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domingo, agosto 30, 2009

Fendi Life Essence - Fendi



Esta resenha está em reedição . Por favor aguarde.

Blogs Brasileiros


Considerado um dos maiores consumidores de perfumes e cosméticos  o Brasil ultrapassa o volume de compras dos Estados Unidos e de países europeus neste setor.
Paradoxalmente  o cenário literário físico e virtual era pouco produtivo até entrarmos no novo século e foi impulsionado pelas publicações virtuais que não careciam de subsídios astronômicos ou dependiam apenas do empenho de colecionadores  e estudiosos em perfumaria.


A blogosfera do Brasil, ou pelo menos escrita por brasileiros começou lá fora. Com o blog de Nelci Sampaio, carioca da gema,   que vive na Bélgica .

 Perfumes & Etc - Maio de 2008 - Autoria de Gaelle ( Nelci Sampaio)


 Logo após surgiu outra publicação  de Simone Shrit que  divide seu tempo entre o Brasil e a Europa onde viveu durante alguns anos.


Mais que Perfume - Julho de 2008 - Autoria de Simone Shirit


 Com residência  em solo brasileiro na mesma época surgiu o blog  da paulista  Cristiane Gonçalves, que se tornou popular entre os internautas  das comunidades do  Orkut.  No momento está desativado.

 Perfume da Rosa Negra - 2008 - Desativado


Inspirada na dedicação destas três autoras  criei o blog Perfumes Bighouse em janeiro de 2009, oficialmente inaugurado pela blogger em 3 de fevereiro de 2009. Posteriormente mudou de hospedagem e nome passando a se chamar Perfume Bighouse,  até a atualidade.

Perfume Bighouse - Fevereiro de 2009 - Autoria de Elisabeth Casagrande

Além da blogosfera nacional e internacional, comunidades em  redes sociais como Orkut, Twitter e  Facebook, onde  amantes de perfumaria trocam ideias, frascos usados e amostras, compram e vendem perfumes, alimentaram a vontade de vários e jovens autores que viram a oportunidade de ingressar no mercado da perfumaria, ou simplesmente se fazer ouvir em seu próprio espaço.
E a lista não para de crescer.
A medida que for descobrindo estes locais virtuais perfumados estarei adicionando,  para que façamos um registro histórico destas publicações em perfumaria, se possível acrescentando algumas informações sobre cada um.


Da  catarinense de Florianópolis,  Vanessa Anjos.

 Perfume na Pele - Junho de 2009 -  Autoria de Vanessa Anjos


Van Mulherzinha - Outubro de 2009 - Autoria de Vanessíssima


Village Beauté - 2010 - Autoria de Dâmaris O.B.Silva - desativado


O Perfumístico - 2010  - Autoria de Fabio Condé

A Louca dos Perfumes  - Agosto de 2012 - Autoria de Diana Alcântara


Parfums Et Poesie - Agosto de 2013 - Autoria de Lily Loon


Le Monde Est Bleu - Agosto de 2013 - Autoria de Juliana Toledo


 1 Nariz  - Agosto de 2013 - Autoria de Denis Pagani


Perfumart - Outubro de 2013 - Autoria de  Cassiano Silva


A Estante Perfumada - Janeiro de 2014 - Autoria de Mariana Rocha


 Templo dos Perfumes - Fevereiro de 2014  - Autoria de Cris Nobre


 Pimenta Vanilla - Março de 2014 - Autoria de Carla Biscaglia


Ego in Vitro - 24 de maio de 2014 - Autoria de Daniel Barros

sexta-feira, agosto 28, 2009

Eternity for Men - Calvin Klein

A evolução se dá por mudanças lentas ou por saltos espetaculares, e isto não é novidade no mundo dos perfumes.
Os anos 90 trouxeram um novo encanto - a leveza tomou conta dos lançamentos. Aromas minimalistas vinham sem as notas que davam profundidade.
Ao contrário do que se pode pensar, isto não resultou em tédio. Para compensar alguns deles abriam uma ampla superfície aromática que propiciava lindas viagens sobre este oceano.
Mesmo sendo composto por notas que dão uma sensação mais superficial, o que pode trazer uma estranheza no início, o CK Eternity é um perfume fascinante.
Alavandado sim, frutado e com uma doçura bem floral, coloca esses temas sobre uma mesa onde se revezam.
Inicialmente exala um odor fresco e sintético,caminhando depois sobre uma trilha floral.
A madeira lavada e pálida está sempre lá e ele permanece refrescante até o fim.
A versão feminina tem um corpo de flores muito mais incisivo, porém o fundo muito leve confirma a mesma proposta etérea.
Num mercado dominado por estruturas aromáticas potentes, essa abordagem chocou e agradou muito.
Eternity continua sendo um perfume muito lembrado e vendido.
Como todo conceito evolui e se corrompe, hoje temos lançamentos, mesmo os mais leves, que são mais caleidoscópios.
Os Eternity sobrevivem graças à qualidade e caminham para o que seu nome de batismo profetizava.
Tornarem-se clássicos!

Contribuição do leitor Aretê - Bonum Diffusivum sui


Ficha Técnica
Família Olfativa: Fougere Aromático,1989
Perfumista : Carlos Benaim
Gênero:Masculino

Rastro: Intenso
Fixação: Ótima
Pirâmide Olfativa:

  • Topo - Bergamota, limão, petit grain, lavanda
  • Coração - Flor de laranjeira, coentro, lírio, zimbro ( bagas)
  • Base - Sândalo, pau rosa, almíscar, âmbar

quinta-feira, agosto 27, 2009

Cuir de Russie - Les exclusifs de Chanel


Durante meio século de conflitos, lutas internas, czares que acumulavam erros e desvarios, a Russia sofreu, porém manteve aos olhos do mundo ocidental a imagem de terrítório vasto e misterioso.
Interpretada como uma terra exótica, marcada pelo luxo e pelos excessos que levaram seu povo à inúmeros embates, apresenta na história um trajeto intenso e apaixonado.
O sangrento domingo de outubro de 1905 marcou o inevitável declínio do último czar Romanov da mesma forma que a fundação da União das Repúblicas Socialistas Sovièticas ( URSS), em 1923, selou a consolidação da vitória dos bolchevistas... o poderio de Lenin.
Maison Chanel comercializava Cuir de Russie, um perfume que transmite luxo e opulência, em 1924.
Seria uma tentativa de capturar esta aura requintada de um sistema cultural agonizante ou apenas o reflexo do círculo de amigos da poderosa dama, que incluía inúmeros imigrantes da sociedade russa entre 1910 e 1920.
Difícil concluir com segurança, pois a própria Gabrielle Chanel era provocativa e revolucionária, o que se comprovava em atitudes, não só palavras, como no espanto e burburinho provocado com sua aparição em público, vestindo calça e paletó, no começo da década de 20.
Uma contestadora.
O conceito é obscuro para mim, entretanto sinto neste perfume características que provocam uma doce e melancólica nostalgia, guiada pela imaginação e não pelo conhecimento físico ou temporal.


Percebo uma obra de fina perfumaria, cuja evolução é surpreendente.
A saída aguda, de cítricos cortantes como adaga afiada, carrega gotas de mel que atenuam o brilho da lâmina.
Existe tal intensidade neste acorde que provoca uma tensão no ar.
Aldeídica mistura de limão laranja, bergamota somada à picante e herbal sálvia de jardim e a doce flor de laranjeira, conduzem à uma impressão de cintilante cristal.
Nada indica a vibração das flores embaladas pelo couro macio e escuro que assomarão a seguir.
Um bouquet opulento, onde se distingue a emanação de um jardim no qual flores irmanadas nos atingem ao mesmo tempo, destacando-se características de rosa, ylang ylang e volátil jasmim.
A fragrância avança vagarosa, sutil e quando percebemos instalou-se outro cenário.
Emerge o acorde de couro, cremoso, refinado e quase caramelado que gradativamente alia-se ao âmbar e a íris adquirindo polvorosa característica de talcos finos de toucador.
Nota fugaz de tabaco tempera esta composição, porém não o tabaco/couro animalic e rascante de Tabac Bonde ou o acorde de imperativa associação de couro e tabaco de Habanita, apenas a leveza das pitadas de tempero.
Esta agradável e luxuosa pelica permanece muitas horas, ainda adornada pelas aldeídicas e levemente licorosas flores, até o adormecer suave nos braços doces e almiscarados da íris.
Cuir de Russie afirma constantemente sua procedência da maison Chanel, imbuído de sofisticação, requinte e equilíbrio.


A beleza desta fragrância consegue nos surpreender, não com arroubos intempestivos da polka, mas com a beleza silenciosa e gutural das românticas catedrais, cujas formas arredondadas e coloridas se destacam contra a neve, como um porto acolhedor.
Junto aos seus conterrâneos de estilo olfativo tornou-se marco histórico e referência da família olfativa, transformando-se em exemplo para perfumes sucessores como o Cuir de Russie da casa Bienamé lançado em 1935, numa época na qual era possível dar nome igual ou muito semelhante aos perfumes que já existiam.
O couro olfativo está para Cuir de Russie Chanel como a família chypre está para Chypre de Coty.
Em 1983 foi relançado como um dos Les Exclusifs através da maestria de Jacques Polge que atenuou os aspectos do couro original, modificando principalmente as características de base.
Outras fragrâncias reconhecidas pelos acentos leather são: Derby de Guerlain, Bel Ami de Hermes, Cuir Mauresque de Serge Lutens, Gucci pour Homme, Givenchy Gentleman, Tuscan Leather de Tom Ford


Família olfativa: Couro (1924- 1983)
Perfumista: Ernest Beaux (1924) Jacques Polge (1983)
Gênero : Unissex, compartilhável
Rastro: Intenso
Fixação: Ótima
Pirâmide Olfativa:
  • Topo - Flor de laranjeira, tangerina, vergamota, limão, sálvia de jardim
  • Coração - Cravo, íris, jasmim, ylang-ylang, rosa e cedro
  • Base - Couro, âmbar, baunilha, heliotrópe
Imagens: Composição de Elisabeth com Editorial Chanel Paris-Moscow winter 2009;Saint Petesburg de cristimoise.net

quarta-feira, agosto 26, 2009

Habanita eau de parfum - Molinard

Soturna e violenta cidade dos anos 30, é retratada nas tiras do cartoon Dick Tracy.
Rápido no gatilho, másculo e decidido, o famoso policial combatia os gangsters da época dirigindo seu cadilac, elegantemente trajado em charme e estilo.
Belas audaciosas e intensas mulheres de cabelos platinados, decotes vertiginosos e fascinantes meias de seda com risca, desfilavam pelas criativas e realistas histórias.
Obrigatória presença, estas damas de aparente fragilidade revelavam glamour sensual e sofisticado ao deslizar pela noite, cortejando a criminalidade.
Não há dúvida que deixavam atrás de si uma sillage estonteante.
Perfeitamente Habanita de Molinard, fragrância que certamente despertou admiração e comentários polêmicos, quando lançada em 1924, no aroma que oscila entre doce chypre e misterioso oriental.
Com desconcertante drydown, a revelar notas masculinas encobertas por camadas espessas de doce e gritante feminilidade, Habanita não seduz uma mulher comum, mas aquela que denota entrosamento e culto ao singular.
Desperta encantamento pelo acorde profundamente doce e instigante, com sabor de canela, noz moscada e páprica doce, encerrado na mistura de petit grain e aroeira, evidente desde as primeiras notas.
Floral e oriental demonstra pouco da acidez herbal dos cítricos, mesmo quando uma verde e resinosa nota de gálbano espia timidamente entre suas dobras aveludadas.
Caprichosamente encaminha-se para o coração floral, bouquet magnífico, camuflado de forma misteriosa, abafado e nebuloso junto às notas de madeiras, resinas e incenso a provocar névoa tão densa quanto a neblina das noites frias nas tiras para Dick Tracy.
Provocativos acentos que misturam intenso tabaco, suavidade animalic de couro e doçura íntima de maquiagem, numa fragrância que poderia condensar a atmosfera de um night club de outras décadas.

Mistura-se a pele revelando familiaridade com a natureza feminina, acariciante e melífluo em delicadas emanações que evocam uma mistura de benjoim, musgo e patchuli.
Incenso e discreto apimentado permanecem emaranhados às flores dulcíssimas como ylang ylang, rosas e jasmim chocolate.
Resinas e madeiras nos levam ao tabaco raro e denso, enfumaçado que mantém junto a si um envolvente e empoeirado dulçor de antigos veludos, naturalmente fabricados em décadas anteriores à invasão dos tecidos sintéticos.
Exala o luxo e volúpia da night.
Se momentos e realidades da nossa sociedade encontram eco nas expressões artísticas, na moda e nos estilos de perfumes que foram e serão criados, Habanita faz parte deste grupo eloquente, ícones destas décadas de antagônica e sofisticada sedução urbana.
Atemporal, mantém-se a disposição da nossa ilusão para nos transportar à atmosfera mágica de um film noir.
Warren Beauty e Madonna, que interpretam os personagens carismáticos imaginados por Chester Gould, imprimem talento e beleza à história, parecendo tão adequados quanto Habanita, fazendo imaginar na penumbra de uma sala de projeção o aroma delicioso do longo drydown abaunilhado.

Ao final, levamos a sensação de ter acompanhado o destemido Dick e sua namorada sensual, numa perigosa, perfumada e envolvente aventura pelo submundo atordoante de Chicago.
Habanita eau de parfum é intenso, de rastro longo e intensa fixação.
Eau de toilette conserva as mesmas características, abrandadas em impacto e durabilidade.
Originalmentre em cristal de concepção Lalique, o pequeno e artístico frasco negro está adornado por delicados nus femininos, de cabelos longos revoltos e anelados.
Molinard apresenta uma perfumaria vigorosa, versátil e adequada para várias tendências fashion, em embalagens primorosas e belas, destacando-se os frascos com vaporizadores em sofisticado vintage.





Ficha Técnica

Família Olfativa: Oriental Floral Amadeirado, 1924
Gênero:  Feminino
Perfumista:
Rastro: Intenso
Fixação: Ótima
Pirâmide Olfativa
  • Topo - Petitgrain (cítricos),gálbano, aroeira ou lentisco
  • Coração - Vetiver, cedro, ylang-ylang, heliotrópio ou jasmim chocolate, noz moscada
  • base - Âmbar, patchuli, sândalo, almíscar, musgo de carvalho 

Similaridades: Encontradas em revista on line...Toujors Moi de Dana, Enslaved de Roja Dove, Fleur de Peau de Keiko Mecheri, Shaikhah de El Rehab

Arte Irmã: Encontra-se na música de Madonna - Sonner or Later - DickTracy


Imagens: Banner publicitário do filme Dick tracy; Banners publicitários vintage de Habanita- Molinard ; Frascos de Habanita -Imagens realizadas em Etrebelle - Shopping Palladium- Curitiba.

segunda-feira, agosto 24, 2009

BaghariI - Robert Piguet

Sob o domínio da baunilha,  Baghari é um suave bouquet a exalar romantismo.
Submerge nas emanações cremosas da baunilha desde o princípio, suavemente, mal permitindo vislumbrar a presença dos cítricos.
A nota leitosa, naquela característica típica que nos faz pensar em leite de coco e sabonetes de toucador encontra eco na adição de aldeídicas flores.
Torna-se sinuosa e cálida, transformando a fugaz refrescância inicial num bouquet feminino e sensual, também delicado coadjuvante...doces flores recebidas após o encantamento da sedução.
O reinado da baunilha estende-se até as fileiras da base onde acento ligeiramente picante é bandeja de apresentação para âmbar e íris, que reforçam a conotação de perfume de toucador, nostálgico.
Apesar do ambarado não se perde a cremosidade a favor de acorde poeirento e seco.
A presença constante da leitosa baunilha conserva esta imagem adocicada, de ambiente onde impera a languidez do robe de chambre em cetim e rendas, das pérolas espalhadas lembrando que este cenário é essencialmente voltado para requintada elegância.
Baghari, reedição do original de 1950, proposto por Francis Fabron, atualmente apresenta este caráter doce e delicado que se vê em Sicily by Dolce e Gabbana, também recordando vagamente o acorde abaunilhado de D&G tradicional, sem os excessos.
Sillage intensa a princípio, torna-se delicada quando volatizamos notas do coração da fragrância, enquanto a fixação gira em torno de 4 horas. Após este tempo fecha sobre a pele.

Imagem: Rita Hayworth em cena de Gilda-domínio público; Baghari notes - site oficial deRobert Piguet; Baghari frasco.


Família Olfativa: Floral Aldeídico
Perfumista: Francis Fabron, 1950 - Aurelian Guichard ( Givaudan) 2006
Gênero: Feminino
Rastro: Intenso a moderado
Fixação: Boa

Notas Olfativas - 1950: Aldeídos, bergamota, flor de laranjeira, limão, rosa, lilazes, ylang-ylang, lírio selvagem ou lírio do vale, jasmim, vetiver, benjoim, almíscar, âmbar, baunilha Bourbon


Pirâmide Olfativa - 2006

  • Topo - Aldeídos, bergamota, neroli, violeta
  • Coração - Rosa centifolia, rosa damascena, flor de laranjeira, jasmim
  • BAse - Baunilha, íris , vetiver, âmbar, almíscar
Arte Irmã:  Na música Worrisome Heart - Melody Gardot

sexta-feira, agosto 21, 2009

Silk Way - Ted Lapidus

Rota da Seda... Seindstrake.Assim nomeou o geógrafo alemão Ferdinand Von Richthofen, no século XIX, o mais importante caminho comercial, cultural e histórico a conectar Oriente e Europa, antes da descoberta dos caminhos marítimos para as Índias.
Nos séculos anteriores à era cristã caravanas percorriam estas vias, em busca do precioso produto chinês, feito a partir da fibra branca dos casulos da mariposa Bombix mon.Marco Polo fez a famosa viagem no século XIII.Romântica, exótica, caleidoscópia, parece perfeitamente espelhada no aroma doce de Silk Way.
Um caminho difícil e sedutor onde o inesperado aguardando atrás de cada curva atraia aventureiros e desbravadores.
Silk Way, coincidentemente, foi apresentado ao mercado no mesmo ano - 2005 - no qual o Departamento do Patrimônio Histórico de Hong Kong sugeria que parte desta rota se tornasse Patrimônio da Humanidade.
Quatro premissas da casa Lapidus estão representadas no conceito criador deste perfume.: Simplicidade, sensualidade, autenticidade e luxo, e sem dúvida, luxo era o mínimo que poderia almejar quem se lançava na fantástica aventura, a procura dos tesouros orientais, que não se restringiam ao precioso tecido.
Especiarias foram tão cobiçadas quando a nobre seda.

Canela, noz-moscada, cravo-da-índia e gengibre alcançando a Europa tornaram-se símbolo de opulência e poder, privilégio dos ricos e influentes.
A fragrância delicada deste floral oriental mescla a luxúria sensual e exótica das especiarias do oriente em característica linear e requintada que sustenta seu encanto em toda evolução.
As notas de frutas do Mediterrâneo, cidra, maçã e pêssego, acentuadas pela canela e cedro conferem uma sofisticação inesperada ao aroma singular.
Este picante não usual destaca-se junto ao acento leitoso da baunilha bourbon, cuja cremosidade lembra a suavidade do leite de coco. Combinação que leva o acorde à suave frescor, quase cintilante, como o brilho e sedosidade que lhe serviu de inspiração.
Especiaria que caminha fiel até o final da viagem olfativa, modificando suas nuances quando flores flutuam sobre a nota abaunilhada e quando se destaca o acorde amadeirado, seco e fresco do cedro.
Mesmo durante as oscilaçoes característica na evolução de um perfume o especiado é constante, como ritmo cadenciado e musical a lembrar a poesia aromática que envolvia tais jornadas às longínquas terras orientais.
Drydown doce não esconde a presença do incenso, constante e suave como se estivesse aguardando a chegada ao seu destino para celebrar, se consumindo em fogo.
Mas esta doce inspiração que se acaba em âmbar e brando almíscar tem vida mais curta que os demais e extremamente persistentes aromas da grife. Não perdura como Ted Lapidus masculino ou como o agreste e primitivo Creation... É mais fugaz, a lembrar um delicioso e aromático devaneio.
Fixação de 6 h à 8 horas.





Família Olfativa: Floral Oriental, 2005
Pirâmide Olfativa:
  • topo - Cidra ou cidreira, maçã, pessego de Vigne
  • Coração - Peônia branca, jasmim sambac, cedro azul, canela do ceilão
  • Base - Incenso, almíscar branco, âmbar, fava tonka, baunilha bourbon.
Vai ao Shopping? Confiras preços e marcas nas boas lojas que abrem suas portas em Perfume Bighouse 

VÌDEO - Danse Indienne, Art, Grace et Maitrise

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Imagens: Polo in Bukara do Le Livre des Merveilles secXV; Especiarias de kaKafofys.multily.com/journal;frasco de silk way -photo Elisabeth Casagrande

quinta-feira, agosto 20, 2009

Pasha de Cartier - Cartier

Esta lavanda chega afoita e mentolada mostrando um dulçor agudo.
Mesmo que o melífluo acorde encontre eco na madeira de pau rosa e nas doces flores, não consegue esconder o acento picante de cistus e patchuli.
Evolui nesta gangorrra onde se alternam doçura refrescante e especiado.
Todos elegantemente comedidos para impressionar com sua casual sofisticação.
Impressão reforçada pelo musgo de carvalho e sândalo que amenizam a nota apimentada.
Não existe traço de doçuras extremadas e abaunilhadas, somente suavidade polvorosa e almiscarada de sândalo e flores, frescor aromático de menta, tomilho e pinceladas de coentro.
Fougere clássico na combinação da lavanda, musgo e patchuli também denota requinte na discrição e frescor.
Fragrância notadamente masculina, que habituamos relacionar com o homem ativo, profissional, talvez enfrentando reuniões no começo do dia, desejando estar impecavelmente perfumado e ... sem ostentações durante toda uma jornada de trabalho.
Revela classe densa e amadurecida.
Entretanto, gasta sua energia em poucas horas e pede reaplicação.
O lado positivo é que pode enfrentar os compromissos noturnos, típicos deste profissional compenetrado nas suas ambições de sucesso.
Clássico, na fórmula reconhecida não surpreende nem desaponta. Boa composição.


Familia Olfativa: Fougere-Aromático amadeirado, 1992
Gênero: Masculino
Perfumista:Jacques Cavallier
Rastro: Intenso
Fixação: Boa
Pirâmide Olfativa:
  • Topo- Tangerina, lavanda, tomilho, menta, cominho armênio, aniz estrelado
  • Coração- Pau rosa, coentro, corbeille d'or ou alisso, coentro
  • Base - Musgo de carvalho, cistus (ládano), patchuli, sândalo

quarta-feira, agosto 19, 2009

Armani Code - Giorgio Armani


Usamos códigos ou eles nos usam?
Provavelmente ambas as situações considerando que ao adquirirmos consciência, enquanto espécie, da realidade que nos circunda, sentimos uma necessidade vital de comunicação.
Expressamos nossos desejos e intenções ou procuramos escondê-los através de sinais, sons, imagens e posturas corporais com intensidade.
A escrita sofisticou-se, as fórmulas matemáticas e químicas proliferaram, códigos binários são usados por máquinas sofisticadas.
A sociedade vive em code.
Nas relações humanas e emocionais é lugar comum, sendo a linguagem corporal estudada e planejada minuciosamente.
Mensagens subliminares nos circundam e somos por elas dirigidas, sem que percebamos, na ofensiva dos meios de comunicação, nos quais somos literalmente viciados, numa versão atualizada do Big Brother de George Orwell no livro "1984".
Um destes códigos encontrou-me distraída e despreocupada, num passeio pelo shopping, uns dois anos atrás.
Repentinamente levantei os olhos e deparei-me com um painel onde uma linda jovem, sedutoramente vestida, prendia a nossa atenção com olhar eloquente e direto dizia:


- Estou enfeitiçando, dominando, emitindo ondas de fascinação ao meu redor. Sou única na multidão.
E as fisionomias, posturas, cores e contexto masculino a sua volta confirmavam. Fascinava o sexo oposto.
Foi quase automático aproximar-me de uma vendedora para experimentar aquele código sofisticado e envolvente: Armani Code. Gostei de imediato. Passado algum tempo provocou desconforto. Alguma notinha irritava... releguei ao fundo da memória... Reneguei um código.
Recentemente provei mais,  e...  gostei, mais e mais...  sucumbi.
Armani Code realmente tem para mim um acento irresistível que provoca o desejo de usar.
O acorde que percebemos imediatamente é cítrico doce e elegante cujas características anisadas e apimentadas envolvem completamente.
Constantemente.
Do começo ao fim, instigando os sentidos.
Torna-se sofisticado e trés chic quando abraça o floral, branco, cremoso e doce.

 

As laranjas transmutadas em flores de laranjeira, adornadas com especiarias a lembrar anis, toque muito leve de gengibre, adquirem, ao passar do tempo, uma suavidade polvorosa, como se houvesse um pout pourri de almíscar, sândalo e íris em perfeito equilíbrio.
Densidade e sustentação se encontram no aroma discreto e fresco das madeiras.
Uma fragrância original que aposta em cítricos diferentes dos corriqueiros, opondo nota de laranja amarga à laranja doce provocando o equilíbrio percebido na neutralização da acidez, arrematando em doce mel
Sillage encantadora e ótima fixação no lindo frasco em rendilhado azul noite, que evoca mistério e natural sensualidade.
Ouvi comentários sobre semelhança com Classique de Jean Paul Gaultier. Não percebo tanta... Talvez um leve toque frutado, floral e especiarado no começo, que logo perde força para o jasmim e tuberosa de Classique que evolui denso, em acento animalic.
Code caminha mais etéreo e leve. Parecem-me distintos.


Família Olfativa: Floral,2006
Perfumistas: Carlos Benaim, Dominique Ropion, Olivier Polge
Gênero: feminino

Rastro: Intenso
Fixação: Muito Boa
Pirâmide Olfativa:

  • Topo - Laranja doce italiana, laranja amarga africana, jasmim sambac
  • Coração - Absoluto de flor de laranjeira tunisiano, jasmim indiano
  • Base - Baunilha de Madagascar, mel
Arte irmã: L'Excessive  na interpretação de Carla Bruni

Eu não tenho uma desculpa,
É inexplicável
Até mesmo inexorável,
Não é pelo êxtase, é que a existência,
Sem um pequeno extremo, é inaceitável...


Imagens: Capas do livro George Orwell edição brasileira e edição britânica; Frasco de Armani Code de images Macy's.

segunda-feira, agosto 17, 2009

Acqua Allegoria Ylang Vanille - Guerlain


Guerlain apresenta uma perfumaria magnífica, densa rica, exuberante, porém confesso que não me animava à experiência desta seleção: Acqua Allegoria.
Talvez houvesse um pequeno receio da decepção, de perder o encantamento.
Assim mantive reservada distância, não procurei; entretanto duas amostras me encontraram e surpreenderam.
Ylang & Vanille tardiamente, pois a Rosa Magnifica parecia mais sedutora.
Realmente foi uma grata surpresa e voilá... Ylang & Vanille também.
Esta não é baunilha de pudins de leite, de cocadas ou aromatizadores de ambiente.
É o casamento ideal com uma flor dulcíssima e requintada- ylang ylang.
Sinérgica combinação sustenta toda a fragrância, aparentemente simples, que revela no evoluir um súbito acorde licoroso como se as duas notas emergissem dum aromático barril de rum ou cognac, junto ao odor levemente incensado das madeiras, arrastado pelo álcool.
Conotação cremosa, densa e embriagante que persiste até o fim alternando com picos de extrema doçura floral.
Enquanto o cravo se faz presente para equilibrar os excessos melífluos, com sua característica apimentada, ylang-ylang tem este mesmo traço acentuado, pela associação com vanille.
Resultam em harmonia saborosa estas forças de nuances diferentes.
Cada uma enaltece na outra o que lhe falta mitigando os possíveis exageros.
O melífero extremado poderia transformar o perfume numa fragrância intoxicante, porém cada um destes poderosos acentos atua no conjunto abrandando ou sublimando, como se dotados de maleabilidade e espírito próprio.
Resvala no demasiado algumas vezes, sem ultrapassar limites provando perícia e arte.
Pessoalmente gostaria de quebrar ligeiramente o aromático alcoólico, diminuindo o frenesi da fragrância e sua conotação festiva, entretanto...nem Guerlain criaria a vanille perfeita.

Família Olfativa : Floral,1999
Perfumista:Mathilde Laurent
Gênero: Feminino
Pirâmide Olfativa:

  • Topo - Cravo, ylang ylang
  • Coração - Jasmim
  • Base - Baunilha
Arte irmã na Poesia

A BAUNILHA - Gonçalves Dias ( Manaus, 1861)

"...Eu sou da palmeira o tronco,
Tu - a baunilha serás!
Se sofro, sofres comigo;
Se morro - virás atrás!

Ai! que por isso querida,
Tenho aprendido a sofrer!
Porque sei que a minha vida
É também o teu viver.


 Imagens: Ylang Ylang de Plants of Hawaii.

Acqua Allegoria Rosa Magnífica - Guerlain


Surpreendente e apimentada rosa verde!
Inicialmente não corresponde as expectativas clássicas quanto as rosas.
Quem espera uma aroma róseo, suave, doce e empoeirado desgosta.
O acorde que nos invade a princípio é temperado, ligeiramente cítrico e herbáceo nas folhas de violetas com pimenta.
Segue-se a soma da doçura crescente e límpida encontrada nas fragrâncias aldeídicas, com glicerinado ou ceroso, típico dos finos sabonetes de rosas.
Uma nota indefinida, praticamente gourmand rodeia o acorde principal acompanhada por outras flores, pois esta rosa não reina só.
Faz parte de um bouquet onde percebemos frescor de violetas, temperado e intenso jacinto.
A caprichosa flor acorda tarde do sono inicial para assumir seu papel régio neste jardim, embora não abandone seus pares.
Polvilhar sedoso da provável íris assoma quando a fragrância abranda, delicadamente floral.
É deliciosa pela intensidade, pela adição de outras flores, pelo contínuo verde picante, que permanece abaixo do bouquet, junto a pele, como um artístico cenário, até a cortina baixar.
Infelizmente descontinuada.
Família Olfativa: Floral Aldeídico,1999
Perfumista: Mathilde Laurent
Gênero: Feminino

Rastro: Intenso
Fixação: Muito Boa
Notas olfativas: Íris, violeta, jacinto, rosas, aldeídos


Arte Irmã na poesia de Fernando Pessoa

QUADRAS - Fernando Pessoa
"Rosa verde, rosa verde...
Rosa verde é coisa que há?
É uma coisa que se perde
Quando a gente não está lá.

  
Imagem: Rosa verde de The Flower Expert.