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quinta-feira, setembro 23, 2010

Magie Noire eau de parfum by Lancome

A natureza humana é estranha, ou a minha é, admitindo que as vezes a paixão me enfada.
Para ser justa ou mais clara, o que traz esta sensação imprecisa de desagrado momentâneo é o objeto da paixão.
Um entre muitos: Perfume.
Também da arte que o envolve, dos labirintos de aromas, cores e formas que repentinamente se tornam mornos e cinzas, tocando seu ritmo numa única e enfadonha nota.
Invariavelmente algo revolve as folhas secas acumuladas provocando um turbilhão de ar renovado e fresco, apesar de levantar poeiras e musgos espalhados pelos cantos, produzindo divagações...
Estava presa neste limbo aromático, a procura de algo novo, mesmo que antigo, e resolvi garimpar minha coleção de flacons e decants, a esmo, atendendo meu lado ligeiramente místico, que ouve sussurros do destino.

Magie Noire, amostra minúscula, de um só mililitro, a ser degustada com atenção, parcimoniosamente.
Qual o que... após a primeira gota derramei várias, mais e mais, até exaurir o conteúdo.
Atraente e intrigante.
Repulsivo e adorável assim tão quente, rico e complexo golpeando o olfato com intensidade surda.
Isento da delicadeza açucarada das baunilhas almiscaradas impacta com a sensualidade feminil do mistério, do lado obscuro da noite.
Antigo, evoca meia luz, som de saxofones, cetim, salto agulha e meias com risca atrás. As maravilhosas meias que necessitavam de maestria para ficarem perfeitamente alinhadas em pernas longilíneas. Que constituiam fetiche, verdadeiro elemento de sedução, complemento perfeito para o ondular de quadris vestidos com saia lápis ou esvoaçantes plissados godet.

Ah como admirei e cobicei... apesar de não conseguir usar, pois meu momento de pernas torneadas acompanhou sua transformação de acessório fashion para vintage.
Seriam complemento perfeito para Magie Noire e seu aroma velado de sexy nylon preto!
Percebemos o poder de sedução animalic na abertura, quando mel e cítrico penetram pelas narinas, imediatamente seguidos pelas especiarias salientando coentro, cominho, e alguma pimenta a temperar ládano.
Abaixo destas camadas acres e picantes está a cassia, lembrando delicadamente o suave polvilhar de canela.

Civeta em seu aroma quente de couro e corpo entremeia tal acorde constantemente, contudo permite sentir o acento floral, principalmente o intenso aroma de rosa da Bulgária; simplesmente avassalador, ornado de âmbar, cercado por flores igualmente doces como ylang ylang e aveludada íris.
Atordoam meus sentidos de tal forma que deste bouquet mais não percebo, somente a combinação encantadora que faz desejar aspiração profunda.
Couro resinoso e macio encobre a base de madeiras, incenso e musgo, notas longínquas na sillage prolongada, pois o que prende minha atenção é o delicioso, sensual e requintado dueto de rosa e âmbar.

Fragrância difícil de ser compreendida e usada.
Parece apropriada para ocasiões formais, acompanhando luxuriosa produção, talvez na intimidade ao lado de sofisticado negligee acetinado, ou em outras épocas atravessando janelas abertas para o tempo.
Definitivamente Magie Noire não é para a predileção atual de aromas frutados e ozônicos, pedindo reverência para sua qualidade de floral oriental cálido gótico e sofisticado.
Tampouco se relaciona com inocência e candura, encerrando a malícia glamurosa das mulheres maduras.
As opiniões sobre este perfume divergem de tal forma que posso imaginar uma variabilidade de expressão de acordo com a química individual.
Magie Noire parece ser um perfume que nasce na cútis e esta aparição tanto encanta quanto devasta.


Família Olfativa
: Oriental Floral, 1978 ( reformulado em 2007)
Gênero: Feminino ( compartilhável)
Perfumista: Gerard Goupy
Frasco:Original de Pierre Dinand
Rastro: Intenso
Fixação: Ótima

Pirâmide Olfativa: 1978
  • Topo - Rosa, gálbano
  • Coração - Erva-de-São João (hipérico), ylang-ylang, mirra, frankincense( incenso)
  • Base - Patchuli, ládano, cedro, madeira de sândalo, líquen ,âmbar.

Pirâmide Olfativa:2007
  • Topo - Groselha negra, cassia, framboesa, gálbano, jacinto, bergamota, rosa búlgara
  • Coração - Mel, angelica, raiz de íris,jasmim,ylang ylang,lírio do vale, cedro, narciso
  • Base - Pimentas, madeira de sândalo,âmbar, patchuli, almíscar, civeta,vetiver, musgo de carvalho.
Amostra: Eau de parfum

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Fotos: publicidade Magie Noir by Lancome; Composição de Elisabeth C com stocking nylon, Magie Noir, corset lace e Bulgarian rose de Sara Fave's Photos;pin up de bizarre magazine

5 comentários:

  1. Ei, Beth. Estou curioso com Magie Noire. Aprecio a família Chypre e fragrâncias orientais e incensadas. Tenho e gosto de Cabochard, Cabotine, Lapidus e Kouros, estes últimos incensados. Magie se aproxima de alguns destes? O que acha? Bjos e parabéns pela ótima resenha, como sempre.

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  2. Olá amigo. Eu diria que ele guarda alguma coisa do acorde incensado de Kouros, sem os excessos. Guarda características dos orientais densos, quentes, cremosos ricos em especiarias e facetas sombrias... Creio que existe alguma proximidade com o estilo de Nu by YSL. Também com Knowing de Estee Lauder e Clinique Aromatics. Notas esparsas de cada um.
    Li comentários associando com Red de G.Beverly Hills, Niki de Saint Phalle, Perle Noire de Avon, La Perla.
    Uma crítica atribui características mais verdes (ou chypre) ao "eau de toilette", mas só avaliei "eau de parfum". Beijocas de Elisabeth

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  3. Oi Beth! Fui eu quem lhe escreveu em 18 de maio de 2012.
    Em viagem ao Chile em Janeiro deste ano, garimpando novidades - e curiosidades - sobre perfumes numa enorme loja de departamentos em Santiago, fui à sessão da Lancôme. Entre os já conhecidos e famosos da marca, enxerguei num cantinho da prateleira, quase escondida e talvez até esquecida, uma caixinha de Magie Noire de 50ml, eau de toilette. Ansioso devido à curiosidade e o desejo reprimido em meses, me apressei em "portunhol" à vendedora, que me deixou experimentar, após ter dificuldade para pegar a caixa, devido o tanto que estava "escondida". Magie Noire se apresentou com forte déjà vu e até um certo lugar comum com "fragrâncias chypre-couro anos 70-80", como por exemplo, Cabochard. Sei que é feminino, mas me lembrou muito Van Cleef and Arpels Pour Homme, que possuo, e que faz essa mesma linha, com exceção do teor floral do Lancôme. O drydown na pele horas depois me remeteu a um cheiro saponáceo agreste que não me agradou...(espero não ter experimentado perfume oxidado). A questão é que foi um namoro desfeito no primeiro encontro, rs... Além de ter experimentado o eau de toilette, li várias vezes que foi reformulado e mudou para pior, e talvez tenha perdido a magia do que o que você conheceu, infelizmente.
    Abs e parabéns pela resenha.

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  4. Oi Ubiratan. Que coisa deliciosa achar um perfume assim. Provavelmente bem antigo e se estava aberto deve ter oxidado um pouquinho. No começo o aroma permanece quase fiel e podemos ter uma idéia do que era.
    Então... só tenho visto na rede frascos de eau de toilette, entretanto minha amostrinha deveria ser eau de parfum, pois foi o que registrei na resenha. Muitos tem diferença nos aromas. Lembro de aroma complexo, intrigante. Alguns comentários lidos comparam com o La perla parfum que é chypre também, e delicioso. Outros com Perle Noir do Avon. Este não conheço, e fiquei curiosa. O La Perla sinto como chypre quente, profundo e adocicado.Quase todos chypres datados tem algumas características em comum. Inevitável.
    Estou registrando as semelhanças apontadas para de tempos em tempos reescrever as resenhas dos parecidos. Obrigada. Beijocas de Elisabeth.

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