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terça-feira, janeiro 24, 2012

Meteorites eau de toilette - Guerlain


Memória olfativa pode ser ambígua, pois se relaciona ao imaginário ou a realidade, quando associamos diversas referências despertando sensações inovadoras, ou aflorando sentimentos conhecidos.
Ouvindo a fala do personagem de um seriado policial, que descrevia o cheiro de uma criança como um  mix de suor e iogurte de morango, experimentei a nítida sensação da terna fragilidade infantil, presumindo que era exatamente este o objetivo do autor, usando tal figura aromática.
Levou-me a pensar nos cheiros de seres míticos, ou pelo menos não comprovados, que se concretizam na minha imaginação como os mais etéreos, límpidos e puros.


Assim, quando questionei o que definiria Meteorites de Guerlain pensei:
- Parece feito para elfos e fadas, espalhando rastros de orvalho e violetas, criaturas de crepúsculo ou entardecer que são...
No meu conceito sobre fábulas eles  não são cabíveis ao sol tórrido do meio-dia, apenas nas brumas e úmidas aragens que envolvem a terra quando desperta ou adormece.
Irreal e romântica  imagem  que traduz o espírito leve, fluido, delicado e fresco desprendido do frasco de Meteorites.
Não ao início.


Toca a pele repleto de violetas intensas,  misturadas ao odor quente que vem da terra, das resinas picantes.
Profundo, misterioso, doce e denso como mel escorrendo entre os dedos. Aqui as violetas se tingem de âmbar opalescente e quase dourado.
Entre estas notas temperadas e terrosas sentimos toques de rosa e cravo, talvez de heliotrópio, amplamente citado na literatura como parte da piramide olfativa oficial.
Durante este período de acomodação não oferece pistas do aroma inocente, puro e docemente empoeirado que revelarão reinado absoluto de violetas e íris.


Talvez ao passar de elfos e duendes para as belas fadinhas o aroma transmute como num passe de mágica e do licoroso inicial surja pó luminoso que será aspergido pelo caminho colorindo  pedras e plantas de violeta.
Sândalo, almíscar, íris e âmbar são coadjuvantes a reforçar a força das flores, o que me fez lembrar uma época em que incomodava amigos colecionadores pedindo sugestões de violetas puras e cristalinas.


Ei-las. Flores em cristais açucarados e vívidos.
Havia me esquecido desta busca, contente que estava com o aroma quase cremoso de violetas subjugadas pela envolvente íris  numa fragrância  L'Occitane.
Apesar de bela, e da facilidade que os misteriosos seres provavelmente detém no domínio de infinitas e perfumadas raízes de íris, é num tapete de violetinhas que suaves  fadas festejam a Natureza.


Despertando do sonho e voltando para a praticidade dos toucadores percebemos que o (infelizmente) descontinuado Meteorites foi uma edição especial do ano 2000, para refletir em eau de toillete a fragrância admirada nas cintilantes pérolas de maquiagem Meteorites Powder Pearls.
Comentários relacionam meteorites com o antigo Après l'Ondée (1906) concebido para evocar a melancolia de um jardim após a chuva. Também com Bvlgari Femme cuja transparência realça violetas e íris adoçadas pelo sabor de heliotrópio.

Família Olfativa: Floral Violeta, 2000
Gênero: feminino
Designer: Guerlain
Rastro: Intenso a moderado
Fixação: Boa
Pirâmide olfativa:
  • Topo - Notas verdes , íris
  • Coração - Violetas
  • Base - Heliotrópio

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Arte Irmã - E se fosse uma música...

VÍDEO: Cold Play - Violet Hill


Imagens: Composições de Elisabeth Casagrande com fragmentos de imagens de: Guerlain Perfumese Cosméticos, Amethyst Elven Gate, fairybg3, fada de porcelana, guirlanda de violetas, ilustração de Ida Rentoul.

quarta-feira, janeiro 18, 2012

Phul Nana A Bouquet of Indian Flowers - Grossmith London


Phul Nana, नए फूल  ou Flor Nova, em hindi, se revelou  aroma floral  inédito  para a clientela européia  feminina do século XIX, ao ser criado em 1891.
Vivenciando os últimos anos  da próspera era Vitoriana, coincidente com  a progressão da divertida e culturamente profícua Belle Epoque, a sociedade inglesa estendia fronteiras até a longínqua Índia,  mesclando  tradições com  misteriosos e sedutores costumes orientais.
Apesar da queda da Companhia das Índias  persistiram  influências culturais, predileção pelos alimentos condimentados e bebidas como  o cítrico Earl Gray tea inclusive frequência fiel nos seletos clubes criados para  oficiais, médicos e advogados que serviram a realeza nas terras distantes.

East India Club, tradicional e ainda  presente no coração de Londres, abrigava apenas intrépidos cavalheiros, entretanto esposas, namoradas e mães, apesar de separadas neste convívio social específico,  se permitiam o  fascínio e absorviam a  atraente cultura  estrangeira.
Alvo seguro para a então inovadora fragrância de Phul Nana de John grossmith & Son ltd, precursora nos primeiros passos da perfumaria floral oriental, envolvendo em nuvem  aromática singular damas inglesas ávidas pelos mistérios do oriente.


Seduzia  morna e picante, imprimindo na mente  rastro dourado do entardecer, cores ensolaradas de saris esvoaçando ao  som cristalino de sitares e a sensualidade das graciosas dançarinas indianas. Simultaneamente oferecia os encantos herbais dos fougeres aromáticos usualmente destinados ao exclusivo universo masculino.
Calidez intensa, condimentada, ervas e especiarias impactam nos primeiros momentos transportando a imaginação para ruas movimentadas, repletas de  luzes e sons do oriente, misturando cheiros da terra, de corpos cobertos por tecidos incensados, chás exóticos e luxuriante vegetação.


Fragrância sensual na provocação gustativa, intensa e ao mesmo tempo confortávelmente sedutora, Phul Nana mescla  de forma charmosa  doçura e ardor, frutas e flores, pós e resinas.
Provavelmente surpreendia revelando inesperadamente a espontaneidade sensual da mulher indiana  insinuando-se  sob recatados espartilhos e discretas sombrinhas  européias.
Opoponax ou mirra doce constitui singular tempero para o farto e elegante  bouquet de ylang-ylang, gerânio, neroli e rosa, enquanto benjoim, fava tonka e âmbar  asseguram base resinosa melífera e aveludada.


Doçura ácida  nas gotas de laranja temperam  o conjunto trazendo breve frescor metálico no reforço do patchuli, enquanto  madeiras se revelam após longo caminho percorrido; ambaradas, suaves e empoeiradas na sillage que abranda.
Múltiplo, misterioso e intenso esta fórmula, refeita e adaptada, me atrai como uma bela sinfonia, regida por maestro habilidoso.


Ricamente oriental  Phul Nana provavelmente é  meu favorito na casa Grossmith London, objeto de desejo no tradicional  e belo frasco Baccarat adornado em filigranas douradas.
Quem dera pudesse me transportar  para  1891 e adquirir um frasco original, ainda com sabor de lançamento, talvez inebriar  algum intrépido e galante oficial inglês.
Doce ilusão. 


Família Olfativa: Oriental Fougere, 1891
Gênero: Feminino ( compartilhável)
Perfumista: Robertet - Dove Roja ( atual)
Frasco: Baccarat ( atual)
Rastro: Intenso a moderado
Fixação: Muito Boa
Notas Olfativas:Laranja, bergamota, gerânio, neroli  (flor de laranjeira), angélica, ylang-ylang, benjoim, opoponax ( mirra doce), patchuli, madeira de sândalo,fava tonka, baunilha, cedro.

Arte Irmã - E se fosse uma música...

VÍDEO: Norwegian Wood ( The Bird Has Flown) - The Beatles - lançada em 1965 no álbun Rubber Soul. George Harrison usou pela primeira vez um instrumento indiano (sitar) na música rock.
Take 3


Imagens:Montagens de Elisabeth casagrande com fragmentos vintage de catálogos John Grossmith & son ltd, Fancy House, pinturas Raja Ravi Varmas,Kapil collection, Taylor suit; imagens publicitárias de site oficial de Grossmith London.

terça-feira, janeiro 10, 2012

Capucci de Capucci eau de toillete - Parfums Capucci


Cartas amareladas, enrodilhadas nos laços de fita. Camisas dobradas, cambraia de linho, rendas, pétalas secas...
Lembranças de gostos e desgostos, lugares,  lágrimas salgadas, suspiros e sorrisos.
Coisas guardadas.
Cheiro de flores e ervas em Capucci eau de toilette, misturando um pouco dela, um pouco dele.


Atmosfera nostálgica e envolvente de histórias tão familiares quanto estranhas, próximas ou alheias.
Fascinante este poder mágico dos aromas que aguçam sentidos e imaginação. Talvez não a criativa, mas a de  reconhecimento intuitivo das experiências não vivídas, apenas pressentidas.


Cheiro de guardados...
Doce e vintage passaporte para outras épocas acenando sentimentos exuberantes e romantismo exacerbado.
Na borrifada inicial surpreende com a volatilização de aldeídos, flores, frutas cítricas e coentro em nuvem dissipada para revelar o bouquet apimentado e cremoso.
Profusão de angélicas, rosas, cravos e calêndulas, adornadas pela doçura de ylang-ylang contam histórias picantes escritas sobre a maciez do couro e a sedução da civeta.


Drydown gradativamente empoeirado permite a suavidade do âmbar temperado por agridoce de vetiver e patchuli, embora os acordes sejam comedidos, provocando o preguiçoso enlevo que sentimos ao ler cartas antigas, na quietude de um entardecer outonal.
Delicadamente esmaece, dilui e adquire contornos imprecisos, quase algodoados apesar de se prolongar íntimo e aconchegante.


Em alguns momentos lembrou-me facetas gentis do italiano Dolce&Gabbana for Women, excluindos os arroubos ensaboados que não fazem boa química com minha pele.
Este, ao invés, não se faz esperar para provarmos acentos florais docemente emoldurados pelas ervas de tempero animalic.

Capucci de Capucci pede a proximidade de lareiras, taças rutilantes  de vinho tinto e  lembranças compartilhadas  em boa companhia.


Familia Olfativa: Oriental Floral,1987
Gênero: Feminino
Designer: Roberto Capucci associado com Weruska&Joel
Frasco: Pierre Dinan
Rastro: Intenso a moderado
Fixação: Muito Boa
Pirâmide Olfativa
:
  • Topo - Aldeídos, coentro,  notas verdes, pêssego, bergamota, limão
  • Coração - Angelica, ylang-ylang, rosa, cravo, jasmim, lírio de-maio
  • Base - Couro, civeta, ãmbar, coco, musgo-de-carvalho, vetiver, patchuli, cedro

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Arte Irmã - E se fosse uma música...

VÍDEO:  Forever J - You've got mail ending

    Imagens: Capucci de Capucci - Elisabeth Casagrande; Vestidos Capucci - amostra do Museu de Arte Filadelfia. 

    domingo, janeiro 08, 2012

    G eau de parfum - Giorgio Beverly Hills

    Verão incandescente  e úmido pede à natureza seus aromas mais frescos tentando amenizar o inesperado ardor  alternado com arrepios  de ventos frios e chuvas intensas.
    Gaia está inquieta e talvez um doce néctar de frutas e flores acalme momentâneamente seu estado febril.
    G de Giorgio Beverly Hills se revela  bálsamo suave  no bouquet de flores simulando  violetas frescas e agridoces,  delicadas  peonias cuja doçura mescla com  nota  acidulada e apimentada.
    Coquetel de frutas açucarado confere exotismo salientado pela base pincelada por madeiras e  vetiver, enquanto abacaxi, pêssego e melão disputam a atenção  tentando sobressair individualmente, revelando suas características tropicais em breves fulgores.


    Madeira de Assam, âmbar branco, sândalo e almíscar  revestem os acordes de suavidade no drydown elegante, empoeirado e picante.
    Tais facetas reunidas se derramam sobre a terra ardente na tentativa de apaziguar os excessos e desequilíbrios em afagos doces e refrescantes, que talvez não sejam  a cura, mas podem sublimar  ânimos exaltados, inebriando sem agredir apesar das  notas  levemente  artificiais e  aldeídicas.


    Persiste por muitas horas na característica inerente a maioria das fragrâncias desta grife, reconhecida pelo sucesso da exuberância  floral  no ensolarado  Giorgio de Giorgio Beverly Hills.
    G é apresentado no frasco sinuoso que estiliza o  corpo feminino em voluptuoso vestido lilás, cuja feminilidade é realçada pela musa de campanha, manequim brasileira Fernanda Tavares.


    Família Olfativa: Floral frutal,2000
    Gênero: Feminino
    Perfumista:Alain Astori
    Rastro: Intenso
    Fixação: Muito Boa
    Pirãmide Olfativa:
    • Topo - Melão, abacaxi, grapefruit
    • Coração - Orquídea, peônia, flor de gengibre, pêssego
    • Base - Sândalo, vetiver, madeira de Assam
    VÍDEO: Campanha Publicitária "G" de Giorgio Beverly Hills com Fernanda Tavares


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