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terça-feira, setembro 27, 2011

Chant d'Aromes eau de toilette - Guerlain


Jovens e apaixonados. Ele criava perfumes.
Ela usava, porém não os  Guerlain de  Jean-Paul,  pois se encantara com o tradicional MaGriffe, lançado em 1946.
Contudo o talentoso perfumista, inebriado pelo amor, tentou durante sete anos inúmeras fórmulas, com óleos florais cuidadosamente escolhidos, até idealizar,  o chypre aldeídico que superasse a fidelidade da namorada ao perfume Carven.


Em 1962  o chamou de Chant d'Arômes,  que em  tradução literal seria Cantoria dos Aromas e na poética talvez Cânticos das Flores, cujos perfumes, cores e formas deixam rastros  e sussurros contando paixões humanas.
Comenta-se pelos cantinhos da web... entretanto mesmo se fantasiosa é uma bela história de amor como muitas que explicam as  obras de arte aromáticas.


 Definido como um precursor dos intrincados aromas Guerlain, na minha exploração se revelou extremamente complexo, exibindo  facetas novas em cada contato.
Chant d'Arômes é uma trajetória de amor que se abre com entusiamo apaixonante, agudo, doce e impetuoso  de flores, aldeídos e cítricos, numa camada volátil  que esconde paixão atrás de leve formalidade.
Atentos perceberemos neste início a presença  de benjoim  aflorando tímido  entre notas florais e frutais.
Espia apenas, intimidado pelo cortejo de  especiarias que  alternam  características picantes e leves de cravo, canela,  talvez um lampejo  de pimenta. Revelam-se tépidas,  atenuadas  pela limpidez  que indica  mistura de gálbano, vetiver, íris e musgos.


Aroma  resinoso, fresco e verde,  típico dos  grandes clássicos que nasceram naquela  transição entre décadas, oscila em  nuances sinalizando associação harmoniosa e delicada entre musgo, íris e resinas.
Doçura floral,  cálida e melífera, persiste durante o trajeto, embora se  tenha perdido a fogosidade das primeiras notas.


No âmago  da fragrância vislumbramos o bouquet multicolorido, coeso  e indistinto  na vaga sensação de gardênias, rosas, jasmim e heliotrópio, como no amor entre casais, cuja intimidade e convívio trazem serenidade e aconchegante acomodação, mesclando características, provocando semelhanças.
Sillage exuberante  ganha terna delicadeza e se fecha sobre a pele... flor aveludada, morna,  doce e resinosa, enquanto sândalo, almíscar e  âmbar se transformam em acordes dominantes e duradouros, embora  mais introspectivos a cada hora que passa.


Finda  leve  esta  rica composição aromática, quase um lamento antes de adormecer definitivamente.
No livro Perfumes, The Guide  Luca Turin comenta que Chant d'Arôme original  passou por reformulações na década de 90 quando foi oferecido  como eau de toillete, mais leve, embalado  no famoso frasco abeilles.
Atualmente, com alguma sorte é possível encontrar esta e uma segunda reedição lançada em  2007.



Família Olfativa: Chypre floral
Gênero: Feminino
Perfumista: Jean-Claude Guerlain
Frasco: Robert Granai
Rastro: Intenso a moderado
Fixação: Muito Boa
Pirâmide Olfativa:
  • Topo - Aldeídos, gardênia, frutas, mirabelle
  • Coração - rosa, jasmim, madressilva, ylang-ylang
  • Base - Benjoim, almíscar, vetiver, heliotrópio, musgo, olíbano
FRASCOS 

Este flacon ou frasco em forma de urna, concebido em 1969, e manufaturado por Pochet et du Courval  era  exclusivo da fragrância  Chant d'Arômes.
Para  reedições dos anos 90 e  2007 a escolha recaiu sobre o frasco abeilles, adornado com pequenas abelhas em relevo.
Originalmente idealizado para  acondicionar Eau de Cologne Impériale criada para a Imperatriz Eugene, esposa de Napoleon III, o frasco abeilles  foi criado por Pochet et du Courval utilizando  figuras dos pequenos  insetos, um dos símbolos  para  Napoleon, posteriormente  incorporados pela casa Pochet et du Courval como parte decorativa  dos seus produtos.


 Arte Irmã: Se fosse uma poesia transformar-se-ia em canção como....

Canção das Flores - Composição de Baden Powell e Paulo Cesar Pinheiro - gravada em 1980.

O meu amor plantou dentro de mim
Um campo em flor, um prado e um jardim
E desde então minh'alma exala o aroma
E deixa um travo de jasmim, dama-da-noite e cravo
O meu amor ornou meu coração
Com uma guirlanda de manjericão
Samambaia em penca espalhou

Uns pé de avenca e todo prosa
Em meu peito pôs o amor-perfeito e a rosa
O meu amor que perfume bom de alecrim
E que tom de carmim
Olha como meu amor tão delicado está

Aprendeu com beija-flor da flor como tratar
Eles vão seguindo assim
Num campo em flor, prado e jardim
O meu amor plantando o seu amor em mim

VÍDEO:Canção das Flores - Silvia Maria (voz) e Baden Powell ( violão)


Imagens: Frascos de Chant d'Arome por Elisabeth Casagrande, frascos vintage - copied imaga.

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quinta-feira, setembro 15, 2011

Juniper Sling na Vitrine - 2011


Olivier Cresp,  mestre de perfumaria criou  Juniper Sling, fragrância unissex cuja inspiração está nos drinks fortes a base de gin seco, ( London Dry Gin ) frisson dos frenéticos anos 20.
Homenageando  a sociedade jovem, aristocrata e boêmia  que se divertia entre as décadas de 20 e 40, (Bright Young Thing's of London), foi criada  eau de toillete na proposta de transmitir brilho esfuziante, intenso  e fresco, traduzido em notas de zimbro, suavizado por  angélica e  lírio, temperado na pimenta, cardamomo e acentos de couro.


Drydown constituído por cereja preta, açúcar mascavo e âmbar prometem a pitada sensual e cativante.
Enquanto não chega a amostra para  provar esta fragrância de acordes tão promissores podemos nos encantar com o vídeo narrado no adorável sotaque inglês....

VÍDEO:Penhaligon's New Luxury Fragrance, Juniper Sling


Imagens:  Frasco de Juniper Sling gentilmente cedido por Penhaligon's ; Bombay Saphire - London Dry Gin de de Ben Efros - Wikipedia
 
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Gardenia Passion eau de parfum - Annick Goutal

Espreitei a embalagem recém retirada do revestimento protetor.
Aroma intenso se espalhava no ambiente, de flores brancas num ramalhete profuso, pesado e picante.
Afoita e curiosa percorri os rótulos de cada pequenina amostra a procura da composição rica em tuberosa.
Dois ou três flaconetes  atendiam teoricamente ao perfil de floral branco exuberante que exalava da caixinha, contudo  Gardenia Passion trouxe momentânea certeza.


Era ela! A fragrância impressiva e floral que dominava todas as outras impregnando meu olfato, provocativa na  memória construindo  desfile imaginário de frascos floridos  em branco cortejo...Intense Tiarè, Sacks fifth Avenue, Carolina Herrera, Bora Bora.
Após a intensidade doce e melífera do perfume anteriormente resenhado pretendia amenizar os sentidos num aroma fresco e leve, contudo Gardenia Passion conquistou, através da curiosidade, o rumo  direto para a pele.
No acorde inicial uma surpresa floral agreste e verde, quase frescor de folhas orvalhadas, me fez titubear:
- Enganei-me?

Absolutamente. O fugidío acento verde, desvanecendo como fumaça, recebeu uma braçada de tuberosas apimentadas e exóticas entremeando jasmins sufocados, que exalavam suspiros indólicos, atormentados, confirmando uma fragrância de flores imperativas.
Mesmo a delicada e doce inflorescência de laranjeira mostrou lado tumultuado, quase imitação de frésias,  entremeadas de  acidez cítrica, repudiando meias medidas.
Tal ardor inicial levou-me a pensar que ficaria  horas sob o impacto deste bouquet atordoante, entretanto o perfume se  acomodou  sorrateiro em enganosa  delicadeza. Talvez estabelecendo estranha química com a pele  levando  a crer  na perda de exuberância. Principalmente  se considerarmos o aroma  denso instalado ao  redor  do frasco,  negando espaço para outras  impressões olfativas, persistindo indefinidamente.

Após algum tempo ocorre apuração da fragrância, flores cristalizando, acomodadas  e definidas, imersas em  aura limpa, levemente metálica, ares de  patchuli, incenso branco e leve substituindo gradativamente o dulçor apimentado
 Repentinamente a fragrância cai, quase que totalmente, talvez  em notas desencantadas pela busca infrutífera do acorde  terroso, obscuro e úmido  de musgo... listado oficialmente.
Desvanece  similar  a fogos de artifício queimando   estupendos e fugazes provocando tênue rastro enfumaçado.


Se não posso afirmar perfeição nesta gardenia disfarçada de tuberosa e jasmim,  ou longevidade na pele semelhante à persistência da volatização no papel, admito atraente  voluptuosidade na composição impactante que sofre metamorfose  para  elegância calma e refinada.
Sugestivo e instigante o suficiente para  ocupar espaço entre os bons perfumes.

Família Olfativa: Floral, 1989
Gênero: Feminino
Perfumista: Elizabeth Doyen
Rastro: Intenso
Fixação: Regular (?)
Notas Olfativas: Tuberosa, jasmim, flor de laranjeira, musgos.

PS: Comenta-se que  gardênias nunca conquistaram a apreciação de Annick Goutal, e neste perfume me parece que  gardênias estão camufladas, se não sufocadas, pelas tuberosa e jasmin da indonésia, em aromas muito próximos, que confundem o olfato. 

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Arte Irmã: Se tocasse uma música seria...

VÍDEO: Melati Dari Jayagiri - Iin Bimbo


Imagens: Frascos de  Gardenia Passion - Annick Goutal; flores do weblog Kiyanti 2008's- mock orange ou jasmin laranjeira, tuberosa ou angélica, melati ou jasmin da Indonésia.