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domingo, outubro 31, 2010

Biagiotti Due Donna - Laura Biagiotti

"Água de chuchu".
Desta maneira, afficionados da perfumaria brasileira classificam perfumes florais/frutrais embebidos em sândalo, almíscar e âmbar.
Doçuras previsíveis, suaves, que não ferem olfatos, nem provocam polêmica, mantidas na zona de segurança da fácil aceitação.
Um chavão quase carinhoso que não desmerece a fragrância, apenas deixa claro ser variante de fórmulas comerciais destinada ao amplo consumo, coleção pret a porter seguindo a inspiração de grandes mestres.
Laura Biagiotti, marca de composições fortes e sillage marcante, expressa em Due Donna a docilidade destes bouquets regados à sândalo.
Oferecido ao público simultanea a Due Uomo, representa romance entre personalidades distintas e tradicionalmente encarnadas pela etérea feminilidade versus máscula veemência.

Bonita e inequívoca" água de chuchu".
Saída cítrica e agridoce, mesclando pomar e jardim, sublinha união gourmand com flores de laranjeira, rosas e suaves pitadas de magnólia que antecedem a delicadeza extrema, proporcionada pelas camadas de sândalo, almíscar, âmbar e baunilha; definitivamente instalada não fosse o discreto e resinoso acento de bàlsamo do Peru, sugerido na listagem olfativa.
Assim que experimentei, lembrou-me a trajetória do exuberante Red Jeans de Versace (1994), o  agridoce inicial, característico da união de cítricos, pêssego, pera e rosas, visto em Lyra 3 (1998), e o açucarado acorde da madeira de sândalo, almíscar e baunilha presente em Lucky You (2000).


Talvez possamos sentir alguma similaridade no arranjo floral de Miss Boucheron ( 2008) como foi sugerido através de uma leitura, e o enveredar pelos caminhos, da fragrância Cabotine Blue ( 2003), que não apresenta o mesmo ênfase nos acordes frutais.
Finaliza  tranquilo  em meiga feminilidade após algumas horas da aplicação.

DUE DONNA
Família Olfativa: Floral, 2006
Gênero: Feminino
Designer: Laura Biagiotti
Rastro: Moderado
Fixação: Boa
Notas Olfativas: Tangerina verde, flor de laranjeira, magnólia, jasmim, rosa, âmbar, bálsamo
do Peru, madeira de sândalo.


DUE UOMO

Família Olfativa: Amadeirado especiado, 2006
Gênero: Masculino.
Designer: Laura Biagiotti
Notas Olfativas: Lima, anis, incenso, leite de coco, sálvia, galanga ou gengibre azul, vetiver, patchuli, mirra doce ou opoponax.

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VÍDEO: Biagiotti Due


Fotos: Imagens publicitárias de Due Donna e Due Uomo, imagens de Elisabeth C.

quinta-feira, outubro 28, 2010

Belle D'Opium YSL na Vitrine - 2010

Deveria estar na Vitrine de Perfume Bighouse  como uma das novidades de 2010; aguardadas e ainda não avaliadas.
Entretanto não resisti ao apelo dourado desta campanha luxuosa, e do belo frasco e experimento conjecturas...
Opium de Yves Saint Laurent  detém, há  longo tempo,  o charme e o classicismo dos perfumes  que se transformaram em ícones, umbrais de novos horizontes.
Belle D'Opium veio decidido à ultrapassar fronteiras.

Se o fará não sei, porém surge  envolto em nuvens de pura sedução, de fantasias vertiginosas, brumas, e jóias sofisticadas sobre pele dourada.
Yves Saint Laurent promete no oriental   Belle D'Opium uma provocação enfeitiçante  através da  overdose de ingredientes raros e preciosos.
Frasco igualmente lindo em azul noite vibrante, e atravessado por um filamento vermelho  que define  linha de união entre fragrância e pele, encerrando  a  promessa de oriental inovador  onde a estrutura gravita  em torno do acorde Narguilé,  em  generosas doses de incenso.

Destinado  à mulher ambivalente, ingênua,  mas perigosa, a proposta é de uma fragrância  poderosa, perturbadora, obsessiva e indescritível.
Nem precisaria  tanto.
As imagens falam por si próprias  e cativam irremediavelmente.
Não pretendo  acalentar expectativas, nem predispor julgamento, considerando que   as opiniões sobre ele se mostraram  controvertidas.
Despertou paixões e desapontamentos!

Quem é fã declarado  da intensidade  original  condenou a  aparente suavidade deste  flanker.
Outros  levaram à proximidade das composições caramelizadas da maison Thierry Mugler.
E, houve comentário sugerindo semelhança com St Dupont Femme que de açucarado não tem nada,  me parecendo  um floral  aldeídico que se afasta muito de Opium tradicional.
Talvez não de Belle D'Opium.

Discrepâncias...
Aguardarei para provar,  e conferir pessoalmente se as portas do paraíso se abrirão com Belle D'Opium.
Mélanie Thierry, na campanha publicitária  interpreta a musa do perfume,  numa dança alucinada, onde sentidos estão narcotizados pela estranha substância.

Nas palavras da atriz:
"  Para Belle D'Opium tentei expressar  poder   numa combinação  de elegância e graça, numa libertação total,  próxima do encantamento... Algo extremado.
Ao fazer isto, realmente senti  que era parte de um projeto fora do comum".
A linda  Mélanie  se transforma em  Belle D'Opium  sob a direção de Romain Gavras e fotografia de Mert & Marcus.

Família Olfativa: Oriental, 2010
Gênero: Feminino
Perfumistas: Honorine Blanc e Alberto Morillas
Segundo diferentes referências:
Notas Olfativas I: Jasmim, Gardênia, madeira de Sândalo, pimentas
Notas Olfativas II: Lírio Casablanca, Absoluto de jasmim, pêssego, pimenta branca,resinas, madeira de sândalo, incenso, acorde narguilè.

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VÍDEO: Publicidade para televisão: Belle D'Opium Yves Saint Laurent


Fotos: Imagens publicitárias de BelleD'Opium - YSL


quarta-feira, outubro 27, 2010

Verveine - L'Occitane En Provence


Lemon verbena é límpido e puro nesta fragrância, servido em dose equilibrada, caneca de chá adocicado, caprichosamente preparado para acalmar o intenso rebuliço infantil. Na medida.
O equilíbrio está no meio, e L'Occitane segue esta receita a risca na composição linear, porém avessa à monotonia.
Borrifadas de orvalho e folhas frescas se juntam às flores num bouquet encantador, de teor aromático, mais verde que floral, que me parece saído de uma paisagem.
Nuances delicadas evocam um lugar banhado pelo sol que dissipa brumas matutinas, revela casinhas caiadas de branco, jardins coloridos, pomares e prados intensamente verdes.
Gotinhas de verbena que encerram os encantos da Natureza simples e aconchegante!

Desprovido da sofisticação dos aromas elaborados, evolução tumultuada e labirintos olfativos, Verveine traz a paz dos campos embalada por sons, cores e aromas quase místicos que se entrelaçam em perfeita harmonia e proporcionam a sensação benigna de comunhão com o natural.
Inevitável trilhar o caminho das lembranças infantis, quando ao longo das minhas janelas, nos dias quentes das férias de verão, rescendiam touceiras de capim-limão, em delicioso aroma muito semelhante ao desta verbena.
Estilo parecido percebi em Eau de Reglissè, cujo início se mostra mais apimentado e vibrante, indicando combinação com gengibre e ervas aromáticas. Apesar da eau de toilette Caron se render à cremosidade da noz moscada, seguindo nesta fase caminhos semelhantes aos de Verveine En Fleurs, o faz com mais entusiasmo e personalidade.

Aqui o aroma permanece fiel à verbena durante maior parte do trajeto, acompanhado da suavidade floral.
Dilui em almíscar, sândalo e um pouco de âmbar, mas permanece rente ao chão, junto às folhas verdes e vicejantes, distante de madeiras altivas e sólidas.
Na evolução mantém fidelidade ao acorde inicial, aromático e confortável, em leveza de folhas que balançam, se inclinam e tremulam conforme a brisa sopra, na delicadeza e elegância da sua aparente simplicidade.


Família Olfativa: Floral aromático, 2003
Gênero: Unissex
Designer: L'Occitane en Provence
Rastro: mediano
Fixação: Regular
Pirâmide Olfativa:
  • Topo - Limão, laranja
  • Coração - Verbena (Verveine odorante - Aloysia triphylla), petit grain
  • Base - Pau-rosa, gerânio
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Arte Irmã: Se perfumasse uma canção caberia nesta...

VÍDEO: Casinha branca - Interpretação Maria Bethania


Imagens: Composição de imagem publicitária Verveine L'occitane com imagem publicitária - lemon verbena de Twisted Wick; Paisagem campestre - arte de Vaninhas /Evanilda richter; Composição de imagem publicitária Verveine L'occitane com paisagem campestre de Vaninhas /Evanilda Richter.

segunda-feira, outubro 25, 2010

Verveine En Fleurs - Molinard

A casa Molinard percebeu que mulheres também gostam de verbena, apesar da maioria, em prol da feminilidade explícita, fugir de Eau de Verveine, colônia intensamente amadeirada e inadequada para exibir uma aura de frescor aliado a delicadeza.
Surge Verveine En Fleurs cujo início traz a mesma ardência apimentada, apesar de suavizada, fruto de artifício diluidor da vivacidade do verde intenso desta paleta olfativa.
Lançado em 2003 ao lado de Feuilles de Rose, e Musc et Fruits esta fragrância se destaca
pela leveza floral, cremosa e suave, dos acordes no âmago ou coração.
Notas de abertura se revelam doces em contraposição as de alvo bouquet e folhas verdes, no cítrico luminoso que doma a impetuosidade da verbena.
Doçura é a tônica em contraponto ao amadeirado de Verveine masculino, intenso e cítrico ao longo da evolução, sugerindo a possibilidade da presença de madeira Teca.

Repentinamente o acidulado da verbena atenua, esvaece tomado pelo delicado aroma de pele, morno, na vaga lembrança de flores suaves, que parecem receber diminutas e praticamente imperceptíveis gotículas de benjoim.
Fechado sobre a pele tênue e cremoso, devagarzinho resvala para o desmaiado acento de madeira incensada finalizando a evolução.
Almíscar e âmbar provavelmente participam desta composição levíssima e insossa na qual se transforma Verveine En Fleurs.
Discreta em demasia.

Linha Olfativa: Floral aromático, 2003
Gênero: Feminino
Designer: Molinard
Rastro: De Intenso à fraco
Fixação: Regular

Verveine Molinard Collection1849 - Molinard

Face ardida como pimenta é a que vemos de lemon verbena nesta colônia de Molinard.
Aroma intenso simula o desprendido das folhas na preparação de chá forte temperado com cítricos, pimentas e óleos de madeiras, destinado ao alívio da tensão de músculos extenuados, que procuram conforto em relaxante banho.
Verveine é fragrante na sillage acentuada, máscula e limpa!

Envolvente e confortador transforma o prazer do banho numa sensação de prolongado frescor.
Esta dominante acidez inicial provocou-me regressão na memória, pois quando adolescente repudiava estes acentos ferinos e pungentes, popularmente denominados de cítricos, em formulações mais simples, prováveis similares dos originais importados.
Notadamente cítrina e amadeirada, esta fragrância progride do frescor das ervas e frutos para raspas secas de serragem, fragmentos de madeiras que não se prestam a queima devido às aromáticas resinas, contudo proporcionam sensação agradável da proximidade de bosques e florestas.

Madeiras que adquirem brilho no aroma incisivo e seco de cedro e na sempre instigante ação de vetiver, e se tornam mais evidente enquanto o tempo progride.
Existe alguma doçura advinda do bouquet, na suavidade que lembra floração de laranjeira e no frescor de jacintos...notas muito leves associadas à baunilha, sândalo e almíscar, que timidamente tentam amenizar a acidulada aura masculina, prolongada por muitas horas.
Finaliza amadeirada e discreta a água de colônia que é um dos seis aromas apresentados na exclusiva Molinard Collection 1849, revisitando sucessos do período entre 1920 e 1950.
Além da luxuosa reedição, contida no frasco desenhado por Renè Lalique, Verveine pode ser adquirido na apresentação sólida - concreta - de perfume mais intenso, sem álcool.
Na riqueza olfativa de verbena Molinard ainda oferece Eau De Verveine pour homme, nas garrafinhas mais recentes e a feminina ediçãoVerveine En Fleurs.

Família Olfativa: Cítrico aromático, 1948 ( relançado 2005)
Gênero: Masculino
Designer: Molinard
Rastro: Intenso
Fixação: Muito Boa
Notas Olfativas: Bergamota, tangerina, folhas de verbena, jacinto, jasmim, osmantus, vetiver, cedro, sândalo, almíscar, âmbar.

 

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Imagem: Composições com frascos de publicidade Molinard.

Arte irmã

 " O que sufoca o bom grão não são as ervas daninhas, é a preguiça do cultivador." Confúcio

VÍDEO:David Arkenstone - Magic Forest

 

quinta-feira, outubro 21, 2010

Must Pour Femme - Cartier

Complexo e sofisticado, Must veste a fêmea arrebatadora e felina, que emerge das belas e antigas cidades europeias, para desvendar os mistérios do mundo.
Hábitos refinados e gosto impecável que não tolhem a busca de objetos e iguarias exóticas em obscuras lojinhas orientais, abrindo portas estreitas para ruelas sombrias.
Incansável, investiga cada recanto procurando pequenos tesouros entre especiarias, peças de seda e veludo, bordadas com filigranas dourados. Irradia o mesmo brilho embora seja a personificação da névoa invernal quando a noite cai.

Passeia com a mesma desenvoltura nos palacetes, museus e bibliotecas mesclando seu odor, natural e sensual, ao aroma dos livros empoeirados e madeiras doces de móveis centenários; mimetizando farto bouquet que repousa em fina porcelana, no umbral entalhado de alguma janela.
Lânguida, recostada em sofá de couro, junto a rosas, jasmins e lírios, absorve o aroma suave do fumo, serpenteando vagarosamente pelos elegantes salões, no rastro da volatização de dourado conhaque.
Enquanto seu olhar percorre, além das vidraças, o manto alvo do inverno, em fantasmagóricos contornos cinzentos, planeja quieta e criativa.
Talvez um ardente encontro noturno, onde o oponente sucumbirá ao seu fascínio, ou uma viagem ao encontro do azul mar Egeu, perseguindo calor e aconchego do verão, nas pedregosas praias da Grécia.

Must arrebata no início aldeídico, doce, tempestuoso e ligeiramente verde determinado pelas notas frutais e cítricas , onde não detectamos apenas a vaga presença de limão, tangerina ou abacaxi , mas a docura envelhecida de frutas ressecadas, ou embebidas nas caldas temperadas por cravo-da-índia e canela.
Fase alcoólica e balsâmica qual bebida licorosa, envelhecida entre madeiras nobres, e enfumaçados toques de musgos, conferindo frescor aromático de verde soturno e denso.
Esta evolução recorda a sequência de Le Baiser du Dragon, embora em outras tonalidades de resinas, que não se entregam totalmente nos braços do âmbar.
Sillage marcante e prolongada, de notas florais, distinguidas apenas na doçura e cremosidade, praticando simbiótica relação com o aroma sensual do couro impregnado de incenso.

Após algumas horas repentinamente nos damos conta que o cenário é outro.
Brumas dissipadas surge luminosidade acariciante, picante e morna de favas da baunilha e feijão tonka; gustativas, macias e insinuantes no têmpero de almíscar, sândalo e breve toque de âmbar.
Entretanto ainda percebemos a atrativa e animálica pungência da civeta no drydowm similar ao encontrado em Byzance, Jungle Le Tigre e Shalimar de Guerlain ,que percorrem outros caminhos com o mesmo objetivo: Sedução do corpo e espírito.
O frasco de Must parfum, em vidro transparente nervurado e rótulo dourado, foi inspirado nas cigarreiras de luxo da década de 70, símbolos de status.

Família Olfativa: Oriental, 1981 ( relançado em 1999)
Gênero: Feminino ( compartilhável)
Perfumista: Jean-Jacques Diener
Frasco: Xavier Rousseau
Rastro: Intenso
Fixação: Ótima
Pirâmide Olfativa:
  • Topo - Aldeídos, abacaxi, tangerina verde, gálbano, pêssego, bergamota, pau-rosa
  • Coração - Cravo,canela, couro, narciso, almíscar, orquídea, rosa, vetiver,neroli, ylang-ylang, jasmim, civeta
  • Base - Âmbar, sândalo, fava tonka, baunilha, vetiver, civeta

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Arte Irmã:  Perfumaria esta música?

VÍDEO:Musica del Yvone - Beyoncè - Índia Una Historia de Amor


Imagens: Créditos para publicidades Cartier ; St James Park - Buckingham Palace de time.com; Bridal Procession de Antonio Puppi; Khmer Dance de Steve McCurry

terça-feira, outubro 19, 2010

Lolita eau de parfum - Lolita Lempicka

Não se permita admirar o frasco, tampouco as imagens publicitárias que provocam surpresa e mágico deleite antes de provar o eau de parfum!
Cerre os olhos. sinta Lolita na pele, e espere pelo aroma que abrirá uma fresta para o mundo fantasioso de ninfas e gnomos, escondido nos recantos sombreados dos jardins úmidos e frescos, afastados do burburinho humano.
Sopro intenso e fresco é a primeira nuvem perfumada de Lolita que nos atinge, murmurando segredos desvendados no revoar destes seres imaginários, brincando entre o farfalhar de folhas verdes, revelando sementes e frutos antes ocultos.

Efeito oficialmente sugerido pela presença da violeta temperada com limão e anis sobre base intensamente doce que mistura açúcar, baunilha e amêndoas.
Impressionou-me como se viesse de uma cerimônia mágica, onde a oferenda principal é baunilha adornada por inúmeras flores exóticas, doces caramelizados, salpicados por anis, alcaçuz e toques verdes do sumo de folhas.
Vetiver representa um marco de equilíbrio, no frescor de raízes recém colhidas, depositadas sobre madeiras claras de seivas delicadas e verdes, moderando os devaneios excessivos das
caldas açucaradas e favas de baunilha.

Acordes evoluem sedutores mantendo o brilho que distingue a fragrância desde o início, substituindo cintilantes violetas pela sedosa íris, revelando faceta acariciante, ladeada por âmbar e almíscar.
Condimentos exóticos acompanham os acordes ,da abertura ao drydown, trazendo suaves evocações de canela, noz-moscada e a cremosidade suave das amêndoas confeitadas.

Lolita é encantamento engarrafado na feliz combinação de notas florais exóticas, diferenciadas por refrescantes e apimentados acentos de anis sobre creme de baunilha, envolvente, macia e inebriante.
Deliciosa combinação.

Lolita recebeu a premiação de melhor fragrância por Fragrance foundation and the American - FIFI em 1998 e o frasco descrito como " fruit of our dreams " foi considerado o melhor do ano DCI.

Linha Olfativa: Oriental vanilla, 1997
Gênero: Feminino
Perfumista: Annick Ménardo
Rastro: Intenso
Fixação: Muito Boa
Pirâmide Olfativa:
  • Topo - Limão, abacaxi, anis-estrelado, folhas de violeta, pau rosa, amarilis
  • Coração - Amêndoa doce, raíz de íris, alcaçuz, lírio do vale, rosa, jasmim
  • Base - Fava tonka, baunilha, heliotrópio, vetiver, almíscar branco, tabaco, praline
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Vídeo: Lolita Lemplicka


 
 
Imagem: Ad de Lolita Lemplicka em Fragrantica

L de Lolita - Lolita Lempicka

Insidioso!
Na primeira aspiração L de Lolita vem ingênuo e cativante, em doce feminilidade, para num piscar de olhos se revelar atrevido, através de acorde condimentado, provocante e cálido.
O frescor adolescente que abriu este bouquet se reveste de malícia através de resinas canforadas e picante cravo-da-índia.
Ou seria a presença de laranja amarga polvilhada com canela antecipando a fragrância exótica de imortelle (sempre-viva) da Córsega?

Refrescante, o toque inicial se deve ao acorde frutal, porém no decorrer da evolução especiarado cálido sugere cravo-da-índia ao fundo, resinas e madeiras, provocando na memória o odor de cistus, benjoim e mirra, imbuídos de acentos terrosos, florais e enfumaçados alternados com a doçura do mel sobre as cascas de frutas cítricas maduras.
Entretanto esta sinfonia olfativa é suave, acompanhamento secundário para a música principal, cujos acordes clamam baunilha.
Flores ressaltam a beleza destas favas dulcíssimas enquanto no drydown percebemos laços que o unem ao antecessor Lolita, na mesma qualidade amendoada, embora aqui o picante de anis esteja substituído pela nota floral pungente e resinosa.
Durante o amadurecimento do eau de parfum percebemos a transição deste vibrante e envolvente aroma para a potência doce da baunilha lembrando o sutil encantamento de pâtisseries, onde aflui para o ambiente aroma das massas doces, tortas ainda quentes de nozes, castanhas e amêndoas, acompanhadas pelos quentes cappuccini.

L de Lolita não é descendência jovial de Lolita, o que a torna mais adulta que a  fragrância antecessora,  apesar de ambas serem contemporâneas na medida pretendida.
Existe deliciosa transgressão embutida no equilíbrio das notas sedutoras, embora destituídas da densidade que envolve alguns orientais clássicos.
Consegue sensualidade calorosa sem perder a leveza.
Enquanto Lolita acaricia, L de Lolita instiga; dois mergulhos na baunilha.


Linha Olfativa: Oriental baunilha, 2006
Gênero: Feminino
Perfumista: Maurice Roussel
Rastro: Intenso
Fixação: Muito Boa
Frasco: Sylvie de France
Pirâmide Olfativa:
  • Topo - Laranja amarga, canela
  • Coração : imortelle ( sempre-viva) da Corsega, baunilha
  • Base - Madeiras , notas solares , almíscar .

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VÍDEO: Lolita Lempicka - L


Fotos: Banners publicitários de Lolita Lempicka

sexta-feira, outubro 15, 2010

EFJ Eyjafjallajökull na Vitrine - 2010

EFJ EYJAFJALLAJÖKULL

O cenário fashion mundial será palco do lançamento de uma fragrância cujo conceito é pelo menos original.
Sigrun Lilja Gudjónsdóttir transformou a força abstrata liberada pelo vulcão islandês Eyjafjallajökull em matéria prima perfumada.
Responsável pela interrupção do tráfego na região do hemisfério Norte, onde está situada a Islândia, este vulcão entrou em erupção em março de 2010, após um período de adormecimento de quase dois séculos, provocando o cancelamento de vôos na Inglaterra, Irlanda e países nórdicos - Dinamarca, Suécia e Finlândia; causando transtornos na Holanda, Bélgica, Espanha e Suíça.
Além das cinzas expelidas em enormes massas ocorreu derretimento parcial da geleira Eyjafjallajökull, e consequentes inundações nas regiões próximas.
Islândia, ilha abalada com erupções constantes, está situada na região vulcânica ativa da Dorsal Média Atlântica; com mais de 100 vulcões, alguns ativos mesmo abaixo das calotas de gelo.
Estas forças impressionantes, liberadas na erupção, estão contidas conceitual e fisicamente no perfume, elaborado em Grasse, na fórmula que prevê o uso de água vulcânica do Eyjafjallajökull.
As informações obtidas até este momento dizem que o aroma será muito fresco representando a exposição do lado belo e majestoso da geleira.
O projeto de designer do frasco de EFJ Eyjafjallajökull inclui como adorno um fragmento quadrado de lava.
Tal fragrância será lançada na Islândia e no resto do mundo em novembro deste ano.








quinta-feira, outubro 14, 2010

Eucris eau de toilette - Geo F. Trumper

Eucris, what is this?
Termo sonoro, incisivo, nome de gente, coisas, ou  gritos e lamentos...obscuro.
Adequado para a fragrância de Geo. F. Trumper que apresenta o aroma das madeiras quentes, guardando o calor do sol, invadindo a noite escura e soturna, absorvendo mistérios e trocando seu aroma cálido pelo frescor úmido das madrugadas.
Fragrância a transpirar e evocar a argúcia das histórias de Sherlock desvendando enigmas, como os misteriosos ataques em The Hound of The Baskervilles, porém imprimindo ritmo contemporâneo, e a aproximando de Hugh Laurie, intérprete do médico investigador na série americana House MD.Descritos como magros, vigorosos, penetrantes olhos claros, e complementaria ... personalidades marcantes além de sedutoras.
Holmes, House e Eucris.

Após o calor inicial, que revela calor animalic e temperado de coentro, anisado picante de cominho romano, derramados sobre madeiras nobres, cortes de cedro e pinheiros recém abatidos, a cologne perde aparente languidez e adquire vigor floral; logo soterrado pelas camadas de almíscar e profuso musgo.
Masculinidade pulsante se instala, elegante e clássica.
Doce nos resquícios do bouquet indecifrável e ligeiramente terroso, adornado de almíscar e um pouco de âmbar, leve e discreto.

Verde, respeitável e seguro de si no toque úmido e denso do musgo de carvalho, vetiver e cedro, madeiras onde demonstra seu espírito.
Notas vigorosas, devidamente camufladas pela gentileza e aparente docilidade do sândalo, convencionais ao acenar masculinidade e requinte dos antigos fougeres.
Inegavelmente inglês... na astúcia refinada de Sherlock, na irreverência racional de House, cuja imagem austera e rica é induzida pelo frasco vintage, de belo vidro escuro brilhante e impenetrável, adornado por guirlandas desenhadas em traços brancos; pequenas folhas e flores que lembram coroas de louros, entre tênues nuvens de incenso.
Sólido, como os belos conjuntos de artefatos para barbearia cujo designer atravessa o tempo em sofisticada resistência.

Família Olfativa: Floral amadeirado almiscarado. 1912
Gênero: Masculino
Designer: Geo. F. Trumper
Rastro: Intenso à moderado
Fixação: Muito boa
Pirâmide Olfativa:
  • Topo - Groselha, cominho romano, coentro
  • Coração - Lírio do vale ( lírio selvagem ), jasmin
  • Base - Madeira de sândalo, musgo de carvalho,almíscar

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Arte Irmã:  Acompanharia  blue eyes de House e da música...

VÍDEO: Behind Blue Eyes - The Who ( House MD)


Fotos: Banner de The Hound of the baskersvilles; Hugh Laurie; frasco de Eucris e conjunto Black Square Handled Badger Shaving brush and Razor Set de Geo Trumper.


sexta-feira, outubro 08, 2010

Fleur du Malle - Jean Paul Gaultier


Percebi Fleur du Male em fevereiro de 2009 com intimidade que me pareceu suficiente para expressar uma opinião.
Quase que simultâneamente recebi a percepção de Aretê, nosso criativo e irreverente crítico.
Ficou difícil não relatar. Assim vai ao, lado da visão feminina, a palavra de Aretê.
Fleur du Male "again".


FLEUR DU MALE

- Diretor!!! A Lavanda torceu a perna! O que faremos com a apresentação de Le Male?
- Coloca a Neroli no papel principal e a Lavanda de gesso e tudo no fundo, fazendo o papel da velha caquética, coisa que todos ao sul de Milão já sabem que ela é.

A Neroli ao saber do fato pirou!
Botou maquiagem pesada, num modelão, e chegou chegando, gritando as falas.
A princípio acharam aquilo um horror, mas tanto Neroli bateu o pé, mexeu os braços, revirou os olhos...tanto acreditou no seu exagero, tamanha foi sua fé cênica que o público ficou em dúvida.
Os críticos titubearam, o diretor hesitou e eu parei e cocei a cabeça.
Fleur du Male é um perfume muito ousado, pois as nuvens florais do tal neroli-das-laranjas envolvem o conhecido elenco Jean Paul masculino, de tal qualidade que de vez em quando se vêem homens, que colocam uma saia num desfile de moda sem perder um cisco de masculinidade.
Por outro lado, esta nova orquestração da conhecida melodia parece que a deixou mais pesadona e enjoada, porém nunca medíocre.
Preciso testar mais e mais vezes, pois imaginei que em relação ao tradicional seria como se na mesma peça, com o mesmo elenco, Fernanda Montenegro e Marília Pera se alternassem no papel principal.
O equilíbrio geral muda.

Pode ser que daqui à um tempo eu volte, dizendo que este perfume é uma droga! Entretanto, não direi que não é brilhante, animado e alegre.
Realmente um novo abuso da grife Jean Paul Gaultier.

Contribuição de Aretê - Bonum diffusivum sui

Arte irmã: A interpretação malandra da malandragem...


VÍDEO:
TANGO DO COVIL da OPERA DO MALANDRO - 1985 - Músicas de Chico Buarque de Hollanda.Interpretação de Claudia Ohana e Edson Celulari

Fotos: Macbeth- Armand Sindoni, Mike Way, Niki Jacobsen and Courtney Pauroso as Ensemble and Irina Tsikurishvili as Lady Macbeth por Photo: Raymond Gniewek; Máscaras deteatro Clássico de Theatre Gift Vouchers.UK





quarta-feira, outubro 06, 2010

Jacomo for Her - Jacomo

Desconcertada, resume minha atual impressão frente ao delicioso Jacomo Her, pois guardava a vaga sensação de fragrância a se revelar através de sillage imponente e codimentada.
Um impressivo chypre, que seduzia pelo aroma marcante, na nebulosa recordação de alguma experiência ocorrida há muito tempo atrás.
Surpreendeu-me com sensualidade animalic semelhante a vivenciada em Narciso Rodriguez, em menor escala com Boudoir de Vivienne Westwood.
Contudo a semelhança acaba nesta característica levando à especular, que se o ponto crucial de Narciso for Her é a qualidade do almíscar, aqui se dá o mesmo.
Breves instantes iniciais anunciaram que poderia seguir o caminho de elegantes e sedutores orientais amadeirados, como faz lindamente Le Baiser du Dragon de Cartier.
Impressão efêmera que logo sucumbiu sob o impactante e íntimo aroma de corpo, beirando a devassidão, que nos envolve em aura nebulosa e revela composição inusitada.
Jacomo for Her alcança os sentidos de forma insidiosa, através da pele, não somente na superfície, embriagando em notas amendoadas e acariciantes, sugerindo nuvens de noz moscada e cremosas avelãs.
Bouquet adocicado soft e picante, representado pelo aroma de crataegus ou espinheiro branco e ylang ylang, se veste de âmbar, almíscar, favas de baunilha e feijão tonka... suaves lácteas amanteigadas, induzindo à sensação de tecidos macios deslizando sobre a pele estimulada.

Embebidas nesta onda voluptuosa preciosas especiaria diluem suas características, entregues ao lânguido compasso que rege toda performance.
Não transmite calor, no sentido explícito, como algumas notas apimentadas o fazem, entretanto provoca uma sensação de entorpecimento, cálido e agradável, insinuante e sedutor.
A evolução da fragrância se sustenta neste aroma íntimo, de couro ou pele almiscarada, tão envolvente quanto delicado, que poderia resvalar pelo vulgar se não estivesse revestido da sofisticação de madeiras elegantes e docemente ambaradas como da amendoeira.
Irresistível definiria Jacomo for Her.
Refinado, insistente e prolongado apelo, impossível de ser ignorado.
Pregou-me uma peça esta memória humana e falha.Julgava ter conhecido Jacomo no passado, registrando uma lembrança indefinida e agradável., que não apresenta coerência com a impressão provocativa que este acorde animalic e delicadamente intenso produz .

 
Família Olfativa: Oriental amadeirado, 2005
Gênero: Feminino
Perfumista:Marie-Aude Couture-Bluche
Rastro: Intenso a Moderado
Fixação: Ótima
Pirâmide Olfativa:
  • Topo - Bergamota, jacinto verde, lírio selvagem ou lírio d'água
  • Coração -Espinheiro branco ( cartaegus), ylang-ylang.jasmim-do-imperador, rosa
  • Base - Âmbar, sândalo, cedro, patchuli, vetiver, feijão tonka

VÍDEO: She Wolf - Shakira


Fotos: Publicidade Jacomo; Embrace de Jia Liu; Montagem com frasco Jacomo e fragmentos de imagens - domínio público /Wikipedia

Ares de Shiraz - Natura

Não estabeleço conexão concreta entre Shiraz e o flanker Ares de Shiraz.
Pontos em comum provavelmente existem. Algo dos cítricos na entrada, doçura de baunilha, flores...
Semelhantes à dezenas de outras combinações, quando a mesma receita é capaz de produzir inúmeros sabores dependendo da ordem, preparo e sequência dos ingredientes.
Contudo o calor denso e sensual de Shiraz se manifesta de forma muito distante da límpidez revigorante de Ares de Shiraz, que me seduz no apelo das chuvas de verão, tardes quentes acariciadas pela brisa fresca após o banhar de águas.
Sensação forte e muito agradável de "deja vu", de estar com um velho e apreciado amigo, encantador, estimulante verde e floral!
Cítricos sobressaem nesta fragrância oscilando entre o verde picante da casca de limão, adocicado discreto da lima e a exuberância de grapefruit, compondo dueto com verdejante floral das folhas de violeta.
Constantemente acompanhados e complementados pelo bouquet de acentos frescos de lírios e singular aroma de rosa chá, em floral natural e fresco, somando leve amadeirado de folhas secas.

Lentamente este acorde frutal picante é renovado pela acidez de madeiras e patchuli que mantém a chama do ardor especiado, e cortante transparência de cristal.
Neste grupo de notas olfativas está presente adocicada madeira de sândalo ressaltando baunilha e sedoso almíscar.
Avivou a recordação, embora mais doce e menos afiada nos acentos verdes, de outra fragrância que também combina perfeitamente com tardes amenas, ou com a limpidez do ar úmido após chuvas tropicais: Lily Chic by Escada (2000).
Comentário lido estabelece semelhança com Envy Me 2 by Gucci (2006).
Bonita composição reorquestrada pela Natura, na companhia do cálido Shiraz e da elegância floral de Intuição formando a tríade Clásssicos da Natura.

Família Olfativa: Floral Frutal, 1997 (2009)
Gênero: Feminino
Rastro: Marcante
Fixação: Muito Boa
Pirâmide Olfativa:
  • Topo - Bergamota, folhas de violeta
  • Coração - Rosa chá do Marrocos, lima, lírio d'água, lírio do campo, pera, pêssego
  • Base - Patchuli, madeira de sândalo, almíscar
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VÍDEO: Raindrops Keep Falling on My head- B. J. Thomas


Nota da Autora: Esta resenha foi posível graças a gentileza de Bruna e Daiane da Lavanderia Crystal ( ponto de revenda Natura), em frente ao Hospital São Lucas - Cabral- Curitiba.
Estas garotas, que também revendem Natura, ofertaram inúmeros flaconetes da perfumaria mostrando que são o real "Departamento de Marketing" da empresa.
Parabéns à todas que como elas são gentis e bem posicionadas revendedoras Natura!