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sexta-feira, abril 24, 2009

Aimez Moi eau de toilette - Parfums Caron


São estranhos os caminhos do pensamento humano.
Oscilava entre Oxygene e Monsieur de Givenchy numa geminiana indecisão entre o perfume agradável, conhecido e a atração do recém experimentado, quando inexplicavelmente assomou à lembrança um aroma da casa Caron.
E chegou claramente associado as cenas de uma memorável e muito antiga comédia, dirigida pela maestria de Zefirelli, e produzida nos anos 60.
Mais precisamente 1967.
Engraçados os meandros da nossa mente, pois Aimez Moi nem havia me encantado! Na verdade a primeira impressão foi de leve desgosto.

Mesmo sendo um presente querido o que predispõem à avaliação tendenciosa e positiva.
Porém, aprendi a desconfiar dos meus breves desgostos. Avalio melhor estes aromas a que resisto. Entre outras coisas a que resisto na vida.
As vezes são frutos de uma estranha rebeldia que comanda meus impulsos. Um "animus contraditorius" que faz até inventar palavras. Não me surpreendem tanto.
Lá estavam na minha memória em rápidos flashs o chauvinista Petruchio e a rebelde Katharina, engalfinhados na sua luta romântica, engraçada e moderna apesar de todo contexto de antiguidade.


Surpreendentemente deparo-me com um Aimez Moi delicioso, encaixado no cenário. Passo a vê-lo com outra perspectiva.
Definitivamente olho para o perfume. Sinto seu aroma medieval, limpo, anisado e campestre.
Inexplicável.
O frasco é o mesmo, a composição idem, e pela lógica, deveria estar ligeiramente oxidado.
Entretanto revelou-se perfeito para a forte impressão olfativa que Taming of the Shren (A Megera Domada) deixou na minha memória.
Percepções sensoriais marcam de forma indelével.
Este é um filme que percorre as gamas do amarelo, vermelho e marrom. Cores quentes acompanhadas pelo sons do campo, dos quintais, das cítaras e de cigarras cantando.
Faz sol na comédia de Shakespeare.
E rescende a Aimez Moi. Inegavelmente.
O acorde de saída é picante, temperado como Katharina e Petruchio medindo forças. Frescor e cítrica acidez são cedidos pela tangerina e cardamomo.

Odor acre que permite entrever deliciosas flores. Doçura vibrante e íntima da mulher prestes a ser conquistada, pressentindo entrega de corpo e alma.
Percebe-se a plenitude desta personagem lindamente representada na beleza e talento da diva Lyz Taylor.
Feminilidade realçada pelo contraste másculo, quente e sedutor das especiarias. O talento de Richard Burton.
Homem, aparentemente rude trazendo um aroma saudável, campestre de plantas secando amarelas, ao sol.
Odor de palha, limpa e seca. Aqui também existem raízes e madeiras. Uma natureza simples e vigorosa.
Desprovida de sofisticação urbana, mas não de diversidade, pois o aroma rico oscila entre notas como numa escala musical.
Para percebê-lo totalmente é preciso apurar o olfato, aguçar a sensibilidade.
Também aqui o final é feliz. Um perfeito equilibrio entre a rudeza e a gentileza.
Encontram-se em entendimento os dois amantes, conquistados, cada um absorvendo e polindo asperezas do outro.


Só poderia resultar numa fragrância docemente amadeirada e ambarada.
De baunilha natural, saída diretamente dos potes de argila, da cozinha fresca e agradável desta casa de campo.
Aimez moi está marcado para mim como a incrível e deliciosa comédia Shakesperiana.
Simples e naturalmente equilibrado em elegância interiorana direto do século XVI.


Família Olfativa: Oriental Floral, 1996
Perfumista: Dominique Ropion
Pirâmide Olfativa:
  • Topo - Tangerina, anis, hortelã, cardamomo, cominho
  • Coração - Violeta, magnólia, jasmim, rosa
  • Base - Rizoma de íris, baunilha, heliotrope, bálsamo de tolu

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Arte Irmã: Na sétima arte  e literatura...
Vídeo: The Taming of The Shrew- Petruchio meets Kahtarina



Imagem: Publicidade Aimez Moi de Enjoei P; Fotos oficiais da filmografia de Franco Zefirelli; A Harvest Field Near Ashburton de Edmond Warren, banner publicitário Aimez Moi.

6 comentários:

  1. Aimez-moi é o típico perfume que nos faz viajar por lugares, épocas e costumes diferentes... trata-se praticamente de uma outra dimensão.
    Ele é o sucessor do lendário e romântico N'aimez que moi, lançado em 1916 durante a 1ª Guerra Mundial, como um meio p/ que os soldados presenteassem suas amadas esposas, uma forma de renovar diariamente os votos matrimoniais enquanto a Guerra não terminava.
    Fontes dizem que Aimez-moi (Me ame)se assemelha ao Après L'ondée de Guerlain, lançado em 1906, 10 anos antes do N'Aimez que moi(Ame somente a mim), o qual presentou traços e notas ao atual Aimez.

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  2. Obrigada Pavel pela contribuição sempre pertinente.Aimez é um clássico! Bjocas

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  3. Hi Dimitris .
    Thank you. You are very gracefull and have a cool blog. Kiss

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  4. Oi Beth! Está divina essa resenha! Sou adoradora de Caron, sendo que Aimez-moi e Parfum Sacre são alguns dos perfumes mais belos que já senti. B-jos!

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  5. Oi Luciana. E imagine que quando senti na primeira vez não gostei muito ..agora, acho maravilhoso. Bjocas

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