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segunda-feira, fevereiro 28, 2011

Castile for Men - Penhaligon's London

Documentos alfandegários londrinos, datados de 1567, relatam a entrada de Castile Soap  típico da  região de  Castille, hoje Espanha, através da portuária Antuérpia.
Segundo historiadores,  um produto alcalino - branco de Troyes - era processado com azeites (oliva) naturais da região e sal,  originando as  alvas barras do jabon de Castila.
Originalmente sem  adição de óleos essenciais ou aromatizantes, até o presente é considerado de excepcional qualidade devido as propriedades emolientes  do óleo de oliva.


Na França, em Marseille, registros de aproximadamente 600 anos; atrás indicam que o mesmo processo era utilizado para obter o famoso savon de Marseille, feito a partir de água salgada (mar  Mediterrâneo), compostos alcalinos e óleo de oliva.
Pesquisando a origem do nome de  Castille by Penhaligon's, em vários momentos percebi a comparação de colecionadores e críticos com  odor de sabonete, aroma de limpeza, intenso e alcalino.
Dividi meu impulso entre a curiosidade e o desagrado, vista que nâo sou fã ardorosa dos aromas dito de sabonete ou  lavanderia embora alguns sejam atraentes.
Contudo Penhaligon's ainda não me desagradou, e resolvi passar pela experiência com Castile.

Cítricos evidentes de folhas, frutos verdes e madeiras movimentam-se  assim que inicia  a dança das notas olfativas.Denso e apimentado, em ardor e ímpeto totalmente masculinos, exprime um ar de barbearia antiga, onde aromas frescos das loções se confundem com os cremosos sabões de barba.
Naturalmente intensidade efêmera, na competência que cítricos tem de minimizar  rapidamente, aqui atenuados pela presença camuflada de  flores temperadas por especiarias, talvez cravos, pitadas de canela e toques de lavanda, que  equilibram  o caráter apimentado.

 Ao fundo a base é cremosa e limpa apesar de se distanciar  dos quase esterilizados aromas de lavanderia.
É indiscutivelmente soap.
Vigoroso, rico permitindo ondulações  que revelam flores, especiarias, âmbar, almíscar e madeiras.
Quando próximo ao drydown revela suavidade inesperada recebendo generosas camadas de almíscar.
Nesta sucessão de acentos do âmago da fragrância percebi vagamente um floral ambarado que despertou minha atenção, e quase satisfez a procura de uma das minhas notas florais prediletas - a rosa. Porém, me pareceu ambígua e fugidia.
Classificado como unissex  não seria minha escolha  para toucador, pois ao sentir este aroma na pele estaria constantemente assombrada pela presença viril de um personagem  de antigos romances,  herói   a ostentar charme másculo, quase rude, comportamento sedutor direto e franco.

 Se  a fragrância de Castile relembra o odor de sabonetes  certamente sua cor não é o cândido branco de jabon Castille e sim  a graduação quente e profunda, das cores que oscilam entre  areia e terra, no savon de Marseille.

Família Olfativa: Cítrico, 1998
Gênero: Unissex ( masculino)
Rastro: Intenso
Fixação: Boa
Pirâmide Olfativa:

  • Topo - Neroli, Petit grain
  • Coração - Bergamota, flor de laranjeira, rosa
  • Base - Madeiras, almíscar
Imagens: Mercantilismo -docas de Londres  no séulo XVI; Jabo Castile de  Spanish  Seam Tress; Sample Penhaligon's - Castile de Elisabeth C.; Caixa / frasco de Castile Penhaligon's e ramo de cítrico em montagem de Elisabeth C; savon Marseille de Anaud25-wikipedia.

Postagem original de Elisabeth casagrande em 28/12/2011

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

Lapidus Pour Homme - Ted Lapidus

Alguns anos atrás eu vivia feliz, quando meu Antaeus acabou.Não tive vontade de repetir e pedi para experimentar um daqueles... o do  frasco cinza bonito.
Prá que... de lá saiu a falta de sutileza em pessoa, um delírio Hare Krishna, aos berros.
Uma viagem sem volta para a sala de sacrifícios de algum templo oriental maluco.
Voltei satisfeito para casa com ... meu primeiro Van Cleef & Arpels!
Um tempo atrás reparei que Lapidus ainda existia, quando vi alguém pedindo.
Também o fiz, no papel.
A idade nos torna mais tolerantes, e constatei que era uma composição sândalo-incensada que começa com especiarias muito encorpadas, patchuli, floral escuro, resinas.
Tinha seu charme.
 
 Como não era caro comprei um frasco pequeno, porém ao chegar em casa, a surpresa:
Aspergido na pele o Hare Krishna ressuscita e recomeça o pesadelo em Calcutá!
O que me faz pensar que Lapidus é basicamente belo, mas desiquilibrado. Não adianta aspergir de longe, extrapolará sempre.
Ele está lá, na caixa.
Faço uso eventual ao me encontrar com pessoas pouco convencionais,  ambientes abertos, noitadas divertidas e assim associo o cheiro com momentos deliciosos.
E provavelmente  para muitas outras pessoas também; especialmente aquelas que tem na fixação uma idéia fixa: - ah, esse gruda!
Contudo, adoraria ouvir  que o fabricante teria lançado uma versão mais madura deste  doce veneno!
Bonnum diffusivum sui.
Resenha  de Aretê


Família Olfativa: Chypre Verde, 2003
Gênero: Masculino
Perfumista: Martin Gras
Frasco: Designer de  Jacques konckier
Rastro: Intenso
Fixação: Ótima
Pirâmide Olfativa:
  • Topo - Artemisia, abacaxi, bago de zimbro, bergamota, limão, alfavaca o manjericão da folha larga.
  • Coração - Pinus, mel, raíz de íris, jasmim, folhas de cítricos, lírio do vale, rosa, pau-rosa, cominho armênio ou alcaravia.
  • Base - Madeira de sândalo, fava tonka, âmbar,patchuli, almíscar, musgo de carvalho, cedro, tabaco.
Imagens: Frasco de Ted Lapidus Pour Homme; Águia e Beija flor de Munira Queiroz; Banner de publicidade  Ted Lapidus Pour Homme

    terça-feira, fevereiro 22, 2011

    Perfumes clássicos na Vitrine - 2001

    E o perfume da princesa?

    É tempo de contos de fadas e casamento real!
    Apesar deste evento  ainda mexer com o imaginário dos românticos (como eu), o que me chamou a atenção  foi o fato da quase princesa ter noivado com um vestido da marca brasileira Issa, ao alcance da mulher comum.
    Gostei disto.
    A futura princesa não parece  eletista,  embora esteja presa à  elegância sóbria que caracteríza a realeza, hoje e sempre.
    E imagino...Que perfume será usado no dia do casamento?
    Noivas são noivas. Querem o melhor e o especial neste dia!


    Afirma-se que atualmente  Katherine  Middleton usa Dune de Dior, e que William, o Príncipe, deixa atrás de si um inconfundível rastro de Blenheim Bouquet de Penhaligon's.

     Lady Diana, cuja presença pública era marcada por cativante reserva, apreciava L'air du Temps de Nina Ricci, floral requintado, elegante.
    Apesar da mídia apontar similaridades no estilo, na escolha dos trajes para eventos públicos,os  perfumes indicam preferências distintas, temperamentos diferentes.

    Neste momento grifes tradicionais anunciam  fragrâncias  em homenagem ao evento.
    Grossmith estará recolocando no mercado, em venda exlusivíssima, no mês de abril,  o perfume Betrothal  que foi idealizado para a Rainha Mary na ocasião do seu casamento, em 1883.


    Floris of London chega com Wedding Bouquet cujo floral traz mensagens de amor e união através de jasmim, lírio-do-vale, flor de laranjeira e stephanotis.

      
    Yardley lançará em março Royal English Daisy,  edição limitada destinada à consumidora mais  jovem que se identifica com a "Namorada de William".


    Quem perfumará a mais recente flor da realeza? Uma das  centenárias casas inglesas ou  recém criadas perfumarias? Niche ou comercial ? 

    Arte Irmã:  Luxo espelhado numa canção que seria...

    VÍDEO: I Vow To Thee My Country - Catherine Jenkins


    Imagens: Foto oficial do noivado de Príncipe William e Catherine Middleton por Mario Testino; Blenheim Bouquet de Penhaligon's e Dune de Dior; Lair du Temps de Nina Ricci; The Betrothal de Grossmith London; Wedding Bouquet de Floris London , Royal English Daisy de Yardley.

    sexta-feira, fevereiro 18, 2011

    Ormonde Jayne London Perfumery


    Parte de uma elite  na perfumaria niche, Ormonde Jayne London Perfumery não se limita à oferecer artigos de luxo, mas inova com a excelência de atendimento e a iniciativa  da perfumista e fundadora  da marca, Linda Pilkington.
    Além da tradicional gentileza que caracteriza as casas inglesas, tradicionais e modernas, existe um procedimento - Perfume Portrait - que  visa introduzir o cliente na educação olfativa, permitindo que trilhe um caminho aromático que o conduzirá à fragrância ideal.


    Esta experiência gratuita inclui a experimentação de 21 óleos essenciais classificados em sete famílias.
    Quando analisada a preferência de um cliente, sua  reação imediata para cada um destes aromas é anotada  em três categorias: sim, não, ou talvez.
    Linda Pilkington, perfumista,  afirma que nesta pesquisa  a idéia não se limita a discutir  o que a pessoa faz, ou gosta. Simplesmente se observa a preferência seletiva  em relação a diferentes aromas.
    Baseia-se no conceito de que  reações, sensações provocadas  e  percepção olfativa, são  determinadas  por fatores  emocionais e associações feitas previamente.
    Óleos preferenciais são anotados num cartão personalizado, junto com a informação de clima e ocasião em que a fragrância será usada. Após este ritual,  duas ou três opções são sugeridas pela equipe de Ormonde Jayne Perfumery.


     Outra  via de experimentação é  aquisição do Discovery Set  estojo com 12 mini-perfumes, ou amostras dos sofisticados produtos da marca, incluindo 3 masculinos  e resina ou bálsamo de Peru.
    Na pequena loja  de Londres- Old Bond Street, vizinha de Tiffany e Cartier, é possível encontrar  fragrâncias feitas com essências exóticas  como rosa taif e champaca cuja  qualidade e procedência primorosas  justificam o preço praticado.


    Além dos perfumes existem  velas aromáticas, requintadas, artesanais  e ricamente embaladas, e  o novíssimo talco contendo ouro 24k, que promete  brilho duradouro sobre a pele.
    Em comemoração ao décimo aniversário da marca, Ormonde Jayne Perfumery inaugura  nova  boutique flagship em Sloane Square.
    O design de Caulder  Moore tenciona  imprimir ao ambiente uma visão retro e sofisticada através das estantes em vidros fumê,  paredes de envelhecido gold shagreen e detalhes em vermelho, complementados pela fachada em preto e latão polido.


      Pela  ocasião da inauguração, Linda a perfumista e criadora declara:

    "When I first saw the "to lease" sign on Pavillion Road, I knew it would be the perfect location for Ormonde Jayne and I have always loved Sloane Square. Our original business plan was to start looking by the end  of 2011, but I operate on instinct! As we an independent company without outside investors, we have  the luxury of making quick decisions. Following the success of our debut in Harrods earlier this year, it felt like the next logical move. Sloane Square is an international address in the heart and soul of London & we are thrilled to be opening today."


    "Quando vi pela primeira vez o " Aluga-se" em Pavilion Road , eu sabia que seria o lugar perfeito para Ormonde Jayne, e eu sempre amei Sloane Square. Nosso plano original de negócios  era procurar um local até o  final de 2011, mas eu opero no instinto! Como somos uma empresa independente, sem investidores externos, nos damos o luxo de tomar decisões rápidas. Após o sucesso  da nossa estréia no Harrods, no início deste ano, parecia que este  passo seria lógico. Sloane Square é um endereço internacional no coração e na alma de Londres , e estamos entusiasmados  em inaugurar hoje."


    PERFUMES
    Floral
    • Osmanthus
    • Frangipani
    • Sampaquita
    • Champaca
    • Tiare
    • Casablanca Lily
    Floral oriental
    • Ta'if
    • Tolu
    • Orris Noir
    Woody
    • Ormonde Woman
    • Ormonde Man
    Cologne
    • Isfarkand
    • Zizan
    Compre na boutique on line de Ormonde Jayne London Perfumery clicando AQUI!
      Imagens : Gentilmente fornecidas por Ormonde Jayne London Perfumery

      quinta-feira, fevereiro 17, 2011

      11 La Force - Dolce gabbana


      Antigos tarôs representavam a natureza ambígua da  força através de duas cartas. Uma denominada Temperança e a outra Fortaleza, cuja imagem poderia ostentar um homem ou uma mulher submetendo ao seu domínio a força bruta, simbolizada na imagem de um leão ou de uma coluna de pedras.
      Nas sucessivas derivações dentre estes  dois simbolismos  o sentido de domínio se concentrou em  La Forza, um dos 21 arcanos maiores entre as  78 cartas do jogo de Tarot, apesar desta característica  estar vinculado ao controle  e equilíbrio.


      Representa a intensidade das nossas reações para exercer  este poder, e na multiplicidade  de interpretações pode se referir tanto à força espiritual prevalecendo sobre a brutalidade, como à energia sexual.
      Quando marcada na posição superior indica espírito combativo, forte, decidido, e ao contrário denuncia orgulho, arrogância  e prepotência.
      Se a  interpretação abrange o terreno da sexualidade refere poder sexual criativo e intuitivo ou denota luxúria.
      Impreciso quanto ao sexo de quem representa  a carta poderosa, o XI arcano do Tarot  pode ser lido como a síntese da temperança feminina e da convicta força masculina, antagonizando  mesquinharia e mediocridade do espírito.
      Desnuda a batalha travada no interior do ser humano.

      La Force, o perfume, consegue exprimir esta dualidade?
      Sim, se considerarmos dual   o caráter unissex que desponta durante a evolução aromática.
      Principia tateando  pelo frescor mentolado  do cardamomo, em acento  tipicamente masculino, reforçado pelo estímulo vigoroso da pimenta e adição de leve acidez cítrica.
      A eau de toillete  D&G prossegue ligeiramente balsâmica, em brevíssimo toque canforado, medicinal e picante, provavelmente envolvendo cipreste, o que prolonga as características refrescantes do início.
      Entretanto rumos inesperados determinam  suavidade nesta  trajetória com adição da nota de chocolate  de heliotrópio-do-peru, que não não camufla totalmente  o verde pungente semelhante ao do  pinus, garantindo a continuidade  do conceito que versa em torno da vitalidade  e energia.

       Tornando-se cremoso e confortável no floral, adornado pela baunilha, madeira de sândalo e leve almíscar ao se  aproximar do drydown demonstrando neste momento  sutileza e amenidade feminina.
      Porém, apesar da pungência obscurecida, com adição de madeiras e  folhas,  garante o aspecto inicial agudo, claro e incisivo nas  notas que se entrelaçam em harmonia.
      La Force sintetiza solidez  e doce sobriedade  de forma atraente, duradoura, embora a intensidade com que se espalha pelo ambiente abrande gradativamente, atingindo a discrição de perfume fechado sobre a pele, após três ou  quatro horas.
      Usuários relatam ter percebido semelhança com Quartz Pour Homme, Boss in Motion e Safari Ralph Lauren.


      Família Olfativa: Oriental Especiado, 2010Gênero: Masculino (compartilhável)
      Designer: Dolce & Gabbana
      Rastro: Intenso à moderado
      Fixação: Muito Boa
      Pirâmide Olfativa:
      • Topo - Cardamomo, pimenta jamaicana, canela
      • Coração - Noz-moscada, heliotrópe, cipreste
      • Base - Cominho, madeira de sândalo, baunilha Bourbon, notas amadeiradas.



      Arte Irmã:  Se filosofasse...

      TEMPERANÇA
      " É a temperança uma espécie de regime a que qualquer homem pode submeter-se sem interrupção de negócios, sem despesas e sem perda de tempo"
       Joseph Addison

      FORTALEZA
      "A verdadeira  fortaleza  é a que nos torna  inflexíveis, quando se trata da virtude"
      Plutarco

      Imagens: Cartas de tarot Vintage,Canvas representando La Force XI; Montagem com Carta do Oceano Atlântico do século XVI, arcanos XI feminino e masculino vintage e frasco de La Force 11 de D&G; 

      segunda-feira, fevereiro 14, 2011

      She Wood - Dsquared2


      - Menina, não mexa! Você vê com os olhos, não com as mãos.
      E dedinhos curiosos se retraiam relutantes, pois os sentidos se completam quando formam esta  teia invisível e prazerosa.
      Era difícil  sentir o convite visual das luminosas peças de veludo sem experimentar a maciez deslizante ou o agradável e adocicado aroma do algodão  tratado. 
      Admirar as formas da estátua de granito  e não  experimentar o relevo irregular, ou aspirar o leve metálico que exala.
      Encantar-se  com  cores e múltiplas formas  numa floricultura ou jardim, contendo  a mão que experimentava  a delicadeza das pétalas e folhas.
      Quando adultos este precioso banco de associações, acumulado  pela curiosidade da  infância,  nos acompanha sem que percebamos, e talvez explique como  associei imediatamente  She Wood  com os bosques canadenses da oceânica  Vancouver, apesar de não os conhecer.
      Enquanto espalhava a amostra  nos braços e digitava no computador assistia   distraidamente uma ou outra cena de The Twilight Saga: New Moon.

       Água, madeira e violetas! Senti de maneira vívida como se encaixavam com a história.
      Este é um  rastro que poderia seguir  Bella enquanto corre pelos bosques, ou pela beira dos lagos da região montanhosa,  imersa em  neblina  e nas  estranhas paixões entre  humanos, vampiros e lobos.
      Limão picante e doce abre a fragrância, entremeando  o odor fresco de talos e folhas, túrgidos, partidos ou pisoteados.
      Intenso e natural o aroma nos envolve na sensação gélida e aquosa dos bosques ao amanhecer, cujas  frondosas árvores guardam sob a casca óleos aromáticos e vitais.
      Violetas etéreas  alternam fresca aragem  com atrativa doçura de heliotrópio e outras flores delicadas. Âmbar e almíscar complementam esta  mistura graciosa de força e bucólica suavidade que caracteriza She Wood.

       Aparentemente comum, semelhante a  Bella, surpreendente, melancólica e apaixonada jovem  da história de Twilighth, Wood  revela aos poucos encantos camuflados.
      Apimentado quase imperceptível  personaliza o bouquet, acento  aquático  não explícito, somente o  que basta,  imprime  transparência cristalina, baunilha comedida revela adequada associação com  a doçura floral; madeiras silenciosas e majestosas se mostram ocasionalmente durante o percurso, em emanações breves e inesperadas, ressurgindo  no drydown, consistentes e acolhedoras.

      She Wood, cujas violetas brilham na trajetória sobre a pele, deixa um rastro doce, delicado e breve;  única dissonância com o belo cenário de Twilight, onde vampiros, humanos e  lobisomens se debatem nos dilemas sobre a vida eterna.
      Infelizmente esta fragrância bonita perde o vigor e se dissipa com rapidez.


      Família Olfativa: Floral amadeirado,2008
      Gênero: Feminino (compartilhável)
      Perfumista: Daphne Bugey - Firmenich
      Rastro: Intenso à moderado
      Fixação: Regular
      Pirâmide Olfativa:
      • Topo - Limão, pétalas de jasmim, neroli bigarade
      • Coração - Folhas e flores de violeta, heliotrópio, almíscar
      • Base - Vetiver, cedro, âmbar vegetal, baunilha 

      Vai ao Shopping? Confiras preços e marcas nas boas lojas que abrem suas portas em Perfume Bighouse 

      Arte Irmã:  Poderia ser flor, poderia ser poesia, poderia ser música...


      ODE À FLOR AZUL - Pablo Neruda...." ergui-a nas minhas mãos
           e olhei-a como se o mar habitasse
           numa só gota;
          como se na batalha
          da terra e das águas
          uma flor levantasse
          um pequeno estandarte
          de fogo azul, de irresistível paz,
          de indomável pureza.
        VÍDEO: The Twilight Saga - new Moon - Victoria - Wolves Scene


        Imagens: Banner publicitário She Wood Dsquared2; Violet Horizo by Peter Wileman; Bella-Cena de New Moon; composição de Wood Dsquared e Wild Violets  de Blind Pig e The Acor; violeta de Wallpapers- flores roxas e violetas.

          sexta-feira, fevereiro 11, 2011

          Betrothal na Vitrine - 2011

          BETROTHAL by Grossmith

          Em 1893, John Grossmith & Son.Ltda lançou Betrothal Bouquet, perfume dedicado à Princesa May pela ocasião do seu casamento.
          Descontinuado até o momento, será novamente produzido pela casa Grossmith, com lançamento previsto para abril de 2011.

           Betrothal, que significa noivado,  brevemente  será  detalhado  em Perfumes Bighouse.
          Enquanto aguardamos a chegada deste cobiçado decant podemos deduzir  a qualidade  da fragrância através  das características  citadas por  Grossmith. que  descreve  um floral vibrante e cálido.

          Pirâmide Olfativa:
          • Topo - Cítricos
          • Coração - Rosa, jasmim, ylang ylang, neroli.
          • Base - Madeiras quentes, baunilha.

          Estará disponível em frascos de 10ml e 50ml   na exclusiva Roja Dove Haute Parfumerie at The urban Retreat  Harrods - London.

          Imagens: princess May 1885 em Key Posters; Montagem de ElisabethC. com frascos Grosmith London, jasmim  de Minha Vida, rosa de agile.csc.ncsu.edu

          quarta-feira, fevereiro 09, 2011

          Une Folie de Rose - Les Parfums de Rosine

          Uma nota em dissonância no bouquet  tradicional? Ou a rosa mais bonita?
          Entre fragrâncias doces, leves, rendilhadas em suavidade e delicadeza, ou orvalhadas no frescor matutino,  explode o ardor picante da rosa chypre destacando-se como o repicar dos sinos nas manhãs plácidas de domingo, a sacudir  do torpor preguiçoso do sono.
          Impossível ignorar  a flor cujo arauto é o coentro. Sentimos seu calor de imediato, veemente afirmando  que não existe brandura ou submissão, embora  seja vassalo da soberana feminilidade.
          Erva que tempera, substituindo o padrão cítrico dos tradicionais chypres encobrindo  a delicadeza  empoeirada das rosas, típica dos  papéis de  carta, como o  lacre real  sela um pergaminho, escondendo momentâneamente um aroma sutil.

          Segue-se surpreendente dueto da aveludada e doce rosa da Bulgária com o odor  amadeirado da rosa  chá  sugerindo equilíbrio entre amor romântico e entrega ardente, pois  as notas do coração parecem abrigar  mensagens  de mulheres  impetuosas a procura dos seus amados, através de cartas apaixonadas.
          Palavras revelam  segredos, sussurros do coração e deslizam sobre o papel antes de serem  enviadas para seu destino, dentro de envelopes que também encerram  perfumadas pétalas de rosa.
          Enquanto percorrem espaços, os recados amorosos  desprendem suspiros de doce ramalhete, antevendo o prazer do encontro com o agrume das folhas de patchuli.
          Recebidas, encontram  a reciprocidade dos sentimentos e se deixam envolver no abraço másculo e ardoroso de madeiras  banhadas nas essências de  resinas, extratos de folhas, incenso...


          Protagonistas de romances intensos, na literatura ou em  histórias verdadeiras devem exalar tais perfumes de femininas rosas e madeiras cobertas de musgos, entrelaçados em beleza e sintonia.
          Será  que este  encanto resistiria ao tempo, perduraria em aroma  entranhado nas fibras amareladas dos maços de cartas, atados por fitas de cetim?
          Gostaria de  descobrir uma linda e verdadeira história de amor, nos cantos empoeirados de uma biblioteca, ou no fundo de um baú antigo...de, viajante no tempo, aspirar o perfume das rosas esmaecidas e  desfolhadas.


          É necessário dizer que as rosas aqui são preciosas?  E que provavelmente são culpadas de alguma nostalgia... Comentários lidos colocam esta bela rosa  ao lado de Chanel N.19, dos aldeídos de Flora Nappa Valley Boheme, da característica chypre  de My Sin, Cabochard, Ma Griffe, Jean Patou 1000 e devo concordar que a avidez com que ganha a pele  e o ambiente recorda tais  fragrâncias poderosas, enquanto a elegância   definida pelo drydown é tipicamente Chanel.
          Em alguns momentos  na transição entre as notas iniciais e  as de coração senti uma das facetas sedutoras de Soir de Lune.
          Sillage e fixação  sobrepujam  em intensidade e longevidade  os poucos  perfumes Rosine, que experimentei,  afoita e descuidadamente num primeiro momento. Talvez outros se equiparem  ou  superem este  contato inicial com  a rosa chypre, portanto serei cautelosa na avaliação. Embora encantada.


          Família Olfativa: Chypre,  2004
          Gênero: Feminino
          Designer: Marie Hélène Rogeon
          Rastro: Intenso
          Fixação: Muito Boa
          Pirâmide Olfativa:
          • Topo - Bergamota, coentro
          • Coração - Ylang-ylang, jasmim, rosa chá, absoluto de rosa da Búlgaria, absoluto de rosa da Turquia, íris.
          • Base -  Sândalo, musgo de carvalho, patrchuli, vetiver, benjoim, âmbar, almíscar branco
          Arte Irmã: Se fosse uma história seria esta contada em filme romântico ...
            Vídeo:Verona por Andy Georges


            Imagens: Composiçoes com fragmentos de imagens por Elisabeth C; Amanda Seyfrieds in Lettes to Juliet; Vintage Love Letters/1940; Banners de publicidade  Les Parfums de Rosine.
             

            terça-feira, fevereiro 08, 2011

            Les Parfums de Rosine- Uma História Francesa

            Era uma vez... um garoto criativo que foi colocado como aprendiz numa fábrica de guarda-chuvas, na tentativa de garantir seu futuro no ofício.
            Chamava-se Paul Poiret.
            Contudo, mentes inquietas  ultrapassam  fronteiras,  e o rapazinho  utilizando esquecidos  retalhos de seda dos guarda-chuvas idealizava  peças de roupa  para a boneca da irmã.
            Adolescente, conseguiu vender seus desenhos para modistas como Madeleine Cheruit, até ser oficialmente contratado, em 1896, por Jacques Doucet.
            Começou  cedo uma carreira, na qual o  primeiro trabalho, uma ousada capa vermelha, vendeu 400 peças.
            Worth, a tradicional maison, reconhecendo talento contratou o jovem, que em breve se revelou inadequado para a sóbria e conservadora clientela.

            Buscando desafios,  atrevido e corajoso,  Poiret saiu para a própria aventura, em 1903, levando na bagagem  uma  inédita capa-quimono, que fora rejeitada pela princesa russa Bariantinsky.
            E fez sucesso! Estrondoso!
            Subverteu conceitos, trouxe energia e modelagens novas para a moda feminina libertando a mulher do espartilho (corset), renovando panejamento em drapeados, desenhando pantalonas e trabalhando  peças retangulares com pródigo talento.
            Andou de mãos dadas com o Modernismo sendo  considerado o Picasso da moda no século XX,  pelas propostas revolucionárias.
            Na vida pessoal, menos  feliz, terminou de forma tumultuada o casamento com sua musa, a esguia e provinciana Denise Boulet,  apesar dos cinco filhos - Rosine, Martine, Colin, Perrine e Gaspard.


            Antes disso, determinado  a garantir o futuro da prole feminina, fundou um negócio para cada filha.
            Martine ganhou École Martine, onde jovens desenvolviam diversas habilidade e destreza nas artes manuais, e em 1911 a filha mais velha Rosine recebeu Les Parfums de Rosine.
            Chez Poiret, o primeiro perfume da maison, surgiu em 1912.
            Estava escrito o começo de uma história que deveria ser a continuidade da brilhante trajetória.
            Contudo, aconteceu a Primeira Grande Guerra Mundial.
            Empresas promissoras  ou tradicionais ruiram,  e assim aconteceu com a casa Poiret, que se debateu entre concorrentes ferozes, maisons florescentes  como Chanel, caracterizada pela modelagem simples  de  fino acabamento, que atendia  as exigências da sociedade pós-guerra.
            Um triste fim determinou o esquecimento para o gênio de Poiret,  lançando ao anonimato sua moda ousada e original.
            Faleceu em 1944.

             Passado o tempo, nascida em outra família de perfumistas, Marie Hélène Rogeon, bisneta de Luis Panafieu, criador da Eau de Cologne e da pomada para bigodes do Imperador Napoleão III,  colocou em bases concretas uma antiga admiração.
            Quando frequentava a casa dos seus avós, que trabalharam para o lendário costureiro  Paul Poiret, vasculhava o sótão em busca das garrafinhas antigas, rótulos, rendas e fitas, vestígios da fascinante e dourada época  de moda e perfumaria.
            Após trabalhar 15 anos  nas famosas casas Givenchy e Balmain, experiente,  consciente dos seus propósitos  na renovação dos rumos da perfumaria, optou pelo segmento niche   reavivando   Les Parfums de Rosine em 1991.
            Décadas de esquecimento, para finalmente ressurgirem  preciosas fórmulas dos anos 20.
            Nascida no seio de perfumistas, habituada ao universo mágico e delicado dos aromas, dos frascos artísticos e delicados, entre perfumes  e  rosas, sua outra paixão, Marie Hélenè encontrou um caminho.
            Perfume de rosa,  no caleidoscópio  de expressões  que permitem  sua essência quando conjugada à diferentes aromas,  transformando a versátil flor em arma  de sedução, feminilidade e doçura, é a peça fundamental desta empresa renovada.


             Les Parfums de Rosine explora facetas, busca associações para oferecer expressões  que partem da simplicidade pura à mais intensa sofisticação, da transparência ao mistério.
            De embalagens originais, muitas idealizadas na École  Martine, de fórmulas antigas elaboradas  por Henri Alméras, que criou Joy na década de 30, surgiram as bases para os perfumes atuais.
             A alquimista Marie Hélène Rogeon e o nose Francois Robert, buscaram em matéria-prima exótica e de qualidade irrepreensível, em misterioso e exclusivo absoluto de rosas búlgaras e turcas,  a ponte para transpor um  lapso de tempo.
            Graciosamente, mesclando romântico passado com ideais perfeccionistas do presente.


            Experimentando cada uma das 18 fragrâncias, da coleção de echantillons atualmente vendida ao público,  percebo bouquets de rosas, versáteis, saborosos, atemporais e muito  apreciáveis.
            • La Rose de Rosine - Floral
            • La Rose Légere - Floral
            • Roseberry - Floral Green
            • Rose D'Ete - Floral Fresco
            • Eau Fraiche Rose d'Ete - Floral Fresco
            • Poussiere de Rose - Floral Amadeirado
            • Un Zest de Rose - Floral Rosa Cítrico
            • Ecume de Rose - Floral Aquático
            • Une Rose Au Bord de la Mer - Floral Aquático
            • Rosa Flamenca - Floral Bouquet
            • Une Folie de Rose - Chypre
            • Rose de Feu - Floral Especiado
            • Rose d'Amour - Floral Soft
            • Rose D'Homme - Floral Rosa Amadeirado
            • Twill rose - Verde Amadeirado
            • Daibolo Rose - Floral Fresco
            • Zephir de Rose - Floral Aromático
            • Rose Kashmire - Oriental Floral
            • Rose Praline - Floral Gourmand
            • Secrets de Rose - Floral Ambarado
            • Rosissimo - Floral Hesperide
            Les Parfums de Rosine, Jardins du Palais Royal,105 Galerie de Valois,75001 Paris  

            Imagens: Desenhos de coleções  Paul Poiret 1911-1912; Banner de Les Parfums Rosine /1912; Marie Hélène Rogeon; Maison Les Parfums Rosine; Echantillons  Les parfums Rosine 

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            segunda-feira, fevereiro 07, 2011

            Bluebell eau de toilette

            O Jacinto é a flor que representa constância e sinceridade, simbolizando também os esportes. Diz a lenda que o jovem grego Hyakinthos, grande preferido do deus Apolo, foi ferido mortalmente por um disco, lançado pelo ciumento Zephyr, durante uma competição. O sangue que jorrou da cabeça de Hyakinthos, caindo no solo, transformou-se em uma flor. Bluebell, uma espécie de jacinto, floresce em abril e maio, meses de primavera na Europa.
             
            Bluebell é também o nome de uma fragrância, lançada pela mítica marca inglesa Penhalignon’s em 1978. Na minha opinião, poucos perfumes conseguem reproduzir com tanto sucesso o início da primavera em um jardim britânico.
            A combinação “galbano, lírio e jacinto” é conhecida em perfumaria por imprimir um certo caráter verde, fresco. Em Buebell, ela é usada com êxito, transpondo leveza à rosa e ao jasmim. O ciclâmen, quase inodoro enquanto flor, reforça a impressão de suavidade. Tudo poderia cair no perigoso campo da simplicidade extrema, se não fosse pela adição do cravo e da canela como notas de base, aquecendo o conjunto, e contribuindo com um certo toque de exotismo contido. E é essa dualidade o grande mérito de Bluebell. Simples, com uma determinada complexidade. Tímida, e no entanto alegre. A sensação geral é a de um jardim apos uma chuva passageira, banhado pelos raios de sol que retornam docemente.

            A ambivalência da fragrância é também indicada pelas personalidades mais diversas dos seus admiradores. Bluebell é o perfume de predileção de Margareth Thatcher, amado igualmente pela rainha Elizabeth II, além de ser um dos prediletos de Sienna Miller, Sadie Frost, e da falecida princesa Diana.
            Em poucos meses, a primavera retornará ao Hemisfério Norte. Os jardins se recuperarão dos rigores do inverno, e as os bulbos abrirão-se em flores. Os castelos escoceses de Culzean e Gelston, renomados como as mais belas plantações de jacinto/bluebell mostrarão todo o seu esplendor. Tudo ficará mais alegre e jovial. Afinal, a primavera é época de renascimento, renovação. Tempo de abertura e sinceridade, atributos simbolizados pelo jacinto, cujo renascimento é um dos primeiros indícios da chegada da estação. Momento propício para usar Bluebell. O belo Hyakintos aprovaria!

            PERFUMISTA:  M. Picktall


            The  Bluebell

            Anne Brontë

            A
            Fine and subtle spirit dwells
            In every little flower,
            Each one its own sweet feeling breathes
            With more or less of power.
            There is a silent eloquence
            In every wild bluebell
            That fills my softened heart with bliss
            That words could never tell.


            Yet I recall not long ago
            A bright and sunny day,
            'Twas when I led a toilsome life
            So many leagues away;

            That day along a sunny road
            All carelessly I strayed,
            Between two banks where smiling flowers
            Their varied hues displayed.

            Before me rose a lofty hill,
            Behind me lay the sea,
            My heart was not so heavy then
            As it was wont to be.

            Less harassed than at other times
            I saw the scene was fair,
            And spoke and laughed to those around,
            As if I knew no care.

            But when I looked upon the bank
            My wandering glances fell
            Upon a little trembling flower,
            A single sweet bluebell.

            Whence came that rising in my throat,
            That dimness in my eye?
            Why did those burning drops distil -
            Those bitter feelings rise?

            O, that lone flower recalled to me
            My happy childhood's hours
            When bluebells seemed like fairy gifts
            A prize among the flowers,

            Those sunny days of merriment
            When heart and soul were free,
            And when I dwelt with kindred hearts
            That loved and cared for me.

            I had not then mid heartless crowds
            To spend a thankless life
            In seeking after others' weal
            With anxious toil and strife.

            'Sad wanderer, weep those blissful times
            That never may return!'
            The lovely floweret seemed to say,
            And thus it made me mourn.

            CONTRIBUIÇÂO: Resenha  da autora  especialmente convidada - GAELLE - do blog  PERFUMES & ETC.
            Gaelle atualmente reside no continente europeu e relata a beleza da tradicional perfumaria européia através da sua percepção sensível e bem informada.
            Obrigada pela  sempre bem-vinda presença em Perfume Bighouse!

            Imagens: The Death of Hyakinthos - Jean Broc - 1801 do Museu de belas artes se Poitiers; Bluebells do Castelo  Culzean Ayrshire - Escócia - photo deDavid McAughlin; Frasco Bluebell de ElisabethC.Bluebell - England de freephoto.org.uk