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terça-feira, novembro 15, 2011

Beauty eau de parfum - Calvin Klein


Sedutora imagem de mulher representada por Diane Kruger na campanha de Beauty by Calvin Klein evoca beleza voluptuos e clássica.
As curvas feminis e sensuais  se transferem em simbolismo para o desenho sinuoso da flor Lírio do Nilo ou Lily Cala, aqui conhecida pelo nome de copo-de-leite.
Fragrância formulada para enaltecer a beleza presenciada  nas paisagens gregas, de casinhas caiadas de branco  recobrindo encostas, recortadas contra o céu e mar do Mediterrâneo, visualizada na  face e silhueta da bela atriz que protagonizou  Helena de Tróia, Beauty é assim...Bonito.


Do início suave, onde mal  percebemos a tradicional  e imprescindível acidez cítrica, se mantém doce no frescor do acorde floral formado sobre jasmim em associação com outras flores brancas, lembrando momentâneamente as delicadas camélias de 212 Women.
Bouquet leve e elegante espalha seu aroma pelo ambiente denunciando a presença feminina  que poderia ser da mítica e jovem rainha grega cuja beleza estonteante teria  provocado uma guerra entre clãs poderosos.
Jasmim diluído em acentos ambarados e almiscarados, ligeiramente picantes na adição de especiarias frescas e ambaradas,  ao estilo  Armani Code, enriquece a fragrância que parece ter nascido da combinação entre aromas nobres da perfumaria.


Percebemos na evolução discreta e previsível  refinamento comum a perfumes cujas fórmulas consolidaram sucesso junto aos consumidores.
Apesar de não se destacar pela originalidade, o faz pelo qualitativo da matéria-prima e equilíbrio na disposição das notas.
Harmoniosa do começo ao fim, transmite a impressão de serenidade e altivez, gema preciosa reluzente e perfeitamente encrustada numa jóia real.


Beauty veste naturalmente com beleza.
Agrada a mulher que procura aliar sofisticação à versatilidade, que  necessita de uma fragrância  companheira para  todos os momentos despertando admiração e não possíveis antagonismos, devido a  características extremadas ou  polêmicas.
Sofisticação e elegância a findar entre madeiras e almíscar de acorde  que envolve  cedro límpido e doce.


Família Olfativa: Floral Jasmim, 2010
Gênero: Feminino
Perfumista: Sophie Labbe e Carlos Benaim
Rastro: Intenso a moderado
Fixação: Muito Boa
Pirâmide Olfativa:
  • Topo - Notas frescas, jasmim
  • Coração - Lírio, flores brancas, notas especiadas
  • Base - cedro branco, ambrette ( sementes )

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Arte Irmã - E se fosse uma música...  

VÍDEO:Adele - Now  And Then

quarta-feira, novembro 09, 2011

Womanity eau de parfum - Thierry Mügler


Abra uma caixa de Pandora e enfrente.
Womanity atiçou minha curiosidade de forma irresistível, por ocasião do lançamento em 2010.
Pedi a uma pessoa da família, em trânsito pela Europa que experimentasse e trouxesse uma amostra do perfume Mügler, entre outras novidades.
Aparentemente este foi esquecido.
Contudo após leitura de vários comentários negativos ( e alguns apaixonados) sobre a fragrância pressenti no esquecimento um  lapso diplomático, e gentil, perante meu entusiasmo com o lançamento da casa Thierry Mügler.


Hoje, buscando novo encontro com Mudly by Kenzo, encontrei uma perfumaria ostentando prateleira inteira de Annick Goutal,  e enquanto me fartava de algumas delícias não conhecidas visualisei próximo um frasco rosa, vagamente familiar.
Womanity, temporariamente esquecido.
Ah tentação da curiosidade!
Rendi-me, abri a caixa de Pandora e recebi a avalanche de sensações contraditórias provocadas por  Womanity; que tentarei relatar em  ordem cronológica.


Primeira borrifada.
- Doce, muito doce e fresco. Não sinto  caviar o que é muito bom pois detesto caviar - textura, gosto e cheiro.
- Figos maduros, dentro de um barril. Madeira úmida e fragrante...
- Humm, está mudando, percebo  presença ozônica ou marinha, aquele acorde semi aquático que traz  arzinho gélido para alguns perfumes, apesar do calor das madeiras e figos.  Será isto o que interpretam como caviar? Que benção. Talvez eu deva dar uma volta ...


Assim foi. Saí do shopping envolta em figos verdes, mas não totalmente satisfeita com a compreensão do aroma oscilante. Pandora espreitava risonha e marota escondendo o jogo, reservando surpresas.


Segunda borrifada.
- Ah ... continua doce, mas o acorde aquático parece mais potente, e traz um traço de sal, algo de maresia, aquele cheiro que exala  da pele e da bagagem quando voltamos do ar morno a beira-mar para a sombra da serra. De pele quente, salgada e rosada de sol.
- Espere... é verdade. Tem aroma de caviar ...aminas?!  Leve, sutil e inequívoco. 
Que desapontamento associar este cheiro com o conceito de mulheres da humanidade.


- Como é possível a feminilidade ser descrita pelo odor de maresia, frutos do mar, sal e barcos de pescadores? Quem assim concebeu não conhece nem convive com mulheres saudáveis; talvez  com as que enfrentam  situações de stress, imunidade diminuida e consequente proliferação de microorganismos oportunistas, produtores de aminas.
- Seria uma brincadeira de mau gosto? Travessura de artista?
- Entretanto... passado o arrepio desta descoberta, figos, folhas verdes e madeiras parecem cada vez mais saborosos, substituindo o acorde cálido  que os colocou em cena  pela doçura das madeiras submersas, aquáticas.
- Não mais cor-de-rosa e sim verde-água. Restos de navios piratas que a maré trouxe e foram  utilizados para fazer barris  onde acomodaram os frutos carnosos  de alguma plantação das proximidades  ...


Terceira borrifada
- Faz tempo que não experimento perfume tão contraditório e instigante.
- É diferente, de certa forma inédito, muito bem feito e totalmente inadequado  para o conceito que propôs. 
-Declaradamente unissex traduziria a imagem de desportistas aquáticos, marinheiros intrépidosn numa noite de folga no porto, talvez sereias politicamente incorretas  seduzindo incautos habitantes de ilhas e faixas de areia.
- Perfume para outros mundos,  aroma adequado para a lendária cidade perdida - Atlantida. De maneira alguma  estandarte de  feminilidade urbana e terrestre.
- Elegante e ostensivo no frutal embriagador, provoca um quase esquecinento do polêmico  caviar. Ou será acomodação olfativa?


Womanity, para mim,  ainda não despiu todos os véus,  mesmo que pareça  exatamente o que diz no frasco cujo design  merece  evidência de cristal e metal na sua fabricação:
  • Caviar
  • Figo
  • Madeira.
 - Não consigo decidir  se amo ou odeio. Talvez ambos.
- Caviar, apesar de sutil causa um arrepio de repulsa. Mas é tão fugaz o seu apogeu, apesar de permanecer presente muitas horas, quase etéreo, mais pressentido do que verdadeiramente sentido pelo olfato.
- Uma vez que você o descobre é impossível esquecer. Ele está lá!  Incomoda-me mesmo que seja quase abstrato e  presença vital para manter a personalidade e  equilíbrio da fragrância.


Womanity é ousadia permitida para alguns. Define-se no meu olfato como um parente transgressor de Thé Rouge by Bvlgari, na contradição de inesperado caviar e delicioso figo amadeirado.Mais doce e provocativo que seu confortável amigo fruto de pomar e chávenas de chá.
Singular combinação.
Inédita, apesar deste conceito  de acorde fresco/aquático em oposição a  fruta suculenta ou doçura gourmand ser esboçado timidamente em MaDame de Gaultier. Aroma diferente  evoluindo em caminho paralelo.
A caixa de Pandora foi aberta libertando sereias e pescadores.Enfrente e decida.

- Womanity é para  amar ou odiar?

OU
 

Família Olfativa: Gourmand aquático, agosto 2010
Gênero: Unissex
Designer: Thierry Mügler
Rastro: Intenso
Fixação: Muito Boa
Notas Olfativas: Figos, caviar negro, madeira de figueira.

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VÍDEO: Thierry Mügler - Womanity


Imagens: Pandora de John William Waterhouse( 1849-1917, publicidade de Womanity, Figo de Yati, caviar vermelho de Surf Sea Foods LLC, Mermaid de John William Waterhouse, Atlantis de Frekin News

segunda-feira, novembro 07, 2011

Madly by Kenzo na Vitrine- 2011


kenzo sempre me encanta, mesmo quando não agrada ou faz o gosto.
O que se pode dizer da perfumaria Kenzo é no mínimo...interessante, arrojada e inovadora.
Madly eau de parfum vem borboleteando, colorido prometendo loucuras de verão.
O slogan conta sua história:


-"As loucuras são as únicas coisas de que nunca nos arrependemos".
CORRO, VOO, VIVO
LIVRE
ESQUEÇO A RAZÂO E A ROTINA,
LOUCAMENTE KENZO.


Hummm... teremos que experimentar Madly brevemente para sentir este coração que promete uma nota amendoada de heliotrópio (em alguns lugares conhecido como flor chocolate), encerrada no belo  frasco design de Ron Harad.


Pirâmide Olfativa:
  • Topo - Flor de laranjeira, pimenta rosa.
  • Coração - Heliotrópio, rosa
  • Base - Baunilha, cedro, almíscar.

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Vídeo: Madly Kenzo" 2011


Música: Carmensita de Devendra Banhart
Diretor: Patrick Guedi
Atriz: Amber Anderson

domingo, novembro 06, 2011

Terracota Voile D'Éte eau de toilette - Guerlain


Existem momentos que nos trazem saudades... daquelas indefinidas que  poetas chamam de nostalgia.
Sensação vaga sobre o que diluiu através do tempo, ou sobre presente  repetido, apesar de sempre novo, pois o que se viveu não consegue retornar.
Foi um dia quente, de quase verão a me  lembrar  cigarras cantando, tardes indolentes  de férias escolares,  e no princípio da noite um vento fresco de lugares ainda não vistos.
Senti necessidade de algo novo no ar, para espantar  reminiscências, vividas ou não, e indecisa, na caixinha de echantillons, desdobrei  o veludo Guerlain.


Velha amiga de infindáveis fragrâncias, a marca trouxe a tona um aroma de cravos.
Há tanto que não sentia... atualmente me parece em desuso, demodè, embora seja uma bela e forte nota.
Princípio  quase medicinal, com travo picante  agudo fez supor que ali estavam  substâncias oficialmente citadas, formando  acorde cítrico mentolado ao redor da flor principal.
Apesar de listado ramalhete de  íris, gerânio, ylang ylang, rosas e lírios esta  fragrância suave, porém  impressiva, se rende ao aroma de cravos, em total elegância.
Adulados pela sucessão de flores e especiarias secundárias eles transmutam e adquirem nuances variadas, porém  permanecem fiéis a si mesmo até os últimos suspiros do drydowm.
Ocasionalmente se esquivam das pimentas e observam velados  o desenrolar da doçura abaunilhada, do aroma  cálido e ensolarado de verão evocando passeios pelo litoral, em décadas passadas, mos tempos que usávamos "bronzeadore", compartilhando o abandono em dolce far niente.
Terracotta Voile d'Ete transmite de forma encantadora e envolvente  esta impressão de "perfume datado".
 Por instantes me surpreendi esperando encontrá-lo em  alguma publicidade antiga, com imagens sorridentes das pimeiras décadas do século passado.
Acredito que então eram mais comuns na perfumaria, aliado à rosa, âmbar e almíscar, aromatizando produtos de toucador e cosméticos.
Sabor de  infância.
Como gostava do aroma de cravo! Proliferavam  nos jardins de avós e nas loções vendidas em prateleiras de boticas.
Feliz acaso  hoje me guiou  para Terracotta, eau de toilette idealizada por Mathild Laurent, sob orientação de Jean-Paul Guerlain.
Após o  caminho percorrido  numa alameda de fragrantes cravos, entre outras flores do perfumado jardim, Terracotta encontra  final  empoeirado de âmbar, baunilha e almíscar encerrando o bouquet.


Faz  juz a proposição de edição limitada, encontrando eco  junto a  linha de cosméticos (Guerlain Terracota Princess) lançada para o verão 2011,  próprio de  pessoas  vaidosas o  suficiente para usar maquiagem  sob ardente sol tropical, acompanhada de  colônia floral suave, após o banho, talvez  talco fino da mesma linha.
Todo os  produtos carregando  aroma semelhante e  marcante, apesar da delicadeza melífera do arranjo...
Cheira pele ao sol, quente  e saudável, misturando casualmente acentos urbanos com cheiros da terra.
Ultrapassados  os arroubos iniciais permanece próximo ao corpo em sillage floral temperada e doce.
Aceitaria faceira a companhia deste cravo, difícil de achar assim caprichado.

Família Olfativa: Floral ambarado, 1999
Gênero: Unissex
Perfumista: Jean-Paul Guerlain, Mathilde Laurent
Rastro: Moderado
Fixação: Muito Boa
Notas Olfativas: Bergamota, hortelã, cravo, ylang ylang, jasmim, rosa, heliotrópio, íris, lírio, pera.

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Arte Irmã - Se  se fosse uma música...fosse um casal romântico seria O cravo e a Rosa, porém uma música...

VÍDEO: Zeca Pagodinho - Jura - Abertura de o Cravo e a Rosa