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quarta-feira, abril 15, 2009

Arpège by Lanvin


Aproxima-se uma noite fria. Não gélida apenas fria, outonal.
Baunilha quente e doce acena em opções alegres, intensas, porém estou nostálgica hoje.
Antecipo talvez, o cair das folhas no outono.
Procurei uma baunilha madura, menos vivaz, carregando consigo uma história densa que acalente a noite desprovida de luar e estrelas .
Arpège!
Um perfume a contar histórias.


Relata-se que foi uma homenagem de Madame Lanvin aos 30 anos de sua querida filha Marguerite, talentosa musicista.
Entretanto as notas que emanam do lindo frasco idealizado por Armand Rateau, estampando o símbolo do amor materno, no elegante desenho Art-Deco, sussurram outra história aos meus ouvidos.
O relato de uma vida aguerrida e vibrante.
Acordes ácidos e cítricos pincelam o início precoce da grande estilista, nos primeiros passos, aos 13 anos, como modesta aprendiz de costura, confeccionando chapéus.


Cortantes, na sua intensidade aldeídica, quase amargos,  como a rejeitar lembranças de época tão conturbada.
Porém em seguida vem  uma doçura floral, percebida na rosa e ylang ylang que afloram mostrando ser impossível sufocar a alegria espontânea de uma quase criança.
Vida difícil na virada de século, acompanhando o avançar da industrialização, numa Europa repleta de mudanças conturbadas.
E, num mundo tão masculino...
Trajetória de trabalhos exaustivos, provavelmente sacrifícios, que moldaram a fibra resistente da pequena Jeanne, refletidas  na intensidade do acento  resinoso e condimentado de Arpège.
Arpejo musical, onde as notas são tocadas uma a uma, como numa sequência biográfica, relatando a progressão de uma vida.
Maturidade profissional, amor e maternidade explodem num bouquet floral encantador.
Sucesso vivificado em doces acordes  que nos contam... Enfim novos tempos brindaram aquela que chamaram Madame Lanvin.


Vida intensa, que continuaria pontilhada por acontecimentos vibrantes, espelhados na profundidade das notas agrestes.
Vida suave, onde existiu espaço para a ternura, como numa doce cremosidade de baunilha, nas macias e empoeiradas notas de sândalo, burilando o verde apimentado e incensado do patchuli, vetiver e benjoim.
O final traz um aroma limpo, uma mansidão não submissa, apenas confortável, como se retrospectiva mostrasse missões cumpridas.


Uma vida pródiga.
Será assim? Pouco conheço desta história além das informações triviais que circulam nossa globalidade online.
Entretanto agrada-me pensar que sim.
Imaginar que a senhora Lanvin, em algum lugar, onde sua essência permanece vívida, sorri da minha imaginação pueril.



Ficha Técnica
Família Olfativa : Floral aldeídico,1927
Gênero: Feminino
Perfumista:André Fraisse e Paul Vacher
Rastro: Intenso
Fixação: Ótima
Pirâmide Olfativa:
  • Topo - Aldeídos, Tangerina, Neroli
  • Coração - Ylang-Ylang, rosa, íris, jasmim,coentro, cravo, gerânio, tuberosa, lírio-do-vale.
  • Base - Patchuli, vetiver, sândalo, baunilha, stirax.

Arte Irmã em   Blues In the Night by Katie Melua



Imagens: Arpege de Elisabeth Casagrande; Publicidade Lanvin - Arpege 1927; Modistes Lanvin mlimers-1930; Desenhos da coleção lanvin -anos 20; Ícone Lanvin-Paris , 6 de julho 1946.; Frascos de Arpege pub.

2 comentários:

  1. é..acabo de descobrir que existe um Lanvin chamado "My sin". Eu quero isso e não existe mais, não pelo menos no vidro preto.
    Muito triste.

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  2. Ah...Sarah eu também queria!
    Se pudesse daria uma volta pelo tempo e sentiria todos estes perfumes raros na sua época, recém chegados nas boticas... beijocas de Elisabeth

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