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quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Une Folie de Rose - Les Parfums de Rosine

Uma nota em dissonância no bouquet  tradicional? Ou a rosa mais bonita?
Entre fragrâncias doces, leves, rendilhadas em suavidade e delicadeza, ou orvalhadas no frescor matutino,  explode o ardor picante da rosa chypre destacando-se como o repicar dos sinos nas manhãs plácidas de domingo, a sacudir  do torpor preguiçoso do sono.
Impossível ignorar  a flor cujo arauto é o coentro. Sentimos seu calor de imediato, veemente afirmando  que não existe brandura ou submissão, embora  seja vassalo da soberana feminilidade.
Erva que tempera, substituindo o padrão cítrico dos tradicionais chypres encobrindo  a delicadeza  empoeirada das rosas, típica dos  papéis de  carta, como o  lacre real  sela um pergaminho, escondendo momentâneamente um aroma sutil.

Segue-se surpreendente dueto da aveludada e doce rosa da Bulgária com o odor  amadeirado da rosa  chá  sugerindo equilíbrio entre amor romântico e entrega ardente, pois  as notas do coração parecem abrigar  mensagens  de mulheres  impetuosas a procura dos seus amados, através de cartas apaixonadas.
Palavras revelam  segredos, sussurros do coração e deslizam sobre o papel antes de serem  enviadas para seu destino, dentro de envelopes que também encerram  perfumadas pétalas de rosa.
Enquanto percorrem espaços, os recados amorosos  desprendem suspiros de doce ramalhete, antevendo o prazer do encontro com o agrume das folhas de patchuli.
Recebidas, encontram  a reciprocidade dos sentimentos e se deixam envolver no abraço másculo e ardoroso de madeiras  banhadas nas essências de  resinas, extratos de folhas, incenso...


Protagonistas de romances intensos, na literatura ou em  histórias verdadeiras devem exalar tais perfumes de femininas rosas e madeiras cobertas de musgos, entrelaçados em beleza e sintonia.
Será  que este  encanto resistiria ao tempo, perduraria em aroma  entranhado nas fibras amareladas dos maços de cartas, atados por fitas de cetim?
Gostaria de  descobrir uma linda e verdadeira história de amor, nos cantos empoeirados de uma biblioteca, ou no fundo de um baú antigo...de, viajante no tempo, aspirar o perfume das rosas esmaecidas e  desfolhadas.


É necessário dizer que as rosas aqui são preciosas?  E que provavelmente são culpadas de alguma nostalgia... Comentários lidos colocam esta bela rosa  ao lado de Chanel N.19, dos aldeídos de Flora Nappa Valley Boheme, da característica chypre  de My Sin, Cabochard, Ma Griffe, Jean Patou 1000 e devo concordar que a avidez com que ganha a pele  e o ambiente recorda tais  fragrâncias poderosas, enquanto a elegância   definida pelo drydown é tipicamente Chanel.
Em alguns momentos  na transição entre as notas iniciais e  as de coração senti uma das facetas sedutoras de Soir de Lune.
Sillage e fixação  sobrepujam  em intensidade e longevidade  os poucos  perfumes Rosine, que experimentei,  afoita e descuidadamente num primeiro momento. Talvez outros se equiparem  ou  superem este  contato inicial com  a rosa chypre, portanto serei cautelosa na avaliação. Embora encantada.


Família Olfativa: Chypre,  2004
Gênero: Feminino
Designer: Marie Hélène Rogeon
Rastro: Intenso
Fixação: Muito Boa
Pirâmide Olfativa:
  • Topo - Bergamota, coentro
  • Coração - Ylang-ylang, jasmim, rosa chá, absoluto de rosa da Búlgaria, absoluto de rosa da Turquia, íris.
  • Base -  Sândalo, musgo de carvalho, patrchuli, vetiver, benjoim, âmbar, almíscar branco
Arte Irmã: Se fosse uma história seria esta contada em filme romântico ...
    Vídeo:Verona por Andy Georges


    Imagens: Composiçoes com fragmentos de imagens por Elisabeth C; Amanda Seyfrieds in Lettes to Juliet; Vintage Love Letters/1940; Banners de publicidade  Les Parfums de Rosine.
     

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