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sábado, julho 24, 2010

Rose - Les Fleurs Molinard

Muito abaixo do Equador, ao sul do Brasil brumas gélidas e cinzentas afastam da memória as lembranças de sol tropical.
Contornos azulados das montanhas da Serra do Mar agora parecem indistintos enquanto a bela cidade se perde dentro das nuvens úmidas e invernais, à 945 metros acima do Oceano Atlântico.
Que saudades da colorida e perfumada primavera que tinge a Natureza em tecnicolor e flores!
Exuberantes ou delicados, os aromas florais nos proporcionam cálida impressão da renovação do ciclo da vida, do ressurgimento de sol e luz.
Na tradicional casa Molinard uma coleção floral apresenta bouquet constituidos das mais admiráveis flores na perfumaria:
  • Fleur de Figuier
  • Jasmin
  • Lavande
  • Mimosa
  • Muguet
  • Rose
  • Violette
ROSE

Soliflore marcante, Rose de Molinard foi criado em 1900. Descontinuado voltou para o público em 1960 para novamente nos escapar, reaparecendo modernizado em 1994 com o maravilhoso aroma da Tea Rose ( rosa chá ), que integra ao lado de China Roses, Moss Roses, Damask Roses e Bourbon Roses, entre outras, o admirável grupo de Old Roses ou Rosas antigas, as preferidas nos jardins.
Geralmente brancas ou em suave pastel estas flores se distinguem das modernas híbridas pelo perfume intenso e inebriante.
Em Rose de Molinard encontramos contexto fiel do princípio ao fim, embora a rosa venha embalada em discretíssimas nuances que vislumbramos fugazmente durante a evolução.
Dominante, ao encontrar a pele, abre suas pétalas de forma tão nítida, que aos não conhecedores da sua fragrância proporciona experiência inestimável, digna de gravar na memória como referência.
Durante a evolução percebemos ao fundo leve e agradável aroma de folhas secas, que evocam chávenas de chá ao final da tarde, adoçadas com mais intensidade a medida que diminui a força do exuberante acorde inicial.
Constantemente floral e envolvido por camadas delicadas de almíscar e sândalo, talvez esteja embasada pelos picantes cravos indicados na pirâmide olfativa; entretanto este acento não é perceptivel de forma isolada, visto que a primazia pertence à majestosa, belíssima e dominante rosa chá, com exceção dos últimos suspiros, no drydown, que adquirem caracteristica amadeirada.
Molinard conseguiu expressar a íntima luminosidade desta sedutora flor, que na romântica linguagem dos poetas é sinônimo de amor e delicadeza.
Belo e recomendável soliflore, embalado num elegante frasco vintage, reprodução de antigas garrafas de 1920 encontradas num sotão da maison Molinard.

Família Olfativa: Floral, 1960
Gênero: Feminino
Rastro: Intenso
Fixação: Ótima
Pirâmide Olfativa:
  • Topo - Rosa chá
  • Coração - Rosa, cravo
  • Base - Acorde amadeirado
Arte Irmã: Tantas e tantas rosas... na música e na literatura!
VÍDEO: Chovendo na Roseira de Tom Jobim- Raining in the Rosebush


Anúncio da Rosa - Carlos Drummond de Andrade

" Imenso trabalho nos custa a flor.
Por menos de oito contos vendê-la ? Nunca.
Primavera não há mais doce , rosa tão meiga
onde abrirá? Não, cavalheiros, sede permeáveis.

Uma só pétala resume auroras e pontilhismos,
sugere estâncias, diz que te amam, beijai a rosa,
ela é sete flores, qual mais fragrante, todas exóticas,
todas históricas, todas catárticas, todas patéticas.

Vede o caule,
traço indeciso.

Autor da rosa, não me revelo, sou eu, quem sou?
Deus me ajudara, mas ele é neutro, e mesmo duvido
que em outro mundo alguém se curve, filtre a paisagem,
pense uma rosa na pura essência no amplo vazio..."

Imagens: Brasil in the Winter - Barigui Park - Mauricio Mercer; Composição de frasco Rose Molinard e Rose The Noisette - Madame Alfred Currite

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