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segunda-feira, janeiro 24, 2011

Elisabethan Rose eau de toilette - Penhaligon's London


Transcorriam os anos 30.
Findava a primavera nos campos da Inglaterra e nos jardins do Castelo de Sissinghurst, em kent, a exuberância de centenas de espécies florais intoxicava o ar, provocando arrebatamentos  da imaginação.
Vita Sackville-West, escritora inglesa  e proprietária, talvez cultivasse o hábito de  caminhar ao entardecer saboreando  fragrantes rosas  enquanto delineava poemas e personagens de romances como o famoso  All Passion Spent, publicado em 1931.
Ainda não existiam as  rosas inglesas de David Austin ( 1965),  híbridas que descendem das antigas e majestosas rosas gálicas, entretanto a beleza inebriante e diversidade de aromas poderiam fascinar o espírito.

Decorrido o tempo, inspirado nos belos jardins que abrigaram esta hábil artista da palavra, M. Pickthall, em 1984, criou Elizabethan Rose, um poema olfativo cuja musa é a rosa.
 Evolui primorosamente qual  soneto de rimas delicadas, cada nota floral ou aromática um verso, cada acento  uma estrofe.
Percebemos  no início acorde licoroso de característica frutada e  gustativa,  acompanhado pelo frescor mentolado de gerânios, flores que carregam  aroma próximo ao das rosas, formando intenso bouquet aldeído.
Aveludada e ligeiramente ácida, a fragrância exalada se aproxima da descrição aromática de algumas variedades de rosas inglesas, tidas como florais  cítricas e melífluas, embora nos surpreenda com emanações tépidas e picantes  rodopiando pelo ar como o pólen,  após breves lufadas de vento.
Contudo, uma rosa é uma rosa e apesar da versatilidade de nuances são flores inconfundíveis,  aqui revelando que as várias facetas da sua  beleza transcendem cor, forma e classificação, na floração plenamente  desabrochada.
O bouquet que nasceu   impetuoso  adquire elegante  suavidade e  sofisticada  transparência  no dueto com  camomila, e no frescor sombreado das violetas.

Voluptuosidade  cede lugar à sedução feminina e requintada  dos acordes que logo serão  envolvidos pela doçura do sândalo,  aconchegante  abraço do âmbar e cristalino almíscar.
Aldeídos e acentos herbais garantem a continuidade  de leveza citrina, associada ao  floral  que continuamente denuncia  rosas envolventes e doces como mel, permitindo  entrever no frêmito das pétalas, abaixo do empoado âmbar, traços capciosos  de ládano e benjoim.
Do princípio ao  fim, uma ode à rosa, que se insinua pelo ambiente  de forma intensa e persistente, como se estivéssemos num pródigo jardim  ao entardecer, quando flores nos brindam com seu hálito apaixonado provocando a dúvida:
- Será  a rosa que nos fascina  em  sedução aromática, ou  a flor cativada  pelos encantos da humanidade  que oferece sua  vital essência?


Arte Irmã: Se fosse poesia falaria de rosas...


SONETO DA ROSA  - Vínicius de Morais

Mais um ano na estrada percorrida
Vem, como o astro matinal que a adora
Molhar de puras lágrimas de aurora
A morna rosa escura e apetecida

E da flagrante tepidez sonora
No recesso como ávida ferida
Guardar o plasma múltilo da vida
Que a faz materna e plácida, e agora

Rosa geral de sonho e plenitude
Transforma em novas rosas de beleza
Em novas rosas de carnal virtude

Para que o sonho viva da certeza
Para que o tempo da paixão não mude
Para que se una o verbo à natureza



Família Olfativa: Floral, 1984
Gênero: Feminino
Perfumista: M.Pickthall
Frasco: William Penhaligon
Rastro: Intenso
Fixação:Muito Boa
Pirâmide Olfativa:
  • Topo - Aldeídos, gerânio
  • Coração - Camomila, violeta, rosa inglesa
  • Base - Almíscar, âmbar, madeira de sândalo

Os perfumes e demais produtos Penhaligon's podem ser adquiridos num dos sites oficiais da marca.:
- Japão
- Uk e EU
- USA e CA

    SISSINGHURST CASTLE

    Famoso e muito visitado, o Jardim do  castelo de Sissinghurst se originou nos anos 30, quando a poetisa Vita Sackville-West desenvolvia suas habilidade botânicas e de jardineira, além de escrever uma coluna muito popular sobre o assunto, no jornal The Observer.
    Vita e o marido Harold adquiriram a propriedade  abandonada, e em ruínas, que havia, após o colapso da família Backer, se transformado em prisão, sede do Sindicato de Trabalhadores de Cranbrook e  finalmente habitação rural.

    Dedicado à restauração, o casal  deu continuidade aos projetos, utilizando plantas elaboradas baseadas nos jardins  de Gertrude Jekyll -  Edwin Lutyens e  do jardim Hidcote Manor,  projetado por Lawrence Johnston.
    A planificação previa salas e espaços  independentes, seguindo padrões temáticos,  em monocromia ou policromia, criando padrões  como o roseiral da sala branca que iniciou o modismo dos jardins brancos.
    Foi aberto ao público em 1938, e adquirido  pela National Trust  for Place of Historic Interest or Natural Beauty em 1967.

    MARIA VICTORIA SACKIVILLE-WEST


    Filha da aristocracia inglesa, Victoria Mary Sackville-West,nascida  em 1892  alcançou popularidade através da premiada  atividade literária e do seu amor pela jardinagem e arquitetura.
    Manteve com  Harold Nicolson, diplomata e também escritor,  relação estável e flexível,  caracterizada pela liberdade com que ambos conduziam  relações   paralelas  ao relacionamento conjugal.
    Em conseqüência ao seu apego  para com o estudo das espécies vegetais e  planificação de jardins, em 1846 iniciou uma coluna  semanal chamada  In Your Garden, no jornal  The Observer, o que rendeu popularidade ao Jardim do Castelo de Sissinghurst,  propriedade adquirida pelo casal em 1930.
    Entre poesias e romances  se destacam  atualmente  The Edwardians ( 1930) e All Passion Spent ( 1931).
    Marcada na vida pessoal  pelo estilo de vida liberal  é recordada pelos inúmeros e tumultuados  romances bissexuais que tiveram  início em relações germinadas  na  infância e adolescência.

    VÍDEO:Sissinghurst Castle Gardens


    Imagens: Composições de Elisabeth C;Ambridge Rose de David Austin; Capa do Livro All Passion Spenter, Sissinghurts Garden de Claire Devall; Sissinghurst Castle garden de Wikipedia.

    7 comentários:

    1. Posts tão caprichados que além de desejar conhecer o perfume acabo por querer viajar, fotografar, ouvir....blog completíssimo!

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    2. Oi Dâmaris.
      Fico só imaginando as fotos que vc faria...
      Você precisa ver algumas que minha filha tem feito em localidades da Europa. Lindas! dá vontade, muita vontade de viajar pelo mundo sem data prá voltar...Ela também ama fotografar.
      O cabeçalho do blog fiz com fragmentos de fotos dela , e com uma figura de editorial vintage.
      Fazendo resenhas acabo viajando virtualmente. Descubro uma infinidade de lugares e coisas belas.
      Obrigada pela visita e parabéns pelo blog. Está um primor. Beijocas de Elisabeth

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    3. Dâmaris , ia esquecendo do perfume....he he he. Gosto cada vez mais de perfumes com rosas. Apreciava muito violetas, cravos e lírios.Agora estou fascinada pelas rosas.In natura, nos roseirais.
      O que me encanta nestas flores é a variedade aromática. Rosas cheiram a rosas, contudo existe um diferencial incrível entre as diveras espécies.
      Algumas rosas cheiram cravo/canela, outras almíscar e até aroma de pinho.
      Muitas variedades das rosas inglesas, que são produtos híbridos relativamente recentes - em torno de 40 anos - rescendem à cítricos e mel.Quer mais gostoso?
      É muito interessante.
      A rosa Penhaligon me surpreendeu. Esperava uma fragrância mais desmaiada, discreta e è intensa, voluptuosa, de dar água na boca.
      Cheira rosas.Rosas inglesas.Beijocas.
      PS: Brevemente estarei avaliando as rosas francesas de Parfums de Rosine

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    4. Beth,que maravilha deve ser esse perfume,amo o cheiro de rosas que tem o perfume Tea rose(the workshop) e fiquei bastante curiosa quanto a esse também.Parabéns pela resenha,bjos!

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    5. Oi Maillen.É encantador. Gosto cada vez mais de perfumes com rosas.Este é um dos melhores. Beijocas de Elisabeth

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    6. Que coisa linda e cheirosa este seu blog. Que pena a net ainda não permitir a gente sentir os perfumes enquanto lê. Adorei estar aqui e vou voltar, com certeza, e vou mostrar pra outros que também merecem vê-lo. Abraços!

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    7. Obrigada flor! Eu também espero o dia em que aromas sairão das páginas da net. Nada é impossível...E logo neste perfume que é uma delícia. Se fosse possível eu ficaria mais tempo ainda no blog. He he he. Volte sempre. Beijocas de Elisabeth

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