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domingo, janeiro 30, 2011

Angel eau de parfum - Thierry Mugler

Doce orgia e mergulho na profusão de luxuriante universo gustativo!
Quando o conheci repudiei de imediato.
Tanta intensidade doce e gourmand me pareceu  uma overdose para os  sentidos e afirmei categórica que nunca usaria a caótica  fragrância.


Estranhamente Angel exerceu algum tipo de sedução, pois mesmo na negação, sorrateiramente se insinuou, dissimulado e tentador.
Dias depois  do primeiro contato  veio inesperada lembrança, e a vontade de sentir novamente o emaranhado guloso dos acentos marcados pela baunilha.
Desta vez  me pareceu mais atraente, Era o princípio da teia sedutora que me envolveria de forma definitiva.
Rendi-me.


Viciante Angel... a cada nova experiência de reconhecimento mais encantos deixava transparecer.
Essência de simulada inocência nos aromas de frutas mergulhadas em chocolate, caldas caramelizadas, mel, canela e amêndoas, revelando inesperada  malícia no tempero de apimentados condimentos e veemente patchuli.
Agridoce de baunilha conjugada ao vetiver, confeitos  açucarados e picantes, frutas indistintas trazendo um súbito frescor na  suavidade compartilhadas com flores e madeiras...
Imagino madeiras sob  sol recebendo descuidadamente  gotas  de chocolate, que derretido, entranhou, embebeu, sumindo entre frestas e ranhuras, deixando atrás de si  marca  perfumada e indelével.

  
Angel desperta repulsa e fascínio, ocasionalmente para a  mesma pessoa, e  não duvido que alguém experimente  estas sensações simultaneamente, como  pobre mortal, medrosamente atraído pelo  proibido e pecaminoso  aroma dos deuses.
O que não se pode negar é um carimbo de feminilidade que exala da pele em  provocação sensual evocando prazeres de  gula e  luxúria.
Lendário, descrito como marco da perfumaria dos anos 90 e precursor dos aromas gourmand,  é vítima da própria fama, imitado nos quatro cantos do planeta, em versões  muito próximas ou aberrantes e baratas.


Apesar disto não é totalmente inovador na estrutura,  vista que é possivel sentir algumas das suas nuances em perfumes de outrora, como no tradicional Nirmala, que sugere proximidade de notas tanto para Angel como para Angel Innocent,  em ancestralidade genética.
  Se originalidade não está presente como  característica primordial  certamente ocorre ousadia na concentração de ingredientes.
Angel parece reunir todos acentos doces disponíveis, aceitando no mesmo contexto estrelas rivais,  de brilho intenso  formando uma constelação que a princípio  pareceria  incompatível.
E sobrevive... às imitações, à dualidade de admiradores e inimigos, ao surgimento de inumeros flankers e à passagem do tempo, como verdadeiro ícone, de monárquico domínio.


Embalado graciosamente numa estrela de vidro  azul e prata, não deixa transparecer no tom frio toda a potencialidade explosiva dos seus acordes.
Apesar do lindo design do frasco estrela, imagino  se o azul  da noite, aveludado, profundo e quase negro, ou  os tons quentes  de castanho, como nas profundezas de solo e rocha,  não seriam mais adequados para conter tamanha exuberância.

A partir do lançamento, em 1992, a grife trouxe ao público variações sobre o mesmo tema, e novamente fui seduzida, desta vez  pelas estrelas florais deste jardim angelical.

- 2005 Angel Garden Of Stars - La Rose
- 2005 Angel Garden Of Stars - Le Lys
- 2005 Angel Garden Of Stars  - Pivoine Angel
- 2005 Angel garden Of Stars - Violette Angel
- 2007 Angel Caprice de Star
- 2007 Angel Forever
- 2007 Angel La Part des Anges 
- 2009 Angel Liqueur de Parfum
- 2010 Angel Mugler Shoe Star
- 2010 Angel Sunessence  Legere
- 2010 Angel Sunessence  Bleu Lagon
- 2010  Show Collection Angel Extrait de Parfum
- 2011 Angel Etoille Seduisante

Família Olfativa: Oriental Baunilha
Gênero: Feminino
Perfumista:Olivier Cresp, Yves de Chirin - Quest International
Frasco: Mugler - fabricado por Verrires Brosse
Rastro: Intenso
Fixação: Excelente
Pirâmide Olfativa:
  • Topo - Melão, coco, tangerina, cássia, jasmim, bergamota
  • Coração - Mel, damasco, groselha negra, ameixa, orquídea, pêssego,jasmim, lírio do vale, cereja, rosa
  • Base - Fava tonka, âmbar,patchuli, almíscar, baunilha, caramelo e chocolate ( veltol)
*  Angel foi agraciado com FIFI Award Hall Of Fame 2007

VÍDEO: Angel - Katherine Jenkins



Imagens: Banners  publicitários de Thierry Mugler

quarta-feira, janeiro 26, 2011

Eau Sauvage e Eau sauvage Extreme - Christian Dior

Eau Sauvage, o primordial, sob a maestria de Edmond Roudnitska, foi concebido, em 1966, para mulheres! Entretanto conquistou sucesso junto aos homens...O que  poderia ser previsto, pois o aroma libertado nas primeiras borrifadas é ferino, indomável e provoca um frêmito inicial de pimentas ardidas, que flutuam  numa  brisa leve, cítrica e mentolada.
Esta ardência impetuosa e máscula se consome rapidamente como na queima de fogos de artifício enquanto suavidade morna e condimentada se instala.
Apesar de não listado nas pirâmides olfativas atuais  Eau Sauvage sinaliza com notas indólicas e florais, percebíveis em algumas composições brancas como as que carregam  lírios.
Submersas, estão  camufladas no peculiar acorde aromático que provoca  sensação veemente de água pura, de banho com infusão de ervas viçosas como manjericão e alecrim.

Chypre floral na estrutura, ao evoluir, o aroma avassalador transmuta para a essência aquosa da Natureza, suavizando no  delicioso drydown que evoca a imagem de homem elegante e clean,  com os cabelos ainda úmidos depois de revigorante banho.
 Recentemente  representado  pelo ícone Alain Delon, a colônia  retorna  aos palcos despertando atenção dos que não fazem parte do constante  séquito de admiradores. Todavia  estes últimos  deploram as mudanças  de constituintes químicos que estariam empanando o brilho original.
Ainda assim, na falta de conhecimento da antiga fórmula, esta me parece uma fragrância  de evidente valor.

  Tais  comentários se repetem em relação à Eau Sauvage Extreme, cuja estrutura inicial  foi recentemente reinterpretada pelo perfumista François Demachy, aparentemente alterando algumas  características.
Extreme atualmente guarda semelhanças com o precursor de Edmond Roudnitska, embora a fidelidade  não seja plena ou  incontestável.
Doçura inesperada corta  o apimentado  e cítrico inicial, cujo ardor expressa  agudeza de patchuli.
Manjericão, hortelã, alfazema, ervas e flores  que deveriam trazer uma explosão de frescor estão  contidas, obedientes ao bouquet  em cujas pétalas se desvenda abaunilhada  e intensa doçura.

 
  Exala uma aura quente pesada  em contraposição à tepidez branda   do antecessor, o que está bem representado no frasco escuro de brilho sutil, trazendo à lembrança o cortante vidro vulcânico  denominado obsidiana.
Sutil odor de banho, de águas frescas é perceptível ao fundo, reminiscência de Eau Sauvage original,  reforçada  nas  presença constante das folhas  de patchuli, raízes de vetiver e equilibrado acento de musgo.
Contudo  a oscilante  leveza  herbácea e úmida  não perdura, nem  se destaca de forma proeminente abafada pelas notas doces, ainda picantes,  absorvida  pela madeira seca, sedenta e enfumaçada.
É belo o cedro e densa a   fragrância que o encontrou.

Eau Sauvage  passa rapidamente da sillage intensa para  suavidade confortável, enquanto Extreme  resiste  forte  e impressivo pelo menos o dobro deste tempo,  comportamento similar se repetindo em relação a fixação das fragrâncias.
Caminhos diferentes levam as colônias para personalidades distintas, entretanto escolher Extreme não revela maior profundidade, embora   denote  um  homem que não teme  perder o centro das atenções  para a fragrância que usa, ou que julguem sua força pelo grau de doçura  que o envolve.
A colônia  Dior, com aproximados  40 anos de existência, ao ser  apresentada para o público constituiu aroma inovador. Extreme, apesar da qualidade e beleza não caracteriza o inesperado.

EAU SAUVAGE 


Família Olfativa: Chypre Floral Cítrico, 1966
Gênero:  Masculino
Perfumista: Edmond Roudnitska
Designer - frasco: Pierre Camin
Rastro: Intenso à moderado
Fixação: Boa
Notas Olfativas: Bergamota, limão, alfavaca,  lírio, jasmim, patchuli, musgo, cedro.

EAU SAUVAGE EXTREME


Família Olfativa:  Cítrico Aromático, 1982 - 2009
Gênero: Masculino
Perfumista: Desconhecido - Segunda versão de Francois Demachy
Designer - Frasco: Pierre Camin
Rastro: Intenso
Fixação: Muito Boa

Pirâmide Olfativa I
  • Topo - Limão, laranja, alecrim
  • Coração -  Lavanda, tojo ou ginestra
  • Base - Cedro
Pirâmide Olfativa II
  • Topo - Patchuli, lavanda, alfavaca, limão laranja, notas frutais
  • Coração - Aldeídos, alecrim, coentro, madeira de sãndalo, raíz de íris, louro, jasmim
  • Base - Âmbar, patchuli, musgo de carvalho, almíscar, cedro

/b>: Fotos e montagens de Elisabeth C; banners publicitários Christian Dior

segunda-feira, janeiro 24, 2011

Elisabethan Rose eau de toilette - Penhaligon's London


Transcorriam os anos 30.
Findava a primavera nos campos da Inglaterra e nos jardins do Castelo de Sissinghurst, em kent, a exuberância de centenas de espécies florais intoxicava o ar, provocando arrebatamentos  da imaginação.
Vita Sackville-West, escritora inglesa  e proprietária, talvez cultivasse o hábito de  caminhar ao entardecer saboreando  fragrantes rosas  enquanto delineava poemas e personagens de romances como o famoso  All Passion Spent, publicado em 1931.
Ainda não existiam as  rosas inglesas de David Austin ( 1965),  híbridas que descendem das antigas e majestosas rosas gálicas, entretanto a beleza inebriante e diversidade de aromas poderiam fascinar o espírito.

Decorrido o tempo, inspirado nos belos jardins que abrigaram esta hábil artista da palavra, M. Pickthall, em 1984, criou Elizabethan Rose, um poema olfativo cuja musa é a rosa.
 Evolui primorosamente qual  soneto de rimas delicadas, cada nota floral ou aromática um verso, cada acento  uma estrofe.
Percebemos  no início acorde licoroso de característica frutada e  gustativa,  acompanhado pelo frescor mentolado de gerânios, flores que carregam  aroma próximo ao das rosas, formando intenso bouquet aldeído.
Aveludada e ligeiramente ácida, a fragrância exalada se aproxima da descrição aromática de algumas variedades de rosas inglesas, tidas como florais  cítricas e melífluas, embora nos surpreenda com emanações tépidas e picantes  rodopiando pelo ar como o pólen,  após breves lufadas de vento.
Contudo, uma rosa é uma rosa e apesar da versatilidade de nuances são flores inconfundíveis,  aqui revelando que as várias facetas da sua  beleza transcendem cor, forma e classificação, na floração plenamente  desabrochada.
O bouquet que nasceu   impetuoso  adquire elegante  suavidade e  sofisticada  transparência  no dueto com  camomila, e no frescor sombreado das violetas.

Voluptuosidade  cede lugar à sedução feminina e requintada  dos acordes que logo serão  envolvidos pela doçura do sândalo,  aconchegante  abraço do âmbar e cristalino almíscar.
Aldeídos e acentos herbais garantem a continuidade  de leveza citrina, associada ao  floral  que continuamente denuncia  rosas envolventes e doces como mel, permitindo  entrever no frêmito das pétalas, abaixo do empoado âmbar, traços capciosos  de ládano e benjoim.
Do princípio ao  fim, uma ode à rosa, que se insinua pelo ambiente  de forma intensa e persistente, como se estivéssemos num pródigo jardim  ao entardecer, quando flores nos brindam com seu hálito apaixonado provocando a dúvida:
- Será  a rosa que nos fascina  em  sedução aromática, ou  a flor cativada  pelos encantos da humanidade  que oferece sua  vital essência?


Arte Irmã: Se fosse poesia falaria de rosas...


SONETO DA ROSA  - Vínicius de Morais

Mais um ano na estrada percorrida
Vem, como o astro matinal que a adora
Molhar de puras lágrimas de aurora
A morna rosa escura e apetecida

E da flagrante tepidez sonora
No recesso como ávida ferida
Guardar o plasma múltilo da vida
Que a faz materna e plácida, e agora

Rosa geral de sonho e plenitude
Transforma em novas rosas de beleza
Em novas rosas de carnal virtude

Para que o sonho viva da certeza
Para que o tempo da paixão não mude
Para que se una o verbo à natureza



Família Olfativa: Floral, 1984
Gênero: Feminino
Perfumista: M.Pickthall
Frasco: William Penhaligon
Rastro: Intenso
Fixação:Muito Boa
Pirâmide Olfativa:
  • Topo - Aldeídos, gerânio
  • Coração - Camomila, violeta, rosa inglesa
  • Base - Almíscar, âmbar, madeira de sândalo

Os perfumes e demais produtos Penhaligon's podem ser adquiridos num dos sites oficiais da marca.:
- Japão
- Uk e EU
- USA e CA

    SISSINGHURST CASTLE

    Famoso e muito visitado, o Jardim do  castelo de Sissinghurst se originou nos anos 30, quando a poetisa Vita Sackville-West desenvolvia suas habilidade botânicas e de jardineira, além de escrever uma coluna muito popular sobre o assunto, no jornal The Observer.
    Vita e o marido Harold adquiriram a propriedade  abandonada, e em ruínas, que havia, após o colapso da família Backer, se transformado em prisão, sede do Sindicato de Trabalhadores de Cranbrook e  finalmente habitação rural.

    Dedicado à restauração, o casal  deu continuidade aos projetos, utilizando plantas elaboradas baseadas nos jardins  de Gertrude Jekyll -  Edwin Lutyens e  do jardim Hidcote Manor,  projetado por Lawrence Johnston.
    A planificação previa salas e espaços  independentes, seguindo padrões temáticos,  em monocromia ou policromia, criando padrões  como o roseiral da sala branca que iniciou o modismo dos jardins brancos.
    Foi aberto ao público em 1938, e adquirido  pela National Trust  for Place of Historic Interest or Natural Beauty em 1967.

    MARIA VICTORIA SACKIVILLE-WEST


    Filha da aristocracia inglesa, Victoria Mary Sackville-West,nascida  em 1892  alcançou popularidade através da premiada  atividade literária e do seu amor pela jardinagem e arquitetura.
    Manteve com  Harold Nicolson, diplomata e também escritor,  relação estável e flexível,  caracterizada pela liberdade com que ambos conduziam  relações   paralelas  ao relacionamento conjugal.
    Em conseqüência ao seu apego  para com o estudo das espécies vegetais e  planificação de jardins, em 1846 iniciou uma coluna  semanal chamada  In Your Garden, no jornal  The Observer, o que rendeu popularidade ao Jardim do Castelo de Sissinghurst,  propriedade adquirida pelo casal em 1930.
    Entre poesias e romances  se destacam  atualmente  The Edwardians ( 1930) e All Passion Spent ( 1931).
    Marcada na vida pessoal  pelo estilo de vida liberal  é recordada pelos inúmeros e tumultuados  romances bissexuais que tiveram  início em relações germinadas  na  infância e adolescência.

    VÍDEO:Sissinghurst Castle Gardens


    Imagens: Composições de Elisabeth C;Ambridge Rose de David Austin; Capa do Livro All Passion Spenter, Sissinghurts Garden de Claire Devall; Sissinghurst Castle garden de Wikipedia.

    quinta-feira, janeiro 20, 2011

    L'Imperatrice Anthology - Dolce&Gabbana

    "III - L'Imperatrice. Una donna in trono, con la corona in testa, ha in mano uno scetto col globo sormontato dalla croce . rege con la mano destra uno scudo con un'aquilla araldica e ha  due alli aperte sulla schiena."
    No Tarô (tarocchini) de Marselha  o terceiro arcano é uma mulher sedutora, bela,  no auge da sua feminilidade, símbolo da fecundidade, representada  ocasionalmente na plenitude da gravidez.
    Nâofoi esta a primeira impressão a pela fragrância III da coleção Anthology de Dolce & Gabbana, inspirada na  simbologia esotérica;
    Doce e  ácido, o acorde frutado e exótico invade os sentidos com persistência, atrevido, alegre como um passeio matinal pelo burburinho dos mercados de frutas.
    Sentindo o aroma que não evocava  uma figura de elegante e  luxuosa realeza,   cogitei  a possibilidade de  certa displicência ou interpretação equivocada de  conceitos.

     
    Entretanto, a aura mística e misteriosa que envolve os jogos e predições através das cartas de tarô  requer   mais atenção  na interpretação  da personagem  que retrata  maternidade  e essência vital, na  linha temporal feminina.
    O que são os frutos  da Terra  senão  produto do milagre da concepção? E não seriam os pomares, jardins e campos  salão majestoso e  ideal  para esta rainha sacerdotisa?
    Blended complexo, picante e exótico mistura  odores  de melão, maçã,  kiwi,  talvez ruibarbo e romã; perdura embriagando durante algumas horas, ora fresco e cítrico, ora cálido e condimentado, até nos depararmos com  a insinuante presença de  flores.
    Dolce & Gabbana cita  oficialmente a delicadeza rósea do ciclame, apesar do bouquet me  parecer mais rico e profuso,  no aroma  que instiga  pecados capitais. Existe uma intensidade aguda e aldeídica que provoca gula.
    L'Imperatrice III é saboroso, mesmo na fase floral, pois  a acidez suculenta do início não nos abandona; embebe a pele de sedução frutal, se arriscando no limite do aceitável para ser apenas aspirada, e não consumida pelos outros sentidos.

    Desenvolve porte elegante a medida que se aproxima do drydown, excessos  lapidados pela presença de almíscar  e tênue odor de madeiras cítricas ou diminutas doses de patchuli e vetiver  que  garantem indistintamente  um  frescor leve,  verde e picante.  
    A rainha percorreu os campos entrelaçando sua energia com  frutos maduros e suculentos  voltando  para seu repouso ornada com  flores e folhas.
    Mais bela coroa ou  adorno não há.


    Inúmeras comparações surgem da experimentação de L'Imperatrice pelos consumidores aficionados. Alguns recordam de Raph Lauren, Juicy Couture, e muitos sentem  proximidade com o frutado da linha Eau de Garnier.
    Sim, percebível  um pouco de cada em L'Imperatrice, de forma leve e superficial. Contudo o primeiro aroma que emergiu da minha memória olfativa foi a assinatura frutal de Escada, principalmente em Tropical Punch.


    Família Olfativa: Floral frutal, 2009
    Gênero: Feminino
    Marca: Dolce Gabbana
    Imagem Publicitária: Mario Testino
    Rastro: Intenso
    Fixação: Muito Boa
    Pirâmide Olfativa:
    • Topo - Aroeira, kiwi, ruibarbo
    • Coração - Melancia, ciclame, jasmim
    • Base - Madeira de cítricos, almíscar, sândalo
     Anthology, coleção de Dolce & Gabbana, apresenta  em 2009  simultâneamente diferentes fragrâncias, 3 destinadas ao público feminino e 3 masculinas:
    • XVIII - La Lune
    • X - La Rue de La Fortune
    • III - L'Imperatrice
    • XI - Le Bateleur
    • VI - L'amoreux
    • XI - La Force
    Vai ao Shopping? Confiras preços e marcas nas boas lojas que abrem suas portas em Perfume Bighouse 

     Crédito de imagens:  Cartas de tarot Wikipedia; Imagens publicitárias Dolce&Gabbana

    Arte Irmã:  Se acompanhasse uma música andaria pelas estrelas....

    VÍDEO:  Escrito nas Estrêlas  - Tetê Espíndola

    terça-feira, janeiro 18, 2011

    Blenheim Bouquet - Penhaligon's London

    Cores densas, sóbrias e naturais retratam a tradição na vitrine da Boutique Penhaligon's em Regent Street - London.
    No interior, o ambiente transita entre o  moderno e vibrante rubro das paredes e tradicionais armários de madeira, lustres em cristal, caixas de papelão ornamentadas por fitas, contendo os preciosos frascos,  cujo design é fiel aos originais idealizados por William Henry Penhaligon.

    Nascido em Cornwall - England, o fundador de Penhaligon's foi treinado como barbeiro e trabalhou nos banhos turcos de Jermyn Street - London, até iniciar seu próprio negócio, em 1867, conquistando a posição de perfumista e barbeiro oficial da Rainha Victoria.
    Excentricidade e avidez por novidades marcavam a Era Vitoriana e William, inovador e ousado, não titubeava ao propor novas combinações aromáticas.

     Hammam Bouquet é fruto do convívio com enfumaçados e instigantes  banhos turcos, permanecendo o favorito do seu criador através dos anos de perfumaria.
    Elegante ramalhete de rosas, jasmim e lírio repousa sobre cedro, âmbar, almíscar e sândalo após a volatilização inicial de lavanda e bergamota.
    Clássico da perfumaria continua em produção até os dias atuais.


    Na função de perfumista real, no ano de 1902,  elaborou o clássico Blenheim Bouquet, especialmente para o Duque de Marlborough.
    Somando tradição na perfumaria inglesa, Blenheim Bouquet se tornou o predileto de Sir Winston Churchill que nasceu no Palácio Blenheim, sede ancestral de Marlborough.
    Reestruturado  em 1981 a eau de toilette,  originalmente um crispante verde e fresco,  era constituído principalmente por  tomilho, alecrim, lavanda, bergamota, musgo e sândalo.

     Mergulhe na Era Vitoriana  imaginando uma sociedade que se perfumava com os compostos naturais obtidos de  folhas, pétalas ou raízes, frescas ou secas.
    Acordes inovadores surgiam com flores e ervas, principalmente  rosa, jasmim, violeta, lavanda, cravo, orégano, tomilho e alecrim.
    Perfumes orientais densos e doces  alcançavam elevado nível de apreciação e popularidade.
    Blenheim Bouquet, relatado como fragrância vigorosa e herbal, me parece fiel à proposta inicial desta época prolífera e criativa, no desfilar de ervas aromáticas, personalizadas pelo contraste entre o verde zimbro e pimenta preta, seca e amadeirada.
    A primeira sensação é de efervescência luminosa, quando percebemos odor leve de gin com limão, misturado à ervas frescas, caracterizando uma fragrância  intensa e revigorante..
    Limpidez de águas  se pronuncia no leve e floral  mentolado, que pode advir de lavandas e tomilho, embora se torne  gradativamente cálido com a presença maciça, condimentada  e canforada do dueto  zimbro e pimenta..
    Incisivo, picante e ácido, nesta fase Blenheim Bouquet demonstra energia e força, através do  pout-pourri de ervas intensas e fragrantes.
    Odor característico do cipreste  provoca a sensação de proximidade à madeiras de bosques fechados,  de troncos caídos e revestidos de musgos, ou  de árvores elegantes  com folhas muito verdes e pungentes.
    Cobertura de liquens sobre o lenho  dilui esta incitação olfativa, enquanto o  rastro  atenua  revestido de amadeirado suave e discreto.
    Toda trajetória é acompanhada de sutil especiaria,  quente e seca,  que se opõem à  intensidade aguda  das espículas verdes,  provocando a impressão de que em algum canto está aberto um pote repleto de folhas secas de alecrim; contudo pode ser uma sensação enganosa provocada pela presença dos grãos de pimenta.

    Homens fortes apreciam Blenheim Bouquet  e sua masculinidade explícita,  que camufla flores e mantém discreta  doçura de sândalo e almíscar, privilegiando  as folhas dos pinheiros, cítricos, e  ervas agrestes que vicejam aqui e acolá, num jardim descuidado, emaranhado em plantas silvestres.
    Mergulhe no passado histórico da perfumaria e visualize  a prática de elegantes esportes campestres na bem cuidada Inglaterra rural.
    Nobres senhores saindo para cavalgadas, devolvendo aos  prados e bosques aromas  que deles se originaram.


    Família Olfativa: Aromático, 1902 ( 1981)
    Gênero: Masculino
    Perfumista: William Penhaligon
    Rastro: Intenso à  moderado
    Fixação: Boa
    Frasco: William Penhaligon
    Pirâmide Olfativa:
    • Topo - Limão, lima, lavanda
    • Coração - Não há notas de coração
    • Base - Zimbro, almíscar, pimenta preta 

    Agradecimento - Registro a  delicadeza e cortesia com que se recebe na Boutique Penhaligon's  da  Regent Street/ London, cujo staf partilha,  com gentileza e atenção as   informações e experimentação das fragrâncias,  exemplificando o espírito Penhaligon's conforme  descrito nas palavras de lady Lauren MacAskill:

    " - The spirit of William Penhaligon, our founder, touches everything we do.An Englishman living in an age of excess and flamboyance, William was witty, wildly creative and always inspired by the unusual.  
    Hammam Bouquet, our first scent, was dreamt up by William in 1872 after inhaling the steam and sulphurous aromas of his neighbouring Turkish baths. These were wild ideas for wild times, and it is still the way we work today. Inspiration comes at the strangest moments and places: a magical moment, a stolen view, an idea crystallised.
    Over 135 years since the doors of the Penhaligon's barber shop first opened on Jermyn Street, William's hugely precious archives continue to inspire and inform everything we do. Our passion is to carry on his incredible legacy of creative and innovative perfumery, challenging the traditions of the art and seeking new ways to interpret elegance."

    Tradução- Por Rosária.
     " O espírito de William Penhaligon, o nosso fundador, está presente em tudo o que fazemos. Um inglês vivendo em uma era de excessos e extravagância, William era espirituoso, tremendamente criativo e sempre inspirado pelo incomum.
    Hammam Bouquet, o nosso primeiro perfume, foi idealizado por William, em 1872, após a inalação do vapor e aromas sulfurosos dos banhos turcos da vizinhança.
    Estas eram idéias selvagens para tempos selvagens, e é esta ainda a forma como trabalhamos hoje.
    A inspiração vem nos momentos e nos locais mais estranhos: um momento mágico, uma paisagem roubada, uma idéia cristalizada.
    Mais de 135 anos desde que as portas da barbearia Penhaligon's foram abertas pela primeira vez em Jermyn Street, e os arquivos extremamente preciosos de William continuam a inspirar e informar tudo o que fazemos. Nossa paixão é continuar seu legado incrível de uma perfumaria criativa e inovadora, desafiando as tradições da arte e buscando novas maneiras de interpretar a elegância."


    Créditos de imagens: Penhaligon's Boutique /Regent Street-London  by N. Casagrandee e João Krieger; composição de Elisabeth C. com fragmentos de imagem de Banhos Turcos de Jermyn Street-StJames -1862, frasco e etiqueta  de Hammam Bouquet; composição de Elizabeth C com frascos de Blenheim Bouquet e jardins vitorianos;  Scent Library por Elisabeth C; Interior de Boutique penhaligon's -Jermyn Street por N. Casagrande e João Krieger.

    Postagem original de Elisabeth Casagrande em 18/01/2011

    sábado, janeiro 15, 2011

    Lady Million eau de parfum - Paco Rabanne

    Esqueça a mídia, a campanha publicitária e sinta apenas a  fragrância!
    Lady Million é intensa e atraente, não volúvel e arrogante.
    Sua força desdenha  moeda,  ouro ou  gemas preciosas; se origina nos aromas da terra.
    A princípio emergem frutas maduras e agridoces, lembrando laranja amarga e framboesas, em rubro e cálido colorido.
    Pinceladas verdes  frescas e amadeiradas denunciam  resinoso patchuli e amadeirado vetiver,  que acentuam o antagonismo  doce amargo das frutas  conferindo toque pungente e medicinal.

     Esta lady não parece uma garota urbana insossa e festiva, mas aguerrida  aventureira, de temperamento picante e malicioso, como as  intrépidas personagens da mitologia  ou ficção,  disputando, determinadas, o foco principal ao lado do herói forte e audaz.
    Entretanto o crispante amargor  se dilui, tornando possível a percepção de arranjo floral  sedutor, cujas pétalas carregam néctar delicado e doce.

    Guerreira, porém  desarmada, deixa atrás de si um  rastro de flores e mel; que luminoso, dourado e morno escorre sobre o lenho, tornando desnecessário o brilho da luxuosa e linda embalagem para indicar riqueza de composição.
    Adormece em madeiras, almíscar e tênue doçura de sândalo
    Lady Million se veste do aroma destinado as valquírias e amazonas, que despem  armas quando descem aos prados verdes ou aos  luxuosos palácios  para  seduzir pobres mortais, desviando o curso da história, caprichosas e irreais.

    Imprescindível chegar ao coração desta fragrância para interpretar o âmago  envolvente, destinado a ressaltar feminilidade, pois se nos prendermos às notas iniciais corremos o risco de perceber apenas a vibração petulante da garota mimada, batendo os pés para que o mundo caia em adoração.
    Lady Million  apresenta acordes  familiares na perfumaria feminina de Paco Rabanne, não constituindo  uma fragrância revolucionária, o que se tornou  lugar comum na perfumaria moderna, entretanto este constraste entre rispídez do terroso patchuli e a picante doçura do mel das flores de laranjeira  produz efeito atraente.
    Alguns usuários perceberam acordes semelhantes a Weekend de Burberry, Black XS  for Her, Flowerbomb  e o attar Mehak.

    Família Olfativa: Floral Amadeirado almiscarado,2010 
    Gênero: Feminino
    Perfumistas: Anne Flipo, Béatrice Piquet, DominiqueRopion (IFF)
    Frasco: Noé Duchaufour-Lawrance
    Rastro: Intenso
    Fixação: Boa
    Campanha Publicitária:
    Pirâmide Olfativa:
    • Topo - Grapefruit de Sevilha, framboesa, neroli (flor de laranjeira)
    • Coração: Flor de Laranjeira, jasmim, gardênia
    • Base - Mel, patchuli, sândalo, almíscar
    VÍdeo: Campanha publicitária  de Lady Million - Paco Rabanne com Dree Hermingway


    Imagens:Colagem de elisabeth casagrande e banners publicitários de Paco Rabanne

    domingo, janeiro 09, 2011

    Nebras oil - Al Rehab


    Nebras é luz .
    Despreendida das flores e das gotas úmidas de orvalho que nos envolvem em feminilidade  e sedução.
    O primeiro nome é da rosa temperada com canela, madura, desabrochada e fragrante, revestida de cítricos doces, coloridos e ligeiramente ácidos.
    Picante e exótica deixa perceber entre as pétalas delicadas folhas de ervas frescas, ligeiramente maceradas.
    Rosa que nos traz a Terra em  calor quente e aconchegante.
    neste momento estamos no oriente , nas searas sombreadas dos jardins exuberantes em plena floração, porém outros rumos trazem cintilância aguda, aldeídica e ocidental.
    Não mais a mistura de notas que revela  o acorde de rosa taif em sua plenitude de floração.
    Emergem  flores tanslúcidas cujo aroma agudo, límpido e luminoso indica pureza absoluta e  flores brancas serpenteiam, claras,  diluindo as cores vivas da rosa,o ardor exótico da especiaria.

    Cruzamos fronteiras, se não do oriente calmo e íntimo para o Ocidente  borbulhante  e citadino, pelo menos deixamos os arbustos do jardim invadindo  a sala em bouquet  delicadamente arranjado.
    Repousa em vaso de crystal, irradia emanações aldeídicas, se torna festivo e brilha.
    Sim Nebras é luz, filtrada por candelabros,   formando prismas coloridos que ignoram a presença de madeira oud, mas permitem que vislumbremos o sândalo, doce e harmonioso.
    Quanto mais próxima do drydown maior é a pureza cristalína, conferindo o tom agudo e leve  dos produtos de síntese.
    Nebras é agradável,  conquistando imediatamente com seu início cálido e aveludado da rosa damascena temperada  por especiarias, contudo o drydown revela tal transparência que se afasta da minha preferência.


    Família Olfativa - Floral Oriental
    Gênero: Feminino
    Designer: Al Rehab
    Notas Olfativas: Cítricos, rosa, canela, capim-limão, jasmim, lírio, sândalo,


    DESCOBRINDO UM ATTAR

    Usar um attar, ou perfume em óleo concentrado é experiência que foge da rotina.Não irradia sua fragrância por metros e metros de distância, como fumaça dispersada pelo vento, contudo  cerca um pequeno perímetro de intensidade etérea e persistente.
    Se quisermos  dominar um espaçoso ambiente com nosso aroma, provavelmente pela quantidade  usada sucumbiremos antes de sermos notados.
    Existe elegância nesta arte, e o fragrante óleo adere ao corpo, de maneira sutil, incorporado à pele, ainda presente depois de muitas horas, talvez dias.
    Dá-me a impressão que no uso constante se transformará numa parte de nós.
    Não grita, sussurra de forma muito convincente.
    Entretanto nos tecidos naturais e nos papéis permanece vigoroso e inalterado durante muito tempo, diluindo em lentidão easperante.
    Afoita, ao receber a caixinha de pequenos attars, abri e fechei todos de maneira estabanada, tentando descobrir na miscelânea de odores o que mais me atraia.
    Obviamente não consegui.
    Numa segunda investida, gotículas   haviam escorrido em alguns, tornando os frasquinhos ligeiramente oleosos .


    Enxuguei-as com uma echarpe, de algodão rústico que estava ao alcance das mão.
    Durante dois dias  o pano perfumou meu canto de trabalho, relutante voltou para o armário e hoje, passados quatro ou cinco dias enconde um aroma em cada dobra. Flores, frutas e madeiras, todas envolvidas em intensa doçura.
    Minha caixinha de attars é um universo aromático que desvendarei lentamente, pois sei que  madeiras quentes e doces me espreitam,  acordes frutados e juvenis, flores exóticas ou clássicas, e alguns aromas másculos e frescos.
    Farei uso do acaso, da escolha aleatória conscia, de antemão, que alguns me farão dizer:
    - Este não é para mim!
    E outros provocarão:
    - Ohhh...
    É um pequeno prazer este, que deixará  a rotina mais interessante.

    VÍDEO:Everything But The Girl - Blue Moon Rose


    Imagens: Elisabeth Casagrande.