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segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Bluebell eau de toilette

O Jacinto é a flor que representa constância e sinceridade, simbolizando também os esportes. Diz a lenda que o jovem grego Hyakinthos, grande preferido do deus Apolo, foi ferido mortalmente por um disco, lançado pelo ciumento Zephyr, durante uma competição. O sangue que jorrou da cabeça de Hyakinthos, caindo no solo, transformou-se em uma flor. Bluebell, uma espécie de jacinto, floresce em abril e maio, meses de primavera na Europa.
 
Bluebell é também o nome de uma fragrância, lançada pela mítica marca inglesa Penhalignon’s em 1978. Na minha opinião, poucos perfumes conseguem reproduzir com tanto sucesso o início da primavera em um jardim britânico.
A combinação “galbano, lírio e jacinto” é conhecida em perfumaria por imprimir um certo caráter verde, fresco. Em Buebell, ela é usada com êxito, transpondo leveza à rosa e ao jasmim. O ciclâmen, quase inodoro enquanto flor, reforça a impressão de suavidade. Tudo poderia cair no perigoso campo da simplicidade extrema, se não fosse pela adição do cravo e da canela como notas de base, aquecendo o conjunto, e contribuindo com um certo toque de exotismo contido. E é essa dualidade o grande mérito de Bluebell. Simples, com uma determinada complexidade. Tímida, e no entanto alegre. A sensação geral é a de um jardim apos uma chuva passageira, banhado pelos raios de sol que retornam docemente.

A ambivalência da fragrância é também indicada pelas personalidades mais diversas dos seus admiradores. Bluebell é o perfume de predileção de Margareth Thatcher, amado igualmente pela rainha Elizabeth II, além de ser um dos prediletos de Sienna Miller, Sadie Frost, e da falecida princesa Diana.
Em poucos meses, a primavera retornará ao Hemisfério Norte. Os jardins se recuperarão dos rigores do inverno, e as os bulbos abrirão-se em flores. Os castelos escoceses de Culzean e Gelston, renomados como as mais belas plantações de jacinto/bluebell mostrarão todo o seu esplendor. Tudo ficará mais alegre e jovial. Afinal, a primavera é época de renascimento, renovação. Tempo de abertura e sinceridade, atributos simbolizados pelo jacinto, cujo renascimento é um dos primeiros indícios da chegada da estação. Momento propício para usar Bluebell. O belo Hyakintos aprovaria!

PERFUMISTA:  M. Picktall


The  Bluebell

Anne Brontë

A
Fine and subtle spirit dwells
In every little flower,
Each one its own sweet feeling breathes
With more or less of power.
There is a silent eloquence
In every wild bluebell
That fills my softened heart with bliss
That words could never tell.


Yet I recall not long ago
A bright and sunny day,
'Twas when I led a toilsome life
So many leagues away;

That day along a sunny road
All carelessly I strayed,
Between two banks where smiling flowers
Their varied hues displayed.

Before me rose a lofty hill,
Behind me lay the sea,
My heart was not so heavy then
As it was wont to be.

Less harassed than at other times
I saw the scene was fair,
And spoke and laughed to those around,
As if I knew no care.

But when I looked upon the bank
My wandering glances fell
Upon a little trembling flower,
A single sweet bluebell.

Whence came that rising in my throat,
That dimness in my eye?
Why did those burning drops distil -
Those bitter feelings rise?

O, that lone flower recalled to me
My happy childhood's hours
When bluebells seemed like fairy gifts
A prize among the flowers,

Those sunny days of merriment
When heart and soul were free,
And when I dwelt with kindred hearts
That loved and cared for me.

I had not then mid heartless crowds
To spend a thankless life
In seeking after others' weal
With anxious toil and strife.

'Sad wanderer, weep those blissful times
That never may return!'
The lovely floweret seemed to say,
And thus it made me mourn.

CONTRIBUIÇÂO: Resenha  da autora  especialmente convidada - GAELLE - do blog  PERFUMES & ETC.
Gaelle atualmente reside no continente europeu e relata a beleza da tradicional perfumaria européia através da sua percepção sensível e bem informada.
Obrigada pela  sempre bem-vinda presença em Perfume Bighouse!

Imagens: The Death of Hyakinthos - Jean Broc - 1801 do Museu de belas artes se Poitiers; Bluebells do Castelo  Culzean Ayrshire - Escócia - photo deDavid McAughlin; Frasco Bluebell de ElisabethC.Bluebell - England de freephoto.org.uk

4 comentários:

  1. Nossa... eu amo sino e amo o azul! Poderia ser um perfume compartilhável, Beth?

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  2. Oi Marciante. Blue Bell é muito bom e compartilhável. Aliás os de Hermès e Bvlgari citados também são.Beijocas de Elisabeth

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  3. É admirável o trabalho da Gaelle, não canso de ler e reler.

    Abraços,



    Cláudia

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  4. Oi Claudia. Gaelle é uma amiga querida e talentosa! Beijocas de Elisabeth

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