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quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Le Baiser eau de parfum - Lalique

Robert Doisneau transformou-se em fotógrafo de guerra, quando ainda treinava suas habilidades artísticas em anúncios farmacêuticos.
Soldado ativo e envolvido na batalha, fotografou documentos, forjou papéis, imortalizou a ocupação e a resistência francesa durante a Segunda Grande Guerra (1939 - 1945).
Personalidade como Picasso e outros artistas famosos estiveram sob suas lentes.
Contudo tornou-se célebre ao fotografar o amor no pós- guerra, em 1950, mostrando ao mundo a nova ordem social na liberalidade descontraída dos enamorados.
Novos tempos para aqueles que que viram horrores, e agora participavam do florescimento da França livre, experimentavam o prazer de sair ao sol tímido de inverno, caminhar despreocupadamente, trabalhar e amar.
Retratava o cotidiano da vida para a revista LIFE, quando realizou o ensaio fotográfico que viria à bater recordes de tiragem, protagonizado pelo casal de estudantes de arte.
Le Baiser de l'hôtel de ville, elegante em noir et blanc, vibrante no beijo apaixonado, atemporal na representação do amor, tornou-se um ícone da bela Paris.
Romântico e delicado, o frasco de Le Baiser também parece encerrar uma história de amor, e se fosse possível à foto famosa exalar uma fragrância poderíamos sentir as flores do perfume Lalique.

Aroma momentaneamente aldeídico, quase sintético desperta os sentidos no início, que foge a regra habitual da evidência cítrica.
Groselha delicada e açucarada é percebida imediatamente antes de submergir entre flores e amadeirado verde.
Neste instante de enriquecimento, do âmago da fragrância, sentimos o especiarado resinoso de pimentas quase verdes aliadas à ligeiro patchuli, na sua qualidade condimentada e herbal.
Flores formam um bouquet vigoroso, ramalhete farto que inebria no recém desabrochar.
Le Baiser Lalique inicia ingênuo e alegre nos acentos que antecedem uma explosão doce e atrevida de flores docemente apimentadas e amadeiradas.
Percebe-se quase indistintamente a soberania da rosa, o acento exótico de jasmim e gardênia.
Nesta fase floral abandona a inocência juvenil para se afirmar em petulante e maliciosa vivacidade.
Após a impetuosidade sentida nas notas de coração, os acordes se encaminham para o fundo suave, esmaecido, cuja doçura se transforma em delicadeza de frutas e flores, almiscaradas e ambaradas.
Convidativo, chama para perto de si, pois a sillage não é acintosa, apesar dos acentos densos rente a pele. Guarda mistérios. Reflete a disposição dos que tem pressa para viver, de usufruírem dos prazeres descompromissados, mas ainda temem se revelar completamente.

Doçura intensa não impede a característica refrescante dos acentos verdes; porém, apesar do início cintilante e confeitado, as notas que surgem no avançar dos minutos adequam seu uso para o vespertino, quando a Natureza se agita antecipando a noite.
Classificado como floral frutal, poderia ser complementado com o termo aldeídico, pois a intensidade quase pungente do aroma revela uma característica inerente às moléculas concebidas em laboratório, sublinhando acentos naturais.
Fugaz para minha cútis, este romântico floral frutal evoluiu, quase que totalmente, em período de tempo que não ultrapassou quatro horas.


Família Olfativa: Floral Frutal, 1999
Gênero:Feminino
Perfumista:Laurent Bruyere
Frasco: Marie-Claude Lalique
Rastro: Moderado
Fixação: Regular
Pirâmide Olfativa:
  • Topo - Gardênia, violeta, groselha
  • Coração - Rosa, jasmim, pimentas
  • Base - Madeira de sândalo, almíscar, âmbar, cedro


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Reflexão
" A lei da guerra é a lei da força. A lei da força é a lei da insídia, a lei do assalto, a lei da pilhagem, a lei da bestialidade.
Lei que nega a noção de todas as leis, lei da inconsciência que autoriza a perfídia, consagra a brutalidade, agaloa a insolência, eterniza o ódio, premia o roubo, coroa a matança, organiza a devastação, semeia a barbárie, assenta o direito, a sociedade, o Estado no princípio da opressão, da onipotência do mal. "Rui Barbosa


Arte irmã : Pour Un Flirt de Michel Delpech 


Imagens: Colagem de frasco Lalique sobre poster Robert Dosneau - Elisabeth Casagrande;Foto de frascos  Le Baiser Lalique edp - Elisabeth Casagrande; Frasco Lalique vintage.

6 comentários:

  1. nossa, o frasco é realmente lindo! obrigada pelas informações sobre Doisneau.

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  2. Oi Paty. O frasco realmente é um mimo, porém o perfume me agradaria muito mais se não fosse a nota de groselha. Parece muito com aromatizantes de balinha. A concentração mais alta destas frutinhas vermelhas me incomoda.Beijocas de Elisabeth

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  3. Oi Betty! Vc leu meu pensamento...todos os dias qdo via o lindo frasco Lalique no topo do seu blog eu pensava: vou pedir à Betty uma resenha...Mas fiquei envergonhada, pois sei q vc deve ter um monte delas na fila. Adorei a resenha e sou apaixonada pelos frascos Lalique. Bjus ;D

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  4. Oi Lu. Lindo não é. Deu até pena de tirar, mas está tão quente, tão quente que foi necessário colocar um layout mais "fresquinho".
    breve farei o Nilang que é superior em qualidade olfativa embora o frasco seja mais tradicional. Os perfumes Lalique tem ótima qualidade. A "signature" da marca é uma certa leveza e jovialidade, quase infantil que vai amadurecndo enquanto o perfume evolui. Se vc é fã dos docinhos gostará de Nilang.Beijocas

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  5. estou sem palavras!!

    de facto os frascos são lindos, uma obra prima... queria tanto um frasco destes:)

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  6. Oi Angelina. O normal de venda é lindo mas eu queria mesmo este dourado da foto com fundo verde. Os frascos de cristal Lalique são maravilhosos. Só tem concorrência à altura nos da Baccarat que no começo do século fez frascos de perfumes para várias grifes.beijocas. Elisabeth

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