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quarta-feira, janeiro 26, 2011

Eau Sauvage e Eau sauvage Extreme - Christian Dior

Eau Sauvage, o primordial, sob a maestria de Edmond Roudnitska, foi concebido, em 1966, para mulheres! Entretanto conquistou sucesso junto aos homens...O que  poderia ser previsto, pois o aroma libertado nas primeiras borrifadas é ferino, indomável e provoca um frêmito inicial de pimentas ardidas, que flutuam  numa  brisa leve, cítrica e mentolada.
Esta ardência impetuosa e máscula se consome rapidamente como na queima de fogos de artifício enquanto suavidade morna e condimentada se instala.
Apesar de não listado nas pirâmides olfativas atuais  Eau Sauvage sinaliza com notas indólicas e florais, percebíveis em algumas composições brancas como as que carregam  lírios.
Submersas, estão  camufladas no peculiar acorde aromático que provoca  sensação veemente de água pura, de banho com infusão de ervas viçosas como manjericão e alecrim.

Chypre floral na estrutura, ao evoluir, o aroma avassalador transmuta para a essência aquosa da Natureza, suavizando no  delicioso drydown que evoca a imagem de homem elegante e clean,  com os cabelos ainda úmidos depois de revigorante banho.
 Recentemente  representado  pelo ícone Alain Delon, a colônia  retorna  aos palcos despertando atenção dos que não fazem parte do constante  séquito de admiradores. Todavia  estes últimos  deploram as mudanças  de constituintes químicos que estariam empanando o brilho original.
Ainda assim, na falta de conhecimento da antiga fórmula, esta me parece uma fragrância  de evidente valor.

  Tais  comentários se repetem em relação à Eau Sauvage Extreme, cuja estrutura inicial  foi recentemente reinterpretada pelo perfumista François Demachy, aparentemente alterando algumas  características.
Extreme atualmente guarda semelhanças com o precursor de Edmond Roudnitska, embora a fidelidade  não seja plena ou  incontestável.
Doçura inesperada corta  o apimentado  e cítrico inicial, cujo ardor expressa  agudeza de patchuli.
Manjericão, hortelã, alfazema, ervas e flores  que deveriam trazer uma explosão de frescor estão  contidas, obedientes ao bouquet  em cujas pétalas se desvenda abaunilhada  e intensa doçura.

 
  Exala uma aura quente pesada  em contraposição à tepidez branda   do antecessor, o que está bem representado no frasco escuro de brilho sutil, trazendo à lembrança o cortante vidro vulcânico  denominado obsidiana.
Sutil odor de banho, de águas frescas é perceptível ao fundo, reminiscência de Eau Sauvage original,  reforçada  nas  presença constante das folhas  de patchuli, raízes de vetiver e equilibrado acento de musgo.
Contudo  a oscilante  leveza  herbácea e úmida  não perdura, nem  se destaca de forma proeminente abafada pelas notas doces, ainda picantes,  absorvida  pela madeira seca, sedenta e enfumaçada.
É belo o cedro e densa a   fragrância que o encontrou.

Eau Sauvage  passa rapidamente da sillage intensa para  suavidade confortável, enquanto Extreme  resiste  forte  e impressivo pelo menos o dobro deste tempo,  comportamento similar se repetindo em relação a fixação das fragrâncias.
Caminhos diferentes levam as colônias para personalidades distintas, entretanto escolher Extreme não revela maior profundidade, embora   denote  um  homem que não teme  perder o centro das atenções  para a fragrância que usa, ou que julguem sua força pelo grau de doçura  que o envolve.
A colônia  Dior, com aproximados  40 anos de existência, ao ser  apresentada para o público constituiu aroma inovador. Extreme, apesar da qualidade e beleza não caracteriza o inesperado.

EAU SAUVAGE 


Família Olfativa: Chypre Floral Cítrico, 1966
Gênero:  Masculino
Perfumista: Edmond Roudnitska
Designer - frasco: Pierre Camin
Rastro: Intenso à moderado
Fixação: Boa
Notas Olfativas: Bergamota, limão, alfavaca,  lírio, jasmim, patchuli, musgo, cedro.

EAU SAUVAGE EXTREME


Família Olfativa:  Cítrico Aromático, 1982 - 2009
Gênero: Masculino
Perfumista: Desconhecido - Segunda versão de Francois Demachy
Designer - Frasco: Pierre Camin
Rastro: Intenso
Fixação: Muito Boa

Pirâmide Olfativa I
  • Topo - Limão, laranja, alecrim
  • Coração -  Lavanda, tojo ou ginestra
  • Base - Cedro
Pirâmide Olfativa II
  • Topo - Patchuli, lavanda, alfavaca, limão laranja, notas frutais
  • Coração - Aldeídos, alecrim, coentro, madeira de sãndalo, raíz de íris, louro, jasmim
  • Base - Âmbar, patchuli, musgo de carvalho, almíscar, cedro

/b>: Fotos e montagens de Elisabeth C; banners publicitários Christian Dior

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