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quinta-feira, outubro 27, 2011

Juniper Sling eau de toilette - Penhaligon's London


Nesta provinciana e sulista capital onde moro, mulheres da minha geração deveriam entender de perfumes e homens de bebidas alcoólicas ou drinks.
Entretanto estes dois caminhos  se entrelaçam intimamente em  singular semelhança, que percebi muito além da temporalidade universitária  das aulas de biologia e química.
Se a prática laboratorial de pesquisa  frutificou no encantamento com  óleo de cedro (usado em microscopia), detergentes baratos  banalizaram  óleos de pinho, que no passado supus originados de espécies  como zimbro, pinus ou pinheiros. Essências  que me pareciam notadamente artificiais agressivas e pungentes.
Contudo a fragrância seca, amadeirada e ligeiramente ácida de uma  bebida, cujo principal aromatizante está nas  bagas  ou cones verdes de zimbro, despertou minha atenção para  um aroma  mais atraente e de boa qualidade.


Gin, destilado de  fortíssimo teor alcóolico, diluído na fabricação com água destilada para se adequar ao consumo.
É obtido de cereais e diferenciado em dois grupos de acordo com o processo de aromatização ou enriquecimento de sabor.
Considerado de melhor teor e o  mais requisitado é  gin destilado inúmeras vezes,  na presença de aditivos botânicos que vão de  raízes à  sementes.
Originalmente produzido na Inglaterra, London Dry Gin,  a categoria mais conhecida e vendida  não contém açucar e corantes, mas se  distingue pelo espírito amadeirado e seco.
Este refinamento de sabor se deve a  repetidas destilações com diferentes produtos naturais botânicos.

Tal variedade de gin comumente recebe casca de laranja amarga ou limão, ocasionalmente  cítricos como lima e grapefruit e  coquetel  equilibrado de inúmeras especiarias. Pode conter  raízes de anis, angélica, íris e alcaçuz; casca de canela, cassia, açafrão, coentro, noz-moscada, grãos do paraíso, frankincense...
Whitley e Neil, tradicional casa inglesa, que  persiste  na fabricação de London Dry Gin dentro da Inglaterra, adiciona baobá africano e groselhas!
Blackwood, gin seco do norte da Escócia, ligeiramente esverdeado, apresenta aroma sutil e fresco baseado em vários componentes  da região. Recebe adição de  plantas aquáticas, bagas de zimbro, arcangélica, coentro, limão, casca seca de laranja, casca de cassia, raíz de alcaçuz em pó,  noz-moscada, canela, raíz de lírio, violeta.
Eis o ponto de convergência com  perfumaria!
Impossível não sentir familiaridade com as conhecidas pirâmides olfativas   referenciando  através de  aromas populares  os ativos químicos, botânicos ou animais  utilizados  na composição das fragrâncias.

Para entender Juniper Sling de Penhaligon's comecemos  pelo observação olfatória de gin.
Notaremos assim  que a  elaboração desta eau de toilette corresponde plenamente as expectativas, a proposição da deliciosa campanha, ao  prometer  aroma buliçoso e fresco, na interessante correlação com despreocupada juventude londrina dos anos 20.
Conceitos holísticos afirmam que  personalidade associada à juniper ou zimbro é profundamente espiritual,  perfil que despreza a autoridade, e se deixa guiar pela intuição, que aprecia  se divertir e o faz sem medo, parecendo ocasionalmente imaturo ou irresponsável.
Correlação  exata e pontual com o passado, que serviu  de partida para  a tradicional casa inglesa  trilhar  caminhos contemporâneos.
Experimentando Juniper Sling senti de imediato uma cascata aromática  límpida, afiada  e luminosa, temperada por notas que lembram tanto anis e erva-doce (anetol?) quanto  gengibre in natura, de sumo picante e doce.

Reaplicando, em  outro momento, revelou no acorde inicial  verde, úmida e elegante nota de zimbro.
Assim mimetizou o conceito da  referida geração européia,  embora desprovido  dos excessos comportamentais dos borbulhantes anos 20.
Acorde aromático que precede temperos  quentes e densos, talvez coentro clamando parceria com couro, picante abafado e  com suave animalic.
Senti  a multiplicidade aromática da bebida alcoólica, cuja característica  agrada mais ao olfato do que ao  paladar, rondando discreta, alternando com a  peculiaridade herbal cítrica de zimbro.
Ladeados  por  cedro, incenso e raízes, acorde finalizando em madeiras florais e almiscaradas, embebidas de doçura caramelada.
Caminhos de London Dry Gin e Juniper Sling cruzam a mesma paisagem, cuja  flora é  semelhante, entretanto o fazem em tempos diferentes.
O primeiro, tradicional e originado nos balcãs, que  alternou  fases conturbadas de  glória e de má-fama, encontra na riqueza aromática paralelo com  o segundo,  fundamentado nos conceitos e substâncias da perfumaria moderna.



Sillage comportada, exuberante no topo é  mais discreta  do coração ao drydown, e agradavelmente prolongada sobre a pele.
Na minha experimentação permaneceu ativo  durante muitas horas, percebível  durante movimentos e próximo ao corpo,apesar da natural acomodação olfativa. Refinada e suave.
Juniper Sling é absolutamente confortável e  elegante do princípio ao fim.
Fruto da talentosa atuação de Olivier Cresp acrescenta mais uma oferta  aprazível ao  menu da casa Penhaligon's.
Ignorando a diferença de acordes,  se apresenta  ao meu olfato uma opção tão agradável e relaxante quanto Eau  Parfumée Au The Rouge de Bvlgari, constituindo  verdadeiro "perfume conforto"...


Família Olfativa: Floral amadeirado aromático, 2011
Gênero: Unissex
Perfumista: Olivier Cresp
Rastro: Intenso a moderado
Fixação: Muito Boa
Pirâmide Olfativa:
  • Topo - Canela, licor de laranja, arcangelica ( jacinto-da-índia ou erva-de-espírito santo), bagos de juniper ou zimbro
  • Coração - Cardamomo, couro, pimenta preta, raiz de íris, madeiras
  • Base  - Açucar mascavo, cereja negra, vetiver, ambrox
Os perfumes e demais produtos Penhaligon's podem ser adquiridos num dos sites oficiais da marca:
- Japão
- Uk e EU
- USA e CA

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    Arte Irmã - Se fosse um filme...

    VÍDEO: Bright Young Things - cenas do filme.


    Imagens: Montagens com imagens de Elisabeth Casagrande, espécies botânicas da web-wikipedia, cena de Bright Young Things, garrafas de gin inglês.


    quarta-feira, outubro 26, 2011

    Zephir de Rose eau de parfum - Les Parfums de Rosine


    Deliciosa rosa.
    Hipnótica, intensa, picante e sedutora nos envolve com um abraço amoroso, como  vento cálido e impetuoso,  revelando o ardor de flor temperada.
    Da mesma forma que faria Zephyrus, deus grego do vento oeste, ao espalhar brisas primaveris, luminosas, doces e perfumadas, anunciando o verão com os aromas da terra.
    Zephir de Rose despe facetas frescas e mentoladas, comuns no aniz e no  manjericão, se rendendo aos encantos de acentos apimentados, segredos que se revelam na exposição ao sol quente das manhãs.
    Saborosa, quase gulosa esta rosa se instala plena e exuberante ignorando folhas e sementes.


    Eau de parfum de flor, carnosa e apetitosa  despertando os sentidos em quase gula, neste primeiro momento, fugaz apesar de majestoso, descortina um roseiral.
    Após o  impacto inicial  a fragrância intensa se acomoda confortavelmente nas dobras e pétalas de mútiplas rosas.
    Magníficas na supremacia sobre todos os aromas que as envolvem e conseguem apenas exaltar seu perfume.
    Pura e saborosa flor,  almiscarada e doce.
    Zephir de Rose é a essência da rosa.
    *Leituras na web indicam que na sua composição entram óleos naturais e que não utilizaram substâncias artificiais o que me parece verossímel devido a qualidade do aroma de rosas.


    Família Olfativa: Floral Aromático, 2008
    Gênero: Feminino
    Perfumista: François Robert
    Rastro: Intenso à moderado
    Fixação: Muito boa
    Pirâmide Olfativa:
    • Topo - Anis, manjericão, rosa
    • Coração - Essência de rosa da Bulgária
    • Base - Rosa de damasco, ambreta

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    Arte Irmã - Se fosse música...

    VÍDEO:  Zephyr Song


    Imagens: Composições com imagens de Elisabeth Casagrande, frascos de eau de parfum de Zephyr de Rose Les Parfums de Rosine, Zéphyr e Flora de William Adolphe Buguereau(1825-1905).

    segunda-feira, outubro 24, 2011

    Wigdan Al Rehab - Crown Perfumes


    Perfumaria é  arte que ultrapassa barreiras físicas, costumes e dialetos, irmanando vozes e rostos  sob o encantamento único de acordes  perfumados, convergindo todos para a trilha da beleza.
    Em linguagem única fórmulas assemelham na repetição de notas  florais, frutais,  madeiras, especiarias, favas de baunilha e favos de mel. Contudo attars ou perfumes orientais, preparados  sem adição de álcool, guardam  secreta e diversa sinergia  com a pele, e entre seus componentes.
    Enquanto   perfumes alcoólicos ocidentais  volatilizam  transparentes num turbilhão de nuances e emoções, óleos essenciais, imersos numa base oleosa, deslizam mansamente  mesclando características de forma sorrateira, indolente porém  intensa.
    Adquirem vida própria ao sentir o calor da pele, percorrendo caminhos que nos surpreendem.


    Podemos  imaginar que  a diferença está na origem natural dos óleos essenciais usados.
    Sim, talvez em parte, entretanto o  fato de  nos depararmos com um attar não certifica que toda qualidade  venha in natura. Existe adição de substâncias sintéticas, industrializadas, assim como nas criações  ocidentais.
    Tal sedução me parece advir das fórmulas  tradicionais, persistentes e fiéis, simples em proposição e complexas na formulação.
    Encontramos attars de rosas, que cheiram a rosas, de lírios, madeiras, patchouli, resinas, mel, frutas; cada nota soberana com suas características principais marcantes, adornadas por acentos secundários que a ressaltam e embelezam  em  sucessão vagarosa de súditos obedientes e fiéis.


    Acompanhar a evolução  de um attar é deleite para os sentidos, dispensa traduções, leituras e interpretações  se transformando numa viagem criativa à montanhas, desertos, prados, florestas e jardins.
    Em Wigdan El Rehab nos deparamos primeiro com flores dulcíssimas de bouquet posteriormente  ladeado por frutas, pimentas e madeira.
    Doçura inicial intensa, aguda e fresca vagarosamente recebe polvilhado picante onde se misturam amêndoas, noz moscada, pimenta rosa,  antecedendo a proliferação de  frutinhas maduras e aldeídicas,  talvez  framboesas e pêssegos.
    Aroma delicado, cremoso, frutal  apimentado preparando o cenário para a invasão de âmbar, almíscar, baunilha, patchuli  e cedro.
    Profusão amadeirada, intensa, trazida das montanhas e florestas, perdendo a umidade ao atravessar planícies recobertas pela areia.
    Sensações que se descortinam sob nosso olfato, provavelmente produzidas pela adição de inúmeras notas procurando nos acordes a similaridade com o generoso  gradiente aromático da mãe Terra. Talvez originadas na complexidade de algum óleo essencial  produzido por técnicas tradicionais, de ancestrais.
    Attars são enigmáticos  por natureza e  dela carregam segredos, mesmo quando  simples e pueris  como neste perfume de lírios, frutas e cedro, embalado pela doçura  amadeirada , temperada por âmbar, baunilha e mel.
    Wigdan foge ao meu estilo devido a  predominância de notas frutais no âmago da evolução, porém demonstra  sillage e fixação desejáveis.


    Família Olfativa: Floral frutal
    Gênero: Feminino
    Designer: El Rehab - Crown Perfumes
    Rastro: Intenso
    Fixação:Ótima
    Notas Olfativas: Lírios, notas frutais, cedro, baunilha, âmbar.

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    Arte Irmã - Se fosse música...

    VIDEO: اغنيه حلوه ♥ نوال الزغبي لهجة خليجية ★ غريب الراي ★


    Imagens: Composições de Elisabeth Casagrande usando fragmentos de imagem de Fakulty.Ksiu.edu.sa, The Jabal Hafit Mountain de rubared -Flickr, Stargaze oriental Lilly de kind Word

    domingo, outubro 23, 2011

    Shada El Rehab - Crown Perfume


    Ondular de véus, sopro macio emanando no farfalhar das sedas, sugestão de jardins florescentes e exuberantes constituem provocações que fogem ao clichê das escuras e enfumaçadas lojas de incenso, ruelas estreitas e frestas que nos espreitam, quando nossa imaginação percorre o oriente em busca de mistérios e exotismo.
    Óleos leves e luminosos sobre a pele espalham odor de flores, madeiras, resinas preciosas e acendem o fogo da mente para voo em lugares longínquos...
    Breve  instante nos conduz a presença de  mulheres graciosas e femininas encantando amantes arrebatadores, da paixão a flor da pele.
    Shada - concentrated perfume de  El Rehab- Crown Perfumes!
    Em árabe  nome feminino que indica aromático ou  perfumada.;  vocábulo musical, que  encanta ao ouvirmos a pronúncia  original, apesar da incerteza sobre a veracidade na interpretação do termo.


    Rico, exuberante, intenso, em parcimoniosa aplicação  invade o ambiente sorrateiramente, conduzindo a evolução supreendente que nos assoma com o indólico de jasmins, associado a tenacidade profunda  de taif  rosa.
    Marcado acento de resinas e madeiras permanece ao fundo, acompanhando o trajeto destas flores exuberante infundindo   frescor à cálida sedução.
    Acordes imersos em profundas e indivisíveis  nuances que permitem vislumbrar clarõs de cítricos, folhas, raízes, especiarias apimentadas,  madeira de sândalo e resina. Algo remete à parcimoniosas doses de oud e patchuli...derivações dos densos  matizes desta rosa exótica.
     O aroma  floral, íntimo, limpo e sensual  finaliza  ambarado, entre notas de almíscar, resinas sutilmente incensadas, mentoladas  e amadeirado picante.

    Composição antiga este é  aroma intenso a ponto de provocar exclamações admiradas de quem entra nos aposentos onde  foi aplicado.
    Pede aplicação discreta, ou  corremos o risco de nos transformamrmos em parte de um jardim, transmutando  do estado de flor para o de raíz,   penetrando na terra úmida e obscura em mágico encantamento.
    após muitas e muitas horas nos surpreende, ainda sobre a pele, com traços florais ambarados submersos sob a camade madeira cítrica e verde patchuli, caregando reminiscências de vetiver.
    Perfumes concentrados, oleosos, isentos de álcool, attars constituem capítulo intrincado e quase insondável na  mais antiga arte dentro da perfumaria: o aroma  do oriente.


    Família Olfativa: Floral Oriental amadeirado
    Gênero: Feminino ( unissex)
    Designer: El Rehab - Crown Perfumes
    Rastro: Intenso
    Fixação: Excelente
    Notas olfativas: Jasmim, rosa damascena, cítricos, madeira de sândalo, resinas, canela, especiarias, oud, patchuli, vetiver.


     


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    VÍDEO: Taif Rose - Extracting Perfume from Rose


    Imagens: Composições de Elisabeth casagrande com fragmentos de imagens de Shadha CAl Rehab - Crown Perfumes, Artizara acessórios, Sheik  Valentino /película, água de rosas /taif rosa Paraia Paradisa.


    terça-feira, outubro 18, 2011

    Mei Li eau de toillete - Isabel Derroisnè


    Por acaso é primavera, apesar da chuva tropical aliada à repentinas quedas de temperatura refletindo a imagem de indecisa mãe natureza ao escolher sua vestimenta em tonalidades frias ou quentes.
    Andando pela cidade espreitava  os céus, a procura de nuvens traiçoeiras, quando meu olfato sentiu aroma de algum jardim, atravessando muros altos.
    Imaginei um caprichoso jardineiro a cortar e limpar diligente;  aroma clorofilado invadindo a tarde úmida de sol tímido e cálido.
    Deliciosa sensação! Misto de folhas e flores na fragrância  refrescante, aquosa... talinhos de grama e pequeninas flores descuidadamente amassados entre os dedos.
    Horas após ao encontro de  Mei Li eau de toillete revivi a sensação, enriquecida pela adição de frutas e flores apimentadas.

    Imagem base: Parque Barigui - Paraná - Brasil

    Lembrou-me  a passagem através do  lindo Parque Barigui, à caminho do trabalho, nas manhãs ensolaradas, precedidas pela bruma da beira de rio, quando o sol desperta  a terra sonolenta do frio  noturno.
    Mei Li, do mandarim, "reflexo da alma, aura...charme".
    Tão delicado e impressivo, coube justo na minha tarde de primavera com desejos de verão e repentes invernais.
    "Poesia chinesa... névoa transparente esperando para se aquecer ao sol".
    Tão fiel é esta descrição como se um artista estivesse escolhendo matizes para transportar paisagens para uma tela.

    Imagem Base: Oil on Canvas - 1987 Chu Teh-chun - Effluves de printemps

    Inicia exuberante misturando folhagens, flores doces, temperos picantes e a leveza aldeídica dos aquáticos,  sem declaração explícitamente ozônica.
    Que equilibrio interessante se conseguiu aqui!
    Vislumbre carnoso de frutas suculentas aliado ao melífero acento das flores faz  contraponto estável que encaminha a fragrância para o drydown leve e fresco, repleto de paz,  onde proliferam  favas de baunilha, gotas de almíscar e âmbar, em suaves madeiras  acamurçadas, numa evolução mais breve que o desejável.
    Mei Li  é hard to find, ou difícil de achar! Praticamente raro.
    Lamentável, pois este seria um "floral frutal aquático" que eu poderia usar com prazer.


    Naturalmente logo me dispus a buscar  Ming Shu Fleur Rare (2001), do  grupo Yves Rocher  a quem pertence a grife Isabel Derroisnè.
    Entretanto algum desapontamento se instalou quando li um review comparativo descrevendo  Min Shu mais intenso em  nota de lótus e acento  iodado.
    Hummm... definitivamente aquático.
    Só provando.


    Família Olfativa: Floral Frutal Aquático,1997
    Designer: Isabel Derroisnè para Yves Rocher
    Gênero: feminino
    Rastro: Intenso à discreto
    Fixação: Boa
    Notas Olfativas: Notas verdes, rosa, peônia, osmantus chinês, frésia, damasco, âmbar, couro, almíscar, baunilha.


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    Arte Irmã - Se fosse música...

    VÍDEO: A PAz - Gilberto Gil e João Donato - Canta Zizi Possi.


    Imagens  Composições de Elisabeth Casagrande com frascos de Mei Li edt by Isabel Derroisnè sobre fundos diversos.

    domingo, outubro 16, 2011

    Lily Spice eau de parfum - Penhaligon's London


    Existe uma linha aromática divisória entre oriente e ocidente?
    Meridiano semelhante ao de Greenwich para nos orientar nos rumos da perfumaria?
    Se houver será mutante, oscilante e imprecisa, pendendo ora para um lado ora para o outro, como inúmeros perfumes que nos trazem a beleza dos extremos desta divisão global.
    Lily & Spice eau de parfum situa - se  neste meridiano imaginário em fino equilibrio,  como um pêndulo que não deseja parar entre os opostos do movimento.


    Oscila da face  quente, especiada e oriental para aroma limpo, claro translúcido, citadino.
    Ritmado mescla notas em busca do equilibrio, alternando as forças de cravo-da-índia e benjoim  em oposição aos límpidos lírios e translúcidos patchuli e vetiver.
    Neste movimento pendular se desenha alvo  lírio madonna cuja suavidade prepondera sobre  agridoce apimentado do cravo-da- índia,  reforçado em sedoso acento  de almíscar branco, delicado e empoeirado.
    Tênue cremosidade permeia estas notas, conduzindo o olfato por caminhos amendoados e instigantes, enquanto vislumbres   do toque  carnal de benjoim podem ser percebidos, entremeados de doçura leve  e etérea.
    Desafiando  a densidade das notas imponentes se estabelece  aroma floral e almiscarado, que flutua em suave  sillage,  imprimindo a  discrição adequada para tardes elegantes.
    Tão rarefeito quanto sutil, após a brevidade das primeiras e intensa emanações atenua  calmo e equilibrado na fragrância  delicadamente amadeirada, talvez reminiscência do açafrão escondido entre as primeiras notas.


    Família Olfativa: Floral oriental, 2006
    Gênero: Feminino:
    Perfumista: Mathilde Bijaoui
    Rastro: Intenso à discreto
    Fixação:  Boa
    Pirâmide Olfativa:
    • Topo - Lírio Madona branco, açafrão
    • Coração - Pimenta e cravo
    • Base - Almíscar branco, patchouli, baunilha e benjoim 
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    ARte Irmã - Se fosse música... VÍDEO: Dois Rios - Skank


      Imagens: Composição de Lily Spice sobre foto de Elisabeth Casagrande; Composição de Lilium candidum, pendulum, Lily & Spice Penhaligon's por Elisabeth Casagrande; Composição de rhodonea sobre lily madonna  Por Elisabeth Casagrande.

      sexta-feira, outubro 14, 2011

      Lily of the Valley eau de toilette- Penhaligon's London


      Delicadas e pequeninas sinetas próximas ao solo.
      Alvas, róseas ou em pálidos tons de amarelo, as belas  flores de convalária ou lily of the valley dissimulam  em aparente simplicidade a magnificiência do óleo essencial delas obtido.
      Após algum tempo de coleta o odor in natura das pétalas, doce e delicado, transmuta para aroma intenso e narcótico.
      Esta característica toca as criações soliflores e os florais que privilegiam sua presença, criando uma aura íntima  e pueril, com toques de voluptuosidade e languidez decadente.
      Lírios-de-maio transmitem a ambiguidade existente entre  luminosa  inocência e misteriosa sombra.
      Faces diversas que reunidas traduzem a escrita da Natureza, procurando equilíbrio na dualidade entre movimento e  repouso,  tigre e  dragão.
      Fluidos indólicos e doçe frescor se apresentam mesclados, impossibilitando distinguir onde termina a escuridão e principia a luz.


      Líly of the valley é flor que captura a essência de  yang e yn, principalmente na multicidade de facetas do seu aroma.
      No primeiro e breve contato com o exterior, quando mínima porção volatilizou da garrafinha,  Lily of The Valley  eau de toilette  de Penhaligon's London se cobriu de  convalária obscura, verde, resinosa e indólica, apesar de genuinamente floral, em  sensação  fugaz  que alcançou a pele revestida de cítricos quentes e ensolarados, convidando ao aconchego.
      Diversas flores entremearam as atraentes notas frutais e picantes, provocando  farfalhar de folhas em aragem fresca, porém  doce, revelando constantemente o perfil dos pequeninos lírios, travessos,  insistindo em se esconder ou  inesperadamente retornando para o centro do palco


      Neste jogo de camuflada exposição se forma o soliflore, realçada beleza contrastando acidez e dulçor.
      Um dos mais bonitos que provei, na sutileza  com que se apresenta o polêmico lírio, na totalidade das  suas características, com o frescor de acqua aurea  capaz de encantar até  rouxinóis, os pássaros de maio.
      Evolui na mansidão yn, atingindo o frescor denso das notas básicas, musgos e madeiras nobres, transformadas em leito acolhedor para a exuberância enfim contida  das pequeninas flores.

       Família Olfativa: Floral, 1976
      Gênero: Feminino
      Rastro: Intenso a Moderado
      Fixação: Boa
      Perfumista: M.Pickthall
      Pirâmide Olfativa:
      • Topo - Bergamota, limão, gerânio
      • Coração - Convalária, rosa, ylang-ylang, jasmin
      • Base - Musgo de carvalho, sândalo

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      ARTE IRMÃ - Se fosse música...

      VÍDEO: The Song of The Nightindale

      quinta-feira, outubro 13, 2011

      Lilies Fragrance - penhaligon's London


      Lírios ( lily, lilium, lyz ), fascinam,  encantam, deliciam através das formas, cores  e aromas.
      No sul do Brasil, existe uma fartura de espécies, flores grandes de perfume delicado e intenso.
      Contudo, outra flor chamada de muguet, convallaria ou lily of the valley, em nosso país conhecida como lírio-do-brejo, convalária , lírio-de-maio desperta admiração incondicional nos aficcionados pela perfumaria.


      Pequena planta com delicados  sininhos  brancos ou  tingidos em cores pálidas, cintilando nos jardins e prados, clamando atenção  no aroma que vai do sutil ao quase intoxicante, após colhidas...
      Olhei para os diminutos frascos de echantilons Penhaligon's, tentações  com os nomes lily a bailar na superfície, e  vacilei.
      Qual experimentar primeiro? Lily of The Valley ou Lily & Spice?
      Dúvida, a sina dos amantes de aromas. Desarrolhei ambos e criei  indecisão ainda maior.

      O primeiro libertou os fluidos indólicos  e sombreados das pétalas machucadas, embebidos em cítricos maravilhososos.
      O segundo revelou aroma misterioso floral pontilhado de especiarias.
      Escolha difícil! Preferível  resenhar os dois simultâneamente
      Ei-los:

      Lily of the Valley by Penhaligon's


      Lily&Spice by Penhaligon's


      Imagens: Lírio Madona photo Wikipedia; Lírio convalária photo my garden-flowers; echantillons de Lily of the Valley e Lily &Spice  de Penhaligon's London por Elisabeth Casagrande

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      quarta-feira, outubro 12, 2011

      Jardin de Bali eau de toilette - Isabel Derroisné


      Comer Amar e Rezar.
      Assisti o filme e li o livro - infinitamente melhor - apesar dos lindos, Julia Roberts e seu "brasileiro" Javier Barden, que no personagem  chama a todos de querido(a)s e beija filho na boca, o que nossos "Javier Bardem" não fazem.
      Pelo menos não a maioria...
      Apesar do curto espaço de filmagem ter engolido literalmente boa parte da história, há cenários e imagens cativantes.
      Quando senti Jardin de Bali recebi um convite e saí com Liz e Felipe pelas ruas de Bali, saboreando cada pedaço.


      Feiras livres exibem  um  talento comum em qualquer canto.
      Seduzem!
      Mesmo quando não as conhecemos porque podemos imaginar, e apesar de  ser esboço pálido provavelmente  não seremos infiéis ao cenário verdadeiro.
      Cores, movimentos, sons, cheiros em profusão.
      Atente e  verá num cantinho, que parece uma banca de poções e estatuetas misteriosas,  vidros coloridos em  licença poética ... e sentirá o aroma de bouquets exóticos.
      É assim que se revela este Jardin de Bali.


      Artesanal,  profundo e  misterioso na mistura de especiarias espalhadas em potes ao sol, mesclando seus aromas com flores e frutos da vizinhança.
      Aragem fresca e ensolarada cuja origem confunde, pois está impregnada nos panos que se agitam ao vento, nos cabelos e peles que roçam distraidamente, no chão empoeirado, nas lojinhas  obscuras e convidativas.
      Tuberosa, para nós angélica,  é assinatura oriental, quente, risonha e sensual, praticamente soliflore, apesar da companhia de flores brancas igualmente atrativas e das doçuras de ylang-ylang.
      Embelezada por frutas e temperos no princípio da evolução reina majestosa por longo tempo, sem exageros, natural e confortável, dominada apenas pela  luxuriante paisagem  da Indonésia.
      Adormece suavemente, embalando  baunilha floral, escondendo entre pétalas  os tímidos e quase inaparentes benjoim e alcaçuz.
      Em 2011  três eau de toilette integram  a coleção de jardins  de  Isabel Derroisné, inspiradas nas suas viagens:
      - Jardin de Bali
      - Jardin de Sicile
      - Jardin d'Antalya


      Família Olfativa: Floral, 2000
      Gênero: Feminino
      Perfumista: Cecile Matton
      Rastro: Intenso
      Fixação: Boa
      Pirâmide Olfativa:
      • Topo - Bergamota, cravo-da-índia
      • Coração - Tuberosa, jasmim, flor de laranjeira, ylang ylang, especiarias
      • Base - Baunilha, benjoim, alcaçuz

      ISABEL DERROISNÉ

      Le Monde en Parfum era uma linha do grupo Yves Rocher, comandada pela perfumista francesa, de perfumaria niche, Isabel Derroisné.
      Renomeada transformou-se na atual linha Isabel Derroisné com perfumes desenvolvido desde 1995, na criação associada à vários nomes fortes do âmbito perfumístico:
      - Karine Dubreuil
      - Emilie Bouge
      - Jerome Epinette
      - Cecile Matton
      - Vincent Ricord
      - Anne Flipo
      - Christopher Sheldrake
      - Celine Ellena
      - Alexandra Kosinski


      Marca ou diferencial destas fragrâncias, particularmente na coleção de Jardins,  é uso de matéria-prima natural aliada à concepção de frascos e embalagens fiéis a temática dos perfumes, especialmente elaborados por designers e artistas contemporâneos.
      As três primeiras fragrâncias, lançadas entre 1995e  foram:
      - Lettre a Anna
      - Ame Toscane
      - Pour Amour de L'Inde

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      ARTE IRMÃ - Se fosse um livro seria Comer, Rezar e Amar, se fosse  música...

      VÍDEO - Samba da Benção - Bebel Gilberto



      Imagens: Composições com frascos de perfumaria Isabel Desrroine, Jardins de Bali resorts, tuberosa - Elisabeth Casagrande


      domingo, outubro 09, 2011

      Calandre - Paco Rabanne


      Cosmopolita, Calandre para mim cheira à discoteca, baladas dançantes e  sofisticadas  dos anos 70/80, apesar de ser criação de década anterior.
      Culpa de uma amiga de  faculdade que era louca pelo perfume Paco Rabanne.
      Garota de personalidade forte, marcante, palavra fluente, obtinha no aroma aldeídico floral temperado e intenso  a companhia perfeita.


      Apresentado em frasco retangular, lembrando o design do edifício das Nações Unidas em New York, fabricado na cristaleria Baccarat nos anos 80,  permite que cítricos aldeídicos quase florais, afiados e argutos assumam a palavra inicial neste discurso.
      Notas de entrada evoluindo entre doçura de flores e suavidade ambarina, carregando a vibração de vetiver, musgos e madeiras.


      Não se percebe claramente onde começam lírios, rosas e jasmim, ou findam, contudo os sentimos, levemente indólicos. Também gerânios e folhas na entonação fresca e enérgica.
      Tom manso e surdo de temperos quentes e apimentados  entremeia a delicadeza das flores, que submergem entre almíscar e âmbar, extremos doces suprimidos por vetiver e madeiras resinosas do drydown.
      Musgos  pontuam a composição com  frescor e  umidade, vislumbres de mistérios  e sombras  no âmago de Calandre.


      Seu  discurso impressivo, hoje tradicional, superado pelas ousadias exacerbadas do novo século, em tempos idos caracterizou palavras de modernidade.
      Fragrância que evoca fidelidade!
      Consumidores apontam  semelhanças entre Calandre e Rive Gauche, MaGriffe, Coriandre, White Linen de Estèe Lauder.  Diria que os estilos mantém acordes comuns, contudo cada um é um, com personalidade distinta, grandiosa e única, centralizada em focos diferentes.



      Família Olfativa: floral Aldeídico, 1969
      Gênero: Feminino
      Perfumista: Michael Hy ( Roure)
      Frasco: Design de Pierre Dinand
      Rastro: Intenso
      Fixação: Muito Boa
      Pirâmide  Olfativa:
      • Topo - Aldeídos, folhas verdes, bergamota
      • Coração - Raíz de íris, jasmim, lírio-do-vale ou lírio selvagem, rosa, gerânio
      • Base - Madeira de sândalo, âmbar, almíscar, musgo de carvalho, vetiver
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      Arte Irmã: Se fosse música... VÍDEO: Disco 70/80, The best of

      quinta-feira, outubro 06, 2011

      Calèche Eau Délicate - Hermès


      Espirros, espirros, espirros,  ouço espirros por todos os cantos e ruas... e faço coro.
      Alguém diz:
      - É o pólen de primavera no ar...
      Espirrar partículas douradas e dançantes para o céu azul talvez seja uma idéia romântica, mas não, não assim. Nunca vi nada igual por aqui.
      Definitivamente é uma  estranha patologia, acompanhada de outros sintomas  como narizes congestionados, inclusive o meu.
      Contudo  Caleche Eau Delicate é afiado o suficiente para transpor estas barreiras.
      Inicia agudo, transparente, cítrico, levemente frutado com  apelo inegável de folhas verdes amassadas, semelhante a volta das compras  na caminhada descontraída,  sentindo o ar  ensolarado e cálido da manhã.
      Hummm... não tarda preguiçosa e amadeirada pimenta rosa se faz sentir, polvilhada de âmbar, ou melhor aspergindo seu acento picante e empoeirado na braçada de flores que insistimos em carregar.
      Um dos apelos cativantes das feiras livres na minha cidade vem das bancas de flores.
      Impossível resistir  ao bouquet colorido, enquanto ouvimos os feirantes (reminiscências  de épocas mais galantes) em seu conhecido refrão cantante:
      - Moça bonita não paga... mas também não leva.
      Hummm... manhã de primavera, tão  bonita, cristalina, morna,  fugaz e alegre ... Você merece Caleche Eau Delicate!
      Remake suave e moderno de Caleche origina,l elaborado por Guy Robert, atende a proposta de aroma soft, descontraído, casual.
      Não desmerece seu antecessor uma vez que foge da simples  imitação, apenas trilhando o mesmo caminho, perfumando docemente.


      Musgos e especiarias, se presentes, fogem da fórmula original disfarçadas entre aldeídicas rosas, ylang ylang, toques de jasmim, íris, frutinhas maduras, cítricos  e sândalo almiscarado.
      Couro talvez, no fundo, de revés, tímida pelica embalada em lindo frasco.
      Gostei da suavidade empoeirada do  sândalo ao se encaminhar para o drydown,  de cedro conjugado a madeiras cítricas e frescas.
      Elegância etérea, calma e ... delicada. Apesar de não contribuir com grandes inovações traz consigo, no deja vù, apreciável  qualidade Hermès.

      Família Olfativa: Floral jasmim,2003
      Gênero: Feminino
      Perfumista: Fabrice Pellegrin / Caleche original:Guy Robert
      Rastro: Intenso à moderado
      Fixação: Boa
      Pirâmide Olfativa:
      • Topo - Aldeídos, tangerina, jasmim, rosa
      • Coração - Rosa, jasmim, groselha negra
      • Base - Sândalo, cedro.
       
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      Arte irmã: Se fosse uma música...


      Vídeo: De Manhã - Nara Leão - 1971


      Imagens: Feira livre de Curitiba - sábado- banca de flores /photo C A P Parchen;composição com frascos de Caleche e Caleche Eau delicate