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quarta-feira, setembro 30, 2009

Crave Cologne - Calvin Klein

Foi na onda do primeiro iMac...que tivemos uma enxurrada de produtos plásticos, translúcidos, liquidificadores que mostravam suas entranhas, celulares semitransparente, objetos de escritório, de decoração....
Quando vi Crave pela primeira vez, numa perfumaria, estava dentro de um frasco, que estava dentro de outro invólucro, que estava dentro de um estojo iluminado, por traz, com um foco de luz.
Todos translúcidos.
Minha impressão foi a de que estavam tentando fazer o raio X de um perfume.
Adorei.
Hoje aquele visual começa a ganhar ares vintage, mas seu aroma ainda rende ótimas experiências.
Sempre refrescante na saída, um pouco mais especiarado, depois terminando em madeiras leves como só o In Motion ( dos que eu conheço, claro) também possui.
Durante algum tempo o considerei aroma de argumentos curtos. Hoje vejo nisto um charme leve, despretensioso e com personalidade própria.
Não conheço outro que aponte na mesma direção e isso não é pouco!
Dei meu primeiro frasco à "mamis" que gostou, tempos depois comprei o segundo acompanhado pelo gel de banho...delicioso

E, parece ter sido feito para agradar os mais jovens, pois se borrifo antes de entrar na sala de aula, "batata"... alguém vai elogiar!
Assim o jovem CK Crave, tão bem nascido, prometia um grande futuro.
Entretanto, o destino lhe foi cruel. Vovô Coty pouco se interessava por jovens poetas, queria resultados comerciais e o ceifou.
Ainda teremos um tempo de convívio até que seu espírito parta de uma vez por todas, porque me parece que seu frescor de alto custo agrada à muitos.
Nunca o reputei à um clássico, mas achei um desperdício que fosse embora assim, sem cerimônias, e aqui rabisco linhas torcendo para que CK lance outro, que me faça lembrá-lo.

*Contribuição do leitor Aretê

Ficha Técnica
Família Olfativa: Fougere aromático, 2002
Perfumistas:Yves Cassar, Pascal Guarin, Jean-Marc Chaillan
Gênero: Masculino (compartilhável)
Pirâmide Olfativa:
  • Topo - Notas marinhas (estrela-do-mar), bergamota.
  • Coração - Alfavaca (basil), coentro, pimentas.
  • Base - Noz-moscada, madeira de sândalo, fava tonka ou feijão tonka, almíscar, musgo de carvalho, vetiver, bétula.
Arte Irmã: Perfumaria a poesia  de Mario Quintana

DOS MUNDOS
Deus criou este mundo.
O homem, todavia.

Entrou a desconfiar, cogitabundo...

Decerto não gostou lá muito do que via...

E foi logo inventando outro mundo.


Imagens: Publicidade Calvin Klein de L'Ambre; Tranparency de www.davefreedman

terça-feira, setembro 29, 2009

Bazar Pour Femme eau de parfum - Christian Lacroix

Novamente, greve nos Correios!
Greve nos bancos, todos!
Alguém falou em greve nos transportes ? Dio Santo....
Chove dilúvios no Sul, a seca resseca o Norte. São Pedro, por favor...
Tablóides trazem escândalos políticos! De novo?
Tenho vontade de gritar: SOCORRO, acudam o Brasil!!!
O que aconteceu com * "Ó Patria amada, Dos filhos deste solo és mãe gentil "?
Preciso urgentemente de alguma coisa para alegrar meu dia.
Pode ser um raio de sol, um bombom, uma paquera inesperada, um sorriso caloroso, convite para uma macarronada, um obrigada verdadeiro...
Talvez um perfume.
Hum... Vou borrifar Bazar em tudo. Se não posso ler ou ouvir notícias felizes meu nariz merece uma festa como Bazar (acho que já disse isto sobre Tumulte... e, é verdade).
Nem sei ao certo o porque do meu gostar.
Ou melhor ...sei: É colorido, exuberante, inocente e alegre. Quase sensual. Sim, pois eu não consigo ver sensualidade desprovida de alegria.
Para explicar preciso perguntar:
- Quem conhece a moda Christian Lacroix?
É uma efervescência exuberante e muito característica, como os perfumes.
Bazar é um floral frutal - na verdade Floral Green - que combina maravilhosamente com esta assinatura de Lacroix.
Pirâmide olfativa diz que tem cítricos, pimentas e flores.
Meu nariz diz que tem uma combinação deliciosa de flores e frutas. Amarelas ou alaranjadas, talvez rosadas, quase vermelhas.
Falo sobre goiabas, mangas maduras ( ou seriam damascos fresco ?), laranjas doces, nectarinas, pitangas e ...
Impossível distinguir mas estão lá ou parecem estar, junto às flores maravilhosamente doces.
Esta doçura que vem da diversidade de exuberante jardim, não do monopólio da baunilha, traz  alegria,  prazer olfativo.
Delicioso este bouquet!
Há pimentas sim! Apimentado  doce amadeirado como na páprica. Conferem um acento especiado, ligeiramente verde atenuados pela suavidade floral, sândalo, almíscar e âmbar.
Madeiras pontuam a base e um suave talcado que salienta o odor de rosas.
Bazar tem cheiro de verão, de dias ensolarados.
Hoje, aqui, não está assim, mas borrifando este Christian Lacroix posso fechar os olhos e fingir...


Família Olfativa: Floral aromático,2002
Perfumista: Bertrand Duchaufour, Emilie Bevierre Coppermann, Jean Claude Ellena
Gênero: feminino
Pirâmide Olfativa:
  • Topo - Flor de damasqueiro, flor de laranjeira, nectarina, yuzu, cassia, pimenta, pêssego
  • Coração - Rosa, flor de plumeria , agoniada ou frangipani, capuccino, peonia, hibiscus
  • Base - íris, madeira de guaiaco, sycomore ( figueira), folhas de violeta, âmbar, madeira de sândalo
Similaridade: Comentários em revista on line apontam a mesma linha olfativa de In Love Again de Yves Saint Laurent

Arte Irmã na canção de Chico Buarque de Holanda - Flor da Terra


Imagens: Foto de Bazar por Elisabeth Casagrande,  montagem com mapa do Brasil

segunda-feira, setembro 28, 2009

Miss Rocaille eau de toilette - Caron


Desculpe, estou reeditando esta resenha. Será publicada em breve!

Sorry, I am reprinting this review. Will be published shortly

sábado, setembro 26, 2009

Animale Women eau de parfum - Animale Parlux


Mystere de Rochas, meu parfum signature durante muitos anos, foi "descontinuado" e sumiu das prateleiras, no Brasil, em meados da década de 90.
Estarrecida saí em busca de outro perfume, tão exótico e fascinante quanto aquele, incorporado como meu cheiro.
Tive um breve affair com Opium, usei uns dois frascos de Dune, experimentei MaGriffe, Mambo, várias fragrâncias da casa Rochas e acabei me transformando numa investigadora de novos aromas.
Nesta lida incansável achei Animale by Parlux.
Desprovido da fama de alguns preciosos, com menor custo, não suscitava grandes expectativas... Que bela surpresa!
Intrigante, sensual e intenso no odor profundo, floral apimentado, amadeirado e resinoso.
Conquistou-me de imediato, pois é extremamente envolvente e desperta a femme madura, sedutora, sem dispensar a elegância.
Sua característica realmente é animalic, mas de forma tão chic que quando percebemos é tarde. Estamos enamoradas de Animale.
Apresenta desde o começo fascinante aldeído que faz o nariz procurar a pele quase automáticamente.
Doce floral na mistura apropriada de flor de laranjeira aliada à esmaecidas notas cítricas, apenas frescas, em breve envolvidas num bouquet fino, melífluo, especiado pelo ládano junto a instigante acento herbáceo de vetiver.
Patchuli se revela em encanto quase exibicionista, atingindo todos os acordes com seiva verde e provocante complementada em harmonia pelas quentes pimentas jamaicanas.


Deliciosamente chypre, sentimos o musgo emanando da base, em fresca umidade.
Animale é um convite à lassidão dos sentidos, sem dispensar o requinte e não consigo imaginá-lo se apresentando de forma trivial.
Complementado perfeitamente nas pérolas ou reluzentes cristais, pede tecidos macios, pesados e o ambiente gélido do inverno.
Seu bouquet de rosas, jasmim e ylang ylang é tão doce que dispensa ou abafa baunilha e mel.Doce irresistível.
Gosto de Animale.
Gosto da mulher que ele desperta. Sensual sem demasiada exaltação, desde que usado em doses comedidas.
Não é perfume que deva deixar sillage intensa atrás de si. Deve ser percebido rente a pele ou em íntima proximidade, pois se houver exagero resvala na impropriedade.
Fato comprovado! Pode se transformar num aroma agressivo e perturbador.
Finaliza suavemente, em doçura de muitas flores, madeiras e incenso revelando almíscar encorpado mesclado à discretas doses de âmbar.
Entretanto neste finalizar está o seu calcanhar de Aquiles. Apesar de aderido a pele, perde a potência, recolhendo seu encanto em breve espaço de tempo, se considerarmos que é fragrância tão poderosa.
Fixa menos que o desejado  em relação a intensidade, não atravessando de um dia para outro.
Literatura on line sugere proximidade olfativa com Parfum de Peau Montana , Art by Gucci, Coriandre Jean Couturier e  Chique da Yardley.


Animale Animale feminino, floral oriental lançado em 1994, não repetiu a beleza do primeiro.
Exacerbou em generosa baunilha, nas grandes doses de jasmim e fresia, arrematando os acordes com passas secas de cassis - que conferem um acento verde, incensado e amadeirado - patchuli e musgo.
Interessante, embora diferente do original, pois parece demasiado em todas as facetas, mas não em encantos.

ANIMALE for WOMEN
Família Olfativa: Chypre amadeirado,1987

Gênero: Feminino
Designer: Animale - Parlux
Rastro: Intenso
Fixação: Muito Boa
Pirâmide Olfativa:
  • Topo - Neroli ( flor de laranjeira), coentro, jacinto, notas verdes, pau-rosa
  • Coração - Ylan-ylang, jsamim, rosa, lírio selvagem, cravo, pimenta da Jamaica, orris ( raíz de íris), mel
  • Base - Patchuli, coco, vetiver, almíscar, ládano, musgo de carvalho.

ANIMALE ANIMALE for WOMEN

Família Olfativa: Floral oriental
Gênero: Feminino
Designer: Animale Parlux
Rastro: Intenso
Fixação: Muito boa
Notas Olfativas: Bergamota, pêssego, passas e cassis, fresia, jasmim, cravo, patchuli musgo de carvalho, baunilha

Vai ao Shopping? Confiras preços e marcas nas boas lojas que abrem suas portas em Perfume Bighouse 

Imagens: Pantera da Flórida por Hans Drooger; frasco de Animale photo Elisabeth Casagrande; colagem de Elisabeth Casagrande

sexta-feira, setembro 25, 2009

Lauren eau de toilette - Ralp Lauren


Desculpe, estou reeditando esta resenha. Será publicada em breve!

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terça-feira, setembro 22, 2009

Black Oud Cologne - Montale Parfums

ESPÌRITO DA FRAGRÂNCIA
Escura, aveludada e resinosa a rosa oud de Montale carrega junto de si doces e sombrios mistérios. Esta flor que poderia ser chamada de cidadã do mundo encontra neste perfume uma face inglesa enevoada e misteriosa, ligada ao romântico século VII como o retratado em As Brumas de Avalon -The Mist of Avalon, da Bretanha lendária de Camelot e do culto à Deusa.
Livro de narrativa densa faz nossa mente divagar pelas brumas que envolvem a encantada ilha acolhendo a mística, enigmática e solitária Morgana, na sua jornada como sacerdotisa.
Mulheres em comunhão com a força vinda do ventre da mãe terra descobriam no convívio equilibrado com a Natureza segredos mágicos da celebração da vida.
Tal sensação de mergulho em rituais, de abraço cálido e hipnotizante é proporcionada imediatamente no contato com Black Oud by Montale

PERCEPÇÂO OLFATIVA 
Conjugação de acento animalic profundamente doce e quente, próprio da base dos exóticos florais orientais, nos envolve nos primeiros instantes.
Black Oud Cologne encantador, enigmático e arrepiante traz este aroma da profundeza para o topo antes que notas convencionais se façam notar.
Morno, envolvente e sensual, quase pagão, emerge acompanhado de acento resinoso e balsâmico.
Doçura intensa aliada à características ligeiramente cítricas acena a presença de cistus ou ládano, em convicta afirmação.
É neste cenário nebuloso e intrigante que repentinamente surge a rosas.
Escura, velada, com intensidade pulsante como a Senhora do Lago revelando sua imponência através da neblina.
Presença marcante porém generosa nos deixa entrever outras notas igualmente belas como a madeira de Oud, enfumaçada, picante e saborosa, considerada o incenso mais valioso do mundo.
Talvez se deva a ela parte do aroma balsâmico apresentado desde o início, em associação ao benjoim.
Junto a rosa, formando um bouquet de mansidão delicada estão outras flores como ylang-ylang, neroli e íris.
Instável a flor soberana num momento cresce em majestade, noutro se inclina submissa às madeiras ,
Na fase doce e sutil percebemos, sândalo e almíscar ambarino.
Quando exulta em poderio, sedutora e impressionante, ao lado das madeiras e resinas, vibram seus pares cistus, e os balsâmicos, terrosos, incensados benjoim e aoud.


Patchuli, conferindo um breve e constante apimentado contribui para imprimir, na maturidade do perfume, um viço verde e fresco, provavelmente respaldado em notas de musgo.
Tempero picante que pontilha toda trajetória, mesmo nos transitórios momentos de aveludado talco.
Construção interessante, não atende a pirâmide olfativa clássica, estabelecendo um ciclo onde notas se sucedem, alternam e mudam de lugar..
Intensidade aldeídica e viciante permeia este caminho escuro e turvo, no qual desconhecemos águas límpidas cristalinas, tocando apenas a magia do misterioso lago, abrigo de criaturas que se conectam com o sagrado.
Junto à névoa que desaparece Avalon e Black Aoud se dissipam aos nossos olhos, restando o nebuloso devaneio na memória, junto à doce e floral sensação na pele.
Compartilhável, posso vê-lo irmanado em Artur e Morgana com a mesma vibrante sensual e misteriosa fascinação.

SIMILARIDADE
Comentários colocam Dupont Oud et Rose de S.T.Dupont, Juliet Has A Gun Midnigth Oud e Amouage Liric Men na mesma linha olfativa.

FICHA TÈCNICA
Família Olfativa: Floral Almiscarado amadeirado, 2008
Gênero:Masculino
Perfumista: Pierre Montale
Rastro: Intenso
Fixação: Ótima
Notas Olfativas: Tangerina, rosa vermelha, oud ou agarwood do Cambodge, patchuli da Indonésia, ládano, madeira de sândalo, almíscar.

Vai ao Shopping? Confiras preços e marcas nas boas lojas que abrem suas portas em Perfume Bighouse 

Imagens: Colagem de Elisabeth Casagrande com Black Oud de Montale e Agarwood;pinturas de Morgana de Avalon ( autores desconhecidos).

Daisy e Lola - Marc Jacobs


Desculpe, estou reeditando esta resenha. Será publicada em breve!

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sexta-feira, setembro 18, 2009

quarta-feira, setembro 16, 2009

Mitsouko eau de parfum - Guerlain


Memoráveis fragrâncias são criadas em tempos difíceis quando conflitos armados rondam os povos.
Expressões artísticas imbuídas de sentimentos intensos refletem as emoções dos homens que tentam refúgio no conforto e equilíbrio do belo, quando existe o prenúncio ou a memória do caos.
Se a criatividade do ser humano é tolhida pelo cotidiano incerto, os que vivem pela arte se rebelam, e afirmam talento desafiando agruras, superando limites.
L'Heure Bleu ( 1912) e Mitsouko ( 1919) nasceram nos limiares da 1ª Grande Guerra Mundial pontuando seu início e término.
Ambos encerrados num frasco de igual design estabelecem uma linha que atravessa este hiato de desacerto entre os representantes da espécie intitulada racional.
Muitas histórias contam o desamor e o drama dos tempos de guerra e, uma inspirou o nome da belíssima fragrância Guerlain.
Mitsouko em japonês significa mistério! O perfume Mitsouko simboliza amor, na concepção determinada e nobre vivenciada pela doce heroína do romance La Bataille de Claude Ferrièrre.


Bela oriental, casada com almirante japonês , se apaixona por um oficial britânico e vive à espera do fim da guerra, dividida entre honra e paixão.
Apesar da admiração de Jacques Guerlain pela arte oriental, e toda simbologia inerente à sua concepção, o aroma de Mitsouko conserva uma elegância tipicamente parisiense que o caracterizou num dos chypres de maiores sucessos depois do marcante Chypre by Coty ( 1917).
Fruto da obsessão de Guerlain pela perfeição Mitsouko é a transmutação do perfume Coty para um aroma minuciosamente elaborado sobre pequena variedade de matéria prima, que encontra a beleza na forma equilibrada do seu blended .Citações da literatura contam que a criação do perfume ocorreu sobre 10 notas harmoniosas, sendo um dos primeiros da época a utilizar o acento sintético de pêssego - aldeído C14.
Evolução rica, que constitui experiência encantadora, inicia no acorde frutal floral, acompanhado de perto pelo aroma doce do que me parece ládano, desenvolvendo uma perfeita sinergia com a pele, em nota cálida e corporal.
Esta suavidade, ligeiramente polvorosa, acusa um bouquet delicado onde flores estão em velado mistério.


Rosas se escondem seguidas pelo séquito de tímidas acácias e ylang ylang.
As especiarias surgem valorosas alternando canela e picante cravo-da-índia sem atingir plenitude incômoda, permanecendo contidas pelo sempre presente acorde de ládano e benjoim, no rastro de cálida civeta .
Acrescenta-se um acento resinoso, beirando o canforado e lembrando bálsamo de tolu, que também denota presença de sutis patchuli e vetiver numa conjunção que reforça o animalic incensado, tônica de toda trajetória.
Doçura constante e enfumaçada, que empana a vocação chypre, traduzida em mistério oriental, onde musgos perdem a característica úmida aproximando-se dos acordes terrosos.
A cremosidade deste acento aveludado e pulsante acompanha a fragrância despertando atração e repulsa como no antagonismo que envolve seus componentes.
Ora doces e leves, ora especiarados e densos.
A base mantém constância nas madeiras incensadas, e docemente temperadas.


Comenta-se ser eau de parfum( edp) mais farto em musgo, mais caloroso que eau de toilette (edt), que apresenta limpidez e frescor característicos na adição de acordes cítricos.
De qualquer forma Mitsouko fascina, e apesar das mudanças ou perda de alguma pungência e vibração, presentes nas primeiras décadas de existência, considero um privilégio desfrutar deste aroma clássico, perpetuado de um século à outro.
Embora a sillage seja satisfatória a fixação é menos prolongada do que a esperada para tal composição. Pede reaplicação após 6 ou 7 horas quando fecha sobre a pele.
Recentemente(2009) o mercado recebeu uma edição limitada e comemorativa dos 90 anos de Mitsouko.
Encerrando um azulado perfume no frasco original surge Mitsouko Fleur de Lotus .
Será que este corresponde em atração e fantasia ?



Família Olfativa: Chypre frutal, 1919
Perfumista: Jacques Guerlain
Gênero: Feminino (compartilhável)
Rastro: Intenso
Fixação: Muito Boa
Pirâmide Olfativa:
  • Topo - Bergamota, tangerina, limão, pêssego, neroli
  • Coração - Pêssego, rosa damascena, ylang ylang, cravo da índia, jasmim
  • Base - Especiarias ( Canela), musgo (tree-moos), vetiver, benjoin madeiras


Jacques Guerlain
Perfumista como sua tia - Aimé Guerlain - filha do fundador da maison, Jacques Guerlain se destacou pelas fragrâncias misteriosas e intensas que produzia.
Extremamente perfeccionista buscava qualidade em todos os detalhes das suas criações, dedicando-se com igual ímpeto aos novos perfumes e ao aprimoramento de fragrâncias já existentes.
Assim lapidou o conceito de Chypre Coty transformando-o em Mitsouko.
Fascinado pela arte, música ( ópera) e Oriente, muitas das suas fragrância eram inspiradas no exotismo de costumes e aromas destas terras longíquas.
Deixou uma bela coleção e um preparado sucessor: O neto Jean Paul.

Criações Jacques Guerlain


Le Jardin de MonCuré-1895
Bon Vieux Temps -1901
Violette Madame -1901
Champs - Elysees - 1904
Mouchoir de Monsieur - 1904
Avril en Fleurs - 1905
Aprés L'Ondée -1906
Muguet - 1906
Chypre deParis - 1009
Quand Vient L'Étè - 1910
Kadine - 1911
L'Heure Bleu - 1912
Jasmiralda - 1917
Pois de Senteur - 1917
Mitsouko - 1919
Eau de Fleurs Cedrat -1920
Guerlinade - 1921
Rue de La Paix - 1922
Bouquet de Faunes - 1923
Ne M'Ou bliez Pas - 1923
Elixir - 1923
Shalimar - 1925
Jasmon - 1928
Liú - 1929
Guerlarose - 1930
Guerlilas - 1930
Vol de Nuit 1933
Véga -1936
Cachet jaune -1937
O de Guerlain - 1955

Vídeo:TV Commercial 1980s 
 

Imagens:Foto de Elisabeth Casagrande;   Publicidade Mitsouko e La Bataille; Composição de Mitsouko em frasco tester de Perfumes of Life; frasco vintage em idhunna live journal; Perfume bottle Mitsouko; Jacques Guerlain em seu laboratório de Bois de Jasmim.

segunda-feira, setembro 14, 2009

Anglomania eau de toilette - Vivienne Westwood

 Anglomania, floral e oriental, criação da casa Vivienne Westwood, conturbada estilista inglesa que provoca fascinação desde Carrie Brasdshaw em seu momento noiva até as diligentes garotas japonesas que trabalham no couro ou em sandálias Melissa, todas irmanadas no talento e criatividade. Vivienne é reconhecida como designer punk e BDSM numa maison onde flutuam espartilhos e calçados exóticos.
Mãe do idealizador da famosa grife de lingerie Agent Provocateur, pode-se dizer, em analogia, que Anglomania é mãe de Strip um dos conhecidos perfumes da grife de lingerie.
Dominique Ropion, o nez responsável pela fragrância,  foi incumbido em 2005 de criar um perfume sexy, quase um fetiche.
Não restam dúvidas de que cumpriu belamente o objetivo.


Transparente e vermelhíssimo o frasco, inspirado em boticas chinesas, apresentando  serpente dragão impressa junto ao nome, relaciona facilmente esta fragrância com as demais criações Vivienne Westwood.
Notas intrigantes de coentro, chá verde e cardamomo fazem da saída deste eau de toilette uma realização magnífica.
A fase seguinte nos mostra noz-moscada, violetas e rosas antecipando drydown onde se destaca o acorde de couro, âmbar e baunilha.
extremamente vívido, cuja sensualidade não é intuitiva ou sugestiva, mas clara e confiante, Anglomania edt é lascivo...e inebriante do começo ao fim.
Parecendo um licor cremoso aquece o corpo quando sorvido lentamente, despertando, envolvendo e confundindo os sentidos... a cor vermelha, batidas do coração, toques de couro na pele e a sensação olfativa que provoca água na boca.
Rosas adornadas por especiarias  tornam Anglomania  ainda mais misterioso e fascinante em nuances nebulosas.
Da embriaguez adocicada e estimulante dos acentos de coração à base lânguida e relaxante poderia ser o aroma sentido numa noite de núpcias ou simplesmente de paixão

Contribuição de Luz. 
Edição de Elisabeth


Família Olfativa: Oriental Floral, 2005
Gênero: Feminino
Perfumista: Dominique Ropion
Rastro: Intenso
Fixação: Muito boa
Pirâmide Olfativa:
  • Topo -  Coentro, chá verde e cardamomo
  • Coração - Noz-moscada, violeta, rosa
  • Base -  Couro, âmbar, baunilha.
Similaridades Olfativas
Leitores de revistas  on line citam aproximação olfativa com  Cantate Yves Rocher,  My Queen de Alexander McQueen, Kelly Caleche de Hermés, Nanette de Nanette Lepore,  Chloe Intense, Love In Black deCreed

domingo, setembro 13, 2009

Tocadilly eau de toilette - Rochas


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sábado, setembro 12, 2009

Maroussia - Slava Zaitsev

Experimente Maroussia no inverno, em temperaturas inferiores a 15ºC.
Apesar de se adequar à climas amenos ou dias ensolarados, quando o frio corta o ar, a limpidez provocada permite percepção de acorde quente e animalic, menos evidente no calor, que enriquece e diferencia a composição.
Aldeídico floral está presente  desde as primeiras notas, antecipando  o surgimento desta  civeta, morna, doce, insidiosa a rondar e farejar flore.
Traz no frasco arquitetado no mais puro estilo russo o  aconchego das pelúcias quentes, vivazes e coloridas
Maroussia é um bouquet doce cuja especiaria revela um blended pungente de cravo, canela e aniz, polvilhado pela íris.

As flores são gélidas plagiando a neve de estepes invernais, enquanto o acorde animalic é quente e caloroso como o aconchego de uma lareira, onde animais se enroscam preguiçosos, próximos ao fogo, adormecendo sob hipnótica e bruxuleante luz
Notas ricas, imponentes e silenciosas sustentam o aroma por várias horas destacando-se a tepidez do benjoin e da civeta junto à doçura das favas de baunilha e feijão tonka.
Sillage elegante e presencial, fixação excelente numa combinação muito particular para a qual não conheci similares.
Talvez pudesse ser comparável ao estilo aldeídico de Tresor, ou Jivago 24k. Entretanto o bouquet e sintonia com acordes de base tornam esta fragrância sui generis..


Família Olfativa: Oriental Floral, 1992
Gênero: Feminino
Pirâmide Olfativa:
  • Topo - Aldeídos, bergamota, flor de laranjeira, pêssego
  • Coração - Heliotrópo, jasmim, rosa, angélica, íris, lírio selvagem, ylang ylang, orquídea
  • Base - Civeta, benjoim, almíscar, baunilha, feijão tonka, âmbar, madeira de cedro, madeira de sândalo.
Vai ao Shopping? Confiras preços e marcas nas boas lojas que abrem suas portas em Perfume Bighouse 

Arte Irmã: Encontraria sintonia na poesia russa...e na graciosidade  de Kalinka

" Não, não sou eu, é alguém mais que sofre.
Eu não teria podido. Panos negros de lã cubram
O que se passou,
E levem embora os lampiões...
Noite."
Anna Akhmatova

Vídeo : Kalinka


Imagem: Maroussia  Slava Zaitsev por Elisabeth Casagrande; Portrait de Anna Akhmatova por Nathan Altman

sexta-feira, setembro 11, 2009

Parisienne -Yves Saint Laurent


Desculpe, estou reeditando esta resenha. Será publicada em breve!

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Nirmala eau de toilette - Molinard


Voltem no tempo meio século e imaginem a Ásia... colorida e vibrante emanando aromas frutíferos, melífluos, exóticos.
Ali encontraremos o DNA ancestral dos modernos gourmands que enlouqueceram  narizes no princípio da década de 90.
Encerrado num belo nome de mulher: Nirmala, nascido em 1955.
Assim Molinard, a perfumaria de Grasse desde 1849, batizou este aroma doce, intenso e duradouro, que penetra na pele de forma avassaladora envolvendo em calor, blended frutal e sensualidade.
Sillage inicial prenuncia  fixação poderosa, que se confirma através das horas evoluindo com segurança, lentamente, como os movimentos sinuosos e ritmados das danças asiáticas.

Difícil resistir ao apelo destas notas  mesmo os  forem avessos a tal família.
A princípio  traz  boom gustativo das frutas e flores de maracujá em  pungência  cítrica adoçada pela manga madura, aromática e saborosa.
Diferencia-se Nirmala de repetidos aromas frutados pelo acento que emerge da base. Aroma de cedro, de madeiras e resinas, enquanto flores entremeiam e a baunilha rescende a mel.
Durante esta caminhada que parece um abraço exuberante da Natureza em pleno frutificar, sentimos  almíscar e âmbar, contemporizando a exaltação, atenuando o brilho excessivo e ensolarado.


Suave acento empoeirado encanta e confere ares de toucador, leveza e feminilidade, enquanto o perfume acomoda seus acordes em sintonia, um completando o outro, anulando as individualidades até que reste um doçura final e incerta.
Pioneiro, formidável e fascinante, um dos precursores gourmand , cairá como uma luva aos apreciadores de doçura intensa.

Similaridades Olfativas
Perfumes contemporâneos que seguem esta linha  são Angel e Innocent by Thierry Mugler.
Notas frutais de maracujá ou a combinação de baunilha, fava e madeiras também podem ser sentidas em inúmeros como Whish e Pure Whish de Chopard, Theorema de Fendi,
sem a exuberância frutal,  e Huile de Parfum Cosy Cashemere- Edition Spèciale.

Classificação

Família Olfativa: Oriental amadeirado,
Gênero: Feminino
Designer: Molinard
Rastro: Intenso
Fixação: Ótima
Pirâmide Olfativa:
  • Topo - Maracujá , Tangerina, manga e toronja
  • Coração - Jasmim
  • Base - Baunilha, fava tonka, cedro da Virgínia, almíscar, âmbar, sândalo
 Arte irmã : Seria a bela paisagem da Indonésia através da lente de Rarindra Prakarsa

quinta-feira, setembro 10, 2009

Covet eau de parfum - Sarah Jessica Parker


Negociando trocas de perfumes recebi uma amostra de Covet eau de parfum.
Dentre inúmeros, um frasquinho com o nome borrado despertou minha atenção pela tonalidade amarelo citronela, e pelo aroma característico de chocolate belga misturado com laranja. Floral e verde! Seu nome é Covet.
Era o perfume que atiçava minha curiosidade no belo frasco, como um cristal, parecendo escultura híbrida de flor entreaberta e torneira antiga.
Em desenho elegante de Chad Lavigne, um perfume criado por Frank Voelki, da casa Firmenich, em colaboração com Ann Gottlieb.
Pesquisas apontam várias definições para este aroma feminino: chá, cheiro de boneca nova, grama verde, estranho, confortável, esquisito"... porém o que provocou maior atração foi uma só palavra- compartilhável. Sim, totalmente unissex!
Notas no topo são verdes e doces com o toque suave, cremoso e característico de chocolate do tipo amargo. Desenvolve-se em acorde equilibrado na presença do bouquet de flores brancas e das pétalas de violetas.



A surpresa, o impacto e seu ápice estão no cremoso e floral! Nesta fase confortável, madeiras macias unem-se às magnólias, talvez adoçadas por gotas de mel, e proporciona uma sensação anisada e tépida como a de um chá. Em alguns momentos tais notas transparecem na sillage a semelhança do meu querido Aimez Moi de Parfuns Caron.
Contudo, o moderno Covet é respaldado por característica cremosa e límpida enquanto no Aimez a união de aniz estrelado e violetas é arrematado por fundo abaunilhado e terroso, sempre presente. Creio que o excesso possa torná-lo irritante devido a intensidade e persistência do aroma, mesmo que a essência deste perfume não condiga com o surto de loucura e cobiça representado por Sarah Jessica Parker na campanha publicitária.
Poderia ser espelhado por um contexto mais calmo, embora imbuído de contemporaneidade e da euforia da nossa frenética época.
Formidável criação exceto pelo pequeno desencontro conceitual entre propaganda, frasco, perfume e grife. Por outro lado toda esta idiossincrasia e atração pelo "diferente" fez com que Sarah Jessica Parker me conquistasse.
Ah...finalmente mais um pequeno, porém intenso, desejo realizado!

Contribuição de Pavel / edição de Elisabeth

Família Olfativa: Floral aromático, 2007  
Gênero: Feminino ( compartilhável)
Perfumista: Frank Voelki e Ann Gottlieb  
Rastro: Intenso  
Fixação: Muito Boa
Pirâmide Olfativa:
  • Topo - Notas verdes, folhas de gerânio, limão, chocolate, lavanda 
  • Coração - Jasmim, chocolate, magnólia, lírio, michelia 
  • Base - Almíscar, vetiver, madeira cashmere, âmbar, madeira de teca ou tectona 
  •  
Imagens: Frasco de Covet edp e composição colagem de Elisabeth Casagrande

Nota - Amigos geralmente são atraídos uns para os outros pelas similaridades de convicções, comportamentos e valores, que funcionam como imãs naturais. Algumas vezes esta proximidade leva aos mesmos e simultâneos pensamentos. Assim como escolhemos o mesmo estilo de  cor de roupa para ir com aquela amiga querida numa festa. Perfume Bighouse e o chiquérrimo Perfumes & Etc descobriram que seus amigos, plumas de perfumaria, estão sintonizados na mesma camada aromática. E geralmente onde não ocorre a subtração encontramos a mais perfeita adição. Ganharam os leitores na opinião paralela de dois amantes da perfumaria sobre um belo perfume.
 
Vídeo: Campanha publicitária Covet

quarta-feira, setembro 09, 2009

Black Orchid eau de parfum - Tom Ford


Avassaladora e sombria na impressão inicial, intimida como dark flower aveludada, levemente embriagada de bombons e licores, invadindo o ambiente, querendo arrebatar os sentidos.
Quase demasiada, beira perigosamente o exagero.
Esperamos vê-la resvalar em vulgaridade num jardim sufocante de flores desabrochadas e colhidas começando a vertiginosa perda de frescor.
Pérfida, esta orquídea em seu fôlego prolongado, saboreia, devaneia, enquanto as horas passam.
Veste o exotismo como se fosse um confortável kaftan, despojada de preocupações.
Requinte sensual e natural acompanha a evolução transformando a impetuosa flor do início em coquete e preguiçosa dama.
Uma composição impactante, feita para seduzir ou provocar repulsa, contanto que não seja ignorada..
Acompanha a mulher glamurosa, que ousa nas cores, ou usa preto com maestria, não dispensa o salto e ondula os quadris ao andar, sem artificialidades.
Black Orchid nasceu caloroso, fascinante e exige reciprocidade na pele que habita.

As notas de topo são dramáticas, intensas, florais, doces e complexas. Bouquet licoroso de rosas, ylang ylang, misturado à baunilha, orquídeas e jasmim alia-se ao leve resinoso quase canforado que indica associação de cítricos com seivas balsâmicas da base.
Reina uma atmosfera velada e íntima entremeada de doces murmúrios e suspiros.
Blended quente, cremoso e pesado como uma alcova de veludos e rococós a meia luz, as vezes permite que se perceba um brilho fugaz de cristal, como se refletisse raios de luz, no inesperado frescor que circunda tais notas.
Surpreende pelo imprevisto deste acento assim aquático, quase ozônico.
A doçura animalic é indelével e constante mesmo quando este viço verde e sumarento ronda o acorde denso substituindo o drink inicial. Alterna frescor e aconchego cálido.
Vagarosamente o floral gourmand deixa de lado a cremosidade, transforma o veludo em cetim e sedas.
Percebe-se um toque sutil, quase imperceptível de íris aliado ao âmbar e suavidade polvorosa de almíscar.
Patchuli, resinas amadeiradas e cítricas somam ao apimentado dulçor dos cravos para quebrar a ingenuidade da baunilha, transformando-a numa sedução madura e carnal.

Intenso, muito intenso, em rastro e fixação, exige habilidade ao ser manipulado, pois de arma sediciosa que deslumbra, pode se transformar em agente letal que repele.
Black Orchid, o primeiro perfume de Tom Ford, surpreende constituindo uma experiência olfativa muito interessante.
Cativa, tenta, seduz e pede atitude personalíssima para ser conduzido com elegância.



Família Olfativa
: Oriental Floral, 2006
Gênero: Feminino
Pirâmide Olfativa:
  • Topo - Trufas negras, ylang ylang, bergamota, groselha negra ou cassis
  • Coração - Flores negras, acordes frutais, madeira de lotus
  • Base - Patchuli, baunilha, madeira de sândalo, chocolate negro, vetiver
Vai ao Shopping? Confiras preços e marcas nas boas lojas que abrem suas portas em Perfume Bighouse 

Comentário V.I.P.

Gosto
Conhecer Black Orchid foi uma indescritível surpresa!
Um perfume arrebatador, sufocante, e em contrapartida erótico e elegante.
Poderia dizer que se trata de um aroma controvertido, cuja mínima dose pode causar a mais excitante das sensações, ou o exagero a mais desagradável consequência.
Na primeira borrifada é agressivo, as notas ardem sugerindo sádica vulgaridade, porém evolui antes que estas notas nos agridam a ponto de incomodar... e vem o prazer das trufas, com seu aroma exótico, incomum, quente e sério.
Conforme a fragrância avança mais rica e complexa se torna, seguindo exóticamente adocicada, cuidadosamente floral e intensamente sensual.
Um perfume indispensável em qualquer coleção, com seu uso restrito que torna cada borrifada um prazer.
Contribuição de Cesar 

Imagens: Colagens de Elisabeth Casagrande, frasco de Black Orchid Tom Ford

 

terça-feira, setembro 08, 2009

L'Anarchiste eau de toilette - Caron Paris

Uma epopeia perfumística em três capítulos, complexa e muito sofisticada.
Fase I: Ambiente doméstico caloroso, cheiro profundo de casca de laranja seca, dos aromatizadores, que se mistura ao vapor do chá de canela e menta, à conversa em tom íntimo, ao esfregar de mãos , vapor condensado nas janelas e gritos alegres das crianças.
É a infância do nosso herói.
Fase II: Tiros no escuro. gritos, jovens companheiros de ideal suam e tentam tomar posições num espaço convulsionado. Portas de madeira arrombadas, garrafas estouradas, pânico, lágrimas, fumaça e sangue em sua evolução.
Fase III: Elegante porta entreaberta revela uma escrivaninha e nosso protagonista.
Nada sugere seu passado anarquista no sorriso impecável nas roupas bem talhadas.
Gentilmente leva-me até a janela do aposento de onde podemos admirar um futuro utópico, sem discordâncias, perfeito.


Desprezo esta traição de quem abandona tudo no que antes acreditava, entretanto... o poder maléfico de um dos finais de perfume mais estupendo que já senti me domina.
Faz tombar e desfalecer meu ímpeto de revolta, neste sofá elegante, entre almofadas almiscaradas. Choro de ódio.

Bonum Diffusivum sui -Contribuição de Aretê

Imagens: Force d'attraction de Jacques Damville; L'Anarchiste frasco-Andylama-Basenotes

Família Olfativa: Floral amadeirado, 2000
Perfumista: Richard Fraysse
Gênero: Masculino
Pirâmide Olfativa:
  • Topo - Flor de laranjeira, tangerina
  • Coração - Folhas de cedro, dândalo, vetiver, madeira de cedro
  • Base - Almíscar
RICHARD FRAYSSE
Responsável por várias criações de Parfums Caron , das quais podemos relacionar:
- Caron Caron Les Plus Belles Lavandes - him
- Caron Eaux de caron Forte - her
- Caron Lady CAron - her
- Caron Miss Rocaille - her
- Caron Montaigne - her
- Caron Pour Une Femme de Caron - her

Arte Irmã ... na literatura

Generais


" Os jornalistas políticos Marco Antonio Kraemer e José Barrionuevo especulavam sobre quem poderia ser o sucessor de Emilio Garrastazu Medici na presidência da República.Mário ouvindo. Na mesa ao lado Ivo Stigger datilografa. Mário passa a ele uma lauda com uma frase escrita à mão;
- Olhai, Alemãozinho do Cinema.
Stigger guarda o papel como relíquia. Está lá:
"Era uma vez um general burro. Tão burro, que os outros generais notaram."
O Humor de Mario Quintana

Foto: Charge nº 7 Os dois Poderes no Brasil