcaico.
O que isto tem a ver com Rumba ? Tudo e nada.
Para enfrentar o frio e a chuva de interminável cinza na cidade serrana coloquei várias gotas de Rumba e saí sufocando a população.
Sim, pois Rumba é denso. Há de se ter moderação para ser apreciado entretanto o aroma induz a transgressão, pois transporta para uma época de  mudanças da provinciana cidade do Sul, cujos costumes enraizados sempre foram  preservados com gana.

Gloriosos anos 80 de perfumes intensos, das festas enfumaçadas nas discotecas, quando cuba libre e pipermint eram bebidas da moda, dançava-se ao som dos Bee Gees, garotos ainda andavam na ginga de John Travolta (Saturday Night Fever), e era possível transitar pelas ruas, de madrugada, com risco mínimo.
Perfumes como Opium, Samsara, Loulou, Café e o fascinante Mystere faziam sucesso entre as jovens mulheres; Rumba cai feito uma luva dentro desta safra.
Aromas orientais, intensamente especiados e enfumaçados, florais mais que exuberantes fizeram desta década a geração over da perfumaria.
Hoje estão no imaginário das pessoas mais jovens como"datados" e das maduras como saudosismo.
Rumba cai feito uma luva dentro desta safra, pois detém todos os ingredientes clássicos.
Inspirado na caliente batida latina, na verdade dança ao ritmo daquela década e na cadência das mudanças comportamentais, desencadeadas pelos movimentos que marcaram uma geração, agora amadurecida.
Libertação de embolorados conceitos, lufadas de renovação.


E assim explode Rumba numa empolgação frutal de pêssego e variedades de ameixas. Alegre intensamente doce e quase inocente.
Antes do acento cintilante de frutas e flores existe um prenúncio do couro e especiarias da base, em animalic caloroso, exótico, surpeendente pela precipitação e ousadia das notas.
As flores mesclam-se de forma intoxicante pela presença das personalíssimas tuberosa (angélica dos jardins) e magnólia, num ramalhete impreciso.
Não tarda o drydow.
Doses generosas de musgo, patchouli, baunilha e couro transformam a candura entusiasmada do início num aroma denso, apimentado, com enevoado e seco incenso.
Madeiras e resinas amparam a evolução e junto com as notas aldeídicas mantém flores, e parte das notas frutais, vívidas por longo tempo.

A sensação de bouquet polvilhado com dosada canela se transforma gradativamente em poeira seca de lenho empilhado ao sol.
Sillage e fixação típicas desta perfumaria exuberante caracterizam seu aroma sensual e noturno, bastando duas gotas para que revele a riqueza da composição.
Muitos são os perfumes desta década variando em torno deste tema oriental e especiado; entretanto Rumba apresenta diferencial no prolongado e aldeídico acorde de topo, constituído por frutas suculentas e frescas em harmonia com flores poderosas.
Sofisticada, dona de saliente e explícito aroma enfumaçado, animalic é fragrância "datada" e como muitas do gênero está relegada ao ostracismo ditado pelos caprichos da moda.


Família olfativa: Oriental amadeirado,1988
Gênero - feminino

Perfumista: Jean Claude Ellena e Ron Winnegrad
Rastro - Intenso
Fixação - Ótima
Pirâmide Olfativa:
  • Topo - Mirabelle (variedade de ameixa amarela), pêssego, ameixa vermelha
  • Coração - Orquídea, magnólia, jasmim e angélica
  • Base - Patchuli, baunilha, musgo de carvalho, couro
Similaridades:  Além de se enquadrar no mesmo estilo das fragrâncias citadas acima, leitores de revista on line apontam como semelhantes Rumba Passion Ted Lapidus , Varensia Ulrich de Varens, Parfum de Peau Montana, Asja Fendi.

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Imagens - Publicidade Rumba by Balenciaga de Perso Numericable; Cafezinho de Arte-Aberta; Drink Cuba libre de Grill Grinds;

Um comentário:

  1. O rumba original está fora de linha, ele havia sido comprado pela ted lapidus porém não o encontro mais. Encontro somente o rumba passion, tambem da ted lapidus. Você conhece um site seguro que ainda venda o rumba original?

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