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quarta-feira, julho 29, 2009

Colonia eau de toilette - Acqua di Parma

Em 1916 o mundo vivia a Última Guerra Feudal ou Primeira Guerra Mundial, fundos da premiação Nobel eram relocados, filmava-se Vinte Mil Léguas Submarinas, e dançava-se o tango La Cumparsita.
A vida seguia seu curso a despeito dos desacertos do homem. Não é possível sufocar o impulso criativo nem a busca pelo desconhecido.
Próximo à Parma, um pequeno laboratório de perfumes criava uma colônia que seria sucesso durante décadas: Colonia Acqua di Parma.
Criada para perfumar lenços dos homens elegantes, alcançou a maior popularidade nos anos 30 e 40, caindo no agrado de astros famosos como Cary Grant, AvaGardner e Audrey Herpburn.
Relançada em 1990, pela iniciativa de 3 empresários italianos - Tod's SPA, Ferrari e La Perla - conserva a mesma composição original, fabricada segundo os métodos de tradição.
Em oposição à perfumaria alemã, mais densa e pesada, o aroma suavizado de Colonia foi bem recebido na época, como inovação que era.
A saída vigorosa dos cítricos sicilianos antecede o frescor aromático da lavanda inglesa e a doçura refinada de rosa búlgara, que conferem uma delicadeza ímpar.
Este coração apaixonante é amparado pelas madeiras preciosas da base onde se destacam o cedro, musgo de carvalho, sândalo.
Toda a trajetória emana um aroma especiado atrativo e cálido, como se ínfimas porções de cravo estivessem mescladas às madeiras.
Fragrância atemporal que sobreviverá aos eventuais modismos da perfumaria como um clássico sofisticado, límpido e reconhecível.
A marca Acqua di Parma que atravessando uma transitória perda de popularidade, retomou seu prumo diversificando os produtos, criou linhas de aromaterapia, banho, tratamento e acessórios luxuosos, no mesmo padrão de elegância e refinamento, no tradicional e clássico visual dos frascos e embalagens.
Estes recursos oferecidos em spas e hotéis de luxo determinam um estilo, um padrão de costumes cuja tônica é a opulência.
Atualmente sob a gerência de Louis Vuitton Moet Hennessy (LVMH) inúmeros sucessos estão reeditados e surgem novas fragrâncias.
Na perfumaria nacional, Acqua fresca do Boticário, um dos primeiros cítricos aromáticos da marca, tem uma composição similar e um aroma igualmente refrescante.

Fotos: Frasco de Colonia Acqua di Parma de Jesse Yardley; Echantillon Acqua di Parma.

Família Olfativa: Hespéride aromática,1990 (1916)
Pirâmide Olfativa:
  • Topo - Tangerina, limão, laranja
  • Coração - Rosa, lavanda
  • Base - Musgo de carvalho, cedro, sândalo
Vai ao Shopping? Confiras preços e marcas nas boas lojas que abrem suas portas em Perfume Bighouse 

Arte Irmã na música...
VÍDEO: La Cumparsita do Filme TANGO de Carlos Saura


Mogador eau de parfum - Keiko Mecheri

Deusas gregas e flores sempre estiveram associadas!
Mais bela de todas, Afrodite é figura mítica que carrega consigo o fascínio da rosa vermelha e do jasmim.
Seja chamada de Vênus, Dionéia ou Iemanjá, a que surgiu das espumas do mar, concebida pela união de um deus dos céus e uma deusa das águas, foi muitas vezes representada entre flores, símbolos da sua feminilidade e das paixões que despertou.
Principalmente como as de Mogador .
Concepção delicada que encanta ao exalar seu fragrante jasmineiro embalando um bouquet de rosas - da turquia, damascena e dates.
O jasmim da noite ou dama da noite rouba a cena e no seu ímpeto recorda a evolução sedutora do bouquet de J'adore.


Não um solifore mas um dueto apaixonado entre este casal adorável, como nas histórias de Afrodite, que segundo a lenda, tingiu de vermelho uma rosa branca, ferindo-se nos espinhos ao acudir seu amor Adônis, a beira da morte.
 Intenso e feminino, sua sillage elegante persiste algumas horas e desvanece em suave doçura, como espumas nas ondas do mar.
Um equilíbrio aprazível nunca encontrado nos deuses do Olimpo, afeitos às paixões exacerbadas e egoístas, é presenciado em Mogador.
O encantador bouquet está enlaçado à almíscar e discreta baunilha que conferem sofisticação e elegância.
Madeiras e especiarias muito leves contribuem nesta sustentação de base, dedicadas a não empanar o brilho das flores.

Na aparente simplicidade está a beleza que o adorna, como nas histórias míticas da cultura grega um dos berços da nossa civilização.
Mogador atingiu um equilíbrio interessante entre o jasmim da noite e as rosas, visto que uma flor realça a outra, sem excessos que possam incomodar quem usa ou sente, mantendo o impacto olfatório.
Nesta fragrância existe uma variação elegante na combinação com rosas que foge à inocência frutal das rosas de Rose-Dasmacena e do gourmand da rosa-chá de Gourmandises.

Família Olfativa: Floral
Gênero: Feminino
Rastro: Intenso
Fixação: Muito Boa
Perfumista: Keiko Mecheri
Notas Olfativas: absoluto de rosas (turquia, damascena, dades) de Grasse, jasmim-da-noite ou dama-da-noite, almíscar.

KEIKO MECHERI


A coleção keiko Mecheri, atualmente com 30 aromas, e prevista ampliação para 2010, na introdução de novidades, é inspirada numa visão do mundo, que extrapola os limites de um laboratório em perfumaria.
Fundada em Beverly-Hills - 1997 - teve como objetivo trazer da Europa técnica e tradição que aliadas à matéria -prima primorosa pudesse fornecer perfumaria de alta qualidade para o mercado americano.
Diretora artística da marca, keiko desenvolve as fragrâncias, contando com o apoio técnico de perfumistas, e usando como inspiração suas viagens, narrativas místicas ou históricas, metáforas e situações que fujam ao confinamento.
Desenvolve uma perfumaria que trabalha com variantes de uma nota principal, usando óleos naturais embora não tenha oposição à matéria-prima sintética.
Keiko Mecheri tem predileção por rosas e suas variações na Natureza. Dentre seus perfumes preferidos cita Bois de Genie que foi inspirado no filme Throne of Blood cujas cenas numa floresta mostram árvore tão vívidas como se estivessem habitadas por espíritos.
Os mais famosos da grife incluem Loukhoum edp, Umé, Oliban, Hanae e Peau de Pechê.
Em 2009 ocorre uma repaginação dos perfumes e frascos, incluindo Loukhoum, e na transição deste ano para 2010 seis novas fragrâncias estão em lançamento, como o promissor Crystal d'Ambre.

domingo, julho 26, 2009

Mystere eau de parfum - Rochas


" Por mim eu sei que há confidências ternas,
um poema saudoso angustiado,
se uma rosa de há muito emurchecida,
rola acaso de um livro abandonado.
O espírito talvez dos tempos idos
desperta ali como invisível lume...
E o poeta suspirando:
- Bem me lembro... era este o seu perfume!"
Falava de amor o poeta Antonio Castro Alves, embora quem leia possa interpretar com o que lhe vem à alma.
Falava de saudades, de amores vividos ao longo do tempo. Talvez de primeiros amores.
Quantos há ! Todos inesquecíveis.

Um destes primeiros amores chegou após a adolescência, signature parfum como ainda não havia acontecido.
Minha predileção era inconstante e passageira, imatura, quando, no início dos anos 80, entrei numa perfumaria fina e encontrei um lançamento da casa Rochas.
Existe química com objetos ? Isto pode ser racionalizado?
A atração foi irresistível, pois encantei-me com aquele frasco retangular de tampa oblonga desproporcional, deselegante e simultaneamente bela, encerrado numa caixa vermelha e clássica, evocando paixões.
A fragrância ?
Como explicar Mystere se nunca consegui compreendê-lo... Apenas soube que era meu assim que acariciou a pele.
Complemento perfeito, último, e imprescindível como afirmava Chanel.
Sensual e intensamente feminino com seus acordes exóticos, resinosos aveludados e secos, fugindo dos padrões florais, aromáticos leves e almiscarados, que eram tão frequentes no meu círculo de referências.

Conquistou-me desde as primeiras notas, onde o cortante e cotidiano cítrico perdia espaço para um inusitado gálbano, temperado por coentro e pela rara cascarila.
Quente e singular, envolvia com o que sempre me pareceu cheiro de boneca nova ao sair da caixa.
Iniciava lúdico e provocante.
Premissa de resinas e madeiras abria-se num bouquet discreto porém exótico.Ylang ylang e rosas personalizadas pelo apimentado cravo, pelo frescor de lírios e violetas, contribuíam com uma disfarçada doçura.
Contudo flores não eram a atração principal!
O sofisticado coração de Mystere estava nas gum resinas, na cascarila e madeiras que traziam a maciez de couro, curtido com ervas de uma natureza sombreada, obscura e instrigante.
Raízes aromáticas como a de íris, vetiver, folhas de patchuli e artemísia, benjoim, mirra doce e musgos executavam uma partitura complexa, rica e animalic.
Sillage e fixação poderosas, não raro persistia de um banho para outro, e sob vapores quentes se desprendia da pele revelando novamente seu poder e encantamento.
Como explicar esta magia de uma fragrância que interage com o corpo e o espírito?

Que saudades de Mystere... do último e verdadeiro frasco, pois recentemente consegui uma pequena fração do que dizem ter sido uma edição ligeiramente modificada, ou falsificada.
Um toque mais doce e floral, menos terroso e animalic, menos enfeitiçante.
Certamente aquele cálido e sedutor aroma não é possível atualmente, devido à falta de matéria prima, cuja extração não é permitida ou está restrita.
Um pequeno e incontestável sacrifício pelo bem estar das espécies.
Belos perfumes se foram. Outros seguirão o mesmo caminho. Seja pela falta de sucesso comercial ou ausência de componentes.

Alguns ficarão em nossas memórias de forma definitiva, como Mystere, que continuará indecifrável e insubstituível.
Somente a recordação enigmática, diluída e etérea permanecerá, provocando uma vaga nostalgia, até não sobrar mais nenhuma gota.
Uma bela melodia a pairar no ar.
Afinal, como dizia Marcel Rochas - " O perfume é a música dos corpos"

Similaridades
Durante anos procurei fragrância que fosse parecida com o descontinuado Mystere. Nunca encontrei uma que preenchesse a maioria das suas características. Entretanto há um parentesco olfativo com Balmain de Balmain e com o nacional Água de Verão Damas de Companhia da Terra.  Comentários citam Magie Noire de Lancome ( há boa distância) e Parure Guerlain (não experimentado).



Família Olfativa: Sharp Oriental (chypre couro), 1978
Perfumista: Nicolas Mamounas
Frasco: Robert Grai, Serge Mansau
Rastro: Intenso
Fixação: Excelente
Pirâmide Olfativa: Em torno de 200 substâncias constituintes
  • Topo - Gálbano, coentro, cascarilla, jacinto, madressilva
  • Corpo - Rosa da Bulgária, ylang ylang,violeta, narciso, jasmim, tuberosa ou angélica, lírio, cravo, alecrim, íris, magnólia
  • Base - Cipreste, madeira de cedro, sempre-viva, almíscar, civeta, patchuli, stirax (benjoim, musgo de carvalho, gum resinas.

Comentário V.I.P.

EU GOSTO
Falar sobre Mystere, para mim, supera a descrição do evoluir do seu aroma.
Está muito além de ser apenas uma fragrância de preferência e acredito ser impossível descrevê-lo desapaixonadamente.
Sua lembrança é cercada de carinho e certa melancolia, pois ele foi o preferido da minha mãe por muitos anos, até sua venda ser interrompida por aqui.
Foi com grata surpresa que me deparei com um, durante uma viagem.
Claro, não tive dúvidas! Arrematei dois frascos.
Assim, como várias fragrâncias que marcaram a década de 70, Mystere debulha-se em sândalo, patchuli e carvalho, temperado com notas resinosas e especiarias.
As florais que se pronunciam são discretas, pitadas a atenuar uma presumida agressividade.
É um perfume capaz de sintetizar a determinação, sensualidade, sofisticação e diligência de uma mulher que nasceu pronta para enfrentar todos os desafios, de correr com os lobos, atingindo o ápice de suas qualidades, quer carregue o frescor dos primeiros anos ou a intensidade das vivências acumuladas na maturidade.
A melhor imagem que representa tudo o que esta obra-prima guarda em seu interior é o instante que antecede o ataque de uma grande felina, onde ela, expectante, aguarda silenciosa qualquer vacilo de sua presa, sem perder o porte ou encanto.
Para mim este é o grande mistério de Mystere. Aline

MAISON ROCHAS - NICHOLAS MAMOUNAS
A história deste perfumista está entrelaçada com a da casa Rochas .
Marcel Rochas designer de modas e sua esposa Helene, iniciaram uma linha de perfumes que complementava as criações de moda.
Fragrâncias exclusivas como Air Jeune, Audace e Avenue Matignon eram vendidas com exclusividade no atelier.
Em 1944, o primeiro grande sucesso - Femme - criação do notável Edmond Roudnitska, era envasado num frasco Lalique, inspirado na voluptuosidade da silhueta de Mae West cliente fiel do modista.
Listas de espera indicavam as clientes que conseguiriam um frasco do cobiçado perfume, durante o período crítico do pós-guerra.
Com seu falecimento em 1954, Helene Rochas tomou a frente dos negócios desenvolvendo as linhas de perfumaria e cosméticos.
Surgiu o segundo sucesso - Madame Rochas, do perfumista Guy Robert. Segundo Helene Rochas era perfume ideal para Jaqueline Kennedy,futura primeira dama, em campanha presidencial do marido.
A senhora Rochas, após conquistar o jet set internacional pelos hábitos requintados e elegância, vendeu a marca para uma empresa francesa, por 40 milhões de dólares.
Antes disto legou outro grande sucesso. Das mãos de Nicholas Mamounas saiu EAu de Rochas - 1970, um clássico que perdura até hoje.
Seguiram-se Mystere em 1978, Macassar em 1980, Byzance 1987, Globe 1991, e Eau de Rochas Homme 1993.
A célebre dama em 1982 voltou a marca como consultora de imagem.
Atualmente o nez Rochas é Jean-Michel Duriez com uma bagagem de criações para Jean Patou, Gucci, Dolce & Gabbana e Hugo Boss.
Grandes perfumes marcaram o crescimento da maison, frutos de longas pesquisas a perdurar anos. Trabalho minucioso onde a batuta do nez regia a execução e determinava uma fragrância inovadora.
Outros tempos onde o único excesso era a qualidade.
Nada comparável às hipérboles atuais, como cita o conceituado perfumista Michel Roudnitska em recente entrevista. onde discorre sobre os exageros em abundantes e frequentes similares, nas várias edições especiais de um sucesso, nas inúmeras restrições aos produtos naturais que a longo prazo resultarão no seu desaparecimento, pela falta do incentivo em cultivo e produção.
Concordamos em gênero e espécie.

PERFUMES ROCHAS
Avenue Matignon -1936
Audace - 1936
Femme - 1945
Mousseline - 1948
Eau de Verveine- 1948
Moustache - 1948
Mouche - 1949
La Rose de Rochas - 1960
Madame Rochas -1960 (2013)
Monsieur Rochas - 1969
Eau de Rochas - 1970
Mystere - 1978
Macassar - 1980
lumiere - 1980
Lumiere original - 1984
Byzance - 1987
Globe - 1991
Eau de Rochas homme - 1993
Tocade - 1994 (2013)
Byzantine - 1995
Fleur d'Eau - 1996
Tocadilly - 1997
Rochas Man - 1999
Aquaman - 2001
Aquawoman - 2002
Absolu - 2002
Lui Rochas - 2003
Poupee - 2004
Absolu Intense Simply Red - 2004
Reflets Eau de Rochas -  2006
Reflets d"Eau de Rochas Pour Homme - 2006
Desir Pour Femme - 2007
Desir Pour Homme - 2007
Rochas Soleil - 2008
Eau Sensuelle - 2009
Eau de Rochas Fraiche - 2010
Muse de Rochas - 2011
Les Cascades de Rochas - Eclat d'Agrumes - 2012
Les Cascates de rochas Songe d"Iris- 2013
Secret de Rochas - 2014
Secret de Rochas Oud Mystere - 2014
Eau de Rochas Limited Editions 2014

sexta-feira, julho 10, 2009

Rumba eau de toilette - Balenciaga Paris

ESPÍRITO DA FRAGRÂNCIA
Algumas coisas são tradicionais, outras arcaicas.
O bar Stuart sobreviveu na minha cidade desde 1904 tornando-se ponto turístico, servindo as mesmas iguarias entre as quais seu prato mais famoso: Testículo de boi.
Isto era impressionante para a menininha que passava na frente e espichava olhos interessados para ver os tais petiscos.
Porém o curioso, que permaneceu por décadas, foi a machista tradição de não permitir a entrada das mulheres.
Nada mais estimulante para um espírito contraditório com leve tendência à rebeldia.
Adquirido o hábito, na década de 80, de frequentar os  cafés da boca maldita, também redutos masculinos, certa ocasião  resolvi que seria a vez do bar Stuart.
Empinei o nariz, aproximei-me da porta e ... Que decepção! Havia não uma, mas três mulheres lá dentro!
Nada de pioneirismo rebelde, dei meia volta.
Até hoje não sei como a tradição foi por terra e nem vi os tais testículos de boi. Mas não importa, pois parece que o bar mudou de dono.
Foi-se a tradição e o costume arcaico também.

O que isto tem a ver com Rumba ? Tudo e nada.
Para enfrentar o frio e a chuva de interminável cinza na cidade serrana coloquei várias gotas de Rumba e saí sufocando a população.
Sim, pois Rumba é denso e há  de se ter moderação para ser apreciado, contudo  é fácil  indutor  à transgressão.
Seu aroma facilmente  transporta para  época de transições da provinciana cidade do Sul, cujos costumes enraizados eram preservados com gana.
Gloriosos anos 80 de perfumes intensos, das festas enfumaçadas nas discotecas, quando cuba libre e pipermint eram bebidas da moda, dançava-se ao som dos Bee Gees, garotos ainda andavam na ginga de John Travolta (Saturday Night Fever), e era possível transitar pelas ruas, de madrugada, com risco mínimo.

Perfumes como Opium, Samsara, Loulou, Café e o fascinante Mystere faziam sucesso entre as jovens mulheres.
Aromas orientais, intensamente especiados e enfumaçados, florais mais que exuberantes fizeram desta década a geração over da perfumaria.
Hoje estão no imaginário das pessoas mais jovens como"datados" e das maduras como saudosismo.
Rumba by Balenciaga cai feito uma luva dentro desta safra, pois detém todos os ingredientes clássicos.
Inspirado na caliente batida latina, na verdade dança ao ritmo daquela década e na cadência das mudanças comportamentais, desencadeadas pelos movimentos que marcaram uma geração, agora amadurecida.

SENSAÇÂO OLFATIVA
Libertação de embolorados conceitos, lufadas de renovação.
E assim explode Rumba numa empolgação frutal de pêssego e variedades de ameixas. Alegre intensamente doce e quase inocente.
Antes do acento cintilante de frutas e flores existe um prenúncio do couro e especiarias da base, em animalic caloroso, exótico, surpeendente pela precipitação e ousadia das notas.
As flores mesclam-se de forma intoxicante pela presença das personalíssimas tuberosa (angélica dos jardins) e magnólia, num ramalhete impreciso.
Não tarda o drydow.
Doses generosas de musgo, patchouli, baunilha e couro transformam a candura entusiasmada do início num aroma denso, apimentado, com enevoado e seco incenso.
Madeiras e resinas amparam a evolução e junto com as notas aldeídicas mantém flores, e parte das notas frutais, vívidas por longo tempo.
A sensação de bouquet polvilhado com dosada canela se transforma gradativamente em poeira seca de lenho empilhado ao sol.
Sillage e fixação típicas desta perfumaria exuberante caracterizam seu aroma sensual e noturno, bastando duas gotas para que revele a riqueza da composição.
Muitos são os perfumes desta década variando em torno deste tema oriental e especiado; entretanto Rumba apresenta diferencial no prolongado e aldeídico acorde de topo, constituído por frutas suculentas e frescas em harmonia com flores poderosas.
Sofisticada, dona de saliente e explícito aroma enfumaçado, animalic é fragrância "datada" e como muitas do gênero está relegada ao ostracismo ditado pelos caprichos da moda.

SIMILARIDADES
Além de se enquadrar no mesmo estilo das fragrâncias citadas acima, leitores de revista on line apontam como semelhantes Rumba Passion Ted Lapidus , Varensia Ulrich de Varens, Parfum de Peau Montana, Asja Fendi.


FICHA TÉCNICA
Família olfativa: Oriental amadeirado,1988
Gênero - feminino

Perfumista: Jean Claude Ellena e Ron Winnegrad
Rastro - Intenso
Fixação - Ótima
Pirâmide Olfativa:
  • Topo - Mirabelle (variedade de ameixa amarela), pêssego, ameixa vermelha
  • Coração - Orquídea, magnólia, jasmim e angélica
  • Base - Patchuli, baunilha, musgo de carvalho, couro

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Imagens - Publicidade Rumba by Balenciaga de Perso Numericable; Cafezinho de Arte-Aberta; Drink Cuba libre de Grill Grinds;

quinta-feira, julho 09, 2009

Bond nº9 New York - Colonias e Fragrâncias

Bond Nº9 pródiga em fragrâncias de qualidade nos convida a imaginar. Quem poderia usar esta ou aquela? Personagens da literatura, do jet set, do cinema...
Algumas como as belas, audaciosas e encantadoras criaturas que se tornaram-se ícones mundiais.
As imbatíveis garotas a serviço da agência de detetives do misterioso Charlie Townsend.
Pragmática e intelectual Sabrina, sensual e envolvente Jill, completavam com a doce Kelly, aparentemente frágil, um trio que encantou a geração jovem dos anos 70.
 The Charlie's Angels ou no Brasil -As Panteras, não eram de New York, mas poderiam ser.
E provavelmente asssim como acontece na grife Bond n 9 cada uma encontraria eco à sua essência nos recantos e bairros da Big Apple.

 Jill seduzida pela aura fashion da Quinta Avenida optaria pelas estonteantes tuberosa e gardênia de Saks Fifth Avenue for Her.
O romantisno de kelly seria atraído pelo encantamento da Broadway na cremosidade doce e abaunilhada de Broadway Nite.
Para Sabrina restaria o mistério de traduzir em aroma um conceito de paz nesta imensa Babel, onde se houvem os idiomas do mundo. Escolheria a luminosidade floral de The Scent or Peace.
E arrebatariam New York brilhantemente, fragrantes, intempestivas e femininas estas garotas Bond Nº9!

 Saks Fifth Avenue, intoxicante e intrigante explode em jasmim e angélica  no embate poderoso cuja intensidade reduz quando outras notas tentam aflorar, como a brava gardênia, envolta em brumas espessas destas flores  junto a  suave baunilha.
Durante oscilantes momentos sentimos aroma de orris, delicado, sem imprimir sua característica polvorosa, apenas conferindo uma certa sedosidade, talvez cortada pela lâmina afiada de um incipiente e ativo vetiver.
Este equilíbrio entre  excessos doces e exóticos das flores iniciais está representado na força evolutiva das raízes, que temperam com discreto herbal.
A literatura cita outras flores como violetas e malvas incluindo  notas de banana. Talvez expliquem as nuaces deste bouquet requintado ora cremoso, ora metálico de especiarias picantes.
Uma evolução que surpreende fugindo da que poderia ser uma fórmula classicista e conhecida.
Sillage intensa, fixação persistente, para as amantes de tuberosa, gardênia e outras exóticas flores brancas, um perfume a ser conhecido.
Encerra o perfume um frasco sinuoso característico da marca, cujo duo preto e branco com as letras N e A grafitadas nasceu do conceito fashion representativo das grandes lojas de NY, encabeçadas pela tradicional Saks da Fifth Avenue.
Fragrâncias desenvolvidas em torno de bouquets exóticos, nesta mesma linha, podem ser encontradas nas grifes Liz Claiborne- Bora Bora, Montale- Intense Tiaré ou Boticário - Sensuelle Essence, variando em intensidade, nível de doçura e coadjuvantes.

Saks Fifth Avenue for Her
Família Olfativa:
Floral,2007
Perfumista:
Michel Almairac
Rastro: Intenso
Fixação: Ótima
Pirâmida Olfativa:

  • Topo - Jasmim, tuberosa
  • Coração - Gardenia
  • Base - Vetiver , baunilha
Broadway Nite ramalhete urbano e aldeídico envolto em favas de baunilha, traz a luz neon e a fantasia dos teatros da Brodway.
Bouquet floral onde o início revela em intensidade aldeídica frescas violetas, gradativamente suplantadas pela doçura de rosas.
Participam desta feminilidade floral as notas de madressilva esmaecidas no suave aroma de leite de coco do heliotrope e favas de baunilhas.
Toques amadeirados, de âmbar e cedro junto ao equilibrado almíscar conferem equilíbrio à cremosidade láctea que acompanha este aroma até o drydown apimentado e doce.
Evoluindo do frescor de violetas até a cálida baunilha da base, esta fragrância intensa, denota um aldeídico contemporâneo, que apesar das notas artificialmente construídas, mantém uma aura de jardim exuberante.
Esta característica é devida a atuação de notas florais isoladas, quentes e doces, aqui atuando para diminuir a artificialidade e pungência das aldeídica.
Comparado a Paris by Yves Saint Laurent guarda semelhança na jovialidade e cintilância floral, porém afasta-se dos clássicos, pois atinge o final morno, suave, especiado e surpreendente de característica quase oriental. Este acento doce e leitoso lembra a evolução de Sicily by D&G.

Broadway Nite
Família Olfativa: Floral aldeídico,2003
Perfumista:Maurice Roucel
Rastro:Intenso
Fixação: Muito Boa
Pirâmide Olfativa:
  • Topo - Aldeídos, violetas
  • Coração - Rosa, madressilva, íris, heliotrópe
  • Base - âmbar, fava de baunilha, madeira de cedro, almíscar.
Scent of Peace surpreende em notas serenas e doces, talvez na tentativa de reproduzir a sensação de conforto deste status de tranquilidade.
 O início gourmand aliado a leveza dos lírios do vale traduz a principal característica da fragrância e a presença de grapefruit mal consegue disfarçar o aroma de groselha negra em deliciosa geleia.
Delicado mas intenso, a medida que cresce o acorde de base, avulta o frescor do cedro em suave almíscar salientando o floral dominado pelos lírios.
Elegante, naturalmente sofisticado e confortável, nada é over neste aroma.
Criado em resposta ao ataque das torres no fatídico 11 de setembro, realmente é um aroma que evoca conforto e contemplação.
Durante a venda em 2006 para cada frasco vendido dois dólares eram destinados aos fundos da UNICEF.
Existe no acorde envolvendo cedro, groselha e grapefruit uma combinação que relembra Light Blue de D&G embora menos especiado e cítrico, com acentos mais doces.
Meu preferido ou o que combina mais com a química da pele , sem dúvida o mais agradável ao meu olfato.
Em 2007 uma edição especial chamada The Scent of Peace Holiday apresentou o frasco adornado com cristais Swarovski.

The Scent of Peace, 2006
Família Olfativa: Floral amadeirado almiscarado
Perfumista:Michel Almairac
Rastro: Moderado
Fixação: Muito Boa
Pirâmide Olfativa:
  • Topo - grapefruit e groselha negra
  • Coração - lírio selvagem ou lírio do vale.
  • Base - Madeira de cedro e almíscar

Arte irmã: Em homenagem à Farraw Fawcett uma das belas "Panteras " da série original- Good Bye com Frank Sinatra.


Imagens: Charlie's Angels logo de Wikipedia; The Swarovski All Star - Fragrantica; Saks Fifth Avenue for Her e for Him de 100mililitros.com; Frasco de The Scent of Peace Holiday de A Touch of Blusher.

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