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quinta-feira, janeiro 28, 2010

Escale A Portofino - Cruise Collection Dior

Uma profusão de cítricos encantadores em procissão que exibe
notas agudas, verdes, amarelas e brancas.
Quando Escale à Portofino eau de toilette toca a pele, abraçamos exuberantes galhos de plantas cítricas, amassando folhas, roçando cascas, afundando o nariz na doçura floral.
Esta sensação de fresco, de pele limpa em contato com Natureza exuberante e colorida, persiste por algum tempo, pois o aroma petit grain do início é amparado pelos acentos picantes de resinas obtidas do gálbano, zimbro e cedro.
Notas ricas e dinâmicas encerradas no acorde cítrico alternam a intensidade fresca de folhas de laranjeiras e limoeiros, com a pungência vivaz do óleo das cascas de frutos maduros.
Todavia o aromático esconde surpresas entre a folhagem viçosa e natural.
O doce algodoado das pétalas, que estava submerso entre a densidade de frutas e folhas, recebe a calma suavidade das amêndoas.
Mutação inesperada da quase pungência inicial para um melífluo macio.
Enquanto o início lembra uma revigorante manhã de verão, entre o ruidoso burburinho de um mercado a beira do Mediterrâneo, a fase seguinte rende-se ao espreguiçar do começo de tarde.
Conforto e feminilidade embalam estes momentos, onde o aroma cítrico, transparente e puro encontra a densa amêndoa assumindo característica especiarada e cálida.
Muito se comenta das belezas do Mediterrâneo e de suas praias, que encontra alguma similaridade no litoral das Américas
Provavelmente aqui o abraço da Natureza é menos caloroso, água e ar resfriados pelo vento sul.

Entretanto o sol também aquece e presumo semelhança na vivacidade que embriaga, quando percorremos um mercado de frutas à céu aberto, sentindo o perfumado convite que exalam.
Intenso e luminoso como um dia de veraneio, Escale à Portofino é um chamado à tranquilidade, deleite e relaxamento, na simplicidade aparente dos seus acordes, na constância da característica aromática.
Elegante, não nega a origem Dior, nem a ancestralidade em Cologne by Dior, de quem é versão sedutoramente feminina.
Entretanto, por incrível que pareça, em todas as ocasiões nas quais me deparei, experimentei ou procurei Escale à Portofino, a temperatura era amena, úmida e quase invernal. Mesmo assim conquistou minha admiração e transportou-me para a brandura do ambiente à beira-mar.
Presumo que com a experiência num dia quente e ensolarado serei definitivamente cativada, pois para mim não há melhor opção que cítricos revigorantes para os preguiçosos dias de calor abrasador.

Apesar do reforço das madeiras, resinas e amêndoas, a intensidade durante a evolução não ultrapassa a prevista neste grupo olfativo.
O rastro dominador do início, após 2 ou 3 horas esmaece em suave e especiado aroma, que aconchega na pele.
Ali permanece discreto e docemente aromático durante 6 à 8 horas trazendo a memória o sabor da insustentável e aromática leveza de suco de cana, temperado com limão, almíscar e flores; acompanhado pelo leve ardido de zimbro.
Alguns comentários, com alguma propriedade, reportam ares de Eau de Rochas, Eau Fraichê de Dior e Agua de Loewe apesar da intensidade de Escale à Portofino me parecer mais aguda e picante.

Família Olfativa: Cítrico Aromático, 2008
Gênero: Feminino ( compartilhável)
Perfumista: Francois Demachy
Rastro: Início intenso/ Evolução moderada
Fixação : Muito Boa
Pirâmide Olfativa:
  • Topo - Bergamota, cidra, petit grain.
  • Coração - Flor de laranjeira, amêndoa e junípero ou zimbro.
  • Base - Cipreste, madeira de cedro, gálbano, cominho armênio ( caraway ou carvi), almíscar.
Vai ao Shopping? Confiras preços e marcas nas boas lojas que abrem suas portas em Perfume Bighouse 

Arte Irmã: Amedeo Minghi - Quando L'Estate Verrá


Imagens: Cesto de frutas cítricas de Elisabeth Casagrande ; Publicidade Christian Dior, Portofino

quarta-feira, janeiro 27, 2010

Musc Maori eau de parfum - Parfumerie Generale



Família Olfativa: Oriental, 2005
Gênero: Feminino
Perfumista: Pierre Guillaume
Frasco: Diolene
Notas Olfativas I: Cacao, fava tonka, baunilha, âmbar, almíscar
Notas Olfativas II: Bergamota, madeira cumaru , flor de café, almíscar branco , sementes de cacau, acorde floral, fava tonka , baunilham âmbar e Almíscar.

Inspire-se para a doçura de Musc Maori na música..Norah Jones - Turn Me On

terça-feira, janeiro 26, 2010

Madame Rochas eau de toilette - Rochas

Elegante e inesperado.
O aroma que nos atinge no início é floral brando, doce e discreto como o já sentido em Je Reviens de Worth ou Tamango de Leonard.
Enganadora impressão, pois quando assumem as notas de coração, este perfume surpreende pela densidade e sofisticação das notas picantes, com ares orientais.
Denso aroma que parecia se encaminhar para características citadinas do chá das cinco e repentinamente transmuta em fragrância sofisticada e instigante.
Atravessa tardes elegantes e invade noites de gala sem perder a majestade .
Nesta característica de refinamento e feminilidade revela-se seguidor da beleza olfativa de Chanel 5 e Arpege, perfumes que constam como seus inspiradores.

Madame Rochas é puro requinte.
O bouquet delicado do início cede espaço para flores exóticas revestidas de resinas, madeiras e musgo.
A doçura intensa e constante deste ramalhete vem das belas flores de laranjeiras, em deliciosa cumplicidade com ylang ylang, rosas e madressilvas.
Fava tonka, tuberosa, baunilha, e âmbar conferem o aveludado quase cremoso que acompanha a evolução de Madame Rochas.
Flores, que no início aparentavam um poutpourri leve e juvenil, adquirem densidade e rica sofisticação, desdobrando em intensidade aldeídica a beleza de sedução do pleno desabrochar de um jardim exuberante.


Versátil, a bela íris se apresenta em esplendor floral, reservando para as últimas fases da evolução a sedosidade poeirenta que lhe é peculiar.
Vetiver e cedro não revelam sua força pungente herbácea ou lenhosa, porém emprestam o personalíssimo e singular apimentado que lembra especiarias raras, de terras distantes mesmo quando as doçuras almiscaradas da madeira de sândalo conduzem à finalização.
Madame Rochas é surpreendente, feminino e maduro.
Perfume para mulheres!


Família Olfativa: Floral Aldeídico, 1960- reformulado em 1989
Gênero: Feminino
Perfumista: Guy Robert
Frasco:Pierre Dinand
Rastro: Intenso
Fixação: Muito Boa
Pirâmide Olfativa:
  • Topo - Bergamota, aldeídos, madressilva, flor de laranjeira, jacinto, limão, notas verdes.
  • Coração - angélica, violeta, íris, ylang ylang, jasmim, rosa, lírio selvagem, raíz de íris.
  • Base - Fava tonka, madeira de sândalo, almíscar, âmbar, musgo de carvalho, vetiver, cedro.

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Arte Irmã
" A mulher é uma flor que se estuda como a flor do campo, pelas suas cores, pelas suas folhas, e sobretudo, pelo seu perfume."JOSÉ de ALENCAR
Vídeo: Sara Bareilles - Love Song


 Imagens :Cartazes publicitários de Madame Rochas de Rochas Parfums; vintage cadeaux; vintage box ebay ; angelica de dobbies.com;

domingo, janeiro 24, 2010

Insolence eau de parfum - Guerlain

A composição de violeta e frutas vermelhas com fundo ambarado foi das mais felizes e muito bem construída!
Uma amiga chegou aqui cheirando isso, e como um "muléki", não parei de infernizá-la até que me mostrasse o vidro.
Como recompensa por isso abri minha coleção, e calmamente mostrei à ela dezenas de fitas perfumadas com as coisas comuns e raridades que tenho.
Ela, em recompensa, me deu um beijinho.
E assim, de recompensa em recompensa, de insolência em insolência, pude constatar que a fixação desta fragrância é ótima!

Vídeo: Insolence

Contribuição de Aretê

Ficha Técnica

Família Olfativa: Floral frutal,2006
Gênero: Feminino
Perfumista:Maurice Roussel, Sylvaine Delacourt
Rastro:Intenso
Fixação:Ótima
Pirâmide Olfativa:
  • Topo - Violeta, framboesa, mix de frutas vermelhas
  • Coração - Violeta, rose, flor de laranjeira
  • Base - Íris, fava tonka, resinas.
Arte Irmã
Vídeo:All You Need is LOve

sábado, janeiro 16, 2010

Friends Men eau de toilette - Moschino

Cítricos, em especial laranja amarga, é o que vem à minha mente quando penso neste perfume de Moschino, marca que desperta admiração por levar seus produtos para um lado descontraído, irreverente e diferenciado sem perder o charme e glamour típico de grifes italianas.
Na linha prêt-à-porter, jóias, bolsas e até nos perfumes como Cheap and Chic (uma linha de Moschino), Uomo ?, Oh! e Couture! se percebe a preocupação em criar o contemporâneo, que desperte e aguce nas pessoas a predileção pelo diferente.
Na minha opinião assim é com Friends.
Ter e usar é para quem de fato o admira, com o puro espírito jovial italiano, que é traduzido neste Moschino.
Não diria somente moderno, mas original.
Ter saído das mãos do mestre Olivier Polge é um detalhe que encoraja à experimentar, e quem o faz realmente se surpreende.
Quando provei, na época em que ainda não me interessava profundamente pela perfumaria, fiquei em choque pela aparente simplicidade e ousadia deste Moschino.
A partir deste momento uma idéia se consolidou :


- Eu preciso de um Friends!
Saída cítrica, coração cítrico e drydown cítrico, cujos acordes ficam melhores a medida que evoluem...
No topo encontramos notas de tangerina verde, flor de laranjeira e bergamota.
Nesta fase, apesar das diferenças, ele lembra a efervescência de Contradiction - CK e Atletics -Tommy Hilfiger, embora Friends pareça mais natural, feito de frutas frescas e recém colhidas.
Coração e drydown seriam uma explosão de notas alaranjadas, doces e suculentas, quase gourmand, se não fosse o fundo metálico do petitgrain, feito das folhas e galhos da laranja amarga do Paraguai.
Nota floral e baunilha Bourbon não são claramente perceptíveis parecendo estar ali para arrematar o conjunto de frutas ácidas em cítrico aromático, tornando a fragrância mais balanceada e suave.
No fundo percebemos o acento amadeirado, mesclado às notas doces.
Alcança uma pontuação alta na sillage e fixação, caracterizadas em aura cítrica e alaranjada que é companheira inseparável, durante um dia inteiro pelo menos.
A princípio pensei que tanta acidez poderia ser excessiva e cansativa num dia de verão e sol, mas isto não ocorre.
O perfume possui um blend correto e fresco, sem desencontro entre as notas que direcionam para o uso diurno, apesar do fato de ser um potencial irritante para os mais sensíveis, quando a transpiração intensifica sua volatilização e caráter cítrico.
No geral o considero essencial para aqueles que admiram perfumes; a proporcionar um up lifting! ou ar otimista e positivo.
Insensé Ultramarine e L'Eau par Kenzo haviam me passado esta sensação ... de estar feliz!


Admiro Moschino por vários motivos.
Todos eles me parecem uma caixinha de surpresa nos frascos e embalagens detalhados, bem feitos, que encantam os olhos.
Fazem meu estilo, e me seduzem através do olfato por serem "perfumes de pele", que mesclam, evoluem, mudam e personificam ao contato.
Foi assim para mim com Couture! e Cheap and Chic; não será diferente com Friends.

Contribuição de Pavel - Edição Elisabeth Casagrande

Família Olfativa: Hespéride- Aromático, 2006
Gênero: Masculino
Perfumista: Olivier Polge
Rastro: Intenso
Fixação: Muito Boa
Pirâmide Olfativa:
  • Topo - Bergamota, tangerina, laranja amarga
  • Coração - Gerânio, petitgrain, notas frescas
  • Base - Cedro, vetiver, almíscar
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Video: Moschino Virtual Boutique - Happy Valentine's Day - San Valentino


Imagens: Art em vitrine Moschino - La Rinascente -Pigeons in Square; Acessório Moschino- loja virtual.

quinta-feira, janeiro 14, 2010

Jungle L'Elephant eau de parfum - Kenzo

Se tivesse o privilegio de andar pelas alamedas de um palácio de Maharajá dificilmente usaria outro perfume que não Jungle Elephant.
Aroma raro, oscila entre a delicadeza das jovens dançarinas indianas e o exotismo pulsante e conturbado da Índia, em toda sua força selvagem.
Se Jungle Tigre avança como um felino impulsivo e predador, para ser domado em ronronante docilidade, Elephant nos surpreende com uma falsa doçura inicial escondendo sua verdadeira face.
Principia em perolados véus de seda, definitivamente imersos na mais doce baunilha, amparada pelo cominho e amanteigado leitoso da massoia, que também poderia ser o acento artificial de cashemira.
Véus que ondulam hipnotizantes, e subitamente caem por terra descobrindo especiarias atrevidas, inebriantes cravo-da-índia, canela e cardamomo.


As nuvens doces, perduram voláteis e enevoadas, dissimulando o avanço lento das pungentes resinas, das essências de folhas.
Aromático e picante guarda no seu interior um toque mentolado e canforado que entontece.
Percebi esta nota frutada balsâmica das folhas afiadas da artemísia, alimentada pelo herbáceo terroso de vetiver, em alguns perfumes Kenzo como Le Tigre, e  em Essential de Angel Schelesser - que toma outro rumo evolutivo . Contudo, aqui, no coração da fragrância, a erva canforada está revelada em maior profundidade.
A terra pulsa através de Kenzo Jungle, mostra o colorido das sedas, o inebriante aroma dos mercados, o burburinho das cidades e aldeias, apinhadas sob o sol.

Desvenda os mistérios da noite, o calor dos corpos se confundindo com o ar abafado e denso.
Conheço a Índia apenas através da imaginação, das informações bidimensionais. Todavia Jungle Elephant revela um pedaço quente e vibrante deste lugar colorido, antagônico, revestido ora de miséria, ora de opulência.
Conta os cheiros da terra, exatamente assim, entre contrastes.
Da mesma forma que percebemos cravo, canela, folhas e sutis madeiras podemos aspirar a inebriante baunilha embebendo as mais doces pétalas, de flores exóticas e açucaradas.
Único, cujos acordes não respeitam hierarquias e aparecem alternadamente até diluírem na base amadeirada, ladeados por almíscar e âmbar, ressaltando o aroma de leite de coco da madeira massoia.

Dourada, constante e cremosa é a doçura de L'Elephant e talvez este seja o segredo da presença inexplicável de manga na sua pirâmide oficial, cujo acento frutado meu olfato não percebe.
Emprestou sua densidade suculenta e o calor colorido da fruta madura, embora tenha escondido o sabor característico.
L'Elephant é forte, quase avassalador, pois apesar de adormecer a semelhança do Jungle Tigre, em seu plácido e doce ressonar, conserva uma imponência que assusta, como se aquele acorde aparentemente subjugado estivesse a espreita, vigoroso, pronto para reagir à qualquer provocação.
Exacerbada dualidade, consegue um equilíbrio surpreendente entre baunilha e intenso aromas de folhas condimentadas.
É preciso despir a alma e o olfato de resistência convencional para provar Jungle L'Elephant.
Fechar os olhos, embarcando numa viagem ao inesperado, ao desconhecido, visto que não é aroma citadino, caucasiano, de civilidade inglesa.
Instiga, perturba, atrai e repele!

Composição olfativa que merece no mínimo atenção para a sillage intensa e perigosa, requisitando a zona de segurança encontrada nos dias frios e invernais.
Tomada de coragem, um dia experimentarei uma dose generosa, em sufocante dia de verão, para conferir se aquele frescor que acena, escondido atrás de ardidos cravos e sedutora canela, é ou não uma doce ilusão.
Kenzo é designer, fashionista, e sua primeira loja na França chamou-se Kenzo Jungle.
Os aromas Jungle evocam suas coleções neste espaço, transmitindo visão de cor, de cyber-nature e da mulher que se enquadra neste contexto.
Seus perfumes Jungle sempre definirão a dualidade dos opostos, seja ela qual for, em que ordem vier.


Família Olfativa: Oriental especiado, 1996
Gênero: Feminino ( compartilhável)
Perfumista: Dominique Ropion
Rastro: Intenso
Fixação: Ótima
Notas Olfativas ( Kenzo Parfums) : Cardamomo, heliotrópio, cravo-da-índia, manga, ylang-ylang, alcaçuz, patchuli, baunilha.
Pirâmide Olfativa ( literatura)
  • Topo - Tangerina, cardamomo, cominho, cravo-da-índia
  • Coração - ylang-ylang, alcaçuz, heliotrópio, manga
  • Base - Patchuli, baunilha, âmbar e cashemer
Arte Irmã
Vídeo: Wedding hinsi Song - mehndi rachne wali


Imagens : Franz Xaver Winterhalter Maharajah Duleep Singh; Frasco de kenzo Jungle; Dançarina de Indian Dance ; Ramalhete de Artemisia pallens; Elephant Herd de Julia Watkins.

Iris Silver Mister eau de parfum - Serge Lutens


Fugindo ao padrão habitual esta fragrância lançada em 1994 para homens e mulheres foi idealizada por Maurice Roucel.
Colecionadores apontam semelhança de linha olfativa com XJ Irisss eau de parfum by Xerjof.

Família Olfativa: Floral Amadeirado Almiscarado, 1994
Gênero: Unissex
Perfumista:Maurice Roucel
Rastro: Moderado
Fixação: Ótima
Notas Olfativas: Raíz de íris, gálbano, cedro, madeira de sândalo, cravo, vetiver, almíscar, benjoim chinês, incenso, âmbar branco

Arte Irmã na música ...Toni Braxton - Spanish Guitar



Imagem: Colagem de Elisabeth Casagrande

terça-feira, janeiro 12, 2010

Chanel Nº 5 Eau Premiere - Chanel

Descrever o flanker de um clássico com a magnitude de Chanel N°5  é  ensaio difícil...
Existem expectativas de que inovações sejam surpreendentes, porém conservem a majestade original, à revelia de qualquer modificação feita.
Se cabe ao perfumista a maestria na ardilosa e ingrata tarefa, relatar o resultado tem lá seus melindres também.
Naturalmente, como previsto, a essência é de Chanel 5.
Lá estão as belas flores, numa cascata, cuidadosamente embrulhadas em camadas de macio e luminoso cetim de seda e belo tom perolado.

O N° 5 é uma linda joia, um adorno em forma de bouquet, elegante, requintado, delicado e feminino. Imutável, atravessará os tempos como ouro e gemas preciosas preservadas na beleza inegável de um broche vintage.
Sua versão eau é mais leve, acondicionada em tecido finíssimo que permite apreciar os contornos, provocando uma onda de aconchego que o fulgor direto e gélido das pedras preciosas não conseguiria transmitir.
Sensualidade feminina acentuada na doçura floral láctea das flores brancas, envolvidas em cremosa e rara baunilha, com pitadas de especiarias, talvez noz-moscada.

Assim poderia ser o clássico elegante, sofisticado e feminino Chanel 5, se inicialmente fosse revestido de notas cremosas e cálida suavidade.
Porém calor e aconchego não era o propósito de Ernest Beaux criador da primeira fragrância. Ao contrário, parte da pirâmide olfativa nasceu do seu fascínio pelo aroma das águas geladas do Ártico.
Em Eau Premiere aldeídos, baunilha e almíscar embalam flores como ylang ylang, neroli e jasmim sublinhando em calorosa e macia densidade este lácteo acorde de abaunilhado coconut.
O início cítrico floral é deliciosamente cristalino imerso no reconhecível acento, tão segmentado em outras fragrâncias, nascidas à imagem e semelhança do Chanel primogênito.

Eau Premiere proporciona a percepção destes acordes através da bruma densa e morna que dilui linhas nítidas em ondulações voluptuosas e delicadas.
Vários perfumes relembraram o incrível e mítico floral aldeídico.
Assim o fez Tamango by Leonard, também Sicily by Dolce & Gabbana e Cheap and Chic by Moschino.


Cada um se afastando da matriz, que lhes fizera escola, na adição de variáveis a potencializar proximidade com a calorosa receptividade da pele feminina.
O mesmo acontece em Chanel Nº 5 EauPremiere.
O ícone foi humanizado em notas maleáveis e calorosas.
Adensa no drydown, contudo não adquire pungência agreste de raízes e folhas, nem enfumaçado de resinas frescas ou incensadas.
Se madeiras alicerçam a base estão suavemente dispostas e devidamente maquiadas pelas pesadas camadas de almíscar, âmbar cinza e baunilha Bourbon.
Conserva a mesma elegância mas não a longevidade do seu antecessor.



Família Olfativa: Floral aldeídico, 2007
Gênero: Feminino
Perfumista: Jacques Polge
Rastro: Moderado
Fixação: Muito Boa
Pirâmide Olfativa
:
  • Topo - ylang ylang, aldeídos, neroli
  • Coração - jasmim, rosa
  • Base - Vetiver, baunilha Bourbon

Arte Irmã...palavras e música

Perfume
Por mim eu sei que há confidências ternas,
um poema saudoso, angustiado,
se uma rosa de há muito emurchecida,
rola acaso de um livro abandonado.
O espírito talvez dos tempos idos
desperta ali como invisível nume...
E o poeta murmura suspirando:
"Bem me lembro...era este o seu perfume!"
. Antonio de Castro Alves

VÍDEO: Amelie Poulain - La Dispute - Yan Tiersen

 

Imagens:Scrapbook vintage/composições com frasco Chanel de Elisabeth Casagrande; Chanel N° 5 Eau Premiere por Dâmaris OBS - acervo pessoal.

segunda-feira, janeiro 11, 2010

Kenzo Parfum d'Ete eau de parfum - Kenzo

O mundo descobre serem os odores mais poderosos que imagens para influir nas emoções humanas - quem sabe de outras espécies também, se considerarmos que elas tenham emoções.
Provado através de experimentos sérios e reconhecidos, este fato demonstra seu lado prático nos inúmeros ambientes que usam aromatizadores, de forma planejada, para influenciar as pessoas que por ali transitam.
Que bom!
Quem ama perfumaria, e acredita no poder terapêutico dos aromas, intuitivamente coloca o conceito em prática há tempos. Até com a imaginação...
Existem aromas perfeitos para histórias, livros, sentimentos, ocasiões, filmes, assim quando assisti a trilogia The Lord of the Rings fui arrebatada por belas imagens, sons e perfumes que minha mente projetou.

Parfum d'Été com suas inúmeras folhas perfumadas caberia, desprovido de ajustes , nos cenários agrestes e paradisíacos desta história mágica.
Muito naturalmente brotaria das folhagens verdes que circundavam a etérea rainha Galadriel no reino dos elfos - Lothlórien, ou dos românticos jardins que testemunharam as juras de amor entre a delicada Arwen e o sedutor Aragorn.
Ventos frescos e aromáticos deveriam fluir quase com vida própria entre as árvores seculares de vastas florestas e imponentes montanhas, puros e cristalinos como a água dos rios trazendo o frescor das folhas - pelo menos 5 como no slogan Parfum d'Ete, 5 feuilles differentes, un meme parfum.
Início intenso, doce e herbáceo, na seiva do despertar da primavera, repleta de brotos verdes a vicejarem.
Percebe-se ao fundo o toque de helional mesclado à aromática madeira, em feliz combinação, pois ao salientar o acento herbáceo esta molécula sintética recebe a adição do fragrante pau-rosa.

Diversas folhas verdes, exóticas, inusitadas e picantes, dominam os acordes, recebendo das flores doçura suficiente para suavizar o que poderia ser um acento pungente e agressivo.
Gradativamente as exuberantes tonalidades verdes esmaecem, diluindo suas características na base amadeirada e doce.
A percepção atenuada horas após o contato com a pele demonstra recolhimento das notas, embora estas persistam, mais discretas, por longo período.
Finalizam ainda verdes e frescas, imbuídas de sedosidade ambarina, suavidade de madeira de sândalo e almíscar, demonstrando então seu espírito aquático, anteriormente camuflado pelo intenso e folhoso herbal.

Família Olfativa: Floral Verde, 1992
Gênero: Feminino (compartilhável)
Perfumista: Antoine Lie
Rastro: Moderado
Fixação: Muito Boa
Pirâmide Olfativa
  • Topo - Helional, folhas de lírio do vale ou convalária, madeira de pau rosa.
  • Coração - Jasmim, peônias, jacinto d'água ou lótus, feno grego ou alforva (green herb juice), folhas verdes ( alface, espinafre, cedro australiano, amoreira, aralia, baobá...), ciclame, flor de pessegueiro.
  • Base - Almíscar, sândalo, âmbar, âmbar cinzento.

Arte Irmã: Hallelujah - Jeff Buckley

Imagens: FotoParfum d'Ete de Elisabeth Casagrande; Kate Blanchett - Galadriel imagem de Several artists; Convalaria de Wikipedia - domínio público; Kenzo Parfum d'Éte- gamme - site officiel- art work Marine Crespin; Trigonella de Prof. Dr. Otto Wilhelm Thomé .

quinta-feira, janeiro 07, 2010

Moss Breches eau de parfum - Tom Ford

Moss pode significar um líquen como Evernia prunasti desenvolvido sobre madeira de troncos e galhos ( musgo de carvalho ou oakmoss), contudo oficialmente o termo designa quase 12.000 espécies da divisão botânica das Bryophytas, que inclui hepáticas e outras pequenas plantas primitivas.

Breeches, em inglês significa culote, vestimenta típica dos nobres nos séculos XVII e XVIII, fato que levou a palavra a ser interpretada como um adjetivo similar à nobreza.
Nobre corruptela.
Também pode ser Breche um pequeno rio na França
Brèche no francês revela brecha, janela, intervalo vazio.
Ou a pequena riviera de l'Oise naFrança.
Em diferentes áreas de interesse é encontrado até como sobrenome de celebridade ou top model.

Moss Breches é perfume de Tom Ford e, até onde posso sentir, cultiva principalmente a ausência de musgo e presença vivaz de labdanum e benjoin em bela expressão aromática.
Uma amiga, apreciadora da arte perfumística, enviou esta intrigante amostra, e a cada vez que renovo as gotas sobre a pele descubro novas facetas.
O primeiro desprender revelou ládano quente e animalic, peculiares acentos melífluos, florais, ligeiramente cítricos, aliados ao benjoim, exótico e incensado.
Notas olfativas apontam mel e cera de abelhas, adequado reforço neste doce acorde inicial e nova camada trouxe a especiaria, em fundo muito doce e denso, evocando mistura de cravo-da-índia, canela e pimenta, quase impossíveis de dissociar.
Floral intenso e cremoso, mistura de rosa, neroli, ylang ylang, que não conseguem respirar plenamente, mas afirmam sua presença, embora submersas pelas lavas resinosas e quentes.
A princípio não percebi patchuli, porém depois que as intrigantes surpresas aquietaram no olfato, e espírito... ei-lo. Agreste, rente a serragem de madeiras, maduras, picantes e recém cortadas, provavelmente incluindo cedro.

Uma ode amadeirada, resinosa, repleta de especiarias comuns na perfumaria masculina, como os aromáticos e verdes alecrim e estragão.
Não remete à bosques úmidos dos chypres tradicionais que cheiram a gotejantes musgos, folhas verdes e frescas, raízes terrosas.
Está mais próximo dos orientais especiados, maliciosos, sedutores, melíferos e almiscarados.
Entretanto é fiel e tradicional à signature de ótimas qualidade, matéria prima e construção, em acordes que conseguem reunir os extremos de previsibilidade e singularidade, oscilantes, sem obedecer a estrutura convencional de pirâmide olfativa.
Bipolar, conseguiu prender totalmente minha atenção, após repetidas doses da sua doce e abaunilhada saturação, apesar de imaginar que teríamos um convívio difícil.
Não é aroma para o cotidiano, pede ocasião única ou, pelo menos, uso espaçado em longo interlúdio.
Recomendável experiência deste chypre aparentemente quase sem musgo.

Família Olfativa: Chypre, 2007
Gênero: Unissex
Perfumista: Stephen Nilsen
Rastro: Intenso
Fixação: Muito Boa
Notas olfativas: Favo de mel, sálvia-dos-jardins, cedro, alecrim, estragão, benjoin, patchuli

Vai ao Shopping? Confiras preços e marcas nas boas lojas que abrem suas portas em Perfume Bighouse 

Arte Irmã: Message in A Bottle - Kohn Mayer


Imagens: La Breche de Roland;Breuil le Sec-France de Philippe kurlapski; Frasco de Moss Breches-Tom Ford; Estragão da Russia de Jardim Centro

quarta-feira, janeiro 06, 2010

Quartz Pure Red eau de parfum - Molyneux

Baile de formatura.
Sofisticação teen na idade preciosa que almeja a maturidade mas não abandona os prazeres de infância.
Saída de colégio, pastel na feira livre, violão nas costas e músicas dedilhadas num banco da cidade ao lado do boêmio de rua.
Ricas lembranças como as do primeiro amor.


Assim me pareceu Quartz Pure Red eau de parfum.
Passos iniciantes da garota no requintado universo da mulher adulta.
Saboroso aroma de doces, de sessões de cinema com a galera, somado ao floral adulto que acompanha o primeiro vestido à rigor.
Pure Red a princípio traz uma sensação indefinida de confeitos.
Aquele despertar do olfato quando comentamos repentinamente:
- Hummm, a vizinha está fazendo doce...
Sem sabermos realmente qual é o doce.


Existe um sabor agradável, confortável, de gula quase infantil neste blended que encerra cítricos, maçãs e pêssegos temperados pelo delicado apimentado da aroeira.
Candies que não escondem as flores!
Estas surgem elegantes, vestidas para festa, brilhantes na beleza e frescor próprios da juventude.
Picantes ou petulantes, envoltas por dose mínima de vetiver e generosa baunilha almiscarada.
Àmbar faz contraponto delicado às especiarias da saída e às notas verdes que acompanham o coração floral.
Uma agradável fragrância que permanece na pele o tempo exato de um baile de adolescentes.


Família Olfativa: Oriental floral, 2008
Gênero: Feminino
Designer: Molyneux
Rastro: Moderado
Fixação: Regular
Pirâmide Olfativa:
  • Topo - Maçã, bergamota, pêssego, tangerina, aroeira
  • Coração - Rosa, jasmim,violeta, sálvia dos jardins
  • Base - vetiver, almíscar, baunilha, âmbar.
Arte Irmã
Vídeo: Wouldn't it be nice - Beach Boys



Imagens: Gockel Music life ig ; Monsen Taylor com frasco Quartz Pure Red -Molyneux ; Colagem de Elisabeth Casagrande

terça-feira, janeiro 05, 2010

Jeanne eau de parfum - Lanvin


Diz o provérbio chinês:
" Quem quer colher rosas deve suportar os espinhos ".

Hoje deparei com um quase esplêndido perfume, e para sentir sua plenitude foi necessário atravessar agruras de notas nem sempre bem-vindas ao meu olfato.
Atraiu-me a doçura rósea e elegante do frasco, imagem de sedução que se materializou assim que aspirei a primeira névoa vaporosa.
Flores doces mescladas à frutas frescas invadiram meus sentidos e aguardei deliciada uma evolução ao nível do maravilhoso e clássico Arpege, ou do borbulhante cítrico amadeirado de Eclat d'Arpege.
Talvez transmutando no recatado e elegante cedro de Oxygene ou no previsível primaveril do bouquet de Rumeur.
Contudo, encontrei espinhos, a ferir em nuances agridoces de frutas silvestres na desarmoniosa soma com acidez amarga da cidra, e cremosidade madura de pera.
Acorde comum, que refutei em outras fragrâncias, onde frutas denotam algum exagero, talvez na associação equivocada entre elas, ou com seiva e resinas da base.

Não é para mim.
Desapontada desistia deste Lanvin, quando surpreendendo um belo bouquet sobrepujou o frutado, desenvolvendo sua plenitude ao encontrar acordes de base com  cítrico picante, agora quase imperceptível, embebido em âmbar cinzento.
A fragrância estabilizou num aroma linear, intenso e persistente que justifica a doce e alegre imagem do frasco.
Jovem, delicado e envolvente, mesmo não apresentando inovações, é encantador nesta fase final de floral doce, cujo aldeídico pungente sublima o dual perfeito de sândalo e almíscar.
O reencontro com a qualidade da perfumaria Lanvin, destituída de inovação, foi prazeroso, embora não suficiente para anular o desprazer das notas anteriores ao desempenho equilibrado das dulcíssimas peônias e frésias (junquilhos).

Família olfativa: Floral Frutal, 2008
Gênero: Feminino
Perfumista: Anne Flipo junto à direção artística de Alber Elbaz
Frasco: Logotipo de Paul Iride - década de20
Rastro: Moderado à intenso
Fixação: Ótima
Pirãmide Olfativa:
  • Topo - Amora-preta, cidra, pera
  • Coração - Frésia branca, peônia, framboesa
  • Base - Madeira de sândalo, âmbar cinzento, almíscar
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VÍDEO - Love Song - Sara Bareilles


 Imagens:Art de Nichel Tcherevkoff; colagem com banners publicitários Lanvin de Elisabeth Casagrande

segunda-feira, janeiro 04, 2010

Presence D'une Femme - Mont Blanc

Dificilmente ignorado este aroma cintilante, cristalino e transcendental, inicia em transparência reunindo o frescor das folhas de abacaxi e acidez cítrica da tangerina.
Acorde cujas partículas de pimenta, imperceptíveis como unidade, são fragrantes na aura de sedutora e petulante juventude.
Présence d'une Femme revela a consciência de refinada e casual elegância, expressando sensualidade e alegria através do aroma delicado das flores.
Primaveril, em tons variados e comedidos, antevendo o desabrochar do verão, este perfume evoca o equilíbrio belo e agradável da meia estação.
Traduz em conforto o bouquet de sofisticadas orquídeas, alegres e delicados ciclâmes, expressando com doçura, vigor e leveza a essência da feminilidade.


Ultrapassado o âmago da fragrância sentimos crescer as emanações de patchuli, denso e gutural, ladeado pelas madeiras doces, cujas nuances conseguem reter a luminosidade cítrica do início, diluindo o teor de acidez.
Alia-se ao suave sândalo a nobre e aromática madeira de palissandre do Madagascar, cujas características de leveza e resistência a tornam cobiçada para confeccionar instrumentos musicais.
Neste momento entrevemos modulações mais intensas da persistente pimenta, num caráter seco e poeirento, pontilhando a composição permeada pela qualidade de acentos refinados, revelando a personalidade dinâmica e vibrante de quem exala o perfume.
Finalmente o melífero delicado, floral e almiscarado adula os sentidos sem atordoar, apenas lembrando quão doce pode ser uma alma feminina.
Marcante, perceptível, refrescante, Présence d'une femme se define como um sopro de brisa perfumada.


Família Olfativa: Floral Oriental baunilha , 2002
Gênero: Feminino
Designer
: Mont Blanc
Frasco: Franzrudolph Lehnert
Rastro: Moderado
Fixação: Muito Boa
Pirâmide Olfativa:
  • Topo - folhas de abacaxi, tangerina, pimenta
  • Coração - ciclame, orquídea
  • Base - Madeira de sândalo, madeira palissandre de Madagascar, orquídea de baunilha, patchuli
MONT BLANCCumpre sua parte como empresa dotada de consciência social, desenvolvendo, em cooperação com a UNICEF, programas voltados para arrecadação de fundos destinados à educação infantil de crianças carentes.
Além dos eventos socioculturais programados em prol de tal objetivo, promove a campanha "Siganature for Good" ( vídeo com Eva Green), cuja renda é destinada aos programas educativos desde 2004.

Dos projetos culturais estabelecidos um merece particular atenção.
Criado em 2004 , previa que cada uma das 330 lojas da empresa distribuídas pelo mundo funcionasse simultâneamente como uma galeria de arte, patrocinando e apresentando globalmente o trabalho de um promissor artista, durante 6 semanas.
Desde então 18 artistas foram beneficiados nesta proposta, que utiliza como tema das criações o logotipo da empresa.

Arte Irmã
Um pensamento...Mulher
"O eterno feminino nos leva para o alto"
Johann W. Goethe
Uma música...
Vídeo: But I do Love You - LeAnn Rimes



Imagens: Women - Van Gogh -Castono en flor; Art de Volova Popov-russia -Dante; Frasco Présence D'une Femme Mont Blanc  em composição com art de Sophy Rickett-2004 por Elisabeth Casagrande; Campanha Signature for Good de Mont Blanc ; Criação artística para Mont Blanc de Jan Christensen-2005