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segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Balmain by Balmain - edt

A Busca
Fiquei órfã do meu parfum signature, Mystere by Rochas, em meados de 1997 quando percebi que não conseguiria encontrar um único frasco nas perfumarias da cidade onde moro.
Ainda tentei o recurso de encomendar através da fronteira Brasil-Argentina, na cidade de Foz do Iguaçu, de onde recebi uma única caixa, empoeirada e amassada.
Não sabia, mas era a última que minha "sacoleira" conseguiria, e naquela época não me habilitava aos segredos do computer para comprar em lojas internacionais.
Voltei-me para Animale e Dune, algumas vezes Crazy, perfumes impressivos, atordoantes e personalíssimos.

Contudo, prossegui buscando fragrâncias paralelas ao descontinuado Rochas.
Acordes semelhantes existem, com exceção de um, presente da abertura ao drydown, provavelmente seu indecifrável segredo.
Recordo uma viagem às indústrias químicas do circuito Rio São Paulo, especialmente à Givaudan, que na época tinha um acervo maravilhoso, cuja sala era repleta de estantes contendo os mais variados frascos.
Um solícito químico orientava o grupo de estudantes discorrendo sobre as propriedades dos perfumes, suas características e componentes.
Interessada, curiosa assim que vi "meu Mystere" perguntei pela composição.
Consegui um constrangido: - Aaaah ... este é muito complexo.
Obstinada ainda busco. O segredo de Mystere eau de parfum e similares.
De coment a coment cheguei ao masculino Balman que se revelou à quilômetros do perfume Rochas.
Tentei Balmain by Balmain e senti semelhanças que revelam características ligeiramente diferentes quando embebem papel e pele, e resultam em oscilações olfatórias a cada vez que experimento.

Sensação Olfativa
No primeiro contato senti o chypre verde, intenso, especiarado cuja força no acento animalic de couro e madeiras chega bem próximo à Mystere.
Analisando com mais vagar, vislumbrei nuances de Animale e St. Dupont Femme.
Estabelecida a confusão olfativa recorri a gotas da preciosa amostra que ainda me resta, de um Mystere das últimas gerações, ligeiramente diferente do original, cedida por querida e generosa amiga.
Não saberia dizer se é eau de toilette, ou uma reedição atenuada, porém o perfume desta fração Rochas, embora mantenha sua essência, perdeu vários quesitos, inclusive a fixação que costumava ser fantástica.
E lá estavam duas fragrâncias sobre a pele, em lados distintos do corpo.
Mystere na pungência resinosa e sensual que impressiona à primeira vista e Balmain na dualidade antagônica de frio e calor. Calda quente sobre sorvete.
Acento cítrico oriundo de frutas ácidas e gálbano, predomina por breve espaço de tempo, sendo invadido pela ardência especiarada e quente das pimentas, condimentos, sementes e madeiras.

As notas seguintes desenvolvem um poutpourri cálido onde flores mesclam ao incenso e couro pungente, animal e forte .
Diifere da pelica macia, tratada e aromática, própria dos artefatos e acessórios de luxo, percebida em Mystere. Esta carrega junto gum resins e styrax em combinação exótica que exala toda intensa feminilidade das notas classicamente tidas como másculas.
Neste momento da evolução de ambos sentimos a breve companhia do masculino Kouros - YSL, revelando mais afinidades com o andrógino Balmain.
Início clássico e chypre, abrindo espaço amplo para notas verdes e ligeiramente terrosas recebendo reforço das emanações balsâmicas de patchuli, vetiver e musgo.

Avança adocicando, arredondado, polindo arestas, perdendo gradativamente a força do gálbano, transfigurando o acento herbáceo para densidade sensual e sofisticada.
Pimentas persistem enquanto os acordes finais se enovelam em almíscar e baunilhas, macios, acariciantes, cercados pelas madeiras lisas e sedosas.
Ainda guarda uma semelhança com Mystere, mas gradativamente se identifica mais com o drydown de Animale.
Névoa de incenso envolve estas combinações emaranhadas de couro, resinas, madeiras, e condimentos, sufocando as flores que não afirmam identidade, entretanto deixam sua presença registrada em do çurasofisticada.

Riqueza de elementos e intrincada combinação me parecem a tônica desta composição clássica e intensa que faz jus à qualidade da maison Balmain.
Ajusta-se aos ambientes urbanos e formais, à requintada e sensualíssima elegância das estações frias.


Ficha Técnica
Família Olfativa:Chypre floral, 1998
Gênero: Feminino (compartilhável)
Perfumista: Antoine Maisondieu
Frasco: Xavier Rousseau ( reedição do design de Pierre Balmain)
Rastro: Intenso
Fixação: Ótima
Pirâmide Olfativa:
  • Topo: Bergamota, gálbano, pimentas, broto de groselha negra.
  • Coração: Jasmim, rosa , íris, violeta.
  • Base: Patchuli, oakmoss, madeira de sândalo, vetiver.

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Arte Irmã
Vídeo: Enya - Listen to the Rain


Imagens: Frasco de Balmain by Pierre Balmain por Elisabeth Casagrande; garrafas antigas sobre renda.

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