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quarta-feira, novembro 07, 2012

Água de Verão Cavalheiros - Companhia da Terra


No decorrer do ano 1974  Tom Jobim gravou em Los Angeles o  long play  Elis & Tom com  Elis Regina, talentosa intérprete da  belíssima composição - Águas de Março.
Anos revolucionários, reinado dos festivais de música, poetas e botequins, serestas,  ginga carioca, e de garotas que herdaram a Ipanema de Leila Diniz.
Como disse o poeta Drummond: -" Sem discurso nem requerimento, Leila Diniz soltou as mulheres de vinte anos presas ao tronco de uma especial escravidão."
Década pródiga em renovação de conceitos e criatividade  artística...


Rio de Janeiro era cenário fecundo para todas artes e, na serrana e bela cidade  Petrópolis, Ricardo Penafiel Malta, cujos pais mantinham laços de amizade com Jobim e Elis Regina exercitava sua paixão pelas artes.
Das  andanças pela Europa Penafiel trouxe fórmulas e conhecimento sobre o preparo de perfumes, adaptados para criar uma fragrância pessoal utilizando bioativos nacionais e importados. Da terra natal absorveu musicalidade, cor e aromas .


Assim, homenageando a música Águas de Março surgiu Águas de Verão, perfume masculino, carro chefe da marca Companhia da Terra fundada no ano em curso, 1976.
Composição de evolução complexa, acompanhando o impressivo estilo aromático  peculiar das décadas 70 e 80, interage ricamente com a pele, na ambivalência de tons quentes e frios.
Inicialmente desprende aroma cálido, doce, especiado e animalic mantendo ao fundo certo frescor orvalhado como um bouquet atado por  feixe de cardamomo, coentro, cítricos e enfeitado por ramos de alfazema, toques de gerânios.

 Vagarosamente estas notas ressaltam o acorde de couro macio, enfumaçado e picante expressando   doçura de canela, cravo e baunilha.
Luvas de couro perfumadas, um clássico da perfumaria!
Entremeando o acento leve, ainda presente,  das frutas cítricas e ervas verdes iniciais insinuam-se acento terrosos, herbáceos e úmidos de patchuli e vetiver.
Compartilham suas características com madeiras enfumaçadas na queima da mirra, e na caliência do benjoim, devidamente embalados pelo almiscar ambarado de hibiscus.


Em evolução lenta e cadenciada  nos surpreende com passos inesperados surgidos no calor do corpo, ou  nas  lufadas de vento que recebemos, tal qual  diferentes arranjos numa roda de viola, onde  músicos habilidosos renovam antigos chorinhos e sambas.
De sillage impressiva e fixação sólida, o líquido âmbar encerrado em frasco vintage revela na cor e aroma a procedência natural de alguns óleos, que caracterizam  Águas de Verão de Companhia da Terra como fragrância atemporal  para se usar de janeiro a dezembro.
Nas águas de março, nos ventos de julho, no colorido de outubro...pois  muito tempo depois de aplicado deixa resíduos verdes e frescos das folhas, das raízes, como se transmutasse de estação, mês a mês.


Família Olfativa: Fougere amadeirado, 1976
Gênero: Masculino
Perfumista: Ricardo Penafiel Malta
Rastro: Intenso
Fixação: Ótima
Notas Olfativas: Cítricos, coentro, cardamomo, alfazema, rosa, jasmim, ylang-ylang, canela, cravo, baunilha, vetiver, patchuli, mirra, benjoim, âmbar branco, couro, cedro.


Vídeo: Águas de Março - Elis regina e Tom  Jobim - Gravação do álbum Elis e Tom


Imagens: Fotos de Elisabeth Casagrande; imagens gentilmente cedidas por Companhia da Terra; Fazenda Marambaia - Petrópolis/ Rio de Janeiro/Brasil no paisagismo de Burle Marx -  projeto em 1949.

sexta-feira, novembro 02, 2012

Fleur de Figuier - Les Fleurs - La Collection Parfumée de Molinard


Verde quente e amadeirado de galhos ao sol proporcionando sombra perfumada e indolente.
No aroma dos figos que amadurecem  ouvimos o canto das cigarras, presesntimos chuvaradas de verão e sentimos no corpo a lassidão provocada pelos raios de sol.
Fruta doce, macia e sumarenta, cujo  sabor é  inexplicável, assoma nas primeiras notas de Fleur de Figuier de Molinard.


A princípio pungente acidez brilha sob a  doçura  apontando para notas cítricas e verdes quase masculinas. Fugaz, tempera a suavidade frutal que se instala vagarosamente.
Dos modernos laboratórios surgem  moléculas que emprestam a característica apaixonante de figos maduros,  folhas amassadas caidas sob a árvore, enquanto nota de cedro se insinua, ambarada, adocicada  em tênue almíscar.


Flores  explícitas não estrelam o cenário contudo subtil bouquet empresta suavidade aveludada a todo conjunto.
Figuier de Molinard se ampara em madeiras, ora sombrias, ora luminosas enfeitadas pelo verde da folhagem viçosa de gálbano, salpicada de acentos picantes.
Contudo em nenhum momento abandona a doçura frutal.


Família Olfativa: Floral Frutal Amadeirado, 1999
Gênero: Unissex
Designer: Molinard
Rastro: Intenso
Fixação: Muito Boa
Pirâmide Olfativa:
  • Topo - Laranja
  • Coração - Gálbano, folhas de figo
  • Base - Cedro da Virginia


ARTE IRMÃ
FIGOS - Lidia Borges

"Os figos já exibem
Seus sorrisos roxos e doces
Nos braços da figueira

Chegam-me às mãos dispostos
Em jeito de tentação
Sobre as folhas recortadas
Que um dia no Éden
Foram as vestes do Adão.

Carnudos e suculentos
Quando libertos da pele
São pura sedução
Uma carícia na boca
Um gordo pingo de mel
Pecaminoso

Tão bom!"


Sugestão de Leitura: La Feuille de Figuier por Angélique Villeneuve - Diferentes receitas para aproveitar o aroma das folhas de figueira.

Imagens: Fleur de Figuier de Molinard por Elisabeth Casagrande;  Oil Paint de Chalene Roake  Madden Museum of Art greenwood Village; Folha de figueira de Charle Lupica; Fleur de Figuier de Molinard por Elisabeth Casagrande; Capa do livro la feuille de figuier